Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Aniversário...

Este blogue faz hoje um ano.


 No seu primeiro aniversário, e como forma de agradecimento a todos os seguidores,  deixo o poema Aniversário de Álvaro de Campos  dito por Paulo Autran






No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,



Eu era feliz e ninguém estava morto.


Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,


E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,


De ser inteligente para entre a família,


E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.


Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.


Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.


Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,


O que fui de coração e parentesco.


O que fui de serões de meia-província,


O que fui de amarem-me e eu ser menino,


O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...


A que distância!...


(Nem o acho...)


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!


O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,


Pondo grelado nas paredes...


O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas


lágrimas),


O que eu sou hoje é terem vendido a casa,


É terem morrido todos,


É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!


Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,


Por uma viagem metafísica e carnal,


Com uma dualidade de eu para mim...


Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!


Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...


A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,


O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,


As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!


Não penses! Deixa o pensar na cabeça!


Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!


Hoje já não faço anos.


Duro.


Somam-se-me dias.


Serei velho quando o for.


Mais nada.


Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

6 comentários:

  1. Muitos parabens pelo blogue. Que continue por muitos anos,com muita poesia, muitas experiencias gratas, notícias científicas, pinturas e o fortalecimento da nossa Amizade!

    Beijo

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  2. O poema é lindo, mas triste. O seu blog tem tudo.Beleza, poesia, arte, cultura, ciência.
    Parabéns. Oxalá eu possa lê-lo e apreciá-lo ainda durante muito tempo.

    Um beijo de muita estima e consideração.

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  3. Obrigada a ambas
    Oxalá possamos continuar a escrever e/ou a comentar durante muito, muito tempo
    Um grande beijinho com votos de um Bom Natal
    Regina

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  4. Parabéns pelo aniversário, Regina. E votos de Feliz Natal.
    Pedro

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  5. Se o blogue existe é porque tive um excelente professor. Obrigada Pedro.
    Regina

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  6. Parabéns! Este blogue é um sitio de cultura de conhecimento de sentimento e beleza.
    Votos de muitos e longos anos com esta qualidade!

    Adelaide Pereira

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