Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


terça-feira, 27 de agosto de 2019

Por terras de Espanha


Há já vários anos que, no verão, passamos cerca de 40 dias em Trás-os-Montes, distribuídos pela aldeia do meu marido (no concelho de Moncorvo) e pela minha (no concelho de Alfândega da Fé). No dia 6 de julho rumámos à Adeganha, e na segunda  feira seguinte, chegou o meu filho Miguel com a família. Ambas as aldeias estão relativamente próximas de duas cidades espanholas, Zamora e Salamanca, pelo que habitualmente vamos até uma delas. Antes de vir para o Nordeste, pesquisei na NET outras opções e encontrei referência a duas aldeias entre Salamanca  e Ciudad Rodrigo- La Alberca e Mogarraz. Falei na alternativa ao meu filho que, de imediato, se “pôs em campo” e reservou, para os seis, alojamento para a noite de terça para quarta feira,  numa outra aldeia, Nava de Francia,  próxima das anteriormente referidas. 
Após o jantar, o meu filho apercebeu-se que não tinha consigo os documentos. Tinham ficado em Esmoriz, onde tinham passado uns dias, numa casa que os sogros ali têm. Felizmente o problema teve a solução facilitada. Como tínhamos decidido entrar em Espanha por Vilar Formoso. o meu filho e a minha nora partiram por volta das sete horas, em direção a Esmoriz , e daí rumaram â A25 que passa relativamente perto. Nós, com os netos, partimos mais tarde. seguindo pelo IP2 até à A25,  onde nos encontrámos todos. Rumámos então a La Alberca
https://www.viajarentreviagens.pt/espanha/la-alberca-serra-francia-espanha/.
Antes de almoço demos uma volta pela aldeia. Almoçámos muito bem, na esplanada dum restaurante da Praça Maior.



Depois de almoço passeámos, já mais calmamente. pelas belíssimas ruas da aldeia









Seguimos depois para uma outra aldeia-Mogarraz

Mogarraz foi uma comunidade judaica até o século XV quando todos foram obrigados a converter-se ao catolicismo.Hoje, as fachadas da casas exibem pinturas dos rostos dos moradores dos anos 70, baseadas nas fotografias 3×4 que tiveram que fazer em 1967 para emitir seus documentos de identidade. O pintor Florencio Maíllo, nascido em Mogarraz, usou estas fotos para retratar os rostos dos então 388 moradores da vila. https://meyerpelomundo.com/2015/03/11/serra-de-salamanca-e-seus-povoados-medievais-la-alberca-mogarraz-miranda-del-castanar-e-candelario/






No final do dia fomos até Nava de Francia, onde ficámos alojados na casa rural  La Rana
https://www.booking.com/hotel/es/casa-rural-la-rana.pt-pt.html 

Tínhamos comprado alguns géneros em La Alberca e a minha nora e o meu filho fizeram o jantar. A mim coube-me arrumar a cozinha, tarefa fácil dado que  o apartamento tinha máquina de lavar louça….
Mesmo em frente ao apartamento há um parque muito arborizado onde o meu neto brincou no dia seguinte de manhã.
 
 
 Ao fim da manhã  deixámos o apartamento e fomos até La Peña de Francia uma montanha a 1.727 m com umas vistas soberbas  

 





Dali seguimos para Ciudad Rodrigo, que já conhecíamos de viagens anteriores. 


Era o dia de aniversário do meu filho pelo que fomos almoçar a um restaurante que previamente ele tinha reservado. Ao fim do dia regressámos à Adeganha. 
Na 6ª feira eles rumaram ao Algarve, onde estiveram uma semana. Entretanto, no dia 13 deixámos a Adeganha e viemos para a Parada.
No dia 20 os meus netos regressaram acompanhados de duas amigas da Rita (a mãe veio trazer os quatro mas teve que regressar  pois, quer ela quer o meu filho, já não tinham dias de férias).
Este é já o 4º ano que a Rita vem para a Parada, acompanhada por colegas. As duas que vieram este ano já tinham estado em anos anteriores, uma há três anos e a outra há dois.
Chegaram também no dia 20 os meus dois outros netos acompanhados pelos pais. Como tinham que regressar ao Porto na sexta feira ao fim da manhã,  tivemos que ensaiar à pressa o nosso habitual teatro. Pensava eu que as amigas da Rita já não gostariam de participar pelo que disse à minha neta que as pusesse completamente à vontade. Mas, para espanto meu, quiseram participar, empenharam-se e divertiram-se.

Os seis atores, um pouco desfocados....


Na sexta feira à noite regressaram o meu filho Miguel e a minha nora, para passar o fim de semana e depois regressar ao Porto acompanhados dos filhos,  para fazerem as compras necessárias antes do início do novo ano lectivo (livros, equipamentos...), 
Como era a última noite que as amigas da Rita passavam connosco (tinham que regressar ao Porto no dia seguinte, sábado de manhã) o meu filho marcou um jantar com todos em Mogadouro, onde decorria a festa anual. Por volta das 19,30, o meu marido partiu com as três "meninas" para Mogadouro. Eu e o Bernardo ficámos à espera que os pais chegassem e fomos ter com eles. Por volta da meia noite o Bernardo já “caía “ de sono pelo que regressámos com ele A Rita, os pais e as amigas ficaram e regressaram bastante mais tarde, tentando aproveitar ao máximo a estadia.
No dia seguinte, o meu filhos e a minha nora foram levá-las ao Pocinho onde apanharam o comboio que as  levou ao Porto.
No domingo partiriam também os meus netos e os pais. De um momento para o outro, a casa ficou quase vazia…
No final da  próxima semana regressaremos ao Porto, No dia 6 comemoraremos as bodas de ouro dos pais da minha nora Teresa.




sábado, 27 de julho de 2019

O drama do povo saharaui


Terminei a última mensagem com a promessa de abordar, nesta, o drama do povo saharaui

Chamado de “última colónia da África”, o Sahara Ocidental é cenário de um dos mais antigos – e menos conhecidos – conflitos do mundo. Após a saída dos colonizadores espanhóis, em 1974, o território foi ocupado porMarrocos, provocando uma guerra intermitente e a dispersão da população nómada nativa, os saharauis – que vivem há mais de 40 anos na condição de refugiados e apátridas em sua própria terra. O prometido referendo sobre a autodeterminação desse povo jamais aconteceu. ..

O mapa ajuda a esclarecer



O drama dos saharauis é também tema do documentário de longa-metragem “O deserto do deserto”, de Samir Abujamra e Tito González Garcia. De seguida  podem ver um pequeno trailer do filme (https://www.cineodeon.com.br/movie/o-deserto-do-deserto/) bem como ouvir uma entrevista com o realizador Samir Abujamra

  “Fui “apresentado” ao Saara Ocidental no apartamento de Tito Gonzalez Garcia, em Paris. Lá ele me mostrou imagens impactantes que havia feito numa rápida visita aos campos de refugiados Saharauis, na Argélia. Tive três reações quase imediatas – a primeira foi de curiosidade e espanto sobre aquele conflito tão duradouro do qual nunca havia ouvido falar. Em seguida fiquei arrepiado ao ver aqueles sofridos beduínos falando Espanhol. Por fim fui invadido pela certeza de que tinha de ir ao encontro do Deserto”, conta Samir.
 Confinados na parte mais inóspita do Deserto do Saara, o povo Saharaui resiste há mais de 40 anos de guerra e exílio. As tentativas de recuperação do território foram bloqueadas pela construção pelo Exército Marroquino de um muro com 2.700 km de extensão guarnecido por 140 mil soldados e sete milhões de minas, isolando os Saharauis das enormes riquezas minerais e pesqueiras do território ocupado. O muro marroquino, conhecido como “Muro de la Vergüenza”, é a maior barreira militar defensiva do mundo.
Os cineastas acabaram fazendo parte do conflito quando o jipe em que estavam explodiu ao passar por sobre uma mina antitanque, a apenas 800 metros do destino final – o Oceano Atlântico.
Em Espanha há várias organizações de solidariedade com o povo saharaui e um dos programas que levam a cabo é “Férias em paz”

https://www.youtube.com/watch?v=kzRva9wE-YE 

É esse o caso do jovem Emhamed que está a passar férias em casa do alcalde de Morille e  na foto está ao lado de Salek, de quem falarei um pouco mais abaixo. 




Mas há também jovens que vivem e estudam em Espanha, com famílias de acolhimento e vão passar as férias coma a família, nos acampamentos. No vídeo podemos ver o testemunho duma jovem saharaui, acolhida em Espanha

Mais um  pormenor da exposição com  que o saharaui, Salek  participou no PAN com uma exposição sobre o deserto, exposição já referida na mensagem anterior .  

Muito gentil, Salek brindou os participantes servindo um chá.
Conhecida pelo aroma especial e temperos característicos, a tradicional cultura marroquina foi uma das principais responsáveis pela disseminação do ritual do chá entre os países árabes.
Tudo começou quando os ingleses surgiram com a ideia de misturar o chá às ervas que os marroquinos estavam acostumados a ingerir. Essa mistura fez com que o sabor das ervas fosse suavizado. O grande destaque foi o chá de hortelã, que, por ser mais consumida pelos nômades, rapidamente se espalhou por todo o Oriente Médio. Desde então, o chá de menta é uma das tradições mais conhecidas no Marrocos.
qualquer hora são bons para se beber chá. O hábito de beber chá está enraizado na cultura marroquina e é muito mais do que uma bebida. O chá é todo um significado e ritual ao qual os visitantes não podem ficar indiferentes. Oferecer um chá faz parte do saber receber do povo marroquino, conhecido pela sua hospitalidade. Quando se visita alguém, numa loja ou mesmo na rua, se lhe oferecerem um chá, manda a etiqueta que não recuse. Há toda uma técnica em torno do chá desde a preparação das folhas, a preparação da infusão em si até à forma como é serviço, despejado do bule bastante distanciado do copo para favorecer a mistura com o ar e criar  uma fina coroa de espuma.
Os chás são servidos em copos pequenos dispostos em bandejas de metal. Porém, quando a preparação é feita no deserto, ela acontece de modo mais simples, em pequenos bules de metal esmaltado.https://thegourmettea.wordpress.com/2011/08/02/o-cha-pelo-mundo-marrocos/

Também, gentilmente, propôs oferecer a cada um dos participantes, a escrita do respectivo nome em árabe.
Pedi-lhe então para escrever sete nomes entre eles os dos meus netos, e ofereci “em troca”, um donativo para a causa do seu povo.
Esta lembrança para os meus netos teve ainda uma outra intenção – mantê-los entretidos a pintar o desenho que emoldura cada nome (qualquer actividade que possa tirar os netos do tablet é sempre providencial…) 
Aqui está o trabalho já iniciado pelo meu neto Bernardo
  


PS (Postsriptum)- Na mensagem anterior esqueci-me de contar que, durante a apresentação de um livro, a dada altura, vi na assistência uma pessoa que me parecia ser Mário Tomé, figura emblemática do 25 de Abril.
Comentei com o meu marido e com um amigo e  a reação foi idêntica; Não pode ser. No entanto é muito parecido com a figura que recordamos de há mais de quarenta anos. 
Na apresentação seguinte um elemento da mesa anunciou o livro "Milando" de Paulo Salgado, apresentado por Mário Tomé, "figura emblemática do 25 de Abril".
Curiosamente esteve na Guiné em locais onde o meu marido também esteve, pelo que ainda conversaram um pouco sobre o assunto. 


quinta-feira, 25 de julho de 2019

Festival PAN em Vilarelhos


Passaram já mais de 15 dias sobre o festival PAN em Vilarelhos, Alfândega da Fé e só hoje tive disponibilidade  para  o referir no blog.
O  PAN é um  Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda em Meio Rural. Este festival transfronteiriço de poesia e arte acontece há 17 anos na aldeia de Morille, em Salamanca, tendo chegado a Portugal pela primeira vez em 2015. Começou por se realizar em Carviçais (concelho de Moncorvo) e realiza-se em Vilarelhos desde 2018  


A iniciativa leva arte de vanguarda, poesia, música e cultura aos meios rurais, reunindo diversos artistas de Portugal e Espanha em experiências artísticas e culturais.
Trata-se de uma iniciativa singular, que pretende levar arte a territórios rurais de Portugal e Espanha, promovendo o envolvimento da comunidade e a mostra de artistas de diversas áreas, como a escrita, a pintura, a escultura e as artes performativas e audiovisuais.

Este ano teve lugar nos dias 5, 6 e 7 e Julho de julho em Vilarelhos,  e nos dias 19, 20 e 21 de julho em Morille, Salamanca. 
O programa de 3 dias teve como tema “ECOARTE” e incluiu oficinas de arte, apresentação de livros e projetos culturais, visitas guiadas pelos artistas às exposições, concertos e recitais de poesia.



https://www.youtube.com/watch?v=VvozWPL3unQ


Na primeira  foto estão a Presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Dra Berta Nunes, que desde oprimeiro momento apoiou a iniciativa, o alcalde de Morille, Manuel Ambrósio Sánchez Sanchez,diretor do PAN e Francisco José Lopes, um dos subdiretores) O outro era António Sá que está na 2ª foto com  a Presidente da Câmara de Alfândega da Fé e a Presidente da Junta de Vilarelhos.


Eis o programa:






Em 2018, embora o meu nome constasse  no programa, não pude estar presente pois a 2 de julho fui operada à coluna e o Festival teve lugar a 6,7 e 8.
Este ano participei com livros de poesia e alguns trabalhos no âmbito da pintura e o meu marido participou também com o seu último livro. A par das várias exposições e das apresentações de livros houve  sessões de poesia  e de música.
A população cedeu instalações pelo que quem quisesse podia dormir na aldeia a preços módicos (não foi o nosso caso pois quer a minha aldeia, quer a do meu marido, ficam muito perto). As refeições,que incluíam comida transmontana,  feitas no local e servidas na Central Melífera (à exceção do jantar do dia 6), eram gratuitas 



Vilarelhos  é uma aldeia como muitas outras do Nordeste mas onde merecem especial referência o solar dos Morgados de Vilarelhos (pertencente à família de Camilo de Mendonça)
https://www.flickr.com/photos/vitor107/32638782684

Na foto podemos ver o grupo de cantares de Alfândega da Fé a atuar em frente ao referido solar. onde também teve lugar uma sessão de poesia e música

                    https://www.flickr.com/photos/vitor107/32638782684





Outra das sessões de poesia e música teve lugar no dia 6,ao fim da tarde  junto à Capela da Senhora dos Anúncios, um lugar emblemático  perto da aldeia, onde foi servido o jantar.



No que respeita às sessões musicais, há que destacar a atuação de um duo de catalães, Antoni Rossell e Susanna Rafart ,ele músico e ela poeta.




Pesquisando na NET, encontrei várias atuações de ambos ou apenas de Antoni Rossell. Deixo algumas.









Regressando ao programa, e no que respeita às exposições, estavam patentes em vários locais como consta no programa, nomeadamente na Casa do Alpendre onde funciona a Junta de Freguesia e uma escola pré-primária. Foi também aí que decorreram as apresentações de livros. 
Deixo alguma imagens dos vários eventos

Na antiga escola primária:



Exposição de máscaras (feitas a partir de utensílios agrícolas)  da autoria de Vitor Sá 
Machado 



 Representante de Associação Lagarto, que fez uma apresentação sobre um evento muito interessante, o Entrudo em Vilar de Amargo (https://www.mundoportugues.pt/entrudo-lagarteiro-em-vilar-de-amargo-e-uma-festa-da-comunidade/,) e fotos de Renato Roque
Exposição de Helder Carvalho
 
 Na foto, Vitor Sá Machado, a representante da Associação Lagarto,  o fotógrafo Renato Roque autor da maior parte das fotos que aqui apresento e Helder Carvalho.
Um pormenor da escada que conduz ao 1º andar da antiga escola primária

Na Casa do Alpendre:


Nesta primeira sala estava uma exposição de homenagem a Aníbal Nuñez 
(https://es.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_N%C3%BA%C3%B1ez)



 Nesta segunda sala estava uma exposição com trabalhos meus


Nesta terceira sala estava uma exposição do saharaui Salek, a quem me referirei na próxima postagem

Havia mais duas exposições na Central Melífera que me esqueci de fotografar mas que aparecem, pouco visíveis mais acima, nas fotos  referentes às refeições.

Finalmente e num espaço próximo da Central Melífera estava uma exposição de escultura de Maria Lino 




No que se refere às apresentações tenho apenas imagens da minha apresentação pois o meu marido não fotografou mais nenhuma em particular e o meu telemóvel estava sem bateria quando foi a sua apresentação.



 
Nesta ultima foto estou na assistência durante a apresentação do meu marido



A finalizar não posso deixar de referir a presença de  dois refugiados saharauis, um  adulto a quem acima me referi e um jovem. O drama destes refugiados, drama que para mim era quase desconhecido, impressionou-me imenso  mas esse será o tema da  próxima  postagem