Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


quinta-feira, 11 de abril de 2019

Efemérides



Era minha intenção escrever uma mensagem sobre datas comemorativas no mês de março.  
Não dou muita importância a efemérides, nomeadamente nos dias de hoje, em que a cada dia do ano correspondem várias celebrações.
Na minha juventude as datas comemorativas, tanto quanto me era dado aperceber na altura, eram em número limitado e, na maior parte, associadas a festividades religiosas. Em janeiro os dias 1 e 6, em março o dia do Pai (dia de S. José), em junho o dia 10, em agosto, o dia  15, em outubro o dia  5,  em novembro os dias 1 e 2, em dezembro os dias 8, dia da Mãe (dia da Imaculada Conceição) ) e 25.

Retomando a profusão de dias comemorativos, só em março e para destacar os mais conhecidos temos:
Dia 8 - desde 1975 comemorado, pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher, em homenagem às operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque que, no ano de 1857, entraram em greve, e ocuparam a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. 
Dia 11 -  foi proclamado o Dia Europeu das Vítimas do Terrorismo,  A data coincide com o atentado de Madrid em 2004, que causou 91 mortes e 1.800 feridos.
Dia 19 - Dia do Pai ( dia de S. José)
Dia 20 -as Nações Unidas instituíram o 20 de Março como Dia Internacional da Felicidade. “A busca pela felicidade é um objetivo humano fundamental“, diz a resolução, aprovada por unanimidade pelos 193 membros da Assembleia Geral da ONU.
Dia 21- em 30 de novembro de 2012, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que declara o dia 21 de Março de cada ano como Dia Internacional das Florestas. Também a 21 se celebra o Dia Mundial da Poesia, decisão tomada em 16 de Novembro de 1999, na XXX Conferência Geral da UNESCO,
Ainda a 21, a ONU instituiu o Dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial, em memória do Massacre de Sharpeville, que se verificou em 21 de março de 1960, na cidade de Sharpeville, nos arredores de Johannesburg.
Dia 22- Assembleia Geral da ONU através da resolução A/RES/47/193 de 21 de fevereiro de 1993, declarou o dia 22 de março  como sendo o Dia Mundial da Água
Também em março, entre os dias 20 e 21, decorre no hemisfério Norte  o equinócio que sinaliza o primeiro dia da primavera,  Este ano aconteceu no dia 20 de março de 2019 às 21h58 ( na mesma data celebou-se, no hemisfério sul, a entrada do outono).

Escrevi uma mensagem a 21 de Março com intenção de incluir, na mesma, a  referência  à entrada da primavera,  ao Dia Internacional das Florestas e ao Dia Mundial da Poesia, mas acabei por me esquecer.
Escrevi a última mensagem a 24 de Março. Tinha intenção de me referir a essa omissão involuntária, mas acabei por me esquecer novamente.

Em março há ainda mais datas comemorativas, para além das que referi, e nos outros meses do ano a situação é idêntica…

Por que razão voltei às celebrações?
Porque o meu casamento teve lugar no dia 29 de março de 1969, ou seja,  há 50 anos…

Vasculho a arca das memórias
29 de março de 1969.
Límpido, o céu azul mergulhava num mar azul mais forte
que, nesse dia. acordara complacente,
bafejado por um sol risonho e quente
que nem o vento norte  esmoreceu





Capela da Boa Nova.
Em frente ao altar, singelamente decorado
com narcisos poetas, dois jovens
assumiam compartilhar as sua vidas. 
Testemunhas, apenas os familiares mais diretos
e os amigos mais íntimos.
Sobrevoando o oceano, o jovem viera da Guiné,
onde, passado um mês, iria regressar.
Por cumprir, faltavam 15 meses de serviço militar.
Nem distância nem tempo, lograram fazer os jovens recuar




À cerimónia religiosa, muito íntima e simples como o são genericamente as nossas celebrações, seguiu-se um almoço da casa de Chá da Boa Nova, tendo por cenário a magnífica paisagem onde se destaca  o poema de António Nobre
Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!




29 de março de 2019
Como vamos todos passar a Páscoa em Trás-os _Montes (“todos”, para além de nós dois inclui filhos, noras, netos, os primos brasileiros- um casal e a filha que vivem em Portugal há cerca de um ano- e os pais da minha nora Teresa) decidimos celebrar , nessa data, os 50 anos de casamento.
No dia fomos, os dois, recordar a  paisagem de há cinquenta anos e almoçámos na Tavi, tendo também o mar por fundo pelo que o "poema" alusivo a 1969, fez novamente sentido.

Límpido, o céu azul mergulhava num mar azul mais forte
que, nesse dia. acordara complacente,
bafejado por um sol risonho e quente
que nem o vento norte  esmoreceu


Contávamos a seguir ir “ homenagear” Camilo visitando S. Miguel de Seide e Torga, visitando S. Martinho de Anta e alguns dos “santuários” do escritor.
Acabámos por adiar essa ida para os dia 30 e 31. Quando o meu filho Miguel e a  minha nora Teresa souberam  da nossa mudança de planos, prepararam-nos uma surpresa inesquecível, que contarei na próxima mensagem.



domingo, 24 de março de 2019

Júlio Resende. A palavra e a mão.


Em conversa com uma das “colegas” que frequenta comigo o Holmes, descobrimos que o filho foi meu aluno e tem de mim uma grata recordação. É sempre  muito gratificante para um professor ouvir isto. Este simples facto  aproximou-nos um pouco pelo que, aliado a que  moramos muito perto uma da outra,  tem levado a um relacionamento  mais forte do que aquele superficial, que mantenho  com a  maior parte dos demais “colegas” . Descobrimos alguns interesses  em comum, nomeadamente o gosto por cantar e a dificuldade de entender a língua inglesa.  Na passada sexta feira fomos aos Fenianos,  de que o meu marido é sócio, inscrever-nos no grupo coral. Na próxima sexta feira começamos com os ensaios (nesse dia não estou cá mas vai a minha colega). Também fomos a uma escola de línguas que há aqui perto de casa e vamos começar com aulas de conversação numa classe destinada só a nós duas. 
Terminadas estas diligências comentei que ao fim da tarde iria ao Museu Soares dos Reis , à inauguração da exposição Júlio Resende. A palavra e a mão. Foi também 
Dos Fenianos dirigimo-nos para os Leões e daí fomos  à Galeria Municipal, no Palácio, onde estão duas exposições “ Uma Visão Retrospectiva da Arte no Porto-Anuário 18
e Astray, de Caroline Mesquita.
Relativamente a cada um delas deixo  “palavras” dos curadores.






Nenhuma das exposições me “disse muito” mas gostei de ver.

 Após esta visita dirigimo-nos para o Museu Soares dos Reis, onde teve lugar a inauguração da exposição do Mestre Resende

Júlio Resende nasceu em 23 de outubro de 1917 no Porto, onde frequentou a Academia Silva Porto e a Escola de Belas-Artes, sendo discípulo de Dórdio Gomes, e terminando o curso em 1945, com a pintura “Os Fantoches”, como recorda a biografia disponibilizada pelo Lugar do Desenho.
“Por dificuldades financeiras decorrentes da má situação económica da loja paterna, viu-se obrigado a suportar sozinho as despesas do curso, através da venda de trabalhos gráficos, como desenhos publicitários, banda desenhada e ilustrações. Desta faceta menos conhecida da sua obra, que se prolongou temporalmente dos anos 1930 aos anos 1970, podem destacar-se as histórias de Matulinho e Matulão, publicadas n’O Primeiro de Janeiro, entre 1942 e 1952, e as colaborações nas Revistas Infantis O Papagaio e Tic-Tac”, recorda a biografia publicada pela Universidade do Porto, em memória de antigos alunos ilustres.
Professor do ensino secundário, esteve na criação do Grupo dos Independentes, com Júlio Pomar, Nadir Afonso e Fernando Lanhas, entre outros, e veio a diplomar-se também em Ciências Pedagógicas pela Universidade de Coimbra, em 1956.
Autor de múltiplas obras no espaço público, desde o fresco da escola Gomes Teixeira, no Porto, a painéis de azulejo para a estação de comboios de Vilar Formoso, passando por vários trabalhos nos palácios da Justiça de Lisboa e Porto, tem entre as suas criações mais conhecidas o painel “Ribeira Negra”.
Júlio Resende morreu em 21 de setembro de 2011, aos 93 anos, em Valbom, Gondomar.


A exposição, que  tem como fio condutor a relação do pintor com escritores como Vergílio Ferreira, Eugénio de Andrade, Mário Cláudio, Vasco Graça Moura, Fernando Namora ou Viale Moutinho, inclui  várias obras bem como "ilustrações literárias, banda desenhada, desenho humorístico,  figurinos e cenários para textos dramáticos 

Ao longo dos anos tenho visto inúmeras exposições do Mestre até porque um dos sobrinhos é colega e grande amigo do meu marido . Apesar disso fico sempre espantada com a vastidão e a qualidade da obra que produziu . Na sexta feira comentava   isso com o referido sobrinho que, para além de arquitecto é músico, filho do maestro Resende Dias (irmão do Mestre).
Sabia já que a mãe de ambos,  Emília Resende da Silva Dias foi professora de Música no Conservatório do Porto e que  todos os irmãos foram habituados a viver num ambiente artístico, dotado de forte cultura musical. Talvez Júlio Resende tivesse seguido a carreira musical, como o irmão se, por acidente, não tivesse lesionado  duas falanges da mão direita
Tomei conhecimento deste pormenor à conversa com o sobrinho, na sexta feira.
Talvez se tenha perdido um grande músico mas ganhou-se um artista plástico excepcional.

Exposição a não perder….


Termino com ilustrações do Mestre em dois livros para crianças: Noite de Natal de Sophia e  Aquela nuvem e outras de Eugénio de Andrade.



quinta-feira, 21 de março de 2019

De regresso ao blogue...


Já há mês e meio que não escrevo no blogue. Após mais de um ano com problemas de saúde, fui retomando, lentamente,  algumas atividades, na escrita, na pintura e na produção de adereços.
Um dos poemas que escrevi foi publicado  no blog “Contos das Esrelas” (https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/poema-va-pensiero-por-regina-50169)

 Va pensiero…
Outrora, cruzavam os mares barcos negreiros apinhados de gente

espoliada de tudo- dignidade, crença, família, nome, terra.

Na bagagem levavam apenas revolta e saudade.

Oh mia patria, sì bella e perduta!....

Não imaginavam para onde iam, não sabiam por que razão partiam.

Esperavam-nos o tronco, as minas, os engenhos, a violência,

a discriminação, a mais desumana crueldade.

Di Sionne le torri atterrate …
Hoje, outro mar, outros barcos, igualmente apinhados de gente.

Fogem da violência, do terror, do medo, da fome, da guerra,

Levam na bagagem a esperança de uma vida decente.

O simile di Solima ai fati, traggi un suono di crudo lamento…

Por vezes cúmplices, tempestades, ventos indómitos,

mar revolto e sobranceiro, ondas altivas, poderosas,

tragam, vorazes, barcos e vidas, num repente.

Arpa d'or dei fatidici vati, perché muta dal salice pendi?

Hoje, como outrora, Neptuno, Poseidon, Éolo e outros deuses mais,

não importa a heteronímia, assistem impassíveis a toda a ignomínia.

Hoje, como outrora, indiferentes à brutalidade e ao horror,

homens oprimem outros homens sem o mínimo pudor.

Efémero poder…. Extinguir-se-á na inevitável hora da partida.

Va pensiero sull'ale dorate.…

Qual bálsamo, a música de Verdi permanecerá dulcificando a vida.


Na pintura, fiz algumas “experiências”.

Numa mensagem que postei em 11 de novembrofiz referência a uma pintora que não conhecia, Zaia Oliveira.  “Inspirada”em alguns trabalhos seus, fiz uma séria de trabalhos, aproveitando caixas de ovos.



No "tríptico" as molduras são caixas de cartão

No que se refere aos adereços, fiz alguns colares, inspirada nuns que vi 
na Loja da Universidade do Porto (Alumni), na "Praça dos Leões"e que achei muito giros.




Como agora saio menos, os dias são mais rotineiros. Quase todos os dias estou com netos que por vezes almoçam, lancham...e estou a retomar o "ritual" de almoçarmos todos juntos ao domingo.Três vezes por semana vou ao ginásio, onde faço aulas de reabilitação física e postural, nado e faço hidroterapia (a única terapia que tem resultado no tratamento do meu problema da anca).
Tenho lido, visto alguns filmes no canal Hollywood e ouvido música. Por vezes tenho tocado no meu ukulele ...
No passado fim de semana fui a Trás-os_montes onde já não ia há bastante tempo.
Deixo duas fotos, uma na minha aldeia e outra no quintal da casa do meu marido que está a ser cultivado por um senhor lá da aldeia.







quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Efemeridade.


Sob o título “Um futuro preocupante” pode ler-se in "De Rerum Natura" o texto que segue, da autoria do Professor Galopim de Carvalho.


No meio de uma campanha eleitoral antecipada e sem qualidade, mais se afirma a preocupação que não podemos deixar de ter sobre o futuro da humanidade.

É nas pedras, ou nas rochas, como se quiser dizer, que se encontra registada a longa e complexa história da Terra e da Vida. E nós estamos a escrever, note-se bem, o último capítulo.

Segundo o relatório da ONG Oxfam internacional, agora publicado, 26 bilionários têm mais dinheiro de metade do mundo e essa metade são os 3800 milhões de pessoas mais pobres do mundo. Insaciáveis pelo dinheiro, estes “donos disto tudo”, à escala do planeta, dominam a economia, a políticas e a justiça (nunca foi tão visível a diferença entre a justiça dos ricos e a dos pobres) e estão a poluí-lo material e moralmente.

O mar, os solos, os rios, os aquíferos e o ar, estão cada vez mais contaminados e são hoje evidentes os sinais de destruição e esgotamento deste nossa “casa”.

A imensa, desmedida, desgovernada e impune agressão de determinadas indústrias privatizam os lucros e socializam a poluição que geram. A par desta situação, que os cientistas não se cansam de denunciar, assiste-se ao aumento da desigualdade entre pobres e ricos, “o que alimenta a raiva no mundo", afirmou Winnie Byanyima, diretora executiva da Oxfam.

Escrevi há dias que num brilhante e arrasador ataque ao neoliberalismo, o plutocrata bilionário americano Nick Hanauer, avisou que “as forquilhas usadas pelo povo na Revolução Francesa, estão de novo prestes a chegar”, forma bem expressiva de dizer que a desigualdade crescente entre pobres e ricos “está prestes a empurrar as nossas sociedades para um estado parecido com a França pré-Revolução”, em finais do século XVIII.

A leitura deste texto  tão lúcido, "levou-me" a recordar dois poemas que escrevi, não sei bem em que datas, mas foi  há vários anos. 

Grito  mudo

O homem, face ao cosmos, é apenas fumo, cinza.
É poeira que dura um só instante,
um surdo calafrio, um grito  mudo, o nada

Gigantes
Na berma da estrada,a criança acariciou a flor singela.
Mas veio o gigante e, num instante,
com a bota enorme e pesada,
pisou a flor, fê-la em nada.
A criança sentiu uma tal dor
como se a esmagada fora ela.
Mas que importa a dor, que importa aquela flor,
se o gigante pode ter ali, no mesmo instante,
um jardim suspenso, se o quiser?
Importa é o poder.
Que importa usar centenas de pessoas
como misseis para matar vários milhares?
Que importa que vá tudo pelos ares?
Que importam as pessoas?
Que importa se centenas de milhões
passam fome e tantas privações?
Que importa se a droga destruir ilusões
de jovens, também eles aos milhões?
Que importa se a guerra destruir várias nações?
Que importam o buraco do ozono, a poluição?
O que importa é ter dinheiro, armas e poder.



Recentemente publiquei o livro "Requiem pelo planeta azul", ao qual fui
"buscar"os poemas que seguem


Navio azul

Terra, navio azul no oceano cósmico infinito.
Fingimos não escutar o teu apelo aflito,
esquecendo que  contigo
iremos naufragar.           

Elegia
Como cantar-te terra?
Uma ode?
     Uma tocata?
          Ou uma elegia,
em sintonia com a tua dor?

  Amazonas

Crescem crateras no pulmão do mundo.
     Para alguns a riqueza desmedida,
          para muitos a fome imerecida.



Termino com  The End of the World pintura de John Martim que pode ver-se aqui https://pt.wikipedia.org/wiki/The_End_of_the_World_(pintura)






segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

A poesia é uma espécie de regresso a casa


A poesia é uma espécie de regresso a casa 

Esta foi uma das frases de partida para “À conversa sobre livros” anunciada na última mensagem.

"A poesia é uma espécie de regresso a casa" inspirou a música e a letra de "A Sort Of Homecoming" primeira faixa do álbum do U2 de 1984, "The Unforgettable Fire", após Bono, leitor voraz, ter lido a obra do poeta Paul Celan.

Do poeta, deixo o poema que segue e que fui buscar aqui

O TEU
ALÉM-ESTAR esta noite,
Com palavras te trouxe de volta, aí estás,
tudo é verdadeiro e um esperar
pelo verdadeiro.

O feijão trepa frente
à nossa janela: imagina
quem a nosso lado cresce e
o vê.

Deus, assim o lemos, é
parte de nós e um outro, disperso:
na morte
de todas as vidas ceifadas
vinga ele.

Para além
nos conduz o olhar,
com esta
metade
convivemos.

Ainda a propósito da poesia como regresso a casa, ao longo da conversa foram citados vários autores: Pessoa, Torga, Tolentino de Mendonça, Carlos Drummond de Andrade, David Mourão Ferreira…

Hoje, ao abrir o meu blogue, vi que em “Ortografia do Olharhttp://ortografiadoolhar.blogspot.com/ ,um dos meus blogues favoritos, havia sido postado o poema que segue, de Graça Pires, uma autora de quem gosto bastante.

Por trás de cada sombra 
que resvala por novembro
descubro o espanto no meu rosto de criança.
O irmão no berço entre o choro e o sono.
O riso das irmãs.
Os tropeços na correria ao redor das árvores,
como se déssemos a volta ao mundo.
A mãe, o pai, para sempre.
O universo colado ao destino.
Os bichos-de-conta a rolarem no cimento
impelidos por nossos dedos.
As noites acolhendo os brinquedos de corda
na véspera das tardes mais longas.
O antecipado prazer de ouvir a voz materna
a chamar cada filha como se fosse a única

Graça Pires In: CONTINUUM: antologia poética
Termino com um poema meu e uma aguarela também de minha autoria.

Debruço-me na varanda da casa,
                          há muito demolida.
Derramada no chão, a sombra calma da velha figueira.
Balidos de rebanhos e latidos de cães tilintam, ao  longe.
O sol no ocaso enrubesce o céu
que,  em breve,  vestido de negro e ornado de jóias,
se perderá na noite glamorosa.
Dentro da casa, 
                          há muito demolida,
vagueiam  sons  ilegíveis, palavras desbotadas,
diluídas  na doçura doutros crepúsculos.

Regina Gouveia in Quando  o mel escorre nas searas, Editora Lua de Marfim




terça-feira, 8 de janeiro de 2019

À conversa sobre livros


                                                   
CONVITE     
À conversa sobre livros

No dia 12 de Janeiro de 2019, terá lugar na biblioteca do Clube Fenianos Portuenses na Rua Clube dos Fenianos, 29, (ao lado do edifício da Câmara Municipal), telefone 222 004 034, um evento que reunirá um casal de autores:

Às 15,30…
Fernando Gouveia irá apresentar o seu último livro, Regy, em torno das muitas viagens que tem feito ao longo da sua vida. Transmontano, arquitecto aposentado, começou a escrever aos 52 anos e tem já 3 obras publicadas.




Às 16,30…
Regina Gouveia, com raízes transmontanas, professora de Física e Química aposentada, irá estabelecer com o público um diálogo a propósito de poesia em geral, e da sua, em particular.
Tem diversas obras publicadas (ao todo 18 livros, entre ficção, poesia, e livros para público infanto-juvenil), participa em mais de 20 antologias e tem vários prémios recebidos. Tendo começado a escrever bastante cedo, só se decidiu a publicar depois dos 50 anos. Na sua obra emergem as suas raízes transmontanas. Na sua poesia, além das raízes, emerge a ciência, nomeadamente a física, sua área de eleição.




O Clube Fenianos Portuenses e os autores terão muito gosto na vossa presença