Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Recordações de viagem-Egito2


No  3º dia da visita saímos bem cedo para visitar a cidadela de Saladino  e a Mesquita de Mohamed Ali 

No percurso passámos por outras mesquitas nomeadamente a do sultão Assan e a  de  Rifai onde está enterrado  o Xá do Irão (Reza Pahlevi).

Passámos também pelo cemitério Al Qarafa, conhecido como Cidade dos Mortos e que  data de 642 a.C. A ocupação começou há quase um século.

Não se sabe ao certo quantas pessoas ali moram– as estimativas variam de 10 mil ao exagerado meio milhão, que incluiria também moradores dos prédios erguidos ao redor do cemitério, ausente de muros ou grades.
Os túmulos são praticamente pequenas casas, com portões e grandes jardins, conforme dita a tradição local de reverenciar os mortos – antigamente, familiares passavam semanas de luto dentro dos mausoléus, que têm quartos e banheiros.
Lado a lado, as pequenas "casas" formam uma imagem parecida a um vilarejo do interior: as ruas estreitas e sem asfalto, os balcões improvisados com salgadinhos e refrigerante vendidos nas janelas e vizinhos conversando nas calçadas. 

Entre a área urbana moderna do Cairo encontra-se uma das cidades islâmicas mais antigas do mundo, com as suas famosas mesquitas, madraças e fontes. Fundada no século X, transformou-se no novo centro do mundo islâmico, alcançando a sua idade dourada no século XIV.Entre os mais de 800 monumentos que abriga encontra-se a mesquita Al-Azhar, fundada em 970 e considerada a universidade mais antiga do mundo. Entre os monumentos, a Mesquita Ibn Tulun, que data do século IX e é uma das maiores do mundo, o Mausoléu de Imam ash-Shafi’i, o maior túmulo islâmico do Egito, onde um dos santos islâmicos mais importantes foi enterrado, e a Cidadela, uma fortaleza medieval que foi o centro do poder egípcio durante 700 anos, com três mesquitas principais e grande quantidade de museus. 

 A Cidadela do Cairo (ou Cidadela de Saladino), localizada no Monte Mokattan, é uma grande fortificação islâmica que nos dá uma vista espetacular da cidade. Foi um sultão da dinastia Mamluk quem mandou edificar a fortificação da cidadela (entre 1176 e 1183), para proteger a cidade dos Cruzados. O local serviu de fortaleza  e de  Cidade Real .
O Sultão Mamluk, Al Nasir Muhammad, conseguiu o poder nos anos 1330 e destruiu a maioria das obras de Saladino. Por volta de 1800, os otomanos derrubaram muitas das estruturas Mamluk  .
Da era Mamluk restam alguns troços de  muralha, a  mesquita e uma parte do palácio de Al Nasir Muhammad. Todas as outras estruturas foram construídas pelos governantes Otomanos, em particular por Muhammad Ali Pasha, o fundador da última dinastia que governou o Egito, que mandou construir a mesquita com o seu nome. 



Na foto eu, bem como mais duas pessoas, temos uma capa verde sobre os ombros pois não se pode entrar com os ombros descobertos. Todos nós tivemos que calçar uns "chinelos", por cima dos sapatos

A  mesquita é também conhecida como Mesquita de Alabastro por causa do uso desse material na sua estrutura que,   segundo  o guia,  terá sido retirado  das pirâmides . Projetada por um arquiteto turco, tem semelhanças  com as mesquitas turcas e difere das outras mesquitas egípcias que foram construídas no estilo Mamluk. A  tumba de Muhammad Ali Pasha está localizada no centro dum pátio e é feita de mármore de Carrara.
O grande salão de orações é coberto por uma cúpula em estilo turco. O parapeito sul oferece vistas do Cairo, da Mesquita do Sultão Hassan e das Mesquitas de Ibn Tulun.



Hay una torre de reloj de cobre amarillo en el medio del riwak del noroeste, que fue presentado a Muhammad Ali por el rey Louis Philippe de Francia en 1845. El reloj fue intercambiado con el obelisco de Luxor ahora estando parado adentro Place de la Concorde en París. El interior tiene una medida de los metros 41x41 y da una gran sensación del espacio. El uso de dos niveles de bóvedas da un sentido mucho mayor del espacio que hay realmente. La bóveda central se levanta en cuatro arcos que están parados en los embarcaderos colosales. Hay cuatro bóvedas semicirculares alrededor de la bóveda central. Hay cuatro bóvedas más pequeñas en las esquinas también. Las bóvedas se pintan y se embellecen con adornos en la relevación. Las paredes y los pilares se cubren con alabastro hasta 11 metros de alto. 

Dali seguimos para o Museu do Cairo onde passámos cerca de 3h, muito pouco tempo para o muito que há para ver


Deixo algumas imagens nomeadamente da secção dedicada a  Toutankhamon bem como os vídeos 1   2 e 3

Toutankhamon morreu muito jovem e por isso, o seu túmulo  foi muito menos sumptuoso que o de outros faraós. No entanto foi uma das raras sepulturas reais encontradas quase intacta. Ao ser aberta, em 1922, ela ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egito há 3 400 anos.














 Depois da visita fomos todos almoçar ao "nosso" Hotel e, tal como referi na mensagem anterior, os companheiros que ficaram no Meridien, ficaram admirados com o hotel em si e particularmente com

a  extrema qualidadade do buffet.

Ao longo de todo o  percurso pudemos aperceber-nos do  lixo depositado em cima dos telhados
A este propósito transcrevo um excerto de um texto que li aqui
Da janela vejo telhados carregados de lixo e antenas parabólicas. Trazidos por quem, ou pelo quê? Pessoas ou tempestades? Ou apenas o tempo?




Mas de então para cá algum lixo passou a ser mais reciclado e reutilizado num projeto muito interessante...

Antes de prosseguir viagem, alguns "testemunhos" deste 3º dia


A meio da tarde saímos do Hotel para seguirmos de avião para Assuão. Ao chegar ali, deparámos com uma  temperatura  da ordem dos 50º C.  Felizmente suporto bem as altas temperaturas. Já o mesmo não posso dizer das baixas...
Levados para o Hotel Isis, tivemos uma agradável surpresa. É um resort com uma série de casinhas em socalcos que descem para o rio. Também em Assuão a nossa opção pelo preço mais baixo, resultou bem.
À chegada fomos recebidos com a bebida carcadé, uma infusão de flores de hibisco, de cor e sabor agradáveis
Fomos rapidamente pôr as malas nos quartos e os quatro mergulhámos na piscina. Era já noite e a piscina estava por nossa conta...


A seguir ao banho, fomos jantar e à noite ainda fomos dar uma volta pelo mercado de Assuão, onde comprei carcadé.


domingo, 9 de novembro de 2014

Recordações de viagens-Egito 1

Após ter colocado  na NET  a minha “reportagem” sobre a viagem à China, vários amigos me perguntaram se não havia “reportagens” de outras viagens.  Enviei as poucas  (e breves) que tinha colocado no blogue (só a partir da sua criação em 2009): Perú, Índia, Côte d´Azur e Grandes Lagos . Desafiaram-me  a  falar de outras. Tenho alguns filmes e postais, bem como algumas  fotos de todas  as viagens, mas só do Egito é que tenho um  breve  diário.
Vou tentar reconstituir a viagem, iniciada em 30 de  Agosto de  1990, mas já passou muito tempo....
Antes de falar da viagem quero referir que estávamos em plena guerra do Golfo e tentámos desmarcar,  com receio essencialmente do que pudesse acontecer a nível de voos , aeroportos, etc . Não nos foi possível desmarcar pelo que fomos (nós e os filhos bem mais jovens que hoje, tal como nós ...)



Começo por colocar o roteiro  



O primeiro dia foi passado em viagem. Havia dois tipos de preços.  Escolhemos  o mais  baixo . A diferença era apenas nos  hotéis . Ao chegar ao Cairo fomos conduzidos ao Hotel El Salam e outros companheiros de viagem, ao Hotel Meridien. Jantámos no Hotel que tinha, por certo,  um grande chefe de cozinha pois nunca comemos tão bem: buffet imensamente variado, muito bem confeccionado, muito bem apresentado.
Conforme constatou o outro grupo, num dia em que almoçámos todos no  nosso Hotel, este era melhor que o Meridien.  A única “desvantagem” é que não ficava no centro do Cairo. Em compensação o tinha um transporte gratuito para os clientes com vários horários disponíveis.


No 2º dia, levantámo-nos muito cedo e após um fabuloso pequeno almoço, visitámos Memphis

The city of Memphis was the capital of ancient Egypt. It was the King's residence and the political and administrative center until around 2,200 BC. It had impressive fortifications and temples, largely to Ptah, the god of creation and artworks. Estimates of population vary from 6,000 to 30,000 but either way, it was one of the larger, if not the largest, cities of its era.
Archaeological digging in the area has uncovered a Temple of Ptah and sculptures, including a sphinx (smaller than the one at Giza but still impressive), and the Colossus of Ramses II. In 1979, UNESCO designated the area a World Heritage Site. 

Esfinge de alabastro


                                                               Colosso de  Ramses II

   
De seguida fomos visitar Saqqara (cidade dos mortos)

A 20 km ao sul de Gizé está Saqqara, o maior sítio arqueológico do Egito. Os seus monumentos contam 3 mil anos de história, desde as primeiras estruturas funerárias do Egito Antigo até aos mosteiros coptas.
Considerado um dos sítios arqueológicos mais ricos do Egito, possui várias tumbas, templos e 11 pirâmides, embora nem todas estejam abertas ao público.
Saqqara é uma imensa necrópole construída pelos reis e nobres do Império Antigo, fundada como cemitério de Menfis, a capital do Império. À medida que Menfis crescia, a cidade dos mortos também aumentava, e chegou a ter 7 km de norte a sul. As tumbas mais antigas datam da 1º Dinastia (3100-2890 a.C) e as últimas da época persa (c. 500 a.C).
Foi descoberta em 1850 quando o professor francês Auguste Mariette começou a escavar e descobriu uma esfinge semienterrada. Nas suas escavações achou uma avenida de esfinges e encontrou o Serapeum. Desde então foram descobertas muitas preciosidades na área, mas os arqueólogos acreditam que de Saqqara só se conhece uma pequena parte.
A área com mais de seis quilómetros de comprimento e um quilómetro e meio de largura alberga a primeira pirâmide, bem como estruturas funerárias de um período por volta de 3000 a.C. até 950 d.C, com  espetaculares pinturas em tumbas,.
Saqqara tem esse nome devido ao antigo deus da mitologia egípcia, Sokar, considerado como protetor da necrópole, mas há quem relacione o nome com a tribo Beni Sokar que viveu ali no passado.
Abrange pelo menos quatro complexos de pirâmides de períodos diferentes, diversos túmulos de todas as épocas da história egípcia, assim como necrópoles de diversos animais. As suas pirâmides são cobertas de inscrições e relevos, que descrevem como era a rotina no Egito Antigo.  O monumento mais importante e impressionante é a Pirâmide Escalonada de Dsojer (2630 a 2622 a.C)



Para além da referida Pirâmide visitámos também a Mastaba de Horus. Como não tenho foto, recorrià NET e apercebi-me que de 1990 até hoje houve grandes construções na zona





 Após a visita a Saqqara  fomos visitar uma fábrica de tapetes

 Na impossibilidade de colocar o filme que ali fizemos, com umas crianças lindíssimas a trabalhar nos teares, coloco um muito breve que descobri na NET

Entrar numa fábrica ou tenda é terrível (mas em Marrocos é  muito pior),pela excessiva a insistência dos vendedores, sempre muito amáveis , oferecendo chá, etc.

De seguida fomos ver  a esfinge (na altura muito degradada) e as pirâmides de Gizé(ou Giza).



A Grande Esfinge de Gizé é uma estátua composta de corpo de um leão e uma cabeça humana.  É uma das maiores estátuas lavradas em uma única pedra em todo o planeta e terá sido construída pelos antigos egípcios no terceiro milénio antes de Cristo,  possivelmente no tempo do  faraó Kefren. No entanto, alguns investigadores  baseando-se na análise do calcário e dos sinais de erosão admitem que  seja  de cerca de  10.000 a.C.

Não se sabe ao certo qual seria o nome usado pelos egípcios antigos para designar a Esfinge. A palavra "esfinge" foi usada já na Antiguidade clássica baseando-se numa criatura da mitologia grega formada pelo corpo de um leão, a cabeça de uma mulher e asas de águia, embora as estátuas egípcias tenham a cabeça de um homem e sem as asas. A palavra "esfinge" deriva do grego σφινξ, aparentemente do verbo σφινγω, que significa "estrangular", já que a esfinge da mitologia grega estrangulava todos que não conseguissem decifrar suas charadas.

Após o abandono da necrópole de Gizé, a esfinge foi soterrada até aos  ombros pela areia do deserto e a primeira tentativa de "desenterrá-la" ocorreu já por volta do ano 1400 a.C., no reinado de Tutmés IV. Mais tarde, Ramsés II, o Grande, pode ter realizado uma segunda escavação.

No ano de 1817 foi realizado um restauro, supervisionado pelo italiano Giovanni Caviglia, descobrindo todo o peito da estátua. Em 1925 a esfinge foi completamente revelada.

Em 1931, engenheiros do governo egípcio repararam a cabeça da esfinge, pois  parte de seu turbante caiu em 1926 devido à erosão,  que também fez danos  profundos no pescoço.

Não se sabe o paradeiro do nariz da estátua, de um metro de largura. Segundo lendas, o nariz teria sido arrancado por balas de canhão da artilharia de Napoleão Bonaparte ou também por tropas britânicas, até mesmo pelos mamelucos. Todavia, desenhos da esfinge feitos por Frederick Lewis Norden no ano de 1737 e publicados em 1755, já ilustram a estátua sem o seu nariz. 

                                                                Pirâmides de Gizé




A do meio,  Pirâmide de 
Kefren,  parece maior mas não o é. À esquerda podemos ver  a de  Mikerinos e à direita a de Keops, a maior de todas. As fotos que seguem foram aí tiradas


 Nunca me tinha sentido tão pequenina....

Estima-se que quando pronta e intacta devia ser formada por dois milhões e 300 mil blocos de pedra, cada um pesando em média duas toneladas e meia, sendo que os maiores deles pesavam 15 toneladas. O peso total do monumento tem sido avaliado em 5.273.834 toneladas. A sua parte interna foi erguida com a rocha de qualidade inferior que se encontra normalmente naquelas vizinhanças e todo seu revestimento foi feito com a pedra calcária branca de excelente qualidade da região de Tura, localidade perto do Cairo.  As faces da pirâmide brilhavam com a luz do Sol . Pena que civilizações posteriores tenham arrancado quase todas as pedras calcárias do revestimento para uso em construções modernas, dando atualmente ao monumento essa aparência de vários degraus . Os enormes blocos usados para revestir as câmaras e corredores internos, alguns pesando cerca de 50 toneladas, são de granito e foram extraídos das pedreiras de Assuão, localizadas a 800 quilómetros de distância 
                                         
A imagem que segue representa um esquema do interior da pirâmide, que visitámos.


Entrámos por 1, e  seguimos pelo corredor ascendente (4) que tem 39 m de comprimento, 1m de largura e 1,20 de altura. 

Tivemos que subir agachados.
A seguir entrámos na grande galeria(6) com aproximadamente  47m de comprimento e 9m de altura. Esta galeria dá acesso à antecâmara (8) que precede a câmara do faraó (9) onde se pode ver o seu sarcófago.

Sem tampa, feito de granito, totalmente sem inscrições, deve ter recebido um dia o corpo do faraó encerrado em um ataúde de madeira. Entretanto, os pesquisadores encontraram-no vazio. Como a largura do sarcófago é maior do que a largura da entrada do corredor ascendente, concluiu-se que ele deve ter sido colocado em seu lugar durante a construção da câmara do rei.


Não muito longe da pirâmide foram encontradas quatro covas em forma de barco escavadas na rocha. três delas vazias e a quarta contendo um barco de madeira de cedro, parcialmente desmontado, com cerca de 44 m  de comprimento, 6 m  centímetros de abertura e com capacidade de deslocamento de mais de 40 toneladas. . Para desobstruir a cova onde a barca se encontrava foi necessário mover 41 blocos de calcário que cobriam a fossa, os quais pesavam entre 17 e 20 toneladas.  Afirmam os estudiosos que esse barco tinha condições de navegabilidade infinitamente melhores do que qualquer embarcação da época de Cristóvão Colombo. Levou 10 anos para ser reconstruído e hoje está num museu  erguido ao lado da pirâmide.   


 O costume de enterrar barcos junto aos sepulcros existia desde a I dinastia. Alguns deles talvez tivessem sido usados no decorrer do funeral, mas outros destinavam-se a servir de meio de transporte para o morto no além-túmulo.

A pirâmide de Kefren, é mais baixa que a de Keops,  embora visualmente dê a impressão de ser mais alta. A altura original era de 143 metros, o que a tornava três metros mais baixa que a segunda quando ambas estavam intactas. Hoje mede 136 metros e, portanto, é cerca de apenas um metro mais baixa que a Grande Pirâmide em seu estado atual. Cada lado da base mede 215 metros e, portanto, a área que ocupa é cerca  de 46 mil metros quadrados. No seu topo existe ainda parte do revestimento de pedras calcárias. À luz do sol do meio-dias ainda brilham de forma deslumbrante. 

A Pirâmide de Miquerinos é bastante inferior às outras duas. O faraó reinou poucos anos e não houve tempo para concluir um monumento bem acabado como o de seu pai. Foi usado  material de qualidade inferior  e grande parte do trabalho foi terminado à pressa.

Após a visita às pirâmides fomos almoçar  num restaurante da cidade, perto das pirâmides. Mas antes ainda houve tempo para um pequeno passeio de camelo.


A foto a seguir mostra como o deserto, as pirâmides e a cidade se interpenetram.




Não recordo o que comemos mas recordo-me do café. Serviram-nos um café intragável, cheio de borras(café turco) e muito doce. Não consegui beber . Além do mais gosto do café sem açúcar ...
Parece que as borras são aproveitadas, pelo menos na Turquia 
A borra que fica no fundo da chávena, após se beber o café, pode ser usada para ler a sina. A chávena é virada ao contrário, com o topo virado para o pires, para que a borra se espalhe e arrefeça. Depois de arrefecer, os padrões que tiverem aparecido podem ser "decifrados".

Após o almoço  fomos ver trabalhar o papiro.Esta planta é muito comum nas margens de rios da África. As folhas são longas e fibrosas, um pouco semelhantes às folhas de cana-de-açúcar.
No Egito Antigo, o papiro era encontrado nas margens do rio Nilo. Foi muito utilizado pelos egípcios para diversos propósitos. As folhas eram sobrepostas e trabalhadas para serem transformadas em "papel". "Este papel" (papiro) era utilizado pelos escribas egípcios para escreverem textos e registarem as contas do império. Vários rolos de papiro, contando a vida dos faraós, foram encontrados pelos arqueólogos nas pirâmides egípcias.
O papiro tinha outras funções no Egito Antigo. Os artesãos utilizavam a planta para a fabricação de cestos, redes e até mesmo pequenas embarcações. Era também utilizado como alimento pelas pessoas mais pobres e  para alimentar o gado .Encontrei na NET dois vídeos feitos  precisamente no mesmo local onde nós fomos e onde fotografámos  um quadro com a descrição dos hireoglifos



Neste outro vídeo podemos ver vários papiros   

Da fábrica de papiros fomos ao mercado Khan el-Khalili

No fim do dia regressámos, exaustos, ao Hotel onde jantámos principescamente.

Após o jantar assistimos à festa de  um casamento. O meu marido filmou em VHS  como aliás todos os filmes que fez na viagem, num total de 3h, Na impossibilidade de colocar o filme, coloco um vídeo e o texto abaixo que, relativamente à festa, corresponde ao que vimos.


O casamento simultaneamente  religioso e civil é feito por um funcionário,  Makzun, que  reune  os responsáveis pelos noivos e faz o contrato do casamento (katb al-kitab). Todo assinam e lêem  um capitulo do  Corão.

Antes do contrato formal do casamento, a noiva recebe o shabka (presente) do futuro  marido, que foi acordado com o pai da mesma. Nessa ocasião é oficializado o noivado, com a leitura da fatihah, capítulo de abertura do Corão.
Mas a consumação do casamento só pode acontecer após a festa, geralmente uns dias mais tarde.
A  festa começa com uma “procissão” na rua, a zaffa, com tambores, tamborins e trompetes, que produzem uma música rítmica e ensurdecedora. Mulheres agitando rapidamente a língua emitem um grito, zagharit,  semelhante aos gritos dos índios,   Na frente da procissão vêm os músicos e dançarinos, vestidos com roupas brancas e vermelhas. As damas de honra, normalmente em número de seis, vestindo roupas brancas e carregando longas velas ou candelabros adornados com fitas e flores, marcham ao lado dos noivos, três de cada lado. Uma criança, à frente da zaffa, joga pétalas de rosas vermelhas sobre os noivos.

A noiva usa um longo vestido e véu brancos. A procissão chega ao local da recepção e o casal troca cumprimentos com os convidados, para depois se dirigir à kosha, poltrona enfeitada com grinaldas de flores, no alto de uma plataforma, para uma melhor vista do salão com os convidados.  Após a recepção, os noivos passam juntos a lailat al-dokla (a primeira noite), na mesma cidade onde ocorreu a recepção. Irão passar a noite num hotel ou num apartamento vazio de algum amigo, porém nunca na casa dos pais, o que é considerado de mau agouro. A noiva dá de presente ao marido pijamas de seda, enquanto ele dá uma  jóia. Enquanto os mais pobres fazem apenas uma zaffa na rua, os ricos alugam um  hotel , com custos muitas vezes superiores de 60 mil dólares. A festa é de arromba: buffet sofisticado, lembranças em ouro para os convidados, bolo gigantesco e a khosha decorada que parece um sonho, com cadeiras ricamente enfeitadas, onde ficam os noivos. A zaffa é feita em pleno salão, com muita música, cantos-solo de cantores populares famosos, além dos gritos estridentes imitando índio. E – ponto alto de toda festa egípcia – não pode faltar a dança do ventre, com dançarinas escolhidas a dedo. 

Um costume, um pouco em decadência, é a noite de Henna, uma festa com canto e dança, na véspera do casamento. A noiva pinta mãos e pés com  henna, um produto feito de ervas  usado desde tempos imemoriais e que  representa prosperidade,


Finalizo com recordações que são testemunhos deste 1º dia


Mais informação e imagens podem ser vistos aqui e aqui  




sábado, 8 de novembro de 2014

Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança...


Creio que todos reconhecem o título desta mensagem, retirado do belíssimo poema de António Gedeão “Pedra Filosofal” , que podemos ouvir na voz de  Manuel Freire 

O sonho é tema de muitos poetas, nomeadamente Fernando Pessoa (neste caso Bernardo Soares)

Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espetáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis. (Bernardo Soares in Livro do Desassossego)

Maria Bethânia diz este trecho numa espécie de introdução ao poema  “Sonho impossível” de Chico Buarque  Podemos ouvi-la também aqui.

O sonho comanda a vida... (António Gedeão)

Há já uns dias, Carlos Fiolhais colocou  em De Rerum Natura , a animação que  também  podem ver  diretamente aqui

Na verdade o homem nunca deixou  sonhar . E continua almejando pisar um dia o planeta Marte
Em 01/11/2013 a NASA começou a preparar o  lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana e em  19/11/2013 foi lançada a sonda Maven (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) que  no  passado mês de Setembro terminou a sua viagem interplanetária. Um disparo de 33 minutos do seu propulsor, colocou-a-a numa órbita elítica que vai encolher durante as próximas seis semanas. A sua tarefa será descobrir o que aconteceu à atmosfera de Marte.
As sondas e rovers anteriores  viram evidências químicas e geológicas de que o Planeta Vermelho já foi muito parecido com a Terra: quente, húmido, um ambiente amigável para a vida. Mas a certo ponto, as coisas mudaram: Marte perdeu a maioria da sua atmosfera espessa que permitia com que a água permanecesse no estado líquido à superfície. Ao examinar a atmosfera actual e ao observar em tempo real como muda em resposta à radiação do Sol, a MAVEN vai tentar descobrir o quando e o porquê disso ter acontecido.

Uma outra sonda, a sonda indiana MOM (Mars Orbiter Mission, ou Mangalyaan), foi lançada a bordo do veículo de lançamento indiano PSLV no dia 5 de Novembro de 2013; ficou estacionada em órbita terrestre até dia 1 de Dezembro. Seguiu-se uma manobra de injeção e a sonda escapou da órbita da Terra seguindo um percurso que permitiu encontrar-se com o Planeta Vermelho a 24 de Setembro de 2014. A MOM vai estudar o clima de Marte, fotografar a superfície e mapear os minerais do planeta, e poderá ser capaz de determinar de onde é que surgiu o metano detectado por sondas anteriores. 
Ambas as sondas chegaram mesmo a tempo de observar o que promete ser a mais feroz chuva de meteoros já registada. Terá início quando o Cometa Siding Spring passar pelo planeta em meados de Outubro, a uns meros 173.000 quilómetros da sua superfície.
A revista Expresso de  28/12/ 2013 dedica algumas páginas a Marte sob o título Missão Marte 2024 
                                
Ainda a propósito da ida a Marte... 
A distância entre a Terra e o Planeta Vermelho depende da posição relativa de ambos os planetas, mas o certo é que nunca se encontram a menos de 55 milhões de quilómetros. A NASA estima que, com a actual tecnologia, uma missão tripulada demoraria, na melhor das hipóteses, seis a sete meses a vencer a distância. A viagem, segundo concluiu um grupo de analistas da agência em 2007, poderia ter início em 2028, segundo um plano que contempla, fundamentalmente, enviar em Dezembro desse ano ou Janeiro de 2029 o habitat destinado aos astronautas e à carga.

O material seria lançado a bordo de enormes foguetões Ares V, os veículos que irão substituir os ultrapassados vaivéns espaciais, que poderiam atingir o seu objectivo entre Outubro e Novembro de 2029. Em Fevereiro de 2031, seria a vez da tripulação, a qual poderia pisar a superfície marciana em Agosto desse ano.

Além de constituir uma impressionante aposta económica e logística, a aventura também implica importantes desafios científicos: precaver a exposição dos astronautas aos nocivos raios cósmicos e acautelar os efeitos sobre o organismo de uma longa viagem em condições de baixa gravidade, assim como os problemas psicológicos decorrentes do isolamento e da falta de privacidade. 


Uma coisa é ter a tecnologia para chegar a Marte, outra é fazer a viagem (que demorará entre seis a oito meses) e outra ainda é viver no planeta vermelho, num espaço confinado e com recursos muito limitados. É para avaliar essa capacidade que uma equipa de seis pessoas selecionadas pela NASA se encontra na cratera do vulcão Mauna Loa, no Havai.

A missão HI-SEAS (Hawaiʻi Space Exploration Analog and Simulation) começou esta semana, vai durar oito meses e tem por objetivo avaliar a capacidade de gestão da equipa em diversas vertentes. Por um lado, a aptidão técnica de gerir os escassos recursos, tais como a água e os alimentos, por outro, a habilidade de viver durante oito meses numa cúpula com apenas 10 metros de diâmetro. Como nota o Guardian, este é provavelmente, um dos maiores desafios.

Os seis elementos que constituem a equipa selecionaram-se a eles próprios, após um treino exploratório de uma semana, em que um grupo maior testou as competências de sobrevivência individual, de grupo e a personalidade. No final do treino, votaram uns nos outros com base nas características sociais.

O grupo é constituído maioritariamente por engenheiros, de diversas especialidades. Ao longo dos próximos oito meses, vão viver num espaço muito pequeno, estudar diversas matérias tais com a produção e gestão de energia e alimentos, com algumas saídas exploratórias dentro de fatos especiais que simulam o equipamento real. Aliás, toda a missão prima pelo realismo, até as comunicações com a estação de comando sofrem um atraso simulado de 20 minutos, o tempo que o sinal de rádio demora a percorrer a distância entre a Terra e Marte. Ou seja, entre uma pergunta e uma resposta, passam 40 minutos.

Muito provavelmente, nenhum dos elementos que participa nesta experiência no Havai irá pôr algum dia os pés em Marte (a NASA prevê uma primeira missão tripulada para 2030), mas este tipo de experiência é muito importante para avaliar e estabelecer as condições mínimas em que as pessoas conseguem viver, bem como compreender os mecanismos psicológicos e sociológicos envolvidos em missões que obrigam a uma convivência permanente e num espaço exíguo. Mais que viver num planeta hostil, a ida do Homem a Marte representará um desafio para ele próprio.

O sonho comanda a vida....


Também em mensagem recente,  António Piedade postou em De Rerum Natura a mensagem “Tocar no cometa” de que deixo alguns excertos

Os cometas são anteriores à formação do nosso planeta Terra. Durante milhares de milhões de anos, antes da nossa espécie se erguer para o espaço, os cometas sempre cruzaram e embelezaram os céus. Mais tarde, também despertaram a curiosidade que nos iria conduzir à ciência.
Os cometas, como escreveu Carl Sagan num livro lindíssimo sobre estes astros (que a Gradiva reeditou recentemente entre nós), “são as neves de outrora, os despojos primitivos da criação do sistema solar, gelos expectantes nas trevas interestelares”.
Durante milhares de anos, na escuridão dos céus e do nosso conhecimento, a visita dos cometas incendiou a retina e milhões de sinapses neuronais, o que fertilizou a imaginação humana, criou mitos, previu a sorte ou o infortúnio, anunciou o nascimento ou a morte de imperadores, foi expressão de um juízo divino a guiar os nossos destinos.
A observação sistemática da abóbada deslumbrante permitiu registar uma regularidade frequente no aparecimento dos cometas. Progressivamente, e com ciência, compreendemos melhor a natureza destes astros. O conhecimento substituiu o medo, o terror deu lugar a um outro deslumbramento (....)
Passamos a esperar o regresso destes corpos gelados, relíquias do passado que é a nossa história, fósseis astronómicos que nos podem ensinar como é que o sistema solar se gerou. As nossas teorias científicas precisam de ser comprovadas experimentalmente. E, assim que a ciência e a tecnologia permitiram, passamos a enviar sondas para os observar o mais próximo possível e para os analisarmos experimentalmente.
Agora, estamos na véspera de assistirmos a mais uma epopeica realização da inteligência humana: já não esperamos que um cometa nos visite, pelo contrário, vamos ao seu encontro para o compreender intimamente.
No próximo dia 12 de novembro, um pequeno robô cúbico, designado por Philae, com não mais de 100 quilos, vai poisar sobre um local meticulosamente escolhido do cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko. Vamos poder assistir à primeira “acometagem” da história da humanidade (...).
(...)Os nomes, Rosetta e Philae, com que foram baptizados os elementos desta missão espacial, representam o espírito científico de exploração e de decifração da informação que nos permitirá reconstituir os momentos primordiais da formação do nosso lar cósmico. Tocar nas poeiras estelares que levaram, por último, à evolução da nossa espécie, da inteligência que compreende e se maravilha com o próprio Cosmos.


Outras curiosidades sobre a exploração do espaço podem ser lidas aqui ( Água fora do sistema solar),
aqui (O universo será um buraco negro?)


 Termino com um poema meu que integra a antologia Entre o sono e o sonho (Chiado Editora)

Promenade

Na nossa vida, como na paleta de um artista, há uma única cor que fornece o sentido da vida e da arte. É a cor do amor.
Marc Chagall.

É verde o campo onde o casal passeia.
No povoado, ao fundo,
o tom rosa pálido de uma casa
funde-se com o céu,
destacando-a das demais,
todas elas verdes
como o campo que as rodeia.
Com a mão esquerda, Marc,
o homem visivelmente enamorado,
sustenta Bella, a mulher,
silhueta em tons de rosa forte,
que sobre a cidade esvoaça.
Na mão direita um pássaro.
Junto ao pé, do mesmo lado,
um tufo de flores rubras contrasta
com o verde forte da paisagem.
Uma fantasia?
Um sonho marcado pela nostalgia da infância?
Em S. Petersburg, no State Russian Museum,
a mulher permanece esvoaçante.
Mas, por certo,
acabou por pousar junto do seu amante.
Também o pássaro,
liberto da mão do homem que o prendia,
terá voado lançando no ar
chilreios de alegria.






terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sons do espaço

Os sons não se propagam no espaço  porque, tratando-se de ondas mecânicas, necessitam de  um meio material onde se possam propagar. Apesar de não existir som no espaço, existem vibrações eletromagnéticas dado que as ondas eletromagnéticas se propagam no vazio. 

A presença do homem no espaço criou uma variedade de sons que podemos associar à exploração espacial, incluindo a frase que ficou eternizada pelo cinema “Houston, we’ve had a problem” (Houston, tivemos um problema). A bordo do Apollo 13, o astronauta James A. Lovell comunicava à Terra que tinham tido uma rotura no tanque de oxigénio.
"Beeps", ondas, ruídos nas emissões, vozes, problemas e celebrações, mais de 60 sons das missões da agência espacial norte-americana estão livremente disponíveis na internet. 

Esses sons são originados pela interação das partículas eletromagnéticas dos ventos solares, ionosfera – parte da atmosfera a partir dos 80 quilómetros de altura – e o campo magnético dos planetas, permitindo que estas vibrações sejam audíveis pelo ouvido humano.

Há sons na Terra que nos fazem imaginar o espaço, culpa das bandas sonoras dos filmes de ficção científica ou de outras criações artísticas. “Also sprach Zaratrustra”, de Richard Strauss, é um desses exemplos.

Esta referência à obra de  Zaratustra aguçou-me a curiosidade sobre o filósofo do qual conhecia pouco mais que o nome. Na Internet encontra-se disponível a obra
bem como comentários que nos ajudam a interpretá-la.
Deixo um excerto de um desses comentários

Nietzsche no livro "Assim falava Zaratustra" dá voz àquele que desejou existir: "o super-homem".
O super-homem é precedido por Zaratustra e por todos os mortais. Nietzsche considera que "deus está morto", mas algo semelhante é capaz de ser criado. Essa criação fundar-se-ia no super-homem, onde um homem supremo viria revolucionar o mundo do comum dos mortais.
Zaratustra, a personagem que precede o super-homem, vive numa caverna e dela, um dia, resolve sair. Após essa saída introduz aos homens, a si mesmo, e às coisas, um discurso superior que, além da super-crítica que faz acerca dos homens, também fala do outro (o super) que poderá existir.
Pouco fica por generalizar e comentar nos discursos de Zaratustra; evidencia a liberdade que os homens podem ter e não exercem apenas por medo; Assim, nos discursos, existe a revelação de que os homens não foram apenas a imagem histórica que as instituições procuraram transmitir. Os homens também foram um ser livre, ou tentaram.
A clarividência de Zaratustra é feita de uma forma discursiva que se demarca pela oralidade nele contida. Assim grita Nietzsche ao mundo na forma de Zaratustra, que não gostando do que vê, fecha-se novamente na sua caverna. E dança...

Alguns excertos
Vede o ar envergonhado e pálido que a lua toma perante a aurora!
Pois eis a aurora que aparece já, ardente; vem cheia de amor pela terra. O amor do sol é sempre inocência e desejo criador.
Olhai-o, acorrendo impaciente de além dos mares. Não sentis a sede e o hálito ardente do seu amor?
Ele quer beber o mar e até aspirar toda a sua profundidade, e o desejo do mar segue para ele os seus milhares de seios.
Quer ser beijado e aspirado pela sede do sol; quer tornar-se brisa e altura e caminho para a luz; e luz ele próprio. Em verdade é com um amor solar que amo a vida e todos os mares profundos.
Luís Rijo  

Ainda a propósito do Nietzsche(1844-1900)



É preciso ter o caos dentro de si para dar uma estrela bailarina (Nietzsche)


Nietzsche Arte e Valores Morais 

domingo, 2 de novembro de 2014

Falando de poesia...

Quando pensei em publicar os meus poemas contactei algumas editoras novas (na altura) por admitir que seria mais fácil aceitarem uma autora desconhecida.
Uma delas foi a Quasi, editora fundada em 1999 pelo escritor Jorge Reis-Sá. Com a criação da empresa Do Impensável - Projecto de Atitudes Culturais, Lda., por este e pelo também escritor Valter Hugo Mãe, onde foi incorporada, passou a ser gerida por ambos até Dezembro de 2004, altura em que o segundo alienou a sua participação na mesma empresa. Desde então até Outubro de 2009, foi novamente Jorge Reis-Sá o único gerente. Nessa data cessou, com o encerramento da empresa, a sua actividade editorial. Tinha sede em Vila Nova de Famalicão.

A resposta foi mais ou menos esta: 
Lamentamos  mas esta editora só publica obras de autores consagrados.

Na verdade a Quasi publicou autores como Ramos Rosa e sua mulher,  Agripina Marques, Casimiro de Brito, Eugénio Lisboa,  Vinicius de Moraes, mas também autores como Jorge Melícias e os próprios Jorge Reis-Sá e Valter Hugo Mãe, que na altura  ainda não tinham o “estatuto” que hoje, merecidamente, têm.  
Entretanto publiquei dois livros : Reflexões e Interferência( Ed. Palavra em mutação) e Magnetismo Terrestre(Ed Calendário de letras) cuja edição foi financiada pelo Clube Literário do Porto (que já não existe).

Algum tempo mais tarde contactei uma outra editora,  cujo nome não recordo. Ainda tenho o e-mail enviado e que transcrevo no essencial

Exos Senhores
Tenho um conjunto de poemas (cerca de 20) com os quais  pretendia editar um livro "Requiem pelo planeta azul". Como o nome indica trata-se de um alerta ecológico e por isso, pertinente.
Envio, como "amostra " três desses poemas. Envio ainda uma sinopse curricular.

Passado algum tempo recebi a resposta que transcrevo na íntegra

Exmª Senhora
Também nós partilhamos algumas das suas preocupações ecológicas. Uma das medidas que incrementámos foi a não edição de livros de qualidade duvidosa. A floresta agradece. A literatura rejubila.
Jorge Melícias

A minha primeira reação foi não responder mas, passado algum tempo, decidi fazê-lo :

Sr. Jorge Melícias
Hesitei um pouco em responder-lhe mas acabei por decidir fazê-lo. É óbvio que só partilha algumas das minhas preocupações ecológicas pois se a ecologia tem a ver com o respeito pela natureza, a espécie humana não pode ficar de fora. Ora o seu e-mail, cujo juízo respeito dado que o direito à opinião é um direito consagrado, pela forma arrogante e pouco delicada como é escrito revela muito pouco respeito pela minha pessoa e pela minha idade. Nas minhas preocupações ecológicas  o respeito pelo planeta não pode deixar de passar pelo respeito às pessoas que nele vivem.
Regina Gouveia

A este e-mail já respondeu  doutro modo:

Srª  Regina Gouveia
Tem toda a razão. A minha resposta foi arrogante. Por isso me desculpo.
Desejo-lhe a maior das felicidades na procura de uma editora que aposte no seu trabalho.
Jorge Melícias

Jorge Melícias é precisamente um dos autores que a Quasi editou e que para mim era totalmente desconhecido. Por isso naveguei pela NET e o que encontrei  veio reforçar a ideia com que eu ficara depois de ler a sua resposta .

POESIA - PALAVRAS -SENTIDO, não são absolutos, nem deuses inquestionáveis. Precisam como dizia Camões de "honesto estudo" com "amarga experiência misturado". Não são uns espontâneos armados em iluminados, que pelos vistos, já sabem tudo, que lá chegarão com facilidade. Anónimo

Para escrever algo como "O poema são fogueiras levantadas na garganta"*, queiram-me desculpar, não é necessário arriscar nem a unha do dedo mindinho. Duas coisas bastam. Primeiro: ter lido e relido Herberto Helder em doses cavalares, até nenhuma desintoxicação ser já possível. Segundo: ter analisado ao microscópio (nuclear) as estratégias sintácticas, o leque de recursos estilísticos e as escolhas lexicais do mesmo Herberto Helder. E é preciso ainda - já me ia esquecendo! - saber escrever bem (no sentido mais lato que consigam imaginar). Rui Lage
*autor Jorge Melícias

A que propósito fui eu  buscar todo este “passado” ?
A editora Lua de Marfim acaba de me surpreender ao ter-me  escolhido para integrar o 1º número da coleção Novilúnio, a par de poetas tão consagrados como Ramos Rosa, Agripina Marques, Casimiro de Brito e  Amadeu Batista, anteriormente referidos a propósito da Quasi Editora.



Foi para mim um incentivo para continuar a escrever, tal como o foi o prémio que no passado dia 31  fui receber em Oliveira de Azeméis. 



 Este é o 6º primeiro prémio de poesia que recebo. 

  O 1º foi precisamente em Oliveira de Azeméis, em 2005


O concurso que começou por ser nacional e agora é internacional (o 2º lugar foi para uma autora brasileira) pretende homenagear o poeta Agostinho Gomes(1918-1998).

Termino com três poemas seus

Luar
Lá fora anda o luar
A perguntar 
Se queremos vê-lo.
Mas nós apenas temos olhos 
Para o néon dos candeeiros
Debruçados pelas ruas

Rio de Janeiro
As mãos das montanhas 
Cheias
Apanham o azul...
Depois,
Perdulariamente,
Desbaratam-nas
Nas águas da Baía

Poeta
Dia a dia, este ofício,
Penoso, mas aceite
De tecelão das palavras....
Só para vestir a Primavera
E imitar o canto dos pássaros.

in Paisagem sem cantora

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Dia da Biblioteca Escolar

Outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar. Em todo o mundo, este período é aproveitado para reforçar a visibilidade das bibliotecas escolares e a consciencialização acerca do seu valor nas aprendizagens.
A International Association of School Librarianship (IASL) propõe, como anualmente acontece, um tema aglutinador  e um conjunto de projetos nos quais as bibliotecas podem participar.
Para 2014, o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares estabeleceu 27 de outubro como Dia da Biblioteca Escolar

Neste contexto, no passado dia 28 estive no Centro Escolar das Árvores ( Agrupamento de escolas Diogo Cão, em Vila Real) , com quatro turmas de alunos, duas de 3º ano e duas de 4º ano.
Os professores tinham trabalhado com as crianças, a nova edição (3ª) de Ciência para meninos em poemas pequeninos. 


Atendendo aos programas, os poemas trabalhados foram diferentes de sessão para sessão.
No 3º ano escolheram poemas mais relacionados com a natureza. Um dos poemas explorados neste contexto foi  “Pintaínho”.


No quarto ano foram trabalhados poemas mais relacionados com a tecnologia Um dos poemas foi  “Caleidoscópio”



A partir dos poemas que exploraram no livro, os alunos escreveram  outros que estavam expostos num cartaz  

Ficaram de mos enviar. Logo que cheguem colocarei alguns aqui no blogue.

Em cada sessão os alunos colocaram várias questões, quer relativamente aos poemas, quer a experiências muito simples que realizei, relacionadas com conceitos implícitos ou explícitos nos textos. Os alunos do 4º ano construíram dois caleidoscópios, um dos quais me ofereceram.  Os alunos de 3º ano ofereceram-me uma saquinha com um  conjunto de marcadores feitos por eles e que tinham a ver com a visita de outro escritor que visitou a escola no mesmo dia.



Como já tenho referido, a forma como os alunos reagem a estas sessões, seria uma forma bem mais séria de avaliar o desempenho dos professores, do que  as que têm sido levadas a cabo nos diversos experimentalismos do Ministério da Educação.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

De música e de cor...


A minha amiga Virgínia Barros  não imagina viver sem música. Eu também não. Nem sem música, nem sem cor...
Nas minhas deambulações pela NET tenho encontrado vários vídeos que associam os sons  e as cores de génios da pintura e da música. Vou partilhá-los convosco

Gauguin e Schubert

Klint e Mozart

Rembrandt e Bach

Turner e Debussy

Picasso e Mahler

Egon Schiele  e Tchaikovsky

Dali e Beethoven

Renoir e Tchaikovsky

Degas ao som de Ravel

Picasso e Manuel de Falla

Matisse e Dvorak

Miró e Messian

Chagall e Stravinsky

Monet e Chopin

Paul Klee e Puccini

Vieira da Silva  e Dvorak

Manet, Chopin, Mendelssohn e Lizt

Modigliani e Guy Farley