Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A “odisseia” de um cinto…




É um cinto banal comprado há mais de 30 anos numa loja que existia em Serpa Pinto, a Hertemodel.
Fazia parte de um vestido de que gostei muito, pelo que foi bastante usado. Aqui há uns anos, já cansada do vestido, transformei-o (eu mesma) num conjunto saia e jaqueta, acrescentando-lhe uma barra que lhe conferiu um ar mais étnico. Ainda o uso, especialmente quando viajo para fora. 



 Aqui, na viagem que fiz a Moscovo em  2007

O cinto é agora mais eclético… Serve para várias “toiletes”  pelo que o uso com regularidade. Existe já entre nós uma relação afectiva…
Na passada terça feira usei-o. Às 14, 15 h fui para a aula de pintura  e quando às 16, 45 h me preparava para sair, apercebi-me de que o não tinha . Procurei na escola mas não o encontrei.  Fiquei triste, não pelo valor do cinto, mas por causa da tal relação afectiva…
Regressei a casa  a pé, como sempre,  e retomando o mesmo caminho na ténue esperança de o encontrar algures. Quando já tinha percorrido cerca de 400 m e me encontrava à espera da abertura do sinal verde para atravessar  a rua paralela à minha e imediatamente anterior, vi o meu cinto precisamente no meio da passadeira. Ainda passaram uns quatro automóveis mas, felizmente, nenhum o beliscou, tal como terá acontecido com os vários que passaram, por certo,  nas duas horas e meia que ali esteve parado.
Parece mentira mas ei-lo, incólume , pronto a ser usado.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Corrupção e crise: humor e não só…










Podem ver mais "cartoon" aqui 

E a terminar vejam este  depoimento ( 15/10 in Prós e Contas) e também este.




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A POESIA (NÃO) VAI ACABAR

A poesia vai acabar, os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis, assim começa o poema que Manuel António Pina escreveu (in Poesia, saudade da prosa).
A poesia não vai acabar porque Manuel António Pina e tantos outros poetas Grandes como ele a foram semeando aqui, ali acolá...
Se "os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis", não sei. Manuel António Pina, tal como  tantos outros poetas Grandes, são aqui muito úteis e mesmo quando parece que partem, eles ficam.

Obrigada Manuel António Pina em meu nome e no de muitas crianças, nomeadamente os meus quatro netos.
Aqui fica um dos muitos poemas a elas dedicados
Fui 5ª feira para Trás-os Montes de onde acabo de regressar. Foi lá que tomei conhecimento da triste notícia. Face às dificuldades que ali tenho em aceder à NET, só hoje pude prestar este modestíssima homenagem ao autor.
Hoje, durante a viagem, ouvi na Antena 2 o  concerto nº 1 para piano e orquestra, de Beethoven. Talvez algures, eventualmente  "observando  pássaros", M. A.  Pina o possa escutar.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

De Rerum Natura


De Rerum Natura é o "título" de um  blogue incluído desde o início  nos meus favoritos.

Não precisa da minha apologia pois é um blogue de grande “audiência”.

No entanto não resisto a sugerir a leitura de duas mensagens recentes

O PAULO PORTAS DE SCHROEDINGER


CONFISSÕES DE UM MERCENÁRIO ECONÓMICO

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Em queda quase livre...


Baumgartner ultrapassa velocidade do som em queda livre

O paraquedista austríaco Felix Baumgartner tornou-se hoje o primeiro homem a saltar em queda livre a mais de 38 quilómetros de altitude, ultrapassando a barreira do somNa queda livre, que demorou quatro minutos e 19 segundos, o atleta de alto risco chegou a ultrapassar mais de mil quilómetros por hora na descida, antes de abrir o paraquedas e pousar de pé em solo norte-americano, num deserto em Novo México.Segundos depois de pousar, Felix Baumgartner levantou os braços, em sinal de vitória, e ajoelhou-se.O atleta austríaco estava há cinco anos a preparar esta missão, batendo agora três recordes: é o primeiro homem a superar a velocidade do som, protagonizou a maior queda de sempre em altitude com paraquedas e esteve no ponto mais afastado da Terra. Tudo sem ajuda mecânica.Para efetuar este salto estratosférico, Félix Baumgartner elevou-se numa cápsula pressurizada suspensa num gigante balão insuflado com hélio, demorando mais de duas horas até ultrapassar os 38 mil metros de altitude.

Na ausência de resistência do ar  o paraquedista levaria cerca de 1,5 min a atingir o solo com a velocidade de 900 m/s, cerca de 2,6 vezes superior à velocidade do som. Missão impossível !
Felizmente, mal o paraquedista inicia a queda com uma aceleração igual à aceleração da gravidade(g) , a resistência do ar, força vertical ascendente, proporcional ao quadrado da velocidade, começa a “atuar”. À medida que a velocidade do paraquedista aumenta com a queda, também a resistência do ar aumenta e como tal, a aceleração da queda vai-se tornando inferior a g.
Senão houvesse resistência do ar, ao fim de 4 min e 19 s em queda livre a velocidade atingida  seria 2590 m/s. Mas graças à resistência do ar, não chegou a 400m/s, mesmo assim superior à velocidade do som.
A partir desse instante (4min 19s) abriu-se o paraquedas de Baumgartner. A resistência do ar tornou-se  muito elevada e a aceleração de queda diminuiu ainda mais até se anular. A partir desse momento o movimento passou a ser uniforme.
O vídeo anexo ajuda a entender melhor o que se passa na queda, que realmente não é livre.

Mais dois vídeos sobre o  funcionamento do paraquedas, um muito elementar, e o outro um pouco mais elaborado

Se em verdadeira queda livre o paraquedista se suspendesse dum dinamómetro, este indicaria um peso zero.
É fácil constatar que assim seria. Basta que, dentro de um elevador,  nos coloquemos em cima de uma balança (das que usamos em nossas casas para nos “pesarmos”). Se olharmos para a balança veremos que, no arranque da descida, o valor indicado desce ligeiramente. Isto porque nesse momento existe uma aceleração descendente  (de valor  muito inferior a g). Ver vídeos 1 e 2 que apresentam  de forma elementar o que acontece  num elevador.

É fácil agora de entender que se a aceleração da descida fosse g, o valor indicado na balança seria zero.


E a propósito da queda livre coloco aqui mais uma vez o poema para Galileu de António Gedeão, desta vez na voz do autor

Termino com  o "Retrato de Galileu Galilei", óleo sobre tela de Justus Sustermans, c. 1635


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ensino Experimental das Ciências, um guia para professores do ensino secundário



Tal como aqui anunciei há uma semana, na passada 5ª feira, no Departamento de Física da  FCUP, foi apresentado pela Professora Drª Helena Caldeira (UC),  o livro Ensino Experimental das Ciências, um guia para professores do ensino secundário (Física e Química). 
Encontrei amigos, antigos colegas e antigos estagiários, professores do Departamento de Física com quem tive o privilégio de trabalhar em diferentes situações e, obviamente,  apresentadora e  autores.
Conheço a apresentadora e  três dos autores, já há largos anos. Sei do seu profissionalismo,  do seu empenho, da sua dedicação e da sua competência . Bastaria o seu nome para eu aconselhar o livro, mesmo sem o ler. 




Mas quis lê-lo antes de aqui o referir .
Para além do prefácio, da autoria da apresentadora, e  de uma breve introdução feita pelos autores, o livro desenvolve-se em cinco capítulos:
  1. O que é a Ciência
  2. Ensino das Ciências
  3. Análise e tratamento de dados experimentais
  4. Ensino da Física
  5. Ensino da Química

Do prefácio, extraio dois excertos dos últimos parágrafos



Revi-me neste livro pois tentei implementar ( não sei se o teria conseguido) um ensino da Física e da Química, tal como aqui é defendido.

Parabéns aos autores e, apesar de não mandatada para o fazer, deixo  um muito obrigada em nome dos professores de Física e Química do ensino secundário.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Islândia, um país diferente....

Acabo de receber,  via e-mail,  uma mensagem cujo título é Aconteceu na Islândia.

A Islândia é sem dúvida um país diferente como podemos ver aqui 

Gostaria de visitar este país, do sol da meia noite e das auroras boreais. Quem sabe, um dia...




Fiz uma breve pesquisa sobre poesia  e pintura islandesa, contemporâneas

Aqui ficam um poema de Steinunn Sigurdardóttir e uma obra de Jóhannes Sveinsson Kjarval

Canción matutina para todo el año  (1987) (versão em espanhol)

La mañana promete,
sin descubrirnos nada de lo que traerá el día.
Es humano alegrarse ante la esfera roja
que asoma por las cumbres. Embotado de sueño
y al mismo tiempo ardiendo de interés.
Es algo muy nuestro el preguntarnos por la marcha
de unas masas de nubes en su viaje caótico
a lo ancho y a lo largo
de los puntos cardinales.
¿Qué adónde van? Pregunta inútil.
Nosotros las seguimos.
Steinunn Sigurdardóttir


 Palácio da Floresta Sveinsson Kjarval

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sermão do Bom Ladrão


" Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais
merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos
e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das
cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os
povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os
outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam.”


 Padre António Vieira, Sermão do Bom Ladrão





terça-feira, 9 de outubro de 2012

Prémio Nobel da Física 2012



O Prémio Nobel da Física de 2012 foi dividido entre um francês e um norte-americano pelos seus trabalhos experimentais de alta precisão de controlo e manipulação de sistemas atómicos. Os dois, um em Paris e outro em Boulder, no Colorado, têm estudado a relação entre matéria e luz: o francês fez uma "caixa" de luz (radiação de microondas) para onde lança átomos de matéria e o americano uma "caixa" de matéria, isto é, uma cavidade contendo iões (chamada "ratoeira" atómica), átomos carregados electricamente, para onde lança luz laser. Graças a eles, podem ser detectadas mudanças de um átomo correspondentes, por exemplo, à emissão ou absorção de um só fotão (grão de luz). Com essas "caixas" podem-se realizar, em cima de uma mesa, experiências mentais que julgávamos impossíveis e que, sem excepção, têm confirmado a teoria quântica, hoje uma velhinha com mais de cem anos mas com excelente saúde. São experiências de grande precisão, mas, assinale-se, com pouca gente e relativamente pouco dinheiro.

E a propósito da Física quântica vejam este vídeo!


Essa nova forma de compreender e representar a natureza que a
física quântica, a partir da interpretação de Copenhague, constrói
no início do século XX, em que o formal substitui o real, parece ser
o mesmo movimento da pintura dessa época rumo à abstração.
Nesse sentido, a arte pode se transformar numa linguagem apropriada
para se representar um universo físico que não mais segue a
lógica tradicional. Certas obras de Escher – Relatividade (1953), Exlibris
com o Zênite como ponto de fuga (1947), Um outro mundo I (1946),
Um outro mundo II (1947), Belvedere (1958) e Homem com cubóide
(1959) –, apesar de não representarem a arte abstrata, dão boas
pistas para visualizar um novo mundo que as lógicas clássicas já não
conseguem explicar. 
 
 Escher, Um outro mundo, 1947

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vai acontecer …





Vai acontecer no dia 11 de Outubro, no Porto.

No próximo dia 11 de Outubro, quinta-feira pelas 18:00, será lançado o livro 
"ENSINO EXPERIMENTAL DAS CIÊNCIAS: um guia para professores do ensino secundário. Física e Química" da autoria de Adriano Sampaio e Sousa, Paulo Simeão Carvalho, António José Ferreira e João Paiva.
 Sinopse:
A obra destina-se especialmente a professores de ciências do ensino secundário, centrando-se no trabalho prático e experimental; o presente volume é dedicado ao ensino da Física e da Química. O livro inicia-se com uma sintética introdução à natureza, estrutura e processos da Ciência, destacando os aspetos com maior relevância para o seu ensino. Segue-se uma visão geral das principais   conclusões da investigação em didática do ensino experimental das ciências, pretendendo fornecer aos docentes uma fundamentação mais sólida para as suas práticas letivas, com exemplos concretos em Física e em Química. É dedicado também um capítulo à análise e tratamento de dados que, embora respeitando as normas e recomendações atuais, procura ser acessível e adaptado ao ensino secundário. Os restantes capítulos do livro abordam temas específicos do ensino experimental em Física e Química; estes capítulos possuem secções comuns, como a organização do laboratório e secções específicas, como a medição de grandezas físicas ou as regras de segurança em laboratórios de química. É convicção dos autores que este trabalho de síntese vai de encontro às necessidades do ensino secundário e poderá constituir uma boa ferramenta de apoio complementar aos docentes, tornando a atividade prática e experimental mais adequada à visão atual da epistemologia e da didática das ciências e verdadeiramente relevante para a aprendizagem dos alunos.

LOCAL e DATA: 11 de Outubro de 2012, às 18:00, no Anfiteatro -120 do Departamento de Física e Astronomia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
A sessão, aberta ao público em geral,  contará com a presença do Sr. Vice-Reitor da UP, Prof. Dr. António Marques, além de outros convidados para a cerimónia. A apresentação do livro será realizada pela Prof. Dra. Helena Caldeira, professora aposentada da Universidade de Coimbra e autora dos Programas Nacionais dos 10 e 11º anos.



Vai acontecer no dia 11 de Outubro, em Coimbra.

A propósito da 1st IDPASC PhD Students Workshop a rede IDPASC, o LIP, e a Universidade de Coimbra promovem, no dia 11 de Outubro de 2012, pelas 18h00 (recepção aos participantes a partir das 17h30), uma Sessão Pública IDPASC "Higgs: To be or not to be!"
A participação é gratuita.


 
O Doutor Dave Charlton do CERN, Vice-Responsável da Colaboração ATLAS e responsável desta Colaboração a partir de Março de 2013, irá apresentar os últimos resultados nas pesquisas do Bosão de Higgs realizadas no CERN.
Após o anúncio em 4 de Julho último feito pelas Colaborações ATLAS e CMS, da descoberta no CERN de uma nova partícula compatível com o tão procurado Bosão de Higgs, o Investigador Dave Charlton irá apresentar-nos uma revisão desses resultados, discutir as suas implicações, e responder às inúmeras perguntas que temos sobre estes assuntos.

A palestra será muito pedagógica e dirigida ao público em geral (e em especial aos Professores e alunos do ensino secundário)



Vai acontecer no dia 13 de Outubro, no Porto. 



domingo, 7 de outubro de 2012

Continuando a falar de sal...



A MULHER DE LOT


          A mulher de Lot, que o seguia, olhou   para trás e transformou-se numa estátua de sal.
                                    Genesis


E o homem justo seguiu o enviado de Deus,
alto e brilhante, pelas negras montanhas.
Mas a angústia falava bem alto à sua mulher:
"Ainda não é tarde demais; ainda dá tempo de olhar
as rubras torres da tua Sodoma natal,
a praça onde cantavas, o pátio onde fiavas,
as janelas vazias da casa elevada
onde destes filhos ao homem amado".
Ela olhou e - paralisada pela dor mortal -,
seus olhos nada mais puderam ver.
E converte-se o corpo em transparente sal
e os ágeis pés no chão enraizaram-se.
Quem há de chorar por essa mulher?
Não é insignificante demais para que a lamentem?
E, no entanto, meu coração nunca esquecerá
quem deu a própria vida por um único olhar.


E a propósito de Sodoma, terra natal da mulher de Lot, o quadro Sodoma e Gomorra de


sábado, 6 de outubro de 2012

A química do sal



Quando pensamos nos compostos químicos que contribuem para o bem-estar da humanidade, raramente nos lembramos do cloreto de sódio… o vulgar “sal de cozinha”. Na verdade, o sal é um dos compostos químicos há mais tempo utilizado pelo Homem pela sua capacidade para conservar alimentos, o que o tornou numa mercadoria de elevado valor.
De facto, a conservação dos alimentos pelo sal é uma das bases da nossa civilização, pois permitiu libertar o homem da dependência sazonal dos alimentos e armazenar durante o verão as reservas alimentares para o inverno.
 

Este é um excerto do texto A química do salcolocado no blog  Uma química irresistível, um dos que incluo nos meus favoritos

E a propósito deste texto, regressei ao tempo em que na adega da minha casa na aldeia havia uma salgadeira .

Hoje em dia, existem arcas frigoríficas, mas antigamente quando se matava o porco em casa, parte da carne era guardada em salgadeiras, que mais não eram do que arcas de madeira que se enchiam de sal!


E porque estamos a falar de sal (quimicamente cloreto de sódio) incluo uma imagem de salinas e o poema lágrima de preta de António Gedeão na voz de Adriano Correia de Olveira   



Lágrima de preta
Encontrei uma preta
Que estava a chorar
Pedi-lhe uma lágrima
Para analisar.
Recolhi a lágrima
Com todo o cuidado
Num tubo de ensaio
Bem esterilizado.

Olhei-a de um lado
Do outro e de frente
Tinha um ar de gota
Muito transparente.

Mandei vir os ácidos
As bases e os sais
As drogas usadas
Em casos que tais.

Ensaiei a frio
Experimentei ao lume
De todas as vezes
Deu-me o que é costume.

Nem sinais de negro
Nem vestígios de ódio
Água quase tudo
E cloreto de sódio.

Houve festa na Química



Na passada  sexta-feira, a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto recebeu a última lição de duas figuras marcantes da história da U.Porto: Adélio Machado e Alberto Amaral. Os dois professores jubilaram-se perante uma plateia cheia de nomes ligados ao ensino superior como o ex-Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, o administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, Eduardo Marçal Grilo, e o diretor do Centro de Investigação de Políticas de Ensino Superior, Pedro Teixeira.
De manhã, Salvador Alegret e Sanromà, da Universidade Autónoma de Barcelona, e Manuel Nunes da Ponte, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, falaram sobre o papel da Química no Mundo. Às 12 horas, Adélio Machado proferiu a sua última lição, intitulada “Desenvolvimento? Sempre Insustentável

Fui aluna do Professor Adélio Machado com quem trabalhei posteriormente na orientação dos estágios do ramo educacional. Por isso, foi com muita pena que não estive presente na cerimónia. Costumava receber notícias da UP on-line mas já há algum tempo deixei de as receber.

Posteriormente enviei as minhas felicitações ao Professor, que muito amavelmente me mandou  o texto da sua aula.

Interessantíssima vem na linha da "Química Verde", área relativamente à qual existem várias publicações de Adélio  Machado como, por exemplo, O Quadro de classificação periódica da sustentabilidade.Uma metáfora para a química verde e ecologia industrial


Outros artigos podem ser lidos aqui




Ás 15h45, foi a vez de  Alberto Amaral (ex- reitor da UP e atual presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3S) com a lição  intitulada “Uma lição breve”. Antes, como convidados, Maria João Ramos e José Ferreira Gomes apresentaram  Alberto Amaral na Química” e “Alberto Amaral na U.Porto“, respetivamente.
Às 18h30Alberto Amaral – um cientista entre a Academia e a Ágora”, uma obra da U.Porto editorial, foi apresentada por Mariano Gago e António Magalhães, investigador no Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior. Após o lançamento do livro, o reitor da Universidade do Porto, José Marques dos Santos, entregou  ao antigo reitor a Medalha de Mérito da U.Porto.

Aqui ficam  breves excertos da intervenção de Alberto Amaral

“Sinto-me envergonhado pela herança que a minha geração deixa à futura. Normalmente, uma geração vive melhor do que a anterior, tal como a minha foi melhor do que dos meus pais e a deles do que a dos meus avós, etc., mas agora a tendência está a inverter-se e os meus descendentes vão ter claramente mais dificuldades, piores salários, falta de emprego e más condições sociais”.
E “hoje, os académicos são uns verdadeiros cornudos das suas instituições”, continuou o também ex-reitor da UPorto, acrescentando que se tornaram em “simples funcionários que perderam prestígio”.



E porque a Química faz parte do Teatro da Vida termino com a  obra homónima de Vieira da Silva, a quem dediquei a última mensagem




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS.



O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS.

É este o título da exposição que está patente até 21 de Outubro. na GALERIA FUNDAÇÃO EDP | Rua Ofélia Diogo da Costa, 45 (ao lado da Casa da Música) | Porto | Terça a Domingo, das 12 às 19h


A obra de Maria Helena Vieira da Silva é uma vez mais revistada, agora a partir de obras de colecções particulares e institucionais em Portugal, que nos permitem admirar as diferentes etapas da pintura da artista e confirmam a sua excepcional dimensão no panorama internacional da arte contemporânea. A exposição, organizada em parceria pela Fundação EDP e pela Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, procura traçar um registo mais intimista da pintura de Vieira da Silva, revelando os seus múltiplos caminhos e a sua busca pelo enigma do espaço. Vieira da Silva encontra-se representada, para além das colecções de museus, em instituições não museológicas em Portugal, bem como colecções de particulares. Todas constituem um complemento insubstituível aos acervos dos museus.

 Visitei a exposição na passada terça feira e aconselho vivamente a visita.

Deixo imagens de duas obras.




Outras obras da artista podem ser vistas aqui



“A pintura de Vieira da Silva (…)é uma pintura do real no que ele tem de mais fantástico, a sua espacialidade reverberante, que o mais ínfimo objecto enquanto potência de cor e luz repercute sem termo e sem fim …) Eduardo Lourenço
 


Termino com "Memno", obra de  1988  que Luís Cília  dedicou a Vieira da Silva





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Se eu fosse mais nova….




Se eu fosse mais nova….

Já aqui referi que até 2000, nunca imaginei pedir a aposentação antes dos 70 anos ( caso a saúde me permitisse continuar a exercer a profissão que jamais trocaria por qualquer outra). As barbaridades da ministra MLR levaram a que me aposentasse aos 60 anos, com 39 de serviço.
Da mesma maneira sempre achei que, para viver, não trocaria Portugal por qualquer outro país. Agora, estou tão desencantada  com tudo o que se passa à minha volta ( e não é só de agora) que, se fosse mais nova, talvez emigrasse.
Ultimamente tenho reflectido muito sobre isso. Curiosamente hoje tomei conhecimento do texto Conselho aos Filhos de Portugal , escrito por um emigrante.  Aqui fica para reflexão

Se és um jovem português, atravessa a fronteira do teu País
e parte destemido na procura de um futuro com Futuro
Porque no teu País a Educação é como uma licenciatura
tirada sem mérito e sem trabalho, arquitectada por amigos docentes
e abençoada numa manhã dominical 
Porque no teu País é mais importante a estatística dos números
que a competência científica dos alunos.
O que interessa é encher as universidades, nem que seja de burros
Porque no teu País a corrupção faz parte do jogo
onde os jogadores e os árbitros são carne do mesmo osso
e partilham o mesmo tempero
 Porque no teu País a justiça é ela própria uma injustiça
porque serve quem é rico e influente
com leis democraticamente pobres
 Porque no teu País as prisões não são para os ladrões ricos
porque os ricos não são ladrões
já que um desvio é diferente de um roubo
Porque no teu País a Saúde é uma doença crónica
onde, quem pouco tem
é sempre colocado na coluna da despesa
Porque no teu País se paga a quem nada faz
e se taxa a quem pouco aufere
 Porque no teu País a incompetência política
é definida como coragem patriótica
Porque no teu País o mar apenas serve para tomar banho
e pescar sardinhas
 Porque no teu País um autarca condenado à prisão pela justiça
pode continuar em funções em liberdade
passeando e assobiando de mãos nos bolsos
 Porque no teu País os manuais escolares são pagos
enquanto a frota automóvel dos políticos é topo de gama
 Porque no teu País há reformas de duzentos euros
e acumulação de reformas de milhares deles
 Porque no teu País a universidade pública deixou cair a exigência
e as licenciaturas na privada
tiram-se ao ritmo das chorudas mensalidades 
Porque no teu País os governantes, na sua esmagadora maioria
apenas possuem experiência partidária
que os conduz pelas veredas do "sim ao chefe"
 Porque no teu País o que é falso, é dito como verdade,
sob Palavra de Honra!
São votos ganhos numa eleição
 Porque no teu País as falências são uma normalidade,
o desemprego é galopante, a criminalidade assusta,
o limiar da pobreza é gritante
e a venda de Porsche e Ferrari ... aumenta
 Porque no teu País há esquadras da polícia em tal estado
onde os agentes se servem da casa de banho
dos cafés mais próximos
Porque no teu País se oferecem computadores nas escolas
apenas para compor as estatísticas
do saber "faz de conta" em banda larga
Porque no teu País se os teus pais não forem ricos
por mais que faças e labutes
pouco vales sem um cartão partidário
Porque no teu País os governantes não taxam os bancos
porque, quando saírem do governo serão eles que os empregam
 Porque no teu País és apenas mais um número
onde o Primeiro-Ministro se chama Alice
que vive no País das Maravilhas mesmo ao lado do teu.
Foge !
E não olhes para trás !"


Deixo também um outro texto que reforça algum conteúdo do  anterior


Dezassete  antigos administradores da CGD recebem dois milhões em reformas por ano(…)
A CGD é apenas um dos muitos exemplos de empresas com reformados pelo Estado e/ou pela Segurança Social que regressam ao mercado de trabalho no sector privado, acumulando desta forma reformas acima dos dois mil euros com novos e altos salários em empresas ou instituições privadas(…)
No caso do banco do Estado foram 17 os antigos administradores que passaram pelo conselho de administração e que recebem actualmente cerca de dois milhões de euros por ano em pensões, que variam entre os 2.710 euros mensais e os 14.352 euros brutos.
Numa altura em que o Governo está a congelar e a cortar as pensões de milhares de portugueses, e já prometeu novas medidas de austeridade nesta área, este leque de reformados, a que se juntam outras personalidades públicas, continuam a poder acumular reformas milionárias com outros rendimentos provenientes do trabalho no sector privado (…)
Em sentido inverso, o Diário Económico escreve, esta terça-feira, que a Caixa Geral de Depósitos não rende dinheiro ao País desde 2007. Nos últimos dez anos, o Estado gastou, no total, 4,35 mil milhões de euros em injecções de capital na CGD e foi remunerado, com o pagamento de dividendos, em 2,21 mil milhões de euros. Contas feitas, o saldo é negativo para os contribuintes em 2,13 mil milhões de euros.

E porque falei de emigração deixo aqui duas canções emblemáticas Ei-los que partem na voz de Manuel Freire e Trova do emigrante ( texto de Manuel Alegre, cantado também por Manuel Freire),  aqui na voz de  Cecília de Melo com a guitarra de  Carlos Paredes.

Termino com  a obra “Emigrantes” de Lasar Segall  pertencente ao acervo da  Pinacoteca de S. Paulo