Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Peripécias...


Vou fazer um breve interregno no “silêncio” que dura já há mais de um mês. E digo breve, porque parto amanhã para férias.
No dia 15 de julho, terça feira,  fomos para a “minha aldeia” e, como é habitual, levámos alguns netos, desta vez o José e a Marta.
Estava previsto irem todos mas o Bernardo, muito ligado à mãe, à última hora desistiu. A irmã, que já há 9 anos era companhia infalível, não quis deixar o irmão. Ficou previsto que na sexta, dia 18, os pais iriam levá-los e ficariam então os quatro connosco.
Mas o “diabo teceu-as”.
Durante o dia de quarta feira os miúdos brincaram, eu e eles fomos à mini piscina (aproveitamento do antigo lagar de vinho) e consegui que a minha neta (vai fazer 4 anos) ganhasse algum à vontade com a água. Após o jantar fomos ao parque infantil da aldeia e ao regressar senti uma dor muito aguda no peito e muita dificuldade em respirar. Não comentei o caso e no dia seguinte, quinta-feira, acordei bem. Fomos à vila (Alfândega da Fé) nomeadamente à Biblioteca e enquanto o José foi jogar no computador (limite de tempo 30 min), a Marta foi para a secção infantil brincar com outras crianças com as quais interagiu como se as conhecesse desde sempre.
Era feira na Vila pelo que ainda demos uma voltinha na feira e regressámos à aldeia.
À tarde o meu marido foi à outra aldeia, Adeganha, no concelho de Moncorvo (há dois anos, por morte do irmão, herdou ali uma casa, tipo senhorial, bastante degradada no interior) para continuar a tarefa ciclópica de organizar e eliminar “tralhas” pois o meu cunhado era comprador compulsivo e é indescritível o caos que encontrámos. 
Só para dar uma ideia, deixo uma imagem de um dos compartimentos, mas em qualquer outro a situação era idêntica.


Voltei com os miúdos para a “piscina” e continuaram os progressos da Marta. Quando saí da piscina senti novamente a dor e a falta de ar mas imaginei que, tal como acontecera na véspera, iriam passar em breve.
De noite a dor e a falta de ar tornaram-se frequentes. Mudei de quarto para não acordar o meu marido mas passei mal a noite pelo que, no dia seguinte, sexta feira,  contei o que se estava a passar e fui ao serviço de urgência em Macedo de Cavaleiros.
Numa radiografia aos pulmões foi detectada uma pneumonia. Teria que fazer umas análises para se poder decidir se teria que ficar internada. Estive 5 horas na urgência e o meu marido lá teve que “aguentar” com os dois netos, os mais irrequietos dos quatro. Felizmente não tive que ficar internada. Nesse dia chegariam os outros dois netos com os pais bem como o pai do José e da Marta (a mãe ainda está na Argentina, num projeto de investigação). Chegaram, não para deixar os netos que “faltavam” mas para  levar os que estavam...
Ficaram até domingo e decidiu-se que eu viria para o Porto com eles para ser novamente vista. Fui para a urgência (mais 5 h com os mesmos exames). O diagnóstico foi confirmado, a medicação foi aumentada. O médico fez um relatório circunstanciado e no dia seguinte, segunda feira,  fui ao médico de família com o processo. Mais um reforço de antibióticos...De acordo com o médico de família,  decidi regressar ao Nordeste, não para a minha aldeia, mas para a do meu marido, que é mais tranquila e para onde ele se mudou logo que eu lhe comuniquei a decisão. Ao fim do dia ainda consegui apanhar o comboio (o meio de transporte de que mais gosto) para o Pocinho onde ele me foi buscar. Na viagem, a beleza inigualável do Douro...
Quando fomos para a minha aldeia levámos o gato, como é habitual no Verão. Só que não nos lembrámos que era a festa da aldeia. Uma barulheira infernal (um conjunto a emitir ruídos porque não àquilo não se pode chamar música) com um nível sonoro muito acima daquele que é tolerável. Já no ano passado aconteceu o mesmo e o gato ficou simplesmente histérico. Neste ano ficou de tal modo assanhado que se atirava às pessoas pelo que o meu marido não o conseguiu levar.
Passados dois dias foi buscá-lo e munido de luvas e casaco de couro, tentou apanhá-lo. Por azar o gato conseguiu arrancar-lhe uma luva e mordeu-o em vários locais da mão. Mas conseguiu apanhá-lo e lá foi ele para a Adeganha.
No dia seguinte a mão estava vermelha e com um grande edema.  Desta vez foi ele à urgência  a Alfândega que é a vila que fica mais perto. Foi-lhe de imediato receitado um antibiótico e, durante uma série de dias, teve que lá voltar a fazer curativos.
Felizmente eu tinha levado uma série de refeições congeladas, para poder estar mais disponível para os netos e 15 dias antes tínhamos ido lá levar uma velha máquina de lavar louça (estava aqui e foi substituída).
Tendo que descansar o máximo possível, passei o tempo deitada ou sentada, a ouvir música e a ler. Reli “Os velhos marinheiros”e “Farda, fardão, camisola de dormir” de Jorge Amado, “O Evangelho segundo Jesus Cristo” de Saramago, “Miss Esfinge” de Campos Monteiro (livro que tinha lido na adolescência ) e li “Olhos nos Olhos” de J.Machado Vaz e “Fátima desmascarada” de João Ilharco. Também folheei livros sobre vários pintores de que gosto (Klee, Picasso, Chagall, Miró..)e  Arcimboldo 
 que , embora não aprecie, não posso deixar de considerar fabuloso, para a sua época, pois tudo era criado a partir de elementos geralmente naturais como frutos, mas também  livros, etc 


Estava eu “posta em sossego” telefonou-me o pintor e escritor António Afonso,  meu amigo de infância, que está como comissário português de uma exposição internacional que iria  inaugurar  no Museu Abade Baçal em Bragança,  a 4 de Agosto com terminus a 28.


Queria que eu colocasse  lá dois quadros meus. Gostaria de colocar os últimos que fiz, pigmentos naturais sobre sacos de azeitona. Não tinha nada comigo que valesse a pena. A única hipótese era pedir aos meus ilhos que os levassem quando fossem a 2 de Agosto.
Mas era preciso colocá-los em Bragança. Eu tinha que fazer um novo raio X para ver como evoluíra a doença. Lembrei-me então que uma ex- aluna minha, com quem mantenho contacto, estivera como médica em Bragança e tinha ido fazer um estágio no Brasil. Lembrei-me de lhe telefonar para me indicar onde deveria fazer a “vistoria”. Para grande alegria minha, estava de novo em Bragança e de imediato me mandou ir ter com ela ao Centro de saúde. Conciliando com a necessidade de alguém levar os quadros  a  Bragança, marquei a consulta para o dia 4. Assim levaria os quadros e se tivesse o aval médico, iria nesse mesmo dia à inauguração da  exposição.
O meu amigo António Afonso disse não haver problema porque ele reservaria o lugar para os quadros  e assim foi.
No dia 2 chegaram filhos netos, quadros e uma piscina insuflável. Na Adeganha  não há lagar de vinho transformado em piscina, mas há um grande pátio onde a mesma foi instalada





Logo que soube da minha doença a Rita comentou, em jeito de pergunta: Este ano não vai haver teatro, pois não? Respondi : Vamos ver o que se pode arranjar...
Durante os meus repousos lembrei-me de fazer algo muito simples. A casa que o meu marido herdou é uma casarão...O meu cunhado, na fase última da doença, por vezes tinha visões e dizia ter visto antepassados emergirem das paredes. Lençóis brancos eram fáceis de arranjar,  halibut  e talco para “pintar” rostos e cabelos  também.  E assim surgiu uma peça muito simples...
Entretanto dia 4, em  Bragança, fui muito bem atendida pela minha ex-aluna Raquel e equipa. O mal parecia estar debelado. Mandou-me tudo por e-mail para eu enviar ao meu médico de família (de quem a  Raquel foi aluna na Faculdade) que mal recebeu os dados me telefonou confirmando a boa notícia. Assim pude ir à inauguração da exposição que foi precedida de um pequeno buffet para os participantes e respetivos acompanhantes.

Deixo dois  vídeos, fotos de trabalhos da participação portuguesa e algumas fotos da inauguração que podem ver aqui
























Regressando à Adeganha, filhos e netos passavam o dia na piscina e eu assistia da varanda...


Nas horas mortas ensaiámos a peça. 

Noites de terror no casarão
Atores:
1º fantasma- José (8 anos, quase 9)
2º Fantasma-Marta (3 anos, quase  4)
3º Fantasma-Bernardo (5 anos)
4º fantasma-Rita (12 anos)

Os actores, vestidos de fantasmas (lençóis brancos, rosto e cabelos brancos) estão escondidos num quarto  pequeno,  perto da sala grande
Ouvem-se uns sons metálicos macabros,  uivos, arrastar de móveis, chiar de portas...

(Voz da Rita)

Diz a lenda que três pastoras,
enquanto o rebanho guardavam
a vários jogos, jogavam,
mas sempre a mesma ganhava
As outras,  muito zangadas,
decidiram acabar
com aquele maldito azar
Deitaram fogo à terceira
que, mesmo assim na fogueira,
continuava a ganhar
Arde e ganha…. Arde e ganha….
Assim nasceu Adeganha 
onde tudo se vai passar

(voz  do José )

No enorme casarão,
bem no Largo da Lameira,
vagueiam a horas mortas,
por vezes a noite inteira,
uns decadentes morgados
Pobres coitados….          
Atravessam as paredes
e atravessam as portas…. 

(vozes do Bernardo e da  Marta)

Fazem uma barulheira

Ouvem-se novamente os barulhos  e a seguir entra o 1º fantasma com uma bengala

Vivo aqui há duzentos anos,
sempre agarrado à muleta,
infelizmente sem cheta.
Isto não estava em meus planos

Sai.

(Todos)
Uuuu      uuuuuu    uuuuu

Ouvem-se novamente os barulhos  e entra o 2º fantasma 

Ainda sou fantasminha
Neste casarão, só gosto da cozinha…

(vozes)
Ah    Ah   Ah…

Ouvem-se novamente os barulhos  e entra o 3º fantasma 

Claro, tu só pensas em comer

(vozes)

Ah    Ah   Ah…

2º fantasma
 
E não

3º fantasma 

E sim

2º fantasma
 
E não

3º fantasma 

E sim

(Novamente os barulhos e entra de novo o 1º fantasma  com a bengala)

Calem-se  fedelhos.
Respeitem os fantasmas mais velhos

(vozes)
Ah    Ah   Ah…

Novamente os barulho e entra o 4º fantasma

Mas quem manda aqui sou eu,
ouviste velho morgado?
Quero tudo sossegado
acordei com a discussão.
Todos fora do casarão

Os outros 3 fantasmas  em coro

Não te zangues com a malta.
Não te zangues, por favor.
Todos nós fazemos falta
para as noites de terror
neste velho casarão.

4º fantasma 

Tendes  razão , podeis ficar,
mas hoje é tarde de mais
e a farra terminou.
Ide deitar que eu já vou.
Amanhã haverá mais…


Como sempre terminámos com um RAP

No enorme casarão, uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, vagueiam a horas mortas
por vezes a noite inteira, uns decadentes morgados. Pobres coitados….  
       
Atravessam as paredes e atravessam as portas…. 
Fazem uma barulheira   uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Mas não se assustem senhores. Vamos contar um segredo.
Um até já está gágá, tem as costas meias tortas e  anda sempre  com muleta.

Dos outros, dois são pequenos, e o mandão é uma  treta.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

São fantasmas mais ou menos, não vale a pena ter medo.

Boa noite meus senhores.Vão dormir, já não é cedo.


Um dia, ainda antes da representação,  fui  dar  com a Marta e o Bernardo num dos quartos a ensaiarem, por  livre iniciativa,  as suas “falas”
Uma ternura...
A peça  foi apresentada no a 7 de Agosto, dia  do aniversário do meu filho Miguel.

Foto tirada no fim do espetáculo. A Marta já despira o fato de fantasma... 

Filhos e netos regressaram a 9 e nós a 10.
Dia 11 fui ao pneumologista, fiz provas funcionais respiratórias e tive “permissão” de ir à China destino que o meu marido escolhera e que era um dos seus  grandes sonhos ....Quando me foi diagnosticada a pneumonia, foi-me dito que ir ou não, dependia da evolução da doença.
A muito custo eu e os filhos conseguimos convencê-lo a ir mesmo que eu não pudesse. Ficou a aguardar, ansioso, todo este tempo.
Partimos amanhã.


terça-feira, 1 de julho de 2014

A semana que passou...

A semana que passou foi rica de emoções
Com os netos de férias, havia que pensar em actividades para todos. Na segunda feira começámos o dia com uma visita à  cascata que os Bombeiros Sapadores (meus vizinhos...)  montaram este ano, pela 1ª vez. Estava bastante interessante pelo que todos gostaram muito, essencialmente o Bernardo que tem 5 anos.
Vieram cheios de ideias para a nossa cascata que este ano esteve um pouco mais rica que em anos anteriores.
Mas os festejos foram mais pobres...Habitualmente somos  mais de vinte pessoas mas como o tempo estava muito fraco, previmos que não poderíamos fazer os festejos no quintal pelo que estávamos apenas nós, filhos, netos e os pais de uma das minhas noras.
Assámos as sardinhas no quintal mas tivemos que as comer dentro de casa, concretamente em casa  do meu filho  Miguel, meu vizinho...
Fiz o caldo verde e deixei-o em minha casa para levar só no fim da sardinhada.
Contrariamente ao habitual as sardinhas eram fracas, muito secas e o caldo verde ficou em minha casa porque nunca mais nos lembrámos dele...
Mas a alegria, particularmente dos mais novos, fez  esquecer todos os fracassos.
No dia seguinte e como é habitual, almoçámos todos em minha casa.  Não foi o habitual anho mas cachupa, um prato de que todos gostamos muito e que comi pela primeira vez na Guiné em 1969. Leva anho, galinha, porco, vitela, milho, feijão, couve, cenoura...
Ao jantar ficámos nós, o meu filho mais novo e os filhos (a minha nora, investigadora, está na Argentina onde vai ficar até setembro).
Como o meu neto José mudou de escola no 3º período ainda não consolidou amizades fortes como algumas que tinha na escola anterior. Por isso decidi convidar dois dos novos colegas, aqueles com quem se entende melhor.
No dia 24 o José dormiu cá pois o colega David vinha passar o dia seguinte com ele e chegava às 8 da manhã. Ao José disse que chegaria só às 10 pois, caso contrário, acordaria muito cedo com a excitação da vinda.
Jogaram à bola, foram à piscina, fizeram passatempos em inglês e jogaram à caça ao tesouro que é uma brincadeira de que as crianças gostam imenso e que eu já fazia com os meus filhos.
Começámos por procurar o primeiro tesouro (havia um tesouro para cada um). As pistas eram em inglês.
Suponhamos que a primeira pista era book. Tinham que procurar e encontrar num livro, a indicação de uma outra pista.
Suponhamos que a nova pista era  dog. Teriam que encontrar um cão de peluche onde estava escondida a pista. E assim por diante até encontrarem o tesouro.
O David delirou e quis de imediato jogar de novo. Mas entretanto eram horas de almoçar.
À tarde fizeram de novo a caça ao tesouro, jogaram à bola e foram mais uma vez à piscina. O pai do menino veio buscá-lo às 19,30. Não queria ir embora. Ficou a promessa que virá de novo.
Os meus netos do lado não estiveram; foram passar o dia a casa dos outros avós. À noite veio o meu filho mais novo e jantámos os cinco. O José, muito excitado, queria contar todas as novidades do dia.
Quando foram embora liguei o computador e tive uma agradável surpresa. Aqui vai...

 NOVA EDIÇÃO DE "CIÊNCIA PARA MENINOS EM POEMAS PEQUENINOS"



Regina Gouveia foi professora de Físico-Química, deixou uma obra pedagógica notável, e está agora aposentada. É a autora do blogue “Do Caos ao Cosmos” http://docaosaocosmos.blogspot.pt/  Gosta de escrever poesia de base científica (um pouco à maneira de António Gedeão, o pseudónimo poético de Rómulo de Carvalho, também ele professor de Físico-Química numa escola secundária). Alguns desses poemas dirigem-se aos mais pequenos. É o caso de  Era Uma Vez… Ciência e Poesia no Reino da Fantasia, Palavras & Rimas (2013), recomendado para o 2.º ano pelo Plano Nacional de Leitura,  Breve História da Química, 7 Dias 6 Noites (2011), que saiu no Ano Internacional da Química, e  Pelo Sistema Solar Vamos Todos Viajar, Editora Gatafunho (2010). Agora, na Primavera de 2014, saiu, finalmente numa grande editora (a Porto Editora), com capas duras e excelente aspecto gráfico uma das suas colecções de poemas infantis: “Ciência para meninos em poemas pequeninos”, com ilustrações do filho Nuno Gouveia, tal como tinha já acontecido com alguns livros anteriores. Contém um poema por página, em letra gorda, sempre com bonitas ilustrações alusivas. Quem quiser ler um  poema  ilustrado, pode ler este sobre a “Chuva”:  http://recursos.wook.pt/recurso?&id=9644999

É um livro encantador onde se pode aprender, em tenra idade, alguma ciência com a sensibilidade  e a imaginação que só a poesia podem proporcionar. De facto, este livro já tinha saído em 2010 numa edição de capa mole na editora  Ana Paula Faria (colecção Ciência e Poesia de Mãos Dadas). Mas a nova edição  de capa dura e formato maior (distingue-se nas livrarias por ter um buraco no meio da capa com a palavra “Histórias” desenhada), além de chegar a faixas maiores do mercado, foi feita para durar. Servindo-se dela professores e pais podem mostrar aos pequeninos que ciência e poesia são aliadas na busca do conhecimento.


- Regina Gouveia, “Ciência para meninos em poemas pequeninos”, ilustrações de Nuno Gouveia, Porto Editora, 2014.
Posted by Carlos Fiolhais at 09:59 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif

Obrigada Professor Fiolhais.


Na quinta feira a Rita teve um convite para passar a tarde com uma colega e a pequenina foi para o infantário. Ficaram os dois rapazes que, apesar da diferença de idades (um tem 5 anos, o outro vai fazer 9) são inseparáveis. O Bernardo sozinho é muito tranquilo, mas com o primo fica quase tão irrequieto como ele..
Por isso, programei para a tarde uma saída.  Fomos de autocarro (algo a que o Bernardo não está habituado e por isso adora) até à reitoria (antiga faculdade de ciências) visitar duas exposições. Uma delas, "INAUDITO - A AVENTURA DE OUVIR" e a outra EVOLUÇÃO DA VIDA NA TERRA onde, recorrendo a fósseis e fragmentos de rochas e meteoritos, se propõe aos visitantes uma "aula" prática sobre a evolução do nosso planeta.

Como o Bernardo adora animais ainda pôde ver alguns embalsamados no átrio do Museu de Zoologia, que está fechado para obras, devendo reabrir em 2015.
Quando convidei o David convidei também uma menina, Catarina,  que na altura não se mostrou muito entusiasmada mas, na 5ª feira ao fim da tarde, ligou a perguntar se poderia vir no dia seguinte depois de almoço.

Ao fim do dia o pai do José veio buscá-lo e trouxe a mais pequenina,  Marta. Jantaram todos e foram embora. 
Fiquei de ir buscar o José no dia seguinte por volta das 9h.

Mas dia 26, quinta feira,  foi também o dia em que Portugal se viu afastado do Mundial. Não gosto de futebol mas gostaria que Portugal tivesse passado...

Na sexta feira fui buscar o José e lembrei-me de passar pelo café dos pais da Catarina, onde ela costuma estar. Se ela quisesse poderia ir passar todo o dia e não apenas a tarde. Aceitou o convite. Chegados a casa fomos buscar o Bernardo, que estava na casa ao lado, com a empregada. A Rita ainda dormia.
Como a Catarina mostrou vontade de ver a cascata dos bombeiros fomos visitá-la mais uma vez. O Bernardo ficou delirante. À saída perguntou ao bombeiro que nos atendeu: Eu posso vir todos os dias ver a cascata?

Com a Catarina o programa foi idêntico ao que usara com o David. Como não sabe nadar, a piscina foi substituída por jogos. Mas do que ela gostou mesmo foi da caça ao tesouro de que fizemos três edições...

No sábado a Marta foi ao aniversário da maior amiga, Ariadne, uma colega do infantário. A mãe é mexicana e o pai inglês, astrofísico.Está envolvido num projeto de investigação na Faculdade de Ciências. Eu e o José  fomos levar a Marta(o meu filho, que pratica atletismo, tinha um campeonato nesse dia) 
Enquanto decorria a festa fui dar uma volta com o José. Como a menina mora na Rua Miguel Bombarda, fomos ao centro comercial que ali existe.
Estava em festa. 


Havia bebidas, bolinhos, etc. Comemos uns brigadeiros de laranja, deliciosos.
No fim fomos buscar a Marta e o José ainda brincou um bocadinho com as pequeninas (eram só meninas). O casal é muito simpático e fizeram questão que provássemos alguma coisa. Comi uma fatia de tarte de limão, muito boa.

Regressámos a casa e jantámos quando o meu filho chegou do campeonato.

Quando foram embora sentei-me a ouvir Impromptu nº 3 de Schubert 
Foi uma semana um pouco cansativa mas a alegria superou o cansaço.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

La Bayadère


Como vem sendo hábito, a Academia de Dança da Boavista, escola de ballet que a minha neta Rita  frequenta há alguns anos,  apresenta  um espetáculo por esta altura


No sábado, fui ao Rivoli ver o bailado La Bayadère de Leon Minkus em que a minha neta  participou, como acontece todos os anos. Levei o primo,  meu neto José que, curiosamente, assiste sempre com muita concentração o que espanta tanto mais quanto ele é uma criança com dificuldades de concentração. O primo, com 5 anos, por vezes tentava conversar com ele que, de imediato, lhe pedia: por favor deixa-me estar atento.
Embora cansado (pratica atletismo e de tarde tinha participado numa competição) aguentou firme até ao fim
Dizia-me à saída: Acho fantástico como a dança, os gestos,  a música são como uma espécie de fala (linguagem) 
Dormiu cá em casa, o que acontece com alguma frequência. Leu um pouco e depois apagou a luz. Passado algum tempo entrei no quarto. Dormia com um sorrido nos lábios. Talvez estivesse a sonhar com o bailado...

Como não se pôde filmar, deixo alguns excertos  da obra, a que assisti pela primeira vez.

Do compositor, já tinha assisti ao vivo ao bailado D. Quixote, que tenho em CD. Deixo também um excerto.

E da música passo para as artes plásticas, deixando imagens de estações  do Metro de Estocolmo, algumas das quais tive oportunidade de ver, quando ali estive em 2009


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Chico Buarque


Já varias vezes me referi  a Chico Buarque de Holanda neste blogue. O primeiro disco que eu comprei, sem ainda  ter gira discos, foi um single com Pedro Pedreiro
 Chico Buarque completou  hoje 70 anos.
Filho de Sérgio Buarque de Holanda,  historiador e jornalista  e de Maria Amélia Cesário Alvim, pintora e pianista, viveu sempre num ambiente extremamente rico do ponto de vista cultural. Niemeyer era amigo de seu pai e de certo modo influenciou o seu ingresso no curso de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU). Desistiu do curso em 1965 e começou a dedicar-se  por inteiro à carreira artística. Em 1966 ganhou o Festival de Música Popular Brasileira com a canção "A Banda". Em 1969 auto-exilou-se em Itália, fugindo da Ditadura Militar no Brasil. Talvez por isso tenha sido um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do país. Mas a suatividade não se esgota na música. Além de compositor de músicas sobejamente conhecidas e  de bandas sonoras para alguns filmes, Chico é poeta (para além das letras de inúmeras músicas escreveu, por exemplo, Chapeuzinho Amarelo, um livro-poema para crianças), autor de peças para teatro e livros de ficção: Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado. Considero este último extraordinariamente interessante  e aconselho a sua leitura. Mas o texto de que mais gosto é provavelmente A casa  de Oscar 

Numa das mensagens em que o referi,  falei do seu heterónimo que muitas pessoas desconhecem-  Julinho  da Adelaide. Foi sob este pseudónimo, usado durante alguns tempo para driblar a censura,  que compôs, entre outras, o “milagre brasileiro” aqui na voz de sua irmã  Miúcha  que foi casada com João Gilberto (de cuja obra também gosto muito). Dessa ligação nasceu a cantora Bebel Gilberto

Tenho muita dificuldade em escolher a canção de Chico de que mais gosto. Deixo algumas das preferidas
(que são dezenas...),
Bem querer , Quem te viu, quem te vê , Notícia de jornal ,Permuta dos santos ,Amanhã vai ser outro dia,Fado tropical ,Construção  que podem encontrar neste "mix"

Esta última canção lembrou-me de imediato um vídeo chocante que me enviaram há pouco tempo e com o qual termino esta mensagem

Fim de semana...

Regressei anteontem do meu nordeste, onde fui passar o fim de semana. Já lá não ia desde a Páscoa O tempo, uma das causas que foi impedindo anteriores  idas programadas, estava fabuloso
Fui ver o Sabor, mais uma vez. A albufeira da barragem já está a encher  mas, da minha aldeia,  ainda  se identifica bem o antigo leito.
O Santuário de Antão da Barca, já “partiu”, deixando o lugar vago para o mar de água que, em breve, ali se quedará.  Altaneiro, vê-la-á de longe e sentirá saudades da água que ali corria, por vezes buliçosa.


Entre calhaus e areias, grossas, finas,
virgens porque há muito não pisadas,
e mescladas de vegetação rasteira,
resistem ao tempo, no fundo da ladeira,
umas ruínas de um açude, um canal e um moinho,
cuja  cobertura se perdeu 
como  todos os anos se perdia quando o rio,
nas enchentes,  lúbrico crescia.
Ainda hoje o  rio umas vezes adormece
outras galopa na viagem.
Do moinho que  agoniza junto à margem
resta, corroída,  uma mó que em tempos
transformava grão em pó.
Restam também vestígios de uma antiga construção
e,  numa fraga,  escavada uma pequena cova,
talvez  a gamela de um cão. Quiçá um perdigueiro,

companhia de caça do moleiro. 

(In Gouveia, R., Magnetismo terrestre, 2006)


 (…) Ó banzas dos rios , gemendo descantes (…) António Nobre

Jovial, fagueiro, por vezes arrebatado, violento,
assim corria o rio, outrora, em sobressalto ou lento.
Barítono, tenor, baixo, soprano, contralto,
cantava árias de amor e de paixão.
Aprisionaram-no. Tentou lutar.
Foi impotente perante a muralha de betão.
Parado, triste, agora já não canta.
Tem um nó na garganta.

 (In Gouveia, R., entre margens, 2013)











O novo espaço está com ar  “simpático”. A capela já foi trasladada mas no interior ainda  há muito a fazer.
Também fui à vila ...Ali, na Casa da Cultura estava patente uma colectiva de fotografia-"Momentos Vintage". 

Nunca ouvira falar de qualquer dos artistas. Na Net só encontrei alguns dados sobre Fernando Durão,  do qual deixo o texto anexo retirado de um folheto


Ao fazer as pesquisas soube que  Alfândega da Fé  poderá vir a fazer parte da  maior Reserva da Biosfera da Europa 

Ontem, quando regressava ao Porto, como sempre com a Antena 2 ligada, ouvi algumas obras muito interessantes. Dou conta de duas.
Cenas portuguesas de Viana da Mota e a ópera, Os prazeres de Versalhes, do compositor Charpentier

Ao descrever a ópera o apresentador referiu que um dos prazeres a que a mesma se referia era o chocolate. Achei um pouco estranho que à época, já fosse conhecido na Europa. Assim fiz a pesquisa que podem ver aqui e fiquei um bocadinho mais culta...

Não consegui encontrar a ópera na NET mas deixo-vos com um excerto de uma obra do compositor, que por certo ouviram muitas vezes. Eu não sabia qual o autor...

 A terminar, convido-vos para o festival Sete Sóis Sete Luas







sexta-feira, 13 de junho de 2014

Final de ano lectivo


No passado domingo realizou-se mais um almoço de antigos alunos do Liceu de Bragança. 



Desta vez foi no Porto e quando assim acontece costumo ir, embora sofra sempre uma tremenda deceção ao encontrar muito poucos colegas. É certo que através desses poucos, vamos sabendo notícias de muitos outros .  Alguns, infelizmente,  já partiram.
O tempo que passei  em Bragança foi um dos melhores períodos da minha vida. A vida académica ali era intensa, especialmente a partir do 6º ano ( hoje 10º).  Nas ocasiões mais solenes trajávamos capa e batina.

 Uma dessas ocasiões era a comemoração do 1º de dezembro, em que eu participei ativamente quer através das danças, quer do teatro ( no 7º ano fui a atriz principal no papel de" Princesa das Águas" contracenando com o Gigante Adamastor ( o colega Luís Salazar que não voltei a encontrar após terminar o Liceu)

Perdi o texto e não consigo encontrá-lo na NET . Deixo um excerto de  Os Lusíadas, uma obra prima da literatura portuguesa...  
“Amores da alta esposa de Peleu
Me fizeram tomar tamanha empresa;
Todas as Deusas desprezei do Céu,
Só por amar das águas a princesa;
Um dia a vi, coas filhas de Nereu,
Sair nua na praia e logo presa
A vontade senti de tal maneira,
Que inda não sinto cousa que mais queira.”

Outra data festiva era o 10 de junho que coincidia com a festa de encerramento do ano lectivo. Aí participava nos  espetáculos de ginástica e de dança e, por vezes, tocava(muito mal...) acordeão e piano





Tudo isto veio a propósito do final de ano letivo. O meu neto José, que neste período foi transferido da escola do Bom Sucesso para o Carolina Michaëlis, onde concluiu o 3ºano do ensino básico, participou, no âmbito do “Projeto Criar”, num evento que decorreu na passada quarta feira. 


Sete meninos da turma cantaram, em inglês, a canção que segue 

Ontem  foi o sarau de fim de ano que teve início às 21 h. Assistimos no jardim, ao cimo das escadaria,  a uma série de atuações por crianças e jovens .Algumas tinham lugar na antiga Biblioteca, junto das varandas, para poderem ser vistas do jardim, outras na entrada da escola, entre os arcos e as portas .

Numa sessão bastante eclética com  poesia, música (de vários os géneros), bailado,teatro,  houve atuações de grande qualidade a par de outras mais fraquinhas. O José ficou até às 23 h ( a irmã adormeceu e o pai ficou com ela no carro) mas a festa continuou não sei até que horas ...

Protestou por ter que ir embora mas hoje, às 9 h teria que estar na escola novamente...

domingo, 1 de junho de 2014

Dia da Criança


Hoje  comemorou-se em Portugal, e não só, o  Dia da Criança. Mas em muitos países há datas diferentes para a comemoração.
Como já aqui referi várias vezes, não sou muito apologista destes “DIAS”. O Dia da Criança devia ser todos os dias e o mesmo diria para os demais DIAS.
Para o meu neto Bernardo, o Dia da Criança é também o dia do seu aniversário. Hoje  completou 5 anos.
As festas de aniversário são sempre realizadas em casa. Todos os coleguinhas da escola são convidados pelo que, com alguma antecedência, começamos a preparar a festa, muito em particular as  atividades para as crianças. Este ano, e porque o Bernardo adora tudo o que se relaciona com animais (embora não saiba ler, os seus programas favoritos na TV são sobre animais, no National Geographic), o tema da festa foi Bem vindos à  selva.  Construiu-se um grande painel (tipo flanelógrafo) com  um espaço que simula uma selva. Escondidas estavam várias imagens de animais que as crianças teriam que procurar,  mediante pistas, e depois colar no flanelógrafo, no local  certo, até ficar completo.



Todos os anos as atividades são diferentes (por exemplo,  no ano passado tinham a ver com os Angry Birds de que ele era fã, na altura).

À semelhança dos anos anteriores, tudo correu lindamente .

O bolo foi  feito e decorado pela minha nora( mãe do Bernardo), que ultimamente tem esta "arte" como hobby. 




E porque falamos de animais,  aqui deixo  Pedro e o Lobo em duas versões,uma pela Orquestra Sinfónica de Vancouver e outra mais adaptada ao público infantil 

Termino com algumas ilustrações de animais da autoria de Susie Ghahremani  que foram retiradas daqui