Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 23 de novembro de 2014

Tristeza não tem fim....

 O título desta mensagem fui buscá- lo a  Tristeza não tem fim, felicidade sim ..(Vinícius de Moraes com música de Tom Jobim)


Andava  um pouco deprimida com a avalanche de  escândalos neste  país  cujos governantes, pouco escrupulosos, pensam apenas em governar-se  e não em governar,  mas na sexta feira passada  uma série de felizes acontecimentos bastaram para me levantar o ânimo.
Durante anos, o meu marido sentia sempre uns zumbidos  e, de vez em quando, tinha umas crises terríveis com vertigens, vómitos,etc. Foi-lhe diagnosticado síndrome de Meniére e prescrita  medicação,  que cumpria escrupulosamente.  Isso não impediu que na China tivesse ocorrido mais uma crise.Já por várias vezes lhe tinha sugerido ir a um  especialista nessa área, o médico "otorrino" que me tem seguido nos meus problemas de garganta,Três pessoas que eu conheço sofriam há anos do problema e o referido médico resolveu-o com uma simples rotação brusca da cabeça que visa repor na posição correta uns cristais dentro do ouvido que, ao atingir uma determinada zona, provocam um desequilíbrio de posição. No passado, esta doença era confundida frequentemente com  patologias da cervical  e com  síndrome de Meniére.  Na quinta feira passada o meu marido foi a uma consulta e a dada altura lá surgiu a rotação brusca da cabeça. Sentiu-se terrivelmente mal ( tal como me tinham relatado as três pessoas que acima referi). Esteve um pouco tonto todo  o dia. Na sexta feira quando acordou, ficou eufórico. Não tinha zumbidos, não tinha tonturas. Há mais de vinte anos que não me sentia tão bem, disse-me .

À tarde foi a minha vez de ir ao médico. Era visita que  fazia muito raramente mas, a partir da minha pneumonia em julho, têm-me sido aconselhados exames a tudo e mais alguma coisa....
Na sexta feira fui fazer um ecocardiograma e uma prova de esforço. Os resultados não poderiam ser melhores. Comportei-me  como se tivesse trinta anos... 

Mas as boas novas não iriam ficar por aqui.. 
Quando fui buscar o meu neto à escola, a professora de inglês disse-me : Já não parece o mesmo, consegue concentrar-se e está muito motivado e participativo
Entretanto  ele chegou e disse-me, muito satisfeito. A professora (não a professora de inglês mas a professora do 4º ano) hoje elogiou-me por causa do meu cálculo mental muito rápido.
A mudança de escola começa a dar frutos. Está muito mais concentrado e calmo.

À noite, para terminar bem o dia, fui  à Casa da Música- " Maravilhas Sinfónicas"com a Orquestra Sinfónica do Porto, Michael Sanderling  na direcção musical e Pedro Gomes no  piano. Do programa constavam o Concerto para piano e orquestra nº 9, KV 271, "Jeunehomme" de  Mozart e a Sinfonia nº 11 em Sol menor, op.103, "O Ano de 1905" de Chostakovitch 

Relativamente  ao Concerto de Mozart, que já conhecia,  pode ler-se no programa “Uma das maravilhas do mundo.” Desta forma se referiu ao Concerto Jeunehomme, de Mozart, o pianista Alfred Brendel. Com rasgos de originalidade constantes, desde a entrada inesperada do piano antes da orquestra até aos diálogos permanentes entre as duas forças concertantes, este concerto para piano mantém-se como um dos favoritos dos melómanos 

Quanto à  Sinfonia nº 11, que eu não conhecia mas de que gostei imenso,  foi escrita para assinalar os 40 anos da  Revolução de Outubro e  relata, ao longo dos seus quatro andamentos, os episódios duma  tentativa de revolução em  1905 (daí o título da obra), 

Após toda esta sucessão de acontecimentos felizes, a notícia de mais um escândalo a ser investigado...

Lembrei-me então de dois  textos que.  em tempos, li aqui, um de Lobo Antunes e o outro de Saramago

(...)Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
(...)Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico silêncio. 
(...)Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.( ...)
(...)Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. 
(...)Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles  sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.
(...)Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de  D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.(....)
(...)O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
Portugal visto por António Lobo Antunes




Tristeza não tem fim....

3 comentários:

  1. Ainda bem que no campo da saúde tudo corre melhor. E felicidades para o Zézito, pelos vistos está a gostar da ESCM!!
    Quanto ao resto, sãouns atrás de outros. Ainda bem que o meu filho está em Melgaço, apesar do trabalho e da distância....tudo isto é uma miséria....

    Bjo

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  2. Este egocentrismo, esta falta de ética,de pudor, etc, tudo isto é deprimente...
    Ab
    Regina

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    1. Hoje dois dos meus filhos comentavam: fomos governados por um psicopata....um estava na América, o outro aqui no Porto....

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