Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 11 de setembro de 2011

Reportagem de férias nº 1

No dia 31 de Julho partimos para Trás os Montes. Connosco os dois netos mais velhos e o gato.

Chegámos e almoçámos (o almoço já ia feito). À tarde ainda deu para uma caminhada pequena.

A casa na aldeia, que tem vários compartimentos ao nível do 1º andar, tem vindo a sofrer transformações à medida que a família cresce. De três quartos, um escritório, uma sala, uma saleta e uma cozinha,  já há muito que passou para quatro quartos, um escritório com um sofá que pode servir de cama, e uma sala cozinha.
Ainda neste piso há um terraço com uma latada, do qual no Verão se vê o pôr do sol (mas isso fica para outra reportagem).
Por baixo de quase todo o 1º andar há uma adega ampla, cheia com as coisas mais diversas (talhas para o azeite, pipas para o vinho, um alambique, arcas,  balança para pesar amêndoa, móveis, utensílios variados) que alimentam um sonho: um dia organizar no espaço uma “miniatura” de um museu etnográfico.

A par dessa adega existe um lagar de vinho (hoje transformado num tanque que foi adaptado a uma mini piscina), um pátio coberto, muito fresquinho, cobiçado pelos amigos durante o Verão, um outro pátio coberto que serve de garagem e um compartimento que ao longo do tempo foi tendo várias funções. Durante a minha infância e adolescência era destinada a passar roupa ( a lavagem era feita por uma lavadeira, no rio ou num tanque que ainda existe num prédio rústico que hoje é também meu); ali existia também uma máquina de costura onde a minha mão costurava e mais tarde bordava, quando começou a sentir que bordar à mão (que bem que ela bordava…) lhe perturbava um pouco a visão. Havia ainda um pequeno divã que eventualmente servia para alguém dormir, se necessário.

A dada altura o espaço passou a ser partilhado com o meu pai que montou uma pequena oficina, com aquele material essencial que existe em quase todas as casas.

Mais tarde chegou a luz eléctrica e com ela acabaram por ir parar à saleta/oficina, uma arca congeladora e uma máquina de lavar roupa.

Quando o meu pai faleceu, o meu marido ampliou muito a oficina e o compartimento passou a ser o depósito de tudo o que possam imaginar.

Nas férias, com toda a gente em casa (já somos dez) tornava-se imperioso que a saleta / oficina desse lugar a um espaço funcional. A oficina foi para a adega e será mais tarde integrada no museu ( o sonho comanda  a vida…) já que existem peças muito bonitas, algumas  com mais de 100 anos.
Depois foi recriar o espaço com móveis e objectos perdidos na adega e na confusão que existia na saleta. Tudo o que era possível fazer sem ajuda masculina, foi feito por mim, com ajuda dos dois netos (essencialmente da neta), nos primeiros 5 dias de Agosto .  Queríamos que tudo estivesse pronto quando o resto da família chegasse.

A minha neta trabalhou com um entusiasmo incrível e dizia “Eu sou como tu; entusiasmo-me muito com estas coisas”. Ainda não sei se foi o meu entusiasmo que a contagiou ou se foi o dela que me contagiou a mim…

Quando o resto da família chegou todos ficaram estupefactos com a transformação.

Lamentavelmente não me lembrei de fotografar o “antes” pelo que vos deixo apenas imagens do “depois”.







Por detrás das cortinas, de enrolar, continuam a máquina de lavar, a arca e a tábua de passar....

Até à próxima reportagem.

3 comentários:

  1. Também transformei o quarto do meu filho, qu desapareceu este fim de semana, visto que ele mudou para o apartamento, num belo atelier. Ainda andava com dores nas costas de arranjar as coisas dele e ajudar à mudança, já andava aqui à transformar do meu proprio espaço...e o entusiasmo foi mesmo muito. Não parei hoje, vi os livros um por um , escolhi o que pertence ao mundo das artes, revistas, papeis, telas, acrilicos, guaches, aguarelas e quadros, muitos quadros....algus já me tina esquecido que existiam....sinto-me feliz por poder dispor dum espaço só meu, sem computador....

    Bjo

    gosto muito desses local, é cosy e bonito. Parabens a Rita.

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  2. Já estava com saudades dos teus comentários. Eu ainda continuo com o tempo muito ocupado mas espero que tudo começará a regressar à normalidade a partir do dia 15. Amanhã parto de novo para T.os Montes pois vai ser inaugurada uma exposição do meu marido e vai também ser lançado o seu livro. Tenho ido ao teu blogue mas não tenho comentado essencialmente por falta de tempo.
    Temos que arranjar um tempinho para tomar uma café
    Um grande ab
    Regina

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  3. Um grande abraço, Regina.
    É linda a sua reportagem e o entusiasmo com que descreve as suas vivências é impressionante.
    Sobre a minha infância e juventude não tenho nada de especial a contar.Algumas ilusões, outras tantas desilusões, mas também um tempo de esperança que ainda hoje subsiste em mim.

    Um beijo grande.

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