Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sábado, 17 de setembro de 2011

"Reportagem de férias"- continuação


Tal como prometido, vou continuar a minha "reportagem" de férias no meu Nordeste
No fim de semana a seguir à nossa ida só com os dois netos mais velhos, chegaram filhos noras e os dois netos mais pequenos. Uma alegria. Como sempre, cumprimos parte do “nosso ritual”. Para além das idas frequentes a Alfândega, que incluem sempre um dia de feira, das tertúlias com familiares na minha aldeia ou noutra vizinha, das caminhadas quase diárias, fazem parte desse ritual um espectáculo de teatro com as crianças mais velhas e, eventualmente, com um ou outro amigo que esteja por lá, uma refeição no Lameirinho, uma ida ao Rio Sabor tomar um banho, uma ida a uma praia no Azibo (não aquela muito concorrida mas uma que geralmente fica só “por nossa conta”) e uma ida a Zamora ou Salamanca.
Desta vez não surgiu oportunidade de irmos todos a Espanha. Mas fomos ao Lameirinho no dia 6 de Agosto (no dia 11 a Visão fez uma referência a este restaurante que poderão ler aqui  e ao Azibo, à nossa praia privativa…


Quanto ao teatro é um ritual que começou quando a Rita tinha 3 anos (agora tem 9) e não havia mais netos. Ensaiamos sempre um pequeno Sketch na semana que precede a chegada de filhos, noras e netos mais pequenos. Os textos, inicialmente criados só por mim, rapidamente  passaram a ser da autoria dos mais pequenos, embora com uma pequena ajuda minha.

Ocupados que estivemos em criar o novo espaço a que se faz referência na 1ª reportagem não houve tempo para pensar no teatro. Estavam os dois netos muito tristes quando me lembrei que poderíamos encenar parte do 1º acto do meu livro Breve História da Química, anteontem lançado no espaço Vivacidade. Para o meu neto a ideia não poderia ter sido melhor. Fazer de saltimbanco, fazer piruetas…

E assim foi

Começaram por entrar ambos com uma tocha improvisada, a tocar tambor e a fazer piruetas

Venham ao largo da feira, chegaram os saltimbancos.


Se querem ficar sentados, tragam cadeiras ou bancos.


Alguém da assistência (obviamente eu…)


Façam vossas pantominas, essas nós queremos ver.


Tenham cuidado c´o fogo, não ponham a feira arder.


Entra a neta envolta numa capa, um plástico cor de fogo


Que tendes vós contra o fogo? Conheceis a minha história ?


Há muitos milhares de anos mudei a vida aos humanos.


Eu trouxe calor e luz . E, para além de protecção,


permiti alterações na sua alimentação. Permiti muita invenção.


Enquanto o neto fazia piruetas todo divertido, a neta aproveitava para colocar nova capa - um plástico branco toda enfeitado com fios dourados
Sou o cobiçado ouro. Entro nas cortes reais


e em muito, muito tesouro.


Ao fogo, eu muito devo tal como muitos metais.


Entretanto já eu preparara o neto com uma capa de plástico transparente


Digo-vos mais, sou o vidro e ao fogo eu devo a vida.


Enquanto a neta retorna ao palco fazendo piruetas, eu preparo o neto com uma capa de serapilheira


Sou barro e ao fogo agradeço a sua acção magnânima,


ao transformar-me em cerâmica.


É então que entro eu, envolta num lençol branco


Chamo-me Empédocles e venho,


aos quatro ventos bradar, a importância do fogo.


É um dos quatro elementos de que o nosso mundo é feito.


Água, terra, e ainda ar, assim enumero a eito os que estavam a faltar.


Ouve-se a voz da minha neta, por momentos na assistência


Não entendo o que dizeis mas uma coisa eu queria,


tudo transformado em ouro por artes de grã magia.


De novo no palco os dois saltimbancos com a tocha e o tambor, fazem piruetas

Isso também eu queria… Adeus até outro dia



Espero em breve colocar uma foto do evento
Na próxima reportagem ireia dar conta da "escacha" da amêndoa e não só...

3 comentários:

  1. Que divertido...na casa da minha nora também se fazem coisas deste género, mas com música à mistura e fantoches, género em que ela é perita.
    Férias assim são culturais e muito mais ricas...os miudos têm muita sorte de não estar sempre a ver TV. Os meus também andaram 15 dias no Geres e no nordeste, em Lagoaça e por ali. Dormiram em Turismo de habitação e na casa dos pais da minha nora. Adoraram as praias fluviais.
    Obrigada pela partilha...
    bjo

    ResponderEliminar
  2. Que belas e criativas férias, Regina. Eu julgo que, num dos passeios da UPP, já almocei no restaurante que refere,pois lembro-me de ter comido peixinhos do Sabor em escabeche.
    As minhas férias também não foram más. Fui às Berlengas de que gostei imenso.

    Um beijo.

    ResponderEliminar
  3. Nunca fui às Berlengas porque receio o enjoo, mas um dia ganho coragem...
    Quanto às férias criativas, faz-se o que se pode.... e as crianças para já adoram estar lá em cima. Até quando?
    Um abraço às duas
    Regina

    ResponderEliminar