Regressei ontem de Trás-os-Montes, onde fui passar o fim de semana. Os problemas de saúde que me massacraram durante 6 meses, levaram a que tivesse lá ido apenas uma vez, mas à minha casa não ia desde Setembro.
quinta-feira, 17 de maio de 2018
O segredo da felicidade….
O
segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros.
Alexandre
Herculano
Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se
abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não
vemos a que se abriu.
Helen Keller
Ser feliz
Ser feliz é
reconhecer que vale a pena viver
Apesar de
todos os desafios,
Incompreensões
e períodos de crise.
Ser feliz é
deixar de ser vítima dos problemas
E tornar-se
um autor da própria história.
É
atravessar desertos fora de si,
Mas ser
capaz de encontrar um oásis
No
recôndito da sua alma.
É agradecer
a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é
não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber
falar de si mesmo.
É ter
coragem para ouvir um “não”.
É ter
segurança para receber uma crítica,
Mesmo que
injusta.
Pedras no
caminho?
Guardo-as todas, um dia vou
Construir
um castelo …”
Fernando Pessoa
Às vezes basta tão pouco para se ser feliz...
Regressei ontem de Trás-os-Montes, onde fui passar o fim de semana. Os problemas de saúde que me massacraram durante 6 meses, levaram a que tivesse lá ido apenas uma vez, mas à minha casa não ia desde Setembro.
Regressei ontem de Trás-os-Montes, onde fui passar o fim de semana. Os problemas de saúde que me massacraram durante 6 meses, levaram a que tivesse lá ido apenas uma vez, mas à minha casa não ia desde Setembro.
Os campos floridos
foram uma bênção para o olhar…
Tão só esta papoila...
Os tufos cor de rosa são de azedas floridas. As azedas crescem geralmente nos muros e as folhas são comestíveis, essencialmente em saladas, e são ótimas
O planeta
terra é pródigo em belezas naturais mas algumas são pouco acessíveis como, por exemplo,
a cascata ardente que podemos ver neste vídeo
sábado, 28 de abril de 2018
Não há mal que sempre dure…..
Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca
se acabe... diz o ditado
No início de novembro, a minha qualidade de vida, óptima até então,
salvo raras e breves exceções, começou a
ficar reduzida. Comecei a ter muitas dores na anca esquerda, com duas
crises violentas em que desmaiei. O
ortopedista mandou-me fazer vários exames à anca e um RX à coluna, que só
identificaram uma bursite no trocânter e várias tendinites na coxa.
Comecei então com uma panóplia de tratamentos: fisioterapia, infiltrações,
ondas de choque, ulrassons, laser. O
meu filho Miguel e a minha nora são muito amigos de um casal em que a senhora é fisiatra e o marido neurocirurgião. Por
insistência deles fui ouvir a
opinião da senhora. Sugeriu que fizesse uma RM à coluna. Constatou-se que, a par
do problema na anca e na coxa, que ainda subsiste embora minorado, eu tinha um
outro, independente do primeiro- um quisto na coluna, responsável pelas tais
crises violentas. Para avaliar a importância do quisto, o ortopedista mandou-me
fazer uma eletromiografia onde não foi muito valorizado o quisto. As melhoras não surgiam, bem pelo contrário.
De manhã ainda andava mais ou menos, mas ao fim do dia já quase não conseguia
andar. Fui vista então pelo neurocirurgião amigo do meu filho. Mal viu a ressonância,
disse que o quisto devia ser extraído o
mais brevemente possível. E assim foi. Extraiu-mo na passada segunda
feira e fiquei óptima.
Eis o malfadado quisto que tanta dor me causou ….
Claro que
vou ter que resolver ainda o problema da anca e da coxa mas esses são
perfeitamente toleráveis.
Creio que nunca tinha tido esta sensação
fantástica de entrar algures (neste caso num bloco operatório) com muitas
dores e limitações e sair a andar perfeitamente e sem dores.
Família e amigos andavam preocupados pois nunca
me tinham visto tão limitada e por tanto tempo. Uma amiga minha de infância que
vive em Setúbal, veio visitar-me após a intervenção e ficou espantada de me ver como
se nada me tivesse acontecido durante os 6 meses anteriores
God save the doctors…
Passados dois dias da intervenção, e porque ainda
não tinha visitado a Casa da Arquitetura em Matosinhos, aproveitei
a presença da minha amiga e fomos até lá, juntamente com o meu marido. Está
patente uma exposição muito interessante
“OS UNIVERSALISTAS – 50 ANOS
DE ARQUITECTURA PORTUGUESA” INAUGURA A 13 DE ABRIL
Depois
de em 2016 ter estado patente na Cité de l’Architecture et du Patrimoine, em
Paris, a mostra “Os Universalistas – 50 anos de arquitectura portuguesa” é apresentada pela primeira vez em Portugal, na Nave Expositiva da Casa da
Arquitectura, em Matosinhos, de 13 de abril a 19 de agosto.
A exposição merece ser visitada. Também o edifício, que
pertencia à Companhia Vinícola Portuguesa, é interessante. Deixo algumas imagens .
Ainda tentámos ir à casa do Design, também em Matosinhos, mas como não levámos GPS, não conseguimos descobri-la embora soubéssemos qual a rua e tivéssemos visto a foto na NET(em baixo). As pessoas a quem perguntávamos ignoravam a sua existência.
Durante todo o tempo de “clausura” (as minha
únicas saídas eram para os Hospitais Lusíadas ou CUF…) li e reli bastante, como já
referi em mensagens anteriores e por
duas vezes tentei pintar, aproveitando umas telas de que não gostava. Aqui vai
o produto do trabalho (técnica mista- colagem de rede de cortina, acrílico e pastel
de óleo)
quinta-feira, 12 de abril de 2018
O Sol quando nasce...
O Sol quando nasce é para todos- reza o aforismo...É certo que não nasce para todos ao mesmo tempo, mas nasce...
A justiça, essa só nasce para alguns....
Uma bola no estômago em forma de raiva, e vergonha, e tudo
Tandem obtinet justitia (A justiça tarda mas não falha)- o aforismo já vem de longe mas continua a faltar-lhe o acrescento mas só para alguns...
Regina Gouveia (2002)
E por falar em tardar, também a primavera tarda...
Tudo se conjuga para uma certa tristeza... Nestes momentos, refugio-me na música...
Já que falei na primavera, deixo dois vídeos sobre A sagração da primavera de Stravinsky.
https://www.youtube.com/watch?v=jF1OQkHybEQ bailado
https://www.youtube.com/watch?v=ACzkbiez2UU
A justiça, essa só nasce para alguns....
Uma bola no estômago em forma de raiva, e vergonha, e tudo
“Um nojo que cresce,
e a vida como se nada fosse. Uma bola no estômago em forma de raiva, e
vergonha, e tudo. Ricardo Salgado vê a sua caução ser reduzida para metade pelo
Tribunal Central de Instrução Criminal. Dos antes 3 milhões, terá que pagar
apenas um milhão e meio para limpar a sua vida que não tem por onde ficar mais
suja. Na mesma semana, como nos filmes maus, fica a saber que a sua reforma vai
triplicar para um valor de 90.000€. Isto num país que tem de encontrar moedas
entre as almofadas do sofá para pagar o dia de amanhã”, escreveu o humorista Bruno Nogueira na sua página de Facebook.
“E a vida segue, e o
sol nasce, e nada acontece. A impunidade a qualquer preço num país que não
merece ser pontapeado desta maneira. A mer** que passa e acena a quem fica. O
nojo que cresce. Mer** por todo o lado, e mais mer**. Merecíamos melhor.
Merecíamos que a corrupção fosse punida por quem tem a responsabilidade
jurídica e moral para o fazer. O país a ser defendido por nada. O que nos
protege é um antibiótico que mata. Vítimas do BES com vidas destruídas por
alguém que agora sai premiado. Mereciam melhor. É um país ao contrário, que já
perdeu os sapatos, calça meias de cores diferentes e nada acontece. Amanhã tudo
segue como ontem. Nada acontece a quem compra a liberdade nas traseiras de
tudo. Assim é difícil acordar todos os dias. Assim é difícil não querer chamas
e fogo e gritos. Feitas as contas, assim é difícil encontrar Portugal”,
sublinha Bruno Nogueira. in https://www.jn.pt/nacional/interior/bruno-nogueira-enojado-com-justica-portuguesa-4873341.html
No Brasil, Lula foi preso. Pessoalmente não acredito na sua inocência tal como não
acredito na de José Sócrates, mas pergunto:
E Collor de Mello ? E Michel Temer ? E Ricardo Salgado? Isto só para nomear alguns, muito poucos…
Tandem obtinet justitia (A justiça tarda mas não falha)- o aforismo já vem de longe mas continua a faltar-lhe o acrescento mas só para alguns...
Dissonância
Pego na palavra sinfonia e
faço-a ressoar.
Faço-a rimar com fantasia,
com alegria.
Pego na palavra dança e
faço-a voltear.
Faço-a rimar com
esperança, com criança.
Mas eis que o som sai
desafinado,
e na dança um passo é
trocado.
Sinfonia e dança rimam com
horror,
criança passa a rimar com dor.
Vêm-me à memória
barbaridades da história,
escravatura, exploração,
campos de concentração,
Hiroshima, Bhopall,
Chernobill,
os meninos da rua no
Brasil,
a prostituição infantil, a pedofilia,
a corrupção,
barbaridades com e sem
nome,
crianças com fome, com leucemia.
Tapo os ouvidos e bloqueio
todos os sentidos.
Não quero mais sentir tal
sinfonia.
Regina Gouveia (2002)
E por falar em tardar, também a primavera tarda...
Tudo se conjuga para uma certa tristeza... Nestes momentos, refugio-me na música...
Já que falei na primavera, deixo dois vídeos sobre A sagração da primavera de Stravinsky.
sábado, 31 de março de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2018
Até sempre, Stephen Hawking
Confesso que o
prazer que me proporciona a física quando as coisas correm bem é muito superior
ao da música. Mas isso só ocorre
muito poucas vezes numa carreira profissional, ao
passo que se pode ouvir um disco sempre que se queira.
Isto
disse Stephen Hawking em 1992, numa
entrevista para o programa
de rádio da BBC “Discos da
Ilha Deserta” e de que pode ser lido aqui
um excerto
(http://archivo.e-consulta.com/blogs/consultario/la-musica-de-stephen-hawking/)
Hawking, que nasceu a 8 de Janeiro de 1942, faleceu ontem, dia 13 de março, aos 76 anos.
A morte foi comunicada à imprensa inglesa pela família. "Estamos profundamente tristes pela morte do nosso pai hoje", disseram os filhos Lucy, Robert e Tim. "Era um grande cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado viverão por muitos anos".
Hawking,
um dos mais prestigiados nomes da ciência, revolucionou os estudos
sobre os buracos negros, nunca deixando de se indagar sobre a origem
do Universo. Excelente divulgador, explicou o tema ao público em
geral, no livro "Uma breve história do tempo",
Mais alguns pormenores do seu percurso podem ser lidos em https://dererummundi.blogspot.pt/2018/03/stephen-hawking-1942-2018.html#comment-form
num texto do Prof. Carlos Fiolhais
Ao mesmo tempo que provocava, com humor e inteligência, o que sabíamos sobre o cosmos, desafiava os próprios limites da vida humana
num texto do Prof. Carlos Fiolhais
Ao mesmo tempo que provocava, com humor e inteligência, o que sabíamos sobre o cosmos, desafiava os próprios limites da vida humana
Aos
21 anos foi-lhe diagnosticada esclerose lateral amiotrófica
(também conhecida como a doença de Lou Gehrig) e um tempo de vida
máximo de três anos. A doença veio a afectá-lo gradualmente, ao
ponto de apenas conseguir mexer pouco um dedo e piscar os olhos, mas
o físico fintou o diagnóstico. Com a ajuda de uma cadeira de rodas
e de um sintetizador de voz, ultrapassou em quase cinco décadas o
tempo de vida previsto,
sem nunca prescindir de participar na comunidade científica.
Em
2007 participou num voo para "sentir" a gravidade zero que
pode ser visto aqui
Em
2014, a sua história de vida foi contada no filme "A
teoria de tudo", que
poderá ser visto aqui
O
papel foi interpretado por Eddie
Redmayne que comentou
http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-138669/)
http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-138669/)
"Perdemos
uma mente verdadeiramente bonita, um cientista surpreendente e o
homem mais engraçado queeu já tive o prazer de conhecer. Meu amor e
meus pensamentos estão com a sua família extraordinária".
Cum
uma personalidade tão fascinante, não é de estranhar que “aceitasse
figurar” em filmes ao lado de Homer Simpson
e
em Star Trek TNG, Season 6
O Prof https://dererummundi.blogspot.pt/2018/03/stephen-hawking-1942-2018.html#comment-form
Termino
com a referência a uma entrevista, com que comecei esta mensagem. Ao
longo da mesma, Hawking foi revelando algumas das suas preferências
musicais. E é com algumas dessas preferências que eu presto uma
modestíssima homenagem a um ser humano excecional.
Até
sempre Stephen Hawking
Gloria,
de Poulenc
Non,
je ne regrette rien, Edith Piaf
Quarteto de cordas, opus 132 de Beethoven.
Réquiem de
Mozart.
Please
Please Me Beatles
Nessum
Norma de Tarando de Puccini
sexta-feira, 2 de março de 2018
We are the world
Todos
nos lembramos de "We
Are The World"
, canção idealizada e composta por Michael Jackson e Lionel Richie,
gravada em 28 de janeiro de 1985 por 45 dos maiores nomes da música
norte-americana, num
projeto que
teve
como objetivo angariar
fundos para o combate à fome no continente africano ...
A África é um continente grande e cheio de problemas.
Como
todos sabemos, até
metade do século 15 os africanos eram livres. Continente
rico em recursos, ficou refém da ganância dos europeus, logo que
ali chegaram. Homens,
mulheres e crianças eram obrigados a deixar as tribos e entrar nos
navios negreiros, onde eram transportados como carga. Ficavam
acorrentados no porão, sem condições de higiene e pouca comida.
Muitos ficavam doentes e morriam na viagem. Quando chegavam ao
destino,
eram vendidos de acordo com suas condições físicas. As famílias
eram separadas. Quem desobedecia era castigado e podia até morrer.
A
escravatura, que
foi
uma fonte de riqueza para
os europeus,
era plenamente conhecida e aceite pela sociedade da
época.
No século XVIII surgiram os movimentos anti-esclavagistas. Em 1869, o governo português, liderado pelo Marquês de Sá da Bandeira, aboliu a escravatura em todo o território português (já antes o Marquês e Pombal a tinha abolido mas só para Portugal continental)
No século XVIII surgiram os movimentos anti-esclavagistas. Em 1869, o governo português, liderado pelo Marquês de Sá da Bandeira, aboliu a escravatura em todo o território português (já antes o Marquês e Pombal a tinha abolido mas só para Portugal continental)
Em
1885, teve lugar a Conferência de Berlim, em que participaram
Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha
.
O
continente
africano
foi
praticamente retalhado e
dividido pelos
vários países, embora de forma desigual
No
início do século XX começaram
a surgir
grupos e movimentos que lutavam pela independência.
A Segunda Guerra Mundial, com o enfraquecimento económico
e político de grande parte dos países europeus, especialmente
aqueles que detinham colónias
em
África, levou
a que,
aos poucos, fossem
perdendo
o controle sobre os territórios de sua administração. As
lutas
pela independência intensificaram-se
na década de 60, como
foi o caso de Portugal
Com muito derramamento de sangue, os países foram alcançando a independência política. No entanto, a divisão dos territórios, orquestrada fundamentalmente pelos países europeus, não levou em consideração as “fronteiras” anteriormente existentes, justificadas por razões de ordem étnica, cultural e religiosa. Com a instauração das novas fronteiras algumas tribos foram separadas, grupos rivais agrupados, o que desencadeou e continua a desencadear inúmeros conflitos em distintos lugares de África. Por outro lado, se conseguiram a independência política, continuam a manter um elevado grau de dependência em relação às antigas metrópoles, nomeadamente pelo atraso em desenvolvimento tecnológico, industrial e económico.
Com muito derramamento de sangue, os países foram alcançando a independência política. No entanto, a divisão dos territórios, orquestrada fundamentalmente pelos países europeus, não levou em consideração as “fronteiras” anteriormente existentes, justificadas por razões de ordem étnica, cultural e religiosa. Com a instauração das novas fronteiras algumas tribos foram separadas, grupos rivais agrupados, o que desencadeou e continua a desencadear inúmeros conflitos em distintos lugares de África. Por outro lado, se conseguiram a independência política, continuam a manter um elevado grau de dependência em relação às antigas metrópoles, nomeadamente pelo atraso em desenvolvimento tecnológico, industrial e económico.
Da
imensa riqueza do continente, a esmagadora maioria dos africanos
pouco ou nada tem beneficiado.
Só
nas últimas décadas, a
fome, a pobreza e as doenças mataram milhões de pessoas. . Segundo
a ONU, 25%
da população passa fome.
A
Unicef refere que quase 27 milhões de pessoas não têm acesso a
água potável, em países que enfrentam ou estão em risco de fome.
(...)
falta de água, saneamento básico, práticas de higiene
inadequados e epidemias representam uma ameaça adicional a crianças
desnutridas no Iemen, no norte da Nigéria, na Somália e no Sudão
do Sul.
A
África do Sul é
um
dos
países
mais ricos
do continente africano, Apesar
disso, a cidade do Cabo enfrenta problemas gravíssimos, nomeadamente
no que respeita à escassez de água
O
problema da escassez de água, aliado ao aquecimento
global estão a tomar
proporções muito preocupantes em todo o planeta,
mas infelizmente há mentes muito tacanhas
Face à extrema gravidade do problema, a sensibilização para os problemas ambientais deve começar desde cedo.
Nesse sendo deixo dois vídeos interessantes, para todas as idades….
Deixo também um vídeo com uma música dedicada à água
Quase a terminar incluo alguns poema do meu livro Requiem pelo planeta azul (2017)
No rio cristalino que corria outrora,
as águas cantavam enquanto corriam.
Cantar e correr eram seu mister
Agora, no rio que lentamente morre,
a água não corre,
arrasta-se dolente e já não canta, chora.
Agosto.
O sumo da rubra melancia nas mãos e no rosto.
Procuro a velha fonte, água cristalina, sempre fria,
a rumorejar, qual litania.
Água imprópria para consumo.
Uma heresia conspurca o xisto centenário
Deixou de cair a chuva benfazeja.
e o deserto avança passo a passo.
Suplicante o olhar perdido da criança,
que passa fome e sede sem entender porquê.
Vazio o olhar do velho sem esperança
que não implora mais, pois já não crê.
A sombra do velho salgueiro na margem,
os pés chapinando na água, o limo escorregadio.
O rio que então me parecia imenso.
A infância, agora uma miragem.
O sussurro da água ainda se recorta no silêncio,
mas já não é cristalino o velho rio.
Algures a chuva caiu furiosamente,
destruindo tudo na passagem
Desencantada com a espécie humana,
não consegue controlar os seus impulsos.
Por vezes cai de forma insana,
tudo engolindo na voragem,
outras não cai e deixa agonizante
a terra seca e gretada que a reclama.
Água, esquife de Ofélia,
fonte de vida para o lírio,
a bromélia, a rosa, a camélia,
para as flores no altar.
Água de sangues e linfas,
de sereias e ninfas,
dos homens cativa,
cada dia mais ténue o seu respirar.
E
porque falei da África do Sul, não posso deixar de evocar, com um pequeno vídeo de 2010, Nelson Mandela, um símbolo mundial na luta pela paz e entendimento dos homens,
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















