Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


sábado, 15 de fevereiro de 2020

Finalmente...

Contava começar a escrever esta mensagem logo após a minha chegada  do Brasil, em Dezembro passado, fazendo uma descrição mais ou menos pormenorizada de algumas visitas que fiz. Fui protelando por razões várias (aniversários, Natal, Ano Novo, ...) Vou tentar  cumprir o prometido, mas de uma forma mais ligeira, pois já lá vão 2 meses... 
Saí do Porto em direcção a Campinas, aeroporto Viracopos (voo direto), no dia 3 de Dezmbro, por volta das 12h. Marquei a viagem pela NET através da EDreams e uma das opções de ida era este voo. Como habitualmente vou por Guarulhos, liguei aos meus primos perguntando se era viável irem buscar-me a Campinas.   A resposta foi: 
É bem melhor  vires por viracopos pois apesar de não ser mesmo em S, Paulo, perde-se muito mais tempo indo a Guarulhos, por causa do trânsito. 
A viagem foi óptima, primeiro porque praticamente foi toda durante o dia e em segundo porque a saída do avião e do aeroporto foi muito rápida. Ao chegar a casa jantámos, mas como era ainda relativamente cedo, ficámos à conversa até às tantas… Estes meus primos têm duas filhas e um filho. Uma das filhas vive com a família no Porto, desde há cerca de ano meio. A outra filha, Renata,  e o filho vivem em S. Paulo, perto dos pais. No dia seguinte, a filha foi-me buscar para irmos à escola do seu filho de 14 anos, Gabriel. Era o último dia de aulas do ano..
Já conhecia algo sobre a pedagogia Waldorff pois os meus filhos, em crianças, frequentaram o ARBUSTO, em regime de ATL e adoraram.
A partir de 1976 abre-se um novo rumo na Árvore sob o impulso de Eduardo Calvet de Magalhães, Rolando Sá Nogueira, Arnaldo Araújo, e de José Rodrigues. É neste período que é criado o ARBUSTO, a segunda experiência pedagógica da Árvore, a qual surge sob o impulso de Úrsula Zanger, Conceição Rios e Jacinto Rodrigues, como a primeira tentativa de aplicar em Portugal a pedagogia da Escola de Steiner-Waldorf. https://www.arvore.pt/docs/historia.pdf
Deixo duas imagens da minha ida à escola do Gabriel.


Após a saída da escola, fomos almoçar com o Gabriel e uns amigos.. Surpreendeu-me ver que todos eles adoram a escola e são  fãs de Chico Buarque.
No dia seguinte, com a Renata e os pais, fomos visitar o prédio do antigo Banco do Estado de S.Paulo . Exteriormente  é  muito bonito, fachada Art Deco   https://spdagaroa.com.br/banco-de-sao-paulo-selj/. Hoje, com outras valências, alberga exposições e outras atividades culturais. Dos terraços, no último piso, podem ter-se várias visões da grande metrópole. Foi pena o dia estar nublado... 

 

No interior pudemos ver algumas exposições, nomeadamente uma de máscaras de todo o mundo onde Portugal estava representado.








Uma outra exposição era uma exposição interativa para crianças, sobre Tarsila do Amaral (http://tarsiladoamaral.com.br), exposição itinerante de que podemos ver algumas imagens em   https://bora.ai/sp/passeios/exposicaeo-imersiva-tarsila-para-criancas-no-farol-santander


Tarsila do Amaral, foi uma artista do movimento modernista brasileiro.  
Abaporu,  uma pintura a óleo, é  uma das suas principais obras dentro do período antropofágico desse movimento.
Após a visita e antes de regressarmos a casa,fomos tomar um café.



                                                          Já em casa na varanda da sala.

O prédio onde moram os meus primos faz parte de um condomínio fechado, situado no meio de uma vegetação muito densa. Como vivem no 7º piso, praticamente não se vêem os demais blocos (são 6 ao todo) mas apenas árvores e pássaros. A varanda e todas as janelas têm rede, precisamente por causa dos pássaros. Mas é idílico acordar com os seus chilreios e ver todo 
aquele "verde" sob os nossos olhos. 
Na imagem que segue, a vista da janela do "meu" quarto...
  

No dia seguinte, como eu queria comprar uns livros para trazer, fui com a mulher do meu primo a uma das livrarias Saraiva (há várias em S. Paulo) e, qual o meu espanto, quando me disseram que não tinham nada de Jorge Amado! (eu ia tentar encontrar um livro que ainda não tivéssemos, para oferecer ao meu filho Nuno que é fâ do escritor). Demos mais umas voltas e almoçámos, fora comida afegã...




No penúltimo fui com a Renata,  visitar a Igreja da Consolação de que a minha mãe tanto falava.
Abro aqui um parêntesis para referir que ao ler "Anarquistas, graças a Deus", de Zélia Gatai, que foi casada com Jorge Amado e  era 4 anos mais velha que a minha mãe, fiquei impressionada com lugares e episódios que a escritora revela e que eu conhecia de ouvir falar à minha mãe. Um dos lugares era a Igreja da Consolação a que ambas se referiam. Devem ter morado na mesma zona.  


Abaixo comendo milho. Adoro...


No dia 7, uns primos pelo lado do meu pai, ambos engenheiros civis em em Brasília, foram visitar-me a S. Paulo para me apresentarem os filhos que eu ainda não conhecia. 


O gesto sensibilizou-me muito mas o meu primo, pai/sogro do casal, sempre foi e continua a ser, uma pessoa muito ligada à família ...
Deixo algumas fotos com eles, em casa dos meus primos de S. Paulo, primos pelo lado da minha mãe.
Aqui 

As crianças brincaram, encantadas, com o gato 

No dia seguinte o meu primo levou-me a casa da minha irmã, em Santos. 
Na ida para Santos, o meu primo fez questão de me levar ao Ceasa (Centro de abastecimento ) de S. Paulo que é o    terceiro maior mercado atacadista do mundo e primeiro da América Latina   http://cidadedesaopaulo.com/v2/atrativos/ceagesp/?lang=pt


Regressaria a S. Paulo na véspera do regresso a Porto, viagem em que vim acompanhada pelos meus primos. Vieram passar o Natal connosco, o que abrange a filha que vive no Porto, o genro e a neta, bem como a minha família mais próximas, marido,filhos e respetivas famílias.
No regresso a S. Paulo esperavam-me  surpresas bem agradáveis
O meu primo tinha um irmão  de quem eu também gostava muito e que faleceu já há uns anos, deixando a viúva e uma filha do casal, ambas amorosas. Pois no dia da minha chegada estavam mãe e filha  para jantar, acompanhadas pelo namorado da filha, que eu não conhecia  e que é também muito gentil.
A outra  não foi propriamente surpresa.Como referi anteriormente, os meus primos têm a filha que vive no Porto, a Renata  e o Júnior, que vivem em  S Paulo. Antes de eu ir para Santos, o Júnior estava de férias, pelo que só o vi após o regresso. Já conhecia a mulher e o filho mais velho, Eduardo, que tem 9 anos, mas em Agosto nasceu uma menina que só agora conheci "pessoalmente" e que é um encanto. Deixo algumas  imagens dessa reunião familiar




 


No dia seguinte, a Renata levar-nos-ia ao aeroporto de Guarulhos, donde regressámos ao Porto. Sabendo como eu sou fâ de Chico Buarque, ofereceu-me o seu último livro, que recomendo. 
Espero postar em breve uma mensagem sobre a minha passagem por Santos 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Tomada de consciência


Ainda não é desta vez que escrevo sobre a minha última ida ao Brasil. Tenho tido pouco tempo disponível para organizar de forma sintética tudo o que gostaria de aqui referir. Entretanto, e com a devida autorização do autor, Paulo Mendes Pinto  https://www.wook.pt/autor/paulo-mendes-pinto/32606, coloco um artigo,   publicado  no Sol, no passado dia 1e sobre o qual, em minha opinião,  todos deveríamos refletir

De Auschwitz  ao quotidiano português: racismo e ignorância

Por estes dias, estamos todos muito empenhados em dar espaço mediático aos 75 anos de libertação do campo de concentração de Auschwitz. Contudo, as lógicas mediáticas são hoje alvo de investigação altamente especializada fruto das grandes mudanças que tomaram conta dos fenómenos de comunicação. Hoje, qualquer nosso concidadão “posta” o que quer sem os filtros, a verificação ou o contraditório que o jornalismo deveria implicar.
O mesmo indivíduo que difunde notícias falsas sobre refugiados ou imigrantes é capaz de, no mesmo dia, “postar” uma imagem de Auschwitz pedindo que “nunca mais se repita”, com o mesmo fervor com que coloca uma fotografia de um por-do-sol ou de um gatinho.
Mais que a confusão mental de conseguir fazer opções opostas, como se fossem dois indivíduos num só, parece que muitos de nós residem num campo de pensamento onde a Ética nada tem de funcional e onde apenas os instintos da escolha imediata ditam o ritmo e o lugar onde deposita os seus “likes”: numa frase bonita, num imagem da natureza, ou num discurso “nacionaleiro” de um líder radical.
Dizia há pouco tempo Noam Chomsky que a Europa parecia estar a entrar numa fase em que a vacina recebida com a tomada de consciência da brutalidade do regime nazi estava a passar de prazo. A memória dessa brutal época era já tão ténue que o negacionismo estava a ganhar terreno.
E, de facto, parece que essa tal vacina perdeu a validade quando vemos o uso de símbolos nazis ou, como recentemente num comício do Chega, alguém a fazer a saudação nazi enquanto o Hino Nacional é cantado.
Há poucos dias, a 28 de Janeiro, André Ventura publicou nas redes sociais uma abjecta frase sobre a deputada Joacine Moreira, sugerindo que ela fosse "devolvida ao seu país de origem".
Numa época em que a globalização parece levar todos a toda a parte, há que gritar bem alto que este fenómeno de migrações, de movimentos populacionais e culturais não é em nada novo. Já há centenas de anos que em Lisboa viviam mais negros, judeus e muçulmanos que "brancos". Como imaginamos nós que fosse a população de Lisboa em meados do século XVI, o século das glórias marítimas?
Ora, a ignorância grassa pelas nossas televisões, pelos produtos mediáticos que se consomem. Mas, fundamentalmente, a ignorância vive fecundamente nos programas e nos manuais escolares. Multiplicamos o não saber como quem se anestesia de uma dor que não consegue identificar e que se pretende esquecer, ou nem sequer dar por ela. Ano após ano, vamos lançando nas ruas cidadãos que de cidadania nada imaginam a não ser o direito de gritar uns com os outros quando o seu clube de futebol joga.
Sim, a tal vacina de que Chomsky falava parece ter já passado de validade.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Após mais um interregno....


Na penúltima mensagem referi que iria estar ausente de 3 a 15 de Dezembro, dia em que regressando do Brasil chegaria a Portugal, para à tarde estar a cantar na Sé com o coro da União das Freguesias do Centro Histórico. Ainda não tive tempo de escrever as duas mensagens que pretendo escrever sobre esses dois “temas”.   Hoje vou escrever sobre a minha recente ida a Penedono….
Há cerca de três anos,  filhos e noras ofereceram-nos um voucher para um fim de semana
O meu marido não mostrou grande interesse, o tempo foi passando e só me recordei do voucher quando, em 2019, nos ofereceram um outro. Lembrei-me então do primeiro, tentei encontrá- lo  mas não o achei. Em Agosto passado, na aldeia, ao arrumar uma estante encontrei-o, só que já tinha terminado a validade. Ao encontrá-lo “negociei” com  o meu marido no sentido de utilizarmos o novo voucher já que tínhamos perdido a oportunidade de usar o 1º . Foi assim que decidimos visitar as aldeias de xisto na Lousã, visita da qual  em Outubro,  fiz aqui no blog, um breve relato https://docaosaocosmos.blogspot.com/2019/10/ferias-e-ambiente.html

Ao referir à  senhora responsável pelo alojamento na  Lousã, que tinha perdido a oportunidade de usar o voucher anterior, a mesma aconselhou-me a contactar o LIFECOOLER. Assim fiz e o voucher foi revalidado até 31 -01-2020.

Mas, tal como da primeira vez, o meu marido não mostrou interesse e o tempo foi passando. No dia 26 de Janeiro liguei à minha amiga Fátima Moreira, que costuma viajar connosco quando fazemos viagens ao estrangeiro e perguntei-lhe se queria ir comigo. Ficou toda entusiasmada (adora viajar mas o marido raramente vai, por isso costuma viajar connosco). Deixou ao meu critério a escolha e quando lhe sugeri Penedono disse-me que há imenso tempo andava com vontade de conhecer o local. Fui logo pesquisar as hipóteses no LIFECOOLER e escolhi um lugar que me pareceu muito simpático: Quinta da Picoila. Fiz a reserva e partimos 5ª feira.
Preparei a viagem com ajuda do Google: A4, sair para A24 em direcção à Régua, saída 11, estrada 229. Ao entrar na A24 enganei-me e disse à Fátima para sair para Viseu. Quando me apercebi do erro já era tarde. Liguei o GPS do telemóvel mas a rede é fraca e por vezes falhava. O percurso foi mais longo. Passámos por Salzedas e deu para ver que é uma terra interessante, mas não parámos. Fica para uma próxima visita

O alojamento na Quinta da Picoila excedeu as nossas expectativas. Trata-se de um solar com mais de 300 anos, adquirido por antigos caseiros que o restauraram com todas as comodidades e decoraram com sobriedade e bom gosto. O ambiente é simultaneamente simples e familiar pelo  que,  à noite, numa das salas, e em frente à “lareira”, a  proprietária nos foi contando, com alguma emoção, a história da sua vida ligada ao solar. Deixo o vídeo anexo com alguma informação sobre a “vida” do solar
bem como algumas fotos que tirámos







A proprietária tenta preservar tudo o que se relacione com a vivência naquele solar. Nesta foto, o fundo dum baú onde está colado um jornal O Primeiro de Janeiro editado ainda no século XIX


Quando os donos do solar decidiram vendê-lo, começaram por vender todo o recheio da capela.
Os atuais proprietários têm em mente fazer ali um pequeno museu. Algumas peças já estão por lá dispersas



No dia seguinte, após o pequeno almoço, bem servido com sumo , vários tipos de queijo, fruta, etc, etc, partimos. Fomos conhecer Penedono a cerca de 3 km. Passámos primeiro pelo Turismo, muito perto do Castelo onde nos deram um mapa e vários folhetos informativos. Deixo um vídeo e algumas fotos. 





No interior do Castelo vimos algo estranho, parecido com uma gaiola. À saída passámos pelo turismo para saber o que significava. Trata-se de um instrumentos de tortura medieval  que em breve passará para o edifício da Câmara Municipal, onde se encontram expostos vários outros que nos “transportam” para tempos de horror, de bestialidade humana que, infelizmente,  por vezes ainda se repetem 





Uma capela, a Matriz e respectivo altar mor




A seguir, a entrada para a Câmara Municipal e a exposição de instrumentos de tortura







Almoçámos bem na Taberna Medieval  “ Fornos do Rei"



Depois de almoço seguimos em direcção à Régua e parámos para ver
a necrópole megalítica da Senhora do Monte, mas só encontrámos  uma anta.
Continuando em direcção ao Porto, parámos em Trevões, onde se encontram vários solares e casas senhoriais, alguns um pouco em ruínas. Deixo um vídeo e alguma fotos















Depois de visitar Trevões  saímos em direcção à Régua, de onde, através da A24 chegámos à A4, para regressar ao Porto
O tempo, embora nublado, esteve a nosso favor. Praticamente não choveu até sairmos de Trevões. A partir daí a chuva começou a cair ada vez mais intensamente e durante o percurso pela  A4 choveu intensamente .

Na próxima mensagem que, espero, "saia" em breve,  “falarei” da ida ao Brasil. Até lá…


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019