Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


quinta-feira, 6 de julho de 2017

No mundo das palavras...


Na última mensagem deixei um poema do meu novo livro “Quando o mistério se dilui na penumbra”
 
Hoje deixo dois poemas publicados na revista Philos  cujo acervo pode ser consultado aqui

É a segunda vez que envio poemas para a revista. Em  ambos os casos foram seleccionados

Da primeira vez enviei o poema  Numa esquina do tempo que pode ser visto aqui 

Luxuriosas,
as estrelas crepitam no céu negro.
Voluptuosos,
os ramos das árvores afagam a escuridão.
Quais garças,
miríades de sonhos esvoaçam ledos.
Titubeante,
o amor deambula por entre apaixonados.
Helena ama Demétrio,
que ama Hérnia, que ama Lisandro.
Errante, a paixão…
Titânia ama um ser com cabeça de animal.
Duendes e fadas
volteiam por entre a bruma esquiva.
Gorjeia a poesia.
No ar, o róseo perfume da madressilva.
A noite estremece.
De flautas e oboés, refulgem os trinados.
Amores reencontrados…
Flutuam acordes da marcha nupcial.
Cúmplice, a magia…
Florescem os sonhos na noite de verão.
Numa esquina do tempo,
Shakespeare, Mendelson e Chagall.
Subtil, a aurora desliza noite adentro.
Vénus regressa.
Ao amanhecer, esvai-se a fantasia.
Balbuciante, o dia…
rumoreja o bosque, despertando lento
Desta vez enviei os dois poemas que seguem e que na revista estão acompanhados da imagem anexa
Se…
É belo este batente.
Dos pulmões do mineiro,
que delida a vida desventrando a terra,
ao suor do ferreiro,
que, moldando o ferro, o corpo cresta,
quanta história contaria se falasse?
Quantos bateres lhe acudiriam à memória?
O bater saltitante da criança,
o bater sem cor e sem esperança
do homem revoltado com a vida,
o bater daquele apaixonado que, enlevado,
ali depôs uma alegre margarida?
Se esse batente falasse….


Semelhanças

Centenária, aquela porta repleta de memórias.
Qual retorta, dela se evolaram por frinchas mal vedadas,
enredos, paixões, amores, traições, alegrias, rancores, segredos,
fragmentos de vidas, em histórias condensadas.





Deixo também um poemas do livro Fui quase todas as mulheres de Modigliani, de Graça Pires, a quem já várias vezes fiz referência
Menina de azul

Em todos os relógios
da cidade, os ponteiros
marcam a hora
inesperada da inocência.
Tudo parece perfeito,
excepto o meu rosto 
de menina, asfixiado 
na moldura do tempo              




domingo, 2 de julho de 2017

Enigmas da natureza


Ainda a propósito das flores dos catos a que me referi na mensagem anterior…

Quando disse ao meu marido que as tinha referido no blogue, enviou-me as fotos que tirara quando pela primeira vez abriram, todas ao mesmo tempo, na noite de 9 de Junho. Era lua cheia...



Pesquisando na NET encontrou referência a flores de catos que abrem precisamente em noites de lua cheia e duram poucas horas.


Ela só abre à noite.

Como o Girassol abre para o Sol, ela abre para a Lua.

Uma vez por ano, segundo dizem ,por umas 2 horas, as flores brancas dessa rara espécie de cactus (Selenicereus witti) se abrem numa noite de lua cheia no ano.



Ficou a aguardar a lua cheia de Julho...Só que abriram antes, mas todas (três) ao mesmo tempo.
Numa nova pesquisa na NET, encontrei uma outra referência que não faz alusão à meia noite

Existe um número relativamente pequeno de espécies de plantas com flores que abrem à noite e fecham durante o dia, entre elas o cacto Selenicereus grandiflorus,


A natureza é, de facto prodigiosa…
Vivemos nesta casa ( desde 1984) e temos o privilégio de ter um pequeno  quintal / jardim, o reino do meu marido, onde há de tudo um pouco ( obviamente, uma força de expressão), desde a horta miniatura ao pomar ( uma cerejeira, duas ameixoeiras, dois pessegueiros, dois limoeiros, uma laranjeira , uma tangerineira, uma oliveira, uma figueira e uma macieira) passando pelas ramadas, uma de videira, outra de de quivi sob a qual fazemos algumas refeições, sempre que o tempo o permite




Há também algumas(poucas) plantas ornamentais como  uma glicínia (que já floriu), no pátio do meu filho Miguel  e uma  buganvilia, agora exuberante




  Este ano tivemos muita fruta. Agora só têm frutos ainda verdes a figueira e a macieira .





















Ode à maçã

Amarelo, verde, rubro, o epicarpo da maçã
cobre o mesocarpo, saboroso.
No âmago do fruto, sementes no endocarpo,
que as aconchega, cioso.
Sensual, brejeira, da árvore pendia.
Eva não resistiu à sedução
Em longa cabeleira tombou, descuidada.
Newton desvendou a gravitação.
Na fruteira, impassível, exala um doce aroma.
O ar adormece, inebriado.
Resistir é impossível. Trinco-a.
Com volúpia saboreio o pomo sublimado. 
(Gouveia, R. 2017, in Quando o mistério se dilui na penumbra)

Neste fim de semana tenho tido algum tempo para mim. …

A minha neta mais nova foi mais uma vez acampar com os escuteiros. Os pais aproveitaram e foram, com o José, passar o fim de semana a Santiago de Compostela. A Rita teve ensaio de ballet (o espetáculo vai ser dia 15) pelo que teve que almoçar cedo. Assim, apenas vieram almoçar os pais e o irmão. Depois de almoço ficámos sós, pois após o ensaio iriam todos para Esmoriz onde a minha nora tem casa.


Agora  já é domingo.

Nos próximos dias 7 e 8 teremos o concerto de Verão da Teclarte, na Casa Das Artes, como é habitual.


Aproveitei para treinar um pouco a música (I ´m yours) que, juntamente com o meu neto e mais alguns alunos vou tocar dia 8 em ukulele




O José vai também tocar baixo nos dois dias (Moves Like Jagger ) e a Marta vai tocar piano, no dia 7 (Chopsticks).




Daqui a pouco vou buscar a Marta a Campanhã. Regressa do acampamento….



sábado, 1 de julho de 2017

Benditos inúteis!

O título desta mensagem fui buscá-lo a um texto de João Paiva, Professor no Departamento de Química da FCUP publicado aqui    sob o título :A apologia da ciência e a inutilidade das artes e das humanidades.
Com a devida autorização do autor,transcrevo alguns excertos

Tenho mais de 30 anos dedicados à ciência, principalmente ao seu ensino e divulgação. Não me canso de sublinhar o fascínio pela forma científica de questionar, conjeturar, observar, experimentar, teorizar e até prever o que se passa no mundo natural. São, resumidamente, duas as pérolas desta empresa científica: a) o sabor, o gozo, o prazer e o deleite de tatear a natureza; b) a potencialidade benfazeja que os conhecimentos científicos encerram, uma vez que, quando aplicados por meio do que chamamos tecnologia, podem beneficiar a humanidade. O aumento médio da esperança e da qualidade de vida, à escala global, é um bom exemplo que sentimos (infelizmente não todos...).

(...)Como químico, sempre fui impelido para as misturas... Nós, químicos, focados na realidade atómico-molecular, passamos a vida a fazer análises e sínteses... As análises permitem-nos saber o que está e quanto está. As sínteses são muito relevantes: ligam, constroem, geram novos materiais e novas vidas. As ciências exatas estão carentes de sínteses. Temos de ter a consciência da artificialidade das disciplinas científicas, face à natureza que teima em ser uma só. Sim, separamos para analisar, mas, se perdemos a noção da floresta, lá ficamos míopes ao ver só a árvore.

(...(Os docentes e investigadores universitários vivem um dilema: a sua carreira é dramaticamente competitiva. As exigências de financiamento não nos permitem desperdiçar oportunidades de projetos. Alguma burocracia, sem retaguarda de secretariados de apoio, subtrai-nos imenso tempo. A leitura e a escrita de artigos em grande número deixam muito pouco tempo para outras leituras. Mas o virar as costas às humanidades pode ser fatal para a ciência. E, portanto, quanto mais não seja pela ciência, teremos de ser criativos para reconhecer e valorizar o que somos e ao que vamos, numa perspetiva humanista. Estar conscientes de que a grande pergunta da ciência, nas palavras de Schrödinger, é também a grande pergunta do Homem: “quem somos nós?”

(...)Estas reflexões deverão ter implicações na vida académica das escolas de ciência. As faculdades, incluindo as de ciências, têm obrigação de proporcionar aos seus alunos, aos seus docentes e investigadores espaços de reflexão transdisciplinar e de alargamento de horizontes culturais.

 (...)Perceber-se-á agora melhor o título deste texto(….)A ciência, recuperando a sua humildade epistemológica, deve saber abrir-se às artes e humanidades. Um cientista sabe que a sua grelha é um dos instrumentos para se ler o mundo, mas nunca o único, nem o melhor. Sabemos que Kant, Tolstói ou Beethoven nos deliciaram e apontaram caminhos... e não tinham laboratórios. Benditos inúteis!

Para além de filósofos, escritores, músicos, podemos encontrar benditos inúteis
em várias outras áreas. Assim atrevo-me a acrescentar alguns de entre os inúmeros que se poderiam citar: Leonardo, Rodin, Pessoa,  Ingmar Bergman , Sebastião Salgado, Picasso, Monet….

Para colocar na mensagem, escolhi Monet e uma das suas obras com nenúfares


Isto porque, num baldio atrás de minha casa, desabrocharam, mais uma vez, flores de uns catos que o meu marido ali plantou para tornar menos lúgubre o espaço.





E não sei bem porquê, as flores lembraram-me de imediato os nenúfares de Monet.


A terminar, regresso ao texto de João Paiva,

As faculdades, incluindo as de ciências, têm obrigação de proporcionar aos seus alunos, aos seus docentes e investigadores espaços de reflexão transdisciplinar e de alargamento de horizontes culturais.

Na minha carreira de professora de Física e Química e de formadora de professores nessa áreas, sempre tentei harmonizar ciências e humanidades. Ambas as áreas desempenham um papel fundamental na formação integral de uma pessoa.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Por entre tempestades e bonanças…..


Sexta feira, 16 de Junho
Sempre que me sinto um pouco deprimida ( felizmente sucede-me poucas vezes) penso que não tenho muito a reclamar da vida, especialmente quando penso nos problemas terrivelmente dramáticos com que muitas pessoas se confrontam. Mas nem sempre resulta e por vezes sinto-me em baixo. Um dos primeiros sintomas é ter insónias, algo que me acontece raríssimas vezes.
O falecimento do meu irmão não nos apanhou de surpresa. Há um ano fui ao Brasil visitá-lo por se recear que o fim estivesse próximo.
Um médico, amigo da família que acompanhava a situação, disse-me: O seu irmão é um lutador e  tem uma vontade enorme de viver.. Poderá durar um mês,três meses, seis meses, talvez um ano. Para além disso é pouco provável.
Nos últimos tempos sofria bastante embora tentasse disfarçar. A morte veio por fim a tanto sofrimento e é nessa realidade que todos nos tentamos apoiar. Do tempo que passei com ele da última vez, recordo essencialmente o carinho, o bom humor, a vontade de viver.





E sinto um nó na garganta, e tenho dificuldade em dormir….

Para tornar tudo ainda mais difícil, o nosso gato, com 11 anos,  desapareceu na segunda feira. Na quarta feira o meu marido foi encontrá-lo morto num terreno baldio por detrás do nosso quintal. Não sabemos o que terá acontecido.


Se para mim foi triste, para o meu marido, que cuidava dele, foi muito duro. Consegui convencê-lo a vir passar o fim de semana à aldeia. E aqui estamos, mas em maré de azar. Uma qualquer avaria na instalação elétrica, deixou-nos sem ar condicionado ( a temperatura ronda os 44 º) e sem televisão (para o meu marido é algo indispensável...a mim faz-me pouca falta embora tivesse previsto ver uns mini filmes do Hitchcock na RTP memória )
Ninguém mais na aldeia tinha tido problemas. Como temos sistema trifásico, começámos por admitir que grande parte das pessoas teria ainda o monofásico pelo que poderiam não ter sido afetadas pelo problema.
Ligámos para o serviço de avarias da EDP, em Moncorvo mas fomos “atendidos” por uma gravação que logo de início nos pediu o número da última fatura. Acontece que as faturas vão para o Porto pelo que não temos aqui nenhuma.
Aqui a rede tem muito pouco sinal pelo que não pudemos recorrer à Internet em busca de outras soluções

Decidi então tentar “pôr a minha escrita em dia”.
Desde a penúltima “postagem”a 21 de Maio, aconteceram também coisas agradáveis….

Estava a acabar de escrever o parágrafo anterior quando o meu marido entra na sala e diz:
O problema é mesmo aqui em casa. Um disjuntor do quadro queimou. Amanhã vou tentar resolver o problema em Moncorvo.

Mas a falta de ar condicionado e de televisão não o deixaram ficar quieto. É uma pessoa extremamente “engenhocas” pelo que arranjou uma solução provisória que não resisti à tentação de a fotografar.

E não perdi o Hitchcoch….
Ao fotografar a “engenhoca” apercebi-me que tinha algumas fotos e  filmes desde finais de Maio, que ainda não tinha visto.
No dia 24 fomos mostrar aos meus sobrinhos Valença do Minho e o centro histórico de Tuy (não tenho imagens pois foram os meus sobrinhos que tiraram as fotos e ainda mas  não enviaram).
No dia 31, regressaram ao Brasil.
No dia 1 e Junho, o meu neto Bernardo fez oito anos mas a festa de aniversário teve lugar no dia 3
Como é habitual, a festa foi em casa ( ao lado da minha) e todos os colegas da turma estiveram presentes. À tarde fiz para eles uma sessão de magia (entenda-se de Física e Química). O jantar era destinado à família e amigos mais íntimos. Mas nessa noite havia o espetáculo do grupo de teatro do Carolina Michaëlis de que o José faz parte. A peça foi a menina Feia de Manuel António Frederico Pressler

Aqui ficam uma breve sinopse da peça. Fiz um pequeno vídeo mas não consigo colocá-lo  aqui. Deixo apnas uma imagem do final, mas ficou muito desfocada



Sinopse 

Uma jovem procura emprego na empresa do homem por quem está apaixonada, no entanto, este, por considerá-la feia, recusa prestar-lhe atenção. 
Uma transformação, ao estilo dos contos de fadas, vai fazer com que ele finalmente repare na ‘menina feia’…

Após o teatro ainda fomos comer uma fatia de bolo do aniversário do Bernardo mas não pudemos ficar muito tempo pois, no dia seguinte, o meu filho Nuno e eu tínhamos que apanhar o Intercidades das 8,52 para Lisboa. O filho da minha amiga que reside em Setúbal, tem um apartamento em Lisboa a precisar de obras e quiseram ouvir a opinião do Nuno. Aproveitei a sua companhia e fui visitar uma prima minha cujo marido faleceu há relativamente pouco tempo. Um dos filhos foi buscar-me à estação do Oriente e fomos todos almoçar. Todos significa a minha prima, os três filhos, as noras, vários netos, namoradas de netos...Foi um convívio muito agradável.
Ao fim do dia o meu filho regressou ao Porto e eu fui para Setúbal com a minha amiga, que é licenciada em pintura. Logo ao entrar na sala deparei com novos quadros.
Gostei particularmente de um deles, cuja imagem aqui deixo, com a devida autorização da autora.


A minha amiga não se sentia bem já há alguns dias. Nessa noite piorou e logo de manhã fomos à urgência do Hospital da Luz. Foi medicada e eu regressei ao Porto um pouco apreensiva,  mas tinha que regressar pois no dia seguinte chegariam ao Porto o meu sobrinho Ricardo (um dos filhos do meu irmão) a mulher e um casal amigo que vive em Munique. Os meus sobrinhos são sempre extremamente gentis e a nossa relação com o casal amigo, foi de um imensa empatia. Infelizmente a estadia foi ensombrada pela morte do meu irmão.

Relativamente à minha amiga, felizmente a medicação fez efeito e melhorou.

No dia 10, a minha neta Marta, que começou a praticar escutismo há uns meses, ia ser admitida nos escuteiros já como Lobita. Quis que eu fosse a madrinha. A cerimónia, embora longa, foi interessante com alguns rituais que eu desconhecia.





No dia 14 o José surpreendeu-nos com um convite para uma nova atividade de teatro que iria ter lugar no dia 15, às 19 h na escola. A professora de História, com as duas turmas de 6º ano que lecionava,organizou um espetáculo de participação voluntária,em que foram apresentadas várias personagens da História de Portugal desde a fundação até aos nossos dias. Na turma do José inscreveram-se algumas meninas e ele foi o único rapaz a inscrever-se. Na outra turma houve vários rapazes participantes. Foi muito interessante e mais uma vez eu refiro que admiro os professores de hoje, que sufocados em burocracia, ainda arranjam tempo para dar um sentido mais lato à escola. Bem hajam


Sábado 17 de Junho
Logo de manhã o meu marido foi a Moncorvo, tentar comprar um novo disjuntor. No caminho apercebeu-se de que já devia ter levado à inspeção o jipe que temos aqui.
A loja de artigos elétricos estava fechada. Mas de imediato umas pessoas se dispuseram a procurar o filho do dono da loja. Este veio, abriu a loja e atendeu o meu marido com uma gentileza extrema.
Como comentasse o problema da inspeção do carro o senhor sugeriu-lhe que fosse ao Larinho fazê-la. Habitualmente era feita em Macedo de Cavaleiros, mais perto da minha aldeia, e por vezes tinha que esperar muito tempo. No Larinho, junto a Moncorvo, foi imediato.
Quando entrou em casa tinha perdido o ar sorumbático que o acompanhou nos últimos dias….

No dia seguinte, às 6 h a manhã chegaria um senhor para tirar as ervas do quintal e às 10h estava prevista a chegada nossa empregada(digo nossa porque trabalha para mim e para os meus filhos) ida do Porto com uma irmã, o marido e o cunhado.


Domingo 18 de Junho
Desde que o meu marido herdou a casa do irmão eu  queria arranjar alguém, que me fizesse uma limpeza muito profunda na casa. As aldeias do nordeste estão despovoadas pelo que não é fácil. Mas lá fui conseguindo pessoas, já de uma certa idade. Trabalhando eu e elas, lá fomos dando um jeito. Mas a tal limpeza profunda, nunca tinha sido feita. Eu tenho o privilégio de ter uma empregada excecional. Disponibilizou-se a cá vir, juntamente com  uma irmã gémea que também é empregada doméstica, O marido desta senhora, o Sr. Júlio, trabalha na construção civil. Conheci-o quando da construção da minha casa no Porto. Foi através dele que eu cheguei à cunhada ( a mulher não tinha horas vagas e a cunhada tinha deixado uma senhora naquela altura). Para arranjar mais algum dinheiro que lhes permite, por exemplo,  fazer férias no Algarve, o Sr. Júlio aos fins de semana ajuda a mulher nas limpezas.
Ou seja, eu tive um trio de trabalhadores excecionais a que o marido da minha empregada também foi dando uma ajuda, para além de ter sido o motorista...Para além disso e sabendo que eu tenho andado bastante em baixo, trouxeram o almoço que incluiu um bolo de noz muito saboroso.
A casa ficou um brinquinho....
A ensombrar o dia, a terrível tragédia que se abateu sobre  o país.

Sei que esta mensagem é muito longa mas com o pouco tempo de que geralmente disponho, sempre que posso, tento pôr “a escrita em dia”.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Não é nunca esse momento.....

Lá longe, nesse Brasil distante, faleceu hoje o meu irmão. Um dos filhos tinha chegado ontem a minha casa, acompanhado da mulher. Tentamos consolar-nos mutuamente mas, por mais que nos preparemos para estes momentos difíceis, nunca estamos preparados.
Eles saíram há pouco com o tio. Eu fiquei, porque em breve chegará o José da escola. 
Tento encontrar algum conforto na poesia e na música

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento 


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas


Com os Mortos


Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...

E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem. 


Antero de Quental, in "Sonetos" 



domingo, 21 de maio de 2017

Uma semana diferente...


A minha última mensagem foi "postada" a propósito do Dia da Mãe. A partir daí não consegui arranjar tempo para escrever. Aliás, já antes, no dia 4 tinha estado com 5 turmas de 8 º ano, na Escola EB23  de S. Lourenço em Ermesinde, a propósito do meu livro Breve História da Química. Os alunos tinham feitos uma série de trabalhos. Entre os expostos estava uma Tabela Periódica muito interessante. Apesar de serem muitos alunos as sessões correram bem.






Na semana que se iniciou a 8 de Maio, foi o "corre,corre" do costume. No dia 15,  chegaram do Brasil uma sobrinha e o marido. Ainda nesse dia fomos almoçar à praia dos Ingleses. Passeámos um pouco à beira mar, fomos ver de longe o Terminal de Cruzeiros (aí fotografámos aquele conjunto de estátuas alusivas a um  naufrágio) mas eu tinha que regressar a casa por volta das 15 h,30,  hora de chegada  do meu neto José. Eles quiseram regressar também, pois praticamente não tinham dormido durante a viagem.



Nesse dia o meu filho Nuno fazia anos pelo que, ao jantar, festejámos a vinda e o aniversário.
Para a música "I have a dream", que tínhamos tocado no concerto, improvisei uma letra

A 15 de Maio o Nuno Nasceu
Foi já há alguns anos que isso aconteceu
Aqui reunidos vamos festejar
com a Sílvia e o Sérgio vindos de além mar
Os que aqui estamos, o evento vamos celebrar
os que não vieram em pensamento aqui irão estar 
A 15 de Maio o Nuno Nasceu
Foi já há alguns anos que isso aconteceu...


No dia 16, logo pela manhã, levei-os a S. Bento. Daí fomos à Sé, aos Aliados, aos Clérigos,à Lello e à minha ex-faculdade, nos Leões.
Antes de almoço fomos ao Piolho e falei-lhes um pouco do historial do café.
Depois dirigimo-nos à Árvore. Foi ali que o meu filho Nuno foi ter connosco para os levar a almoçar ao Torreão ( no edifício do antigo teatro Pé de Vento) donde se desfrutam umas vistas magníficas. Eu vim para casa pois o José chegaria depois das aulas.  Após o almoço o Nuno deixá-los-ia na Ribeira 
para fazerem o passeio das 6 pontes. 
Chegaram a casa ao fim do dia, todos "vitoriosos", pois já se deslocavam no Porto com um certo à vontade. 
Na quarta feira foram a Guimarães. Levei-os a S. Bento para apanharem o comboio e ao fim do dia 
apareceram em casa exaustos mas felizes, porque adoraram a visita.
Na quinta feira ao fim da manhã foram ter comigo ao Hospital de Santo António (era o meu dia de voluntariado) e dali fomos atá à marginal de Gaia onde almoçámos em frente às caves Ramos Pinto, que eles pretendiam visitar após o almoço.

No fim do almoço fiquei um pouco contristada pois a conta vinha altamente inflacionada.
Chamei o empregado e comecei por lhe dizer: Eu não sou turista e é  lamentável que façam isto aos clientes. no pressuposto que são turistas e não irão reclamar.
Meteram os pés pelas mãos, retificaram a conta mas eu fiquei triste. Quantos turistas já terão vigarizado desta maneira?
Após o almoço deixei-os e regressei a casa. Chegaram ao fim do dia mais uma vez felizes, mas cansados.
Na sexta fomos levá-los a Campanhã, com destino a Lisboa. Daí irão a Sintra e a Évora. 
No regresso farão uma paragem em Coimbra. Pensamos levá-los ainda a Santiago ou a Salamanca, aproveitando, neste caso, levá-los à aldeia. Mas tudo depende da forma física com que chegarem….
Após os deixarmos na, estação o meu marido regressou a casa e eu fui tentar comprar umas coisas em Santa Catarina. Há imenso tempo que não ia para aqueles lados. Soube-me bem. Regressei a casa e ainda antes de almoço recebi um telefonema da Isabel, de quem já aqui falei várias vezes. Tinha vindo de Trás-os-Montes, desta vez de mota. Pensava regressar ainda ontem mas convenci-a a passar o fim de semana. 
Entretanto, à tarde chegaram o José e um colega para prepararem um trabalho que terão que apresentar na disciplina de História e Geografia de Portugal. O colega acabou por jantar connosco.

Hoje fui com a Isabel ao Museu Soares dos Reis e depois tentámos ir almoçar ao Torreão, até porque a Isabel em tempos fez teatro e trabalhou no Pé de Vento. Logo à porta perguntaram-nos se tínhamos mesa reservada. Perante a resposta negativa disseram-no que estava cheio e iria assim continuar. Fomos almoçar ao Piolho e depois de almoço fomos percorrer Miguel Bombarda
Ao entrar na AP´ARTE No (nº 221) deparámos com uma exposição belíssima que, de início nos pareceu ser de pintura mas afinal era de fotografia

O autor,FRANCISCO PIQUEIRO, Licenciado em Engenharia Civil é Professor Auxiliar de Hidráulica da F.E.U.P.. No que respeita à Fotografia é autodidacta, desenvolvendo uma estreita ligação entre a fotografia, a aviação
Adaptado de
https://www.viralagenda.com/pt/events/257440/detalhar-exposicao-de-fotografia-aerea-de-francisco-piqueiro

Aqui fica a foto de uma das obras


Aimagem do sapal aparece-nos como a junção de retalhos de cores e texturas variadas, que assumindo uma leitura enigmática,
realçam a beleza e indefinição referencial do motivo.
O retorno à imagem releva um aparente ruido, qual salpicos do pincel que percorria aquela tela. O reconhecimento do espaço,
que a imagem obliqua retrata, permite
então perceber que esses salpicos são aves, dando, agora, um sentido vivo à paisagem.
Descobrimos uma nova imagem!
Extraído de:

Quando acabámos de ver as obras, tentámos saber quem era o autor. Estava ali mesmo. Pessoa extremamente simpática, tivemos com ele uma conversa muito interessante

Aconselho a visita à exposição que vai estar até inícios de Junho

Dali fomos beber umas águas na esplanada de um bar do Centro Comercial Miguel Bombarda após o que regressei a casa. A Isabel fiocu pois ia jantar com uns amigos do tempo em que atuou no Pé de Vento.
Fiz todos os percursos a pé pelo que cheguei cansada.
Sentei-me e fiquei a ouvir  Paganini


https://www.youtube.com/watch?v=s6xzTYE5TN8



domingo, 7 de maio de 2017

Chamava-se Vera...



Viveu semeando alegria e bondade em seu redor,

  Embelezando a vida com um sorriso inigualável.

    Rancorosa, a morte foi urdindo uma hedionda teia.

      Arrancou-a cruelmente da vida, não da nossa memória.


Vera era o nome da minha Mãe, a melhor do mundo. Creio que terá havido muitas tão fantásticas como Ela. Mas melhor, acho impossível.



Dela herdei essencialmente memórias imateriais mas também algumas materiais como partituras, bordados, algumas jóias. Uma delas, a que usa nestas duas fotos. Trata-se de um relicário antigo. Num dos lados a minha mãe colocou a minha foto esmaltada. Mas é do outro lado que eu gosto mais.



 Uso-a por vezes.  Aqui, no casamento do Miguel.


Até sempre, MÃE

A origem do Dia da Mãe 


A história remonta a 1858 quando uma mulher, Ann Maria Reeves Jarvis, fundou o ‘Mother’s Days Works Club’. O objetivo era o de discutir estratégias para que a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores diminuísse cada vez mais. Ann Maria ficou conhecida pelas suas iniciativas dedicadas aos mais desfavorecidos, não só aos trabalhadores, como também aos feridos da Guerra de Secessão.
Nesta senda, também outra mulher – a escritora Julia Ward Howe – desenvolveu iniciativas no sentido de valorizar a mãe e a maternidade, desta feita com a publicação do manifesto ‘Mother’s Day Proclamation’.
Quando Ann Maria morreu, em 9 de maio de 1905, a sua filha Anna Jervis ressentiu-se da perda e, com a ajuda de amigas, decidiu celebrar o amor pela sua mãe e, ao mesmo tempo, ensinar as crianças a valorizar as respetivas progenitoras.
Assim, iniciou uma campanha para que o dia das mães fosse reconhecido a nível nacional, o que aconteceu nove anos após a morte de Ann Maria.
Em maio de 1914, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o decreto – Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother’s Day – que estabeleceu o segundo domingo de maio como o Dia da Mãe.
Porém, e apesar do esforço em conseguir que o Dia da Mãe fosse reconhecido como uma celebração a nível nacional, Anna Jervis lutou posteriormente para que o dia fosse abolido do calendário devido ao caráter comercial que adquiriu.
Sendo Portugal um país de elevada tradição católica, o Dia da Mãe não era, inicialmente, celebrado em maio, mas sim em dezembro, mais precisamente no dia 8, dia de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira do país.
Porém, as aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos – Lúcia, Jacinta e Francisco – na Cova da Iria a 13 de maio de 1917 deram um maior simbolismo ao mês de maio, que passou a ser conhecido como o mês dedicado a Santa Maria, a mãe de Jesus Cristo.
Assim, as autoridades portuguesas decidiram que o Dia da Mãe deixava de estar ligado a Nossa Senhora da Conceição e passava a estar relacionado com Nossa Senhora de Fátima.
Sendo que as aparições ocorreram a 13 de maio, ficou estabelecido que o Dia da Mãe em Portugal seria celebrado no primeiro domingo do mês para não entrar em conflito com as celebrações em Fátima.