Toda
a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa, é certo: uma
vogal,
uma consoante, quase nada.
Mas faz-me falta. Só eu
sei
a falta que me faz.
Por isso a procurava com
obstinação.
Só
ela me podia defender
do frio de janeiro, da estiagem
do
verão. Uma sílaba,
Uma única sílaba.
A salvação.
Foi
com este poema de Eugénio de Andrade que a Dra Celeste Alves iniciou
a apresentação do meu livro Quando o mel escorre nas searas,
apresentação que decorreu, como aqui anunciara, na livraria
Flâneur, um espaço muito agradável que abriu há relativamente
pouco tempo, na minha rua.
Foi belíssima a apresentação, muito generosa relativamente à minha poesia,que por certo não merece tanto.
Quando os amigos me felicitaram no fim, fizeram-no em relação ao livro(o
que eventualmente poderia ser um simples gesto de cortesia) mas também
pela escolha da apresentadora.
Com
a sua autorização transcrevo um excerto dessa apresentação
(...)A
junção imprevista destas duas realidades – o mel a escorrer nas
searas - força-nos, pela sua estranheza, a uma paragem. Na
realidade, é com um olhar mais atento que penetramos em vários
ambientes de tudo o que nos rodeia, especialmente na natureza. É
sobretudo nela que a autora se compraz, dissecando vivências e
memórias. Ex:
A
primavera não tarda.
Um
manto branco cobre a ladeira.
Flores
de amendoeira,
Ledas´,
Leves,
Breves.
A
primavera vai alta.
Uma
capa de verde veludo
Cobre
o amendruco
Doce,
Tenro,
Imberbe.
Pleno
o verão
A
capa de veludo muito coçada,
A
amêndoa já grada.
Fruto
Adulto,
Maduro.
Oculto
dentro da casca, o grão.
À
semelhança de Eugénio de Andrade que busca uma sílaba, também
aqui é de forma meticulosa que a autora se detém nas coisas,
fazendo chegar até nós pormenores de toda a espécie. Como? Através
de quadros, na maioria campestres donde emanam cores, cheiros e sons,
e recordações – muitas recordações do passado… Memórias que
se presentificam e agarram, talvez como forma de enfrentar a
inelutável voragem do tempo
Estavam
vários amigos, entre eles uma ex-aluna minha que é médica em Bragança, e uma amiga( ainda família embora afastada) que veio da aldeia. Alguns amigos levaram “outros amigos também”
O
meu filho mais novo,bem com a família, não puderam estar: o José
teve um torneio de basquete e a Marta teve uma festa de uma
amiguinha.
Mas estiveram o meu filho mais velho , a minha nora e os filhos.
No
fim ofereceram-me um ramo de biscoitos, representando flores, obra da
minha nora que, como hobbie, faz coisas muito giras na área de
bolos, cup cakes, etc
Na
passada sexta feira fomos( eu, marido, um casal de primos) ao 157º
Jantar de Amizade UNICEPE, cujo programa incluía Fado de Coimbra, por
elementos da Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade do
Porto. O
jantar foi num restaurante que eu não conhecia, Porto e Vírgula, bem perto da Unicepe.
Neste tipo de situações aprecio mais os eventos ( e neste caso gosto muito de fado de Coimbra) e o convívio do que a comida, mas esta estava muito bem confecionada. Não contei as pessoas mas seríamos à volta de 40. Findo o jantar deslocámo-nos até à Unicepe (felizmente nessa altura chovia pouco) onde, na sala decorrem muitas vezes exposições, assistimos á sessão de fados. Tirei uma foto com o telemóvel mas ficou muito fraca. Vêem-se, embora mal, dois quadros da exposição ali patente. Num dos fados, Samaritana, pediram-nos que acompanhássemos no refrão. Apesar de rouca não resisti mas acho que teria sido melhor termos ficado calados a ouvi-los....
Deixo-vos com dois dos trechos ali cantados e tocados, nomeadamente a belíssima Balada de Coimbra de Carlos Paredes
Quando
comecei a escrever esta mensagem recordei o Dr. Armando Carvalho
Homem (ACH), meu saudoso orientador de estágio com quem muito
aprendi, não só como estagiária em 1969/70 mas também como
orientadora de estágio a partir de outubro de 1971 em que, por sua
indicação, fui substituí-lo na orientação de estágio, enquanto
ele ascendia a Metodólogo Itinerante, lugar que "partilhava"
com Rómulo de Carvalho. Excelente professor, excelente orientador,
tocava fado de Coimbra e fez algumas composições.
Ao
pesquisar na NET encontrei aqui (http://guitarrasdecoimbra.blogspot.pt/2008/10/armando-de-carvalho-homem-1923-1991.html) umas
notas biográficas escritas por um dos seus filhos, que seguiu as
pisadas do pai, no campo musical. Deixo
alguns excertos
(...)
É assim que, nos restantes anos de Coimbra (até 1948), ACH elabora
as suas «Variações em ré menor» e «em lá menor», a «Valsa em
lá menor n.º 1» e a «Miscelânea em Lá» (arranjo, sobre temas
de Artur Paredes e João Bagão)(...) Mas
a vida prática fazia entretanto valer os seus direitos: licenciado
na época de Outubro de 1945, ACH já não pôde ingressar de
imediato no Estágio Pedagógico. 1945/46 será assim ano de ensino
num Colégio particular, na Régua(...) 1946/47 e 1947/48 serão
tempos de regresso a Coimbra, estagiário no Liceu Normal D. João
III, aluno de Ciências Pedagógicas na Faculdade de
Letras. Concluído o Exame de Estado, atinge a situação de
agregado do 7.º Grupo dos Liceus (1948), é colocado no Liceu Passos
Manuel e, meses depois, como resultado do concurso para
professor auxiliar, é transferido para o Liceu Alexandre Herculano
e aí permanecerá até ao termo de 1948/49. Em 1949/50
inicia funções no Liceu Nacional de Viseu
Os
tempos de Viseu permitirão alguma continuidade das lides
guitarrísticas (...) cria-se a Associação dos Antigos Alunos do
Liceu Nacional de Viseu, de que é um dos fundadores e membro dos
primeiros Corpos Gerentes; e nos seus anos de arranque a novel
colectividade realiza regularmente saraus académicos; ACH está
logicamente na linha da frente para os indispensáveis «Fados e
Guitarradas de Coimbra" ....
Os
anos de 1956/57 e de 57/58 serão de total paragem musical. Colocado
em Ponta Delgada no primeiro daqueles anos (e ascendendo então a
professor efectivo dos Liceus, 7.º Grupo), na viagem de barco para
os Açores, um acidente destruiu a guitarra (obra do construtor RAUL
SIMÕES), tornando musicalmente infrutífero o reencontro açoreano
com Eduardo Tavares de Melo(...)
Braga,
onde ensinou no ano subsequente, não foi ainda o lugar nem o momento
de remediar o desastre.
O
Porto, para onde se transferiu em 1958 (novamente para o Liceu
Alexandre Herculano onde ensinou até à reforma), seria a urbe do
renascer dos dedos: em princípios de 1959 adquiriu uma nova guitarra
na CASA DUARTE ; o instrumento acabou por revelar-se dos melhores que
daqueles construtores (há muito desactivados) algum dia saíram,
isto segundo testemunhos múltiplos(...) E
foi o paulatino retomar da execução, na solidão do seu escritório
pessoal. Só nos Verões de 1963 a 1965, de férias em Espinho,
voltou a ter algum contacto mínimo com outros instrumentistas e
cantores, no âmbito das confraternizações de final de Agosto que
alguns espinhenses ilustres organizavam no termo do mês de
Agosto(...)
E
não mais do que isso: raros continuaram a ser os contactos musicais
exteriores de ACH. Até
porque, estudantilmente, a conjuntura post-1969 (e, concretamente no
Porto, post-1971) pouco ou nada motivava. E profissionalmente ACH
tornara-se orientador de Estágios (1969-1976) e mais tarde
(1975-1978) Vice-Presidente do Conselho Directivo da sua Escola; e
ainda em 1980-1982 integraria uma Comissão para a Revisão dos
Programas de Física, nomeada pelo ministro Vítor Crespo. A timidez
e a natural discrição em tudo quanto à sua arte dizia respeito
faziam o resto… Musicalmente,
algo entretanto iria mudar, mas apenas a partir de 1977. A esse
tempo, a sensação de que algo estava a querer renascer levava, aqui
e além, ao reflorescimento de pequenas tertúlias (...) ACH
recebeu com entusiasmo a notícia da realização do 1.º Seminário
sobre o Fado de Coimbra, em Maio de 1978. Entusiasticamente lá
compareceu (...) Foi na
sequência deste Seminário que compôs as suas «Variações em
mimenor» que podem ser ouvidas aqui (https://vimeo.com/7133062),
na base da alternância tónica/dominante (começo e fim em Sol M,
desenvolvimento central em mi m, segundo o ‘paradigma’ da peça
de Artur Paredes no mesmo tom); surgirá também a «Valsa em lá
menor n.º 2» ; a veia criadora, inactiva desde os anos
40, ressurgia(...)
Os
acasos de um destino irão porventura conferir uma notoriedade
musical póstuma a quem, dos anos 50 aos 80, essencialmente procurou
ser um competente profissional do ensino da Física e da Química a
jovens estudantes liceais
Falta pouco mais de uma semana para a apresentação, no Porto, do meu novo livro Quando o mel escorre nas searas. Será no sábado, dia 20, às 17 horas, na Livraria Flâneur , (http://www.flaneur.pt/sobre/ )um espaço muito acolhedor que abriu, há pouco tempo, no 225-229 da minha rua- Rua Ribeiro de Sousa. Aqui fica o convite
Do livro deixo a imagem da capa e dois poemas
Ano
após ano,
o
mel escorre nas planícies.
Cobre
o verde das searas,
que
ressurge em cada primavera,
florescente
e breve.
Van
Gogh imortalizou-as
em
perenes pinceladas.
Nas
searas de Vang Gogh
o
verão será eterno,
sem
lugar ao render das estações.
Museu
Hermitage.
Em
tons rosados,
bailarinas
desnudas
dançam,
frenéticas,
por
entre verde e azul.
Da
tela de Matisse
desprendem-se
acordes de Stravinsky.
Termino com um excerto Sagração da Primavera de Stravinsky por Pina Bausch
Está
patente ao público, na Galeria Municipal Almeida Garrett, no Porto,
desde 05 de dezembro de 2015, a exposição "A Felicidade em
Júlio Pomar" que terminará a 21 deste mês.
Pode ler-se no folheto que a exposição se divide em quatro núcleos: “os mitos e
as figuras alegóricas; a articulação entre os corpos e o seu
erotismo; o movimento e a presença constante de animais, em
particular de cavalos; e um conjunto especial que se reporta direta e
indiretamente aos posicionamentos políticos e as lutas travadas por
este artista ao longo da sua carreira, incluindo o episódio que
envolve o Cinema Batalha”.
Outros trechos do folheto:
A
convicção de que muitas pessoas infelizes poderiam tornar-se
felizes graças a um esforço bem dirigido, levou Bertrand Russell a
escrever o livro A conquista da felicidade.
Hoje
passei pela exposição. Gostei imenso ; podia fotografar-se,
desde que sem flash . Deixo duas fotos tiradas com o meu celular.
Pegando
no termo felicidade, creio que a felicidade completa é uma utopia.
Poderá alguém ser completamente feliz num mundo onde há tanta
injustiça, sofrimento, dor,…?
Genericamente
considero-me feliz, uma vez que me sinto privilegiada pois tenho
saúde, uma família em que os afetos desempenham um papel
primordial, não tenho problemas de maior…. Considero também que
me ajuda uma certa filosofia de vida “valorizar os momentos bons e
tentar subestimar os maus”.
Ora
hoje foi um dia cheio de momentos bons. Dois dos meus netos dormiram
em minha casa ( ao fim de semana acontece com alguma frequência, mas
durante a semana, não).
Pus
o despertador para as 7,30 mas às 7,20 fui acordada pela mais
pequenina. Hoje era o dia do Cortejo de Carnaval no Infantário e ela
estava um pouco excitada com a sua fantasia de “Sininho”. Fomos
tomar o pequeno almoço, aguardando a hora de acordar o irmão. Logo
que este acordou arranjou-se e foi tomar o seu pequeno almoço, que
já estava preparado na cozinha. Entretanto fui vestir a fantasia à
Marta.
Às
8h chegou o pai para os levar: para a escola o José, para o
infantário, a Marta.
O
cortejo deveria iniciar-se às 10h. Cheguei ao portão da escola por
volta dessa hora mas o cortejo só saiu por volta das 10, 20.
Acompanhei-o
até ao fim, de mão dada com a minha neta, pois uma das educadoras
sugeriu que os familiares que acompanhavam as crianças mais novas,
dessem esse apoio. Ela ia feliz .
Estando
na zona da Boavista aproveitei para passar pela Biblioteca Almeida
Garrett para ver a exposição acima referida. De seguida, e como
precisava de ir buscar uns livros que me tinham deixado na Unicepe, fui lá.
A
Unicepe foi fundada em 1963
Quando
aluna universitária ia ali com alguma frequência pois ficava ( e
fica ainda) mesmo em frente ao edifício da Reitoria, onde na altura
funcionava a Faculdade de Ciências. Já há muitos anos que ali não
ia. Foi muito agradável a conversa que tive com o Dr. Rui Vaz Pinto,
conversa que se centrou em torno de um tema grato a ambos-a poesia
A
caminho da Unicepe recebi um telefonema da Tubitek avisando-me da
chegada de um disco que tinha encomendado. Trata-se de um disco de
Juliette Gréco que entre outras canções contém sous le ciel de
Paris
https://www.youtube.com/watch?v=fNBO0pYyKKI
Tentei
comprar qualquer disco da cantora e pesquisei na NET. Na FNAC
on-line havia vários mas, quando me dirigi a Santa Catarina, o
empregado, pouco simpático, disse-me que estar on-line não
significava existir nas lojas (o que é óbvio) mas não fez o mínimo
esforço para mo arranjar dizendo que nunca chegaria antes de um mês.
Dirigi-me então à Tubitek e o atendimento foi totalmente diferente.
O senhor, na minha presença, fez uma série de telefonemas e
conseguiu que o disco chegasse a tempo (precisava dele para uma oferta
de aniversário, amanhã).
Logo
que saí da Unicepe fui buscar o disco. Ao passar por uma sapataria
onde gosto de comprar, encontrei em saldo, por 35 euros (60% de
desconto), uns botins muito confortáveis, tamanho único,
precisamente o nº 35...
O
dia a correr tão bem….
Saída da Tubitek, fui para a paragem de
autocarro em frente, esperar o 302. Ando muito pouco de autocarro mas
como transportava uma saca com livros, muito pesada, não arrisquei fazer o percurso para casa a pé. Das poucas vezes que naquela
paragem esperei o 302, demorou sempre cerca de 40 min (embora esteja
prevista a passagem de 12 em 12 min…). Parecia estar mesmo em
maré de sorte... Passados 15 min chegou, mas só ia até à
Boavista….Ali, apanharia o 402, que também anuncia passagens de 12
em 12 minutos. Mas os 12 minutos converteram-se em mais de 30… As
pessoas desesperavam mas, felizmente, eu não tinha horários a
cumprir.
Tinha
deixado o almoço pronto. Da paragem liguei para casa avisando que
não fazia ideia da hora a que iria chegar. Cheguei a casa eram quase
14 h, o meu marido estava a acabar de almoçar.
Um
pequeno contratempo, comparado com o resto do dia.
No próximo dia 6, a banda Proud Creedence, de que o meu filho Nuno faz parte, vaia atuar no Mary Sopt Vintage, em Matosinhos. O concerto está marcado para as 23,30 h.
Trata-se de uma banda tributo aos Creedence Clearwater Revival, banda americana do início dos anos 70 cujas músicas mais conhecidas são Proud Mary ou Have you ever seen the rain.
Quando o mel escorre
nas searas é o título do meu novo de livro de poesia, que acaba de
me chegar às mãos, editado pela Lua de Marfim
Foi a mesma editora que
publicou Entre Margens e tem vindo a publicar a coleção Novilúnio, Sete poemas de Sete autores, que integro no volume I.
O novo livro
integra-se também numa coleção, Meia Lua, que já vai
no 9º livro
Numa das últimas mensagens, referi uma
autora cuja poesia conheci há pouco. Trata-se de Graça Pires e um
dos seus livros, Caderno de Significados, é o 5º da referida
coleção.
Gosto muito da sua
poesia. Deixo dois poemas do referido livro.
O 1º poema fez-me viajar até à minha infância. Também a minha boneca de papelão se desfez na água, o que inspirou um dos poemas do meu livro para crianças Ciência parar meninos em poemas pequeninos.
Relativamente ao meu novo livro deixo também dois poemas.
Na sequência dos
poemas termino com uma seara de Van Gogh, e Verão de Vivaldi
Provavelmente muitos viram O Estranho Caso de Benjamin Button, filme realizado por David Fincher, em 2008. baseado no conto homónimo escrito por F. Scott Fitzgerald, na década de 20 do século passado. Conta a história de Benjamin Button, nascido em 1918, após o final da 2.ª Guerra Mundial. A sua mãe morre no parto e o pai vê-se sozinho com um bebé invulgar, com o aspeto e com as doenças de um velho de 80 anos. Incapaz de lidar com a situação, abandona-o às portas de um orfanato onde lhe dão o nome de Benjamin. À medida que o tempo avança Benjamin começa a rejuvenescer e o filme relata as peripécias, os encontros e os desencontros que trazem esse desenvolvimento inverso. Pode ser visto aqui, mas entretanto deixo este trailer
https://www.youtube.com/watch?v=p8ucIL2tLLo
As
equações que descrevem as leis que regem o Universo são
reversíveis, ou seja, podem igualmente descrever eventos que se
desenrolam do passado para o futuro ou do futuro para
o passado, sem distinção. No entanto, muitos acontecimentos da nossa vida quotidiana são irreversíveis, só ocorrem num
sentido. Se introduzirmos um copo com água quente dentro de um
recipiente com água fria, a água do copo irá arrefecer e a do
recipiente aquecer até ficarem à mesma temperatura. Neste processo
há transferência de energia da água mais quente para a mais fria.
Mas porque razão não ocorre transferência de energia da água mais
fria para a mais quente ficando esta ainda mais quente a a outra
ainda mais fria?. Se filmarmos a queda de um copo até se
estilhaçar no chão e se de seguida passarmos o filme para trás,
veremos a recomposição do copo o que, na realidade, não acontece. Há
algo que nos indica de forma natural se o tempo avança ou retrocede.
O tempo, tal e qual o percebemos, move-se do passado para o futuro e
não em sentido contrário.
Em 1920, o astrónomo Arthur Eddington
estabeleceu a designação “seta do tempo” para descrever esta
irreversibilidade, que está relacionada com a grandeza física
entropia, ligada ao “grau de desorganização” dos sistemas. Na
Física há várias leis de conservação (da massa, da energia, do
momento linear, do momento angular,….). A entropia não obedece a
uma lei de conservação.
A seta do tempo é consequência imediata
da 2ª lei da termodinâmica, segundo a qual a entropia média nunca
diminui. pois tende sempre a aumentar
(...)É
pois de acordo com esta definição termodinâmica de tempo, que à
medida que avançamos, nos vamos olhando ao espelho e vendo que tudo
o que começou num estado organizado, se vai decompondo lentamente,
até alcançar um estado caracterizado pela maior desorganização de
tudo. Dada a tão óbvia e observável evolução humana ao longo da
flecha do tempo seria provável alguém pensar sobre uma hipótese
que a contrariasse? Não seria provável, mas como tudo no universo
acontece porque existem infinitas possibilidades de concretização
(de acordo com a Lei de Murphy) isso acabou por acontecer.
(...)O
trio de cientistas Julian Barbour de Oxford, Tim Koslowski da
Universidade de New Brunswick e Flavio Mercati do Instituto de Física
Teórica de Perimeter começaram a estudar uma nova hipótese de
flecha do tempo, não baseada na termodinâmica (como aquela que é
aceite atualmente) mas baseada na gravidade, sendo que defendem que
aquilo que é verdadeiramente indiscutível sobre as leis da física
é que elas são exatamente as mesmas independentemente da direção
em que o tempo corre.
Ao
elaborarem a presente teoria este trio de cientistas conseguiu chegar
mais perto da noção de que existem diferentes futuros, passados e
presentes, dada a co-existência de universos
paralelos,
gerados no mesmo momento e da mesma fonte, em que tudo está a
acontecer simultaneamente. Todavia, os observadores desses
acontecimentos (quem vive nesses universos) percecionam-nos de uma
forma única, vivenciando apenas a seta
do tempo que é característica desse universo e não sendo possível
ter a noção da existência de outras realidades noutros universos
paralelos. A
teoria dos multiversos – ou universos paralelos – apesar da sua
complexidade e exigência constitui-se assim, como uma teoria de
esperança, que nos permite pensar que a existência não é apenas o
que vemos e o que tocamos, mas sim, paralelamente, algo mais que não
se vê, não se toca, mas que está simultaneamente a acontecer.
A
curiosidade e necessidade de compreender o mundo que nos rodeia
leva-nos a não desistir de tentar cada vez mais, perceber
verdadeiramente em que devemos acreditar. Sim, porque todos nós
precisamos de acreditar em algo. Seja um Deus criador, seja um
universo gerado através do Big Bang, seja a existência de
multiversos que permitem que a flecha do tempo não corra só para a
frente. Precisamos de acreditar para nos sentirmos parte da criação.
A
propósito da teoria dos universos paralelos sugiro este artigo
e este vídeo com comentários de um dos grandes físicos da atualidade, Michiu Kaku
https://www.youtube.com/watch?v=bXWS3Tc9q1w
Poderia
argumentar-se que estes conceitos resultam de estudos e simulações
meramente no campo teórico, mas surgiriam de imediato contra
argumentos fortes. Einstein previu a dilatação do tempo e a
contração do espaço bem como a curvatura da luz pela gravidade,
conceitos bizarros para a época, mas que a experiência viria a
confirmar. Com os universos paralelos poderá acontecer algo
semelhante. O facto de vivermos num mundo a 3
dimensões ( e uma 4ª o tempo) não nos
permite percecionar outras dimensões. A
animação que segue, ajuda-nos a perceber essa impossibilidade
Mas o tempo é um enigma não apenas para os físicos...
(...)O que é o presente? É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem. Eu quero só a realidade, as cousas sem presente. (...)Não quero incluir o tempo no meu esquema. Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas como cousas(...)
Alberto Caeiro.
Tempo Revisitado
O tempo a que sempre regressamos e nos visita um instante O tempo que depois destruímos construímos e alimentamos se nos alimenta O tempo onde a luz buscamos e a morte sempre encontramos Casimiro de Brito
(...)Esta noite voltei à minha infância: menina rosada de sonhos nos bolsos, bailarina de corda na caixinha de som. À infância regressa-se solitariamente, subindo um rio sem margens, até ao lugar em que a nascente se confunde com o tempo e o tempo se transforma em espanto(...).
Graça Pires
( Só há pouco tempo tomei conhecimento da poesia de Graça Pires, mas poderão encontrá-la aqui
Será
que existe algures, ainda que volátil e etérea,
uma
memória do tempo antes do tempo?
Será
que essa memória se propagou e difratou,
qual
onda,
gerando
padrões de interferência
num
qualquer universo?
Donde
vem o tempo que não tem reverso,
e
se escoa nos meandros da memória ?
Para
onde vai o tempo onde pulsa imerso o passado,
mas
também o futuro e presente
que
são amalgamados pela história?
Enigma
profundo, o tempo.
Será
um ser imponderável ou será um não ser,
pura
invenção da mente?
Tudo
isso, que importa?
Beija-me
o sol que entra pela vidraça
porventura
alheio ao tempo que passa.
Regina Gouveia (em Entre Margens)
Inspirada na frase de Hugo von Hofmannsthal termino com música, Roda viva de Chico Buarque e Poema Sinfónico D. Juan de Richard Strauss, com quem colaborou von Hoffmannsthal
https://www.youtube.com/watch?v=IpAR9DlQV6o
(...)Tem
dias que a gente se sente
Como
quem partiu ou morreu
A
gente estancou de repente
Ou
foi o mundo então que cresceu(...)
Até 10 de Janeiro de 2010 esteve patente na Casa da Cultura Manuel Lueiro, em O Grove, Galiza, uma exposição de trabalhos de alunos da galeria Utopia .
Participei com os dois trabalhos anexos; no dia da inauguração tive a agradável surpresa de ver que o cartaz (1mx2m) que anuncia a exposição foi construído com a imagem do 2º quadro.
Quadros na exposição em Grove
Imagem que figura no cartaz
cartaz da exposição em Grove
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Há ciência e poesia nas coisas do dia a dia
Tamanho XXS
Quando o mistério se dilui na penumbra
Para mais tarde recordar
Requiem pelo planeta azul
quando o mel escorre nas searas
revista Philos 2017
revista Philos 2014
O bosão do João
Sete Luas
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Terras de cieiro
Entre margens
Pelo sistema solar vamos todos viajar..
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Breve história da Química
Era uma vez...
Magnetismo...
Reflexões...
Estórias....
Se eu não fosse....
Um poema para Fiama
Os dias do Amor
Uma viagem para Pasárgada
Cancioneiro Infanto- Juvenil...
Fiat Lux
O amor em visita
A Terra de Duas Línguas II.Antologia de Autores Transmontanos
Por longos dias, longos anos, fui silêncio
antologia
Entre o sono e o sonho
Textos on-line
Estão disponíveis on-line: -Magnetismo Terrestre (livro de poesia) -Reflexões e Interferências (livro de poesia) -Estórias com sabor a nordeste (livro de ficção) -Einstein (poema) -Se eu não fosse professora de Física. Algumas reflexões sobre práticas lectivas(didáctica) -Vou-me embora para Pasárgada (conto)
Como todos nós, feita de pó de estrelas, estou apenas de passagem nesta fantástica viagem desde um passado remoto até um futuro ignoto.
(Para saber mais consultar a página CV)