Se habitualmente já tenho o tempo bastante preenchido, nos últimos dias tenho andado numa "roda viva". Mas citando o brasileiro Hermes Fernandes,prefiro o estresse ao tédio, o ativismo ao ócio, a frustração de não ter conseguido à de não ter sequer tentado.
Mas vamos à "roda viva" No dia 4 de junho fui à Escola Carolina Michaëlis, a convite da professora do 4ºano. Entre os 22 alunos encontra-se o meu neto José, que para ali foi transferido no último período do 3º ano. Recordo o que em tempos escrevi a propósito dessa transferência
Sei de um aluno do 1º ciclo, numa escola pública, cuja professora ,
ainda nova, sempre o caracterizou como uma criança irrequieta (não
no sentido de travessa, mas significando precisamente o ter dificuldade em
estar quieta), desconcentrada, um pouco infantil, mas meiga e educada ( o que
corresponde à realidade).
A forma que esta professora encontrou para atenuar a
irrequietude foi retirar-lhe, por vezes durante semanas seguidas, todos
os intervalos (inclusive o de almoço) e obrigá-lo, sempre que podia gozar do
intervalo, a falar e brincar apenas com meninas, ficando impedido de conversar
com os colegas do sexo masculino
Não teve sucesso com nenhuma das práticas mas insistiu sempre
até que o encarregado de educação, que várias vezes a abordou no sentido de
repensar tais atuações, optou por mudar a criança de escola. Para além
disso , a segunda prática gerou um comportamento de delação por parte das
meninas, sempre que o aluno falava com rapazes.
Face à infantilidade, uma das medidas que adotou foi colocar-lhe
uma chupeta na boca, dentro da sala de aula, humilhando-o perante todos os
colegas.
A professora tem tido muito sucesso com a aprendizagem de
conteúdos por parte dos alunos, incluindo o aluno em causa. Isso não faz dela
uma boa professora. Esta professora precisava urgentemente de uma formação para
evitar que continue a adotar práticas aberrantes com os seus alunos. E
provavelmente quem a “formou”precisaria também de formação..
Trata-se de uma escola pública mas conheço relatos de situações
diferentes, mas tão graves quanto estas, que têm lugar em escolas privadas. Mas regresso à minha visita à escola. Tratando-se do fim de um ciclo, ofereci a cada menino um pequeno "livro" com o poema Era uma vez...o mar (do meu livro Era uma vez.... ciência e poesia no reino da fantasia).
Seleccionei alguns excertos do texto que os alunos iam lendo(todos os alunos leram). De vez em quando e, como acontece em todas as visitas a escolas, fazia uma paragem para realizar uma experiência alusiva ao texto.
Correu muito bem e os alunos não mostravam o mínimo interesse em sair da sala. Queriam sempre mais...
O José teve alguma dificuldade de integração com os colegas pois, na escola anterior, esteve quase três anos impedido de brincar com os amigos, nos recreios, Aproveitando a minha ida à escola, decidi convidar todos os colegas para um convívio em minha casa no dia 10 de Junho
Mas ao convívio, volto mais tarde.
Logo no dia seguinte ao da visita à escola, fui ao ISEP pois recebi uma menção honrosa no concurso "Reciclar é uma arte" a que aqui fiz referência em janeiro. Deixo imagens do catálogo da exposição e do trabalho, bem como o texto que o acompanhou
Sobre o trabalho
O homem é um produtor
de resíduos, mas a produção dos mesmos é
tanto maior quanto maior o consumismo, que tem vindo a aumentar de forma
exponencial na maior parte dos países ditos “desenvolvidos”. As consequências
para o ambiente são altamente preocupantes, daí a necessidade de um
desenvolvimento sustentável que assegure bem-estar, não só à atual geração mas
também às gerações futuras.
A reciclagem, transformando materiais usados em
novos produtos para o consumo, é uma das práticas que têm vindo a ser
desenvolvidas com vista a permitir que o crescimento seja acompanhado de qualidade de vida, sob os
pontos de vista económico, ambiental, social e cultural.
Fazer arte
utilizando resíduos “inúteis” é também uma forma de contribuir para que o
desenvolvimento almejado se transforme em realidade. No trabalho foram usados
desperdícios de persiana e pedaços de rolos de cartão. Os primeiros viveram,
devassados por olhares indiferentes, numa qualquer fachada, de uma qualquer
casa, contribuindo para o conforto das pessoas que ali moravam. Envelheceram
com o tempo e o seu destino foi uma lixeira.
Os rolos de
cartão viveram numa loja de tecidos, ocultos sob metros de panos dos mais
variados em cor, em textura, em desenho. Logo que esgotado o tecido, exposta a
sua nudez, tornaram-se inúteis. O seu destino poderia ter sido uma lixeira ou a
reciclagem, dependendo da consciência ecológica de quem tomasse a decisão.
Li algures uma
frase de um artista “Arte é tudo o que me toca e que me motiva a fazer coisas
que possam atingir estética e emocionalmente outras pessoas”
Não sei porquê
os desperdícios de persiana tocaram-me...Sobre eles fui derramando tintas. Não
mais seriam as velhas persianas duma qualquer fachada, ignoradas por olhares
indiferentes. Seriam a fachada, que a minha mão, manejando o pincel, cobriria
de acrílico.
Também os rolos
de cartão, nus, encostados num canto da loja, me tocaram. Eram belos na sua
nudez. Que melhor moldura para o meu trabalho?
No dia seguinte, sábado, dia 6, teve lugar, no Coliseu o sarau de encerramento do Porto de Atividades, uma festa onde participaram os 16 agrupamentos de escolas, através de atuações muito interessantes. O espetáculo, cujo o tema foram as profissões, destacou-se pela criatividade e expressão artistica, tendo sido os alunos de jardim de infância e 1º ciclo do ensino básico que frequentam as atividades de enriquecimento curricular, os artistas principais.
Os alunos do Carolina, vestidos de cozinheiros, apresentaram uma coreografia de que gostei bastante. Mas todas elas tiveram bastante qualidade. Podem ver aqui imagens de atuações doutros agrupamentos de escolas
O evento terminou por volta das 13h.
À tarde ultimei os preparativos para a "animação" da festa do 6º aniversário do meu neto Bernardo que nasceu a 1 de junho. Como calhou à segunda feira, só pôde comemorar com os amigos, no dia 7.
Já tive oportunidade de referir que este meu neto tem um autêntico fascínio por tudo o que se relacione com animais. Desta vez o tema da festa foi o mar.
Os pais(muito em especial a mãe) e a irmã decoraram a casa com crepon simulando algas, com imagens de peixes, luz azul, etc. Um dos bolos ( e digo um porque a minha nora fez e decorou 3 bolos: uma para uma breve comemoração na escola, outro para a festa em família e o terceiro para a festa da crianças onde estiveram presentes 16 das 18 que constituem a turma). Aqui ficam imagens do terceiro bolo e das bolachinhas com que foram presenteadas as crianças (podem ver mais imagens aqui)
Para a animação da festa o tema teria que ser também o mar. Numa Arca de Noé faltavam casais de animais marinhos. Toca a encontrá-los e a colocá-los na arca tendo cuidado com os "intrusos"....
Na NET encontrei várias imagens de animais (24 espécies diferentes) que imprimi e colei em cartão (aqui ficam algumas) As imagens foram espalhadas pelo jardim, nos sítios mais variados. De um saco, os alunos tiravam, ao acaso, um papel com o nome da espécie a procurar. Alguém lhe lia o nome e mostrava a espécie num cartaz. Logo que encontrassem um casal teriam que o colocar na arca e simultaneamente escrever o nome num quadro magnético (copiando o nome escrito no papel retirado (isto porque a maior parte ainda não sabe ler). Depois tiravam do saco o nome de um outro ser, etc, etc.
Adoraram o jogo que teve que ser interrompido por ter chegado a hora do lanche. Havia mais um jogo previsto mas não foi necessário.
Além deste jogos houve futebol para os meninos, pois as meninas preferiram as bonecas...
Entre as meninas estava uma com trissomia 21 que não costuma ir às festas por serem habitualmente em espaços mais propícios a contaminação por vírus, bactérias, etc. Chamava-me tia...Uma doçura de criança.
No dia 9, toca a preparar o convívio para os colegas do meu neto José, o tal convívio a que me referi anteriormente
Aqui vai o programa
1-Sessão de Magias
2-Constituição de grupos por
sorteio. (Após constituído, cada
grupo escolherá um nome)
3-Atividades rotativas pelos
grupos
A-Lançamento de foguetões
B-Alfabeto cifrado
C-Atividades variadas
Intervalo para Lanche
4.Atividade final- Caça ao tesouro
Das 22 crianças da turma, apareceram 12 ( algumas tinham atividades desportivas nesse dia) ou seja, estiveram 14 crianças contando com os meus netos mais novos (a mais velha tinha que estudar para um teste 5ª feira).
A minha nora e o meu filho apareceram logo de manhã para ajudar
Como receámos que a chuva nos pregasse uma partida, começámos pela caça ao tesouro que tinha que ser ao ar livre. Cada grupo, tendo em conta a planta do espaço exterior e sabendo para que lado está o mar, tinha que seguir as dicas referenciadas pelos rosa dos ventos, até encontrar o tesouro (um copinho com gomas para cada um) De seguida o meu filho fez com as crianças uma atividade muito interessante, também de ar livre-o lançamento de foguetões. Enquanto metade das crianças estava nesta tarefa, a outra metade ia, acompanhada por mim e pela minha nora, visitar a cascata nos Bombeiros, junto a minha casa. Seguiu-se um lanche e após o mesmo, só houve tempo para eu fazer algumas "magias" que depois lhes explicava. Após o almoço, tocaram a campaínha. Eram duas coleguinhas do José, que moram perto de minha casa e que vieram convidá-lo para ir brincar para casa delas. Cerca de 2 h depois aparecerem os três mais um amigo das meninas. Estas pediram-me para repetir as magias para o amigo ver.
Não pude convidá-las para ficar mais tempo pois a minha neta Rita ia ter teste de Física e queria certificar-se de que estava bem preparada.
Como o meu filho mais novo e a minha nora tinham uma reunião na 5ª feira de manhã, fora do Porto, os meninos dormiram em minha casa.
Foi uma corrida.Levar os meninos cada um a sua escola e seguir para o Hospital de Santo António pois à 5ª feira de manhã faço voluntariado.
Dado que cheguei mais tarde, decidi que sairia mais tarde para compensar. Estava já para sair quando surgiu um jovem de Hong Kong para ir ao serviço de urgência. Como em terras de cegos quem tem um olho é rei, lá tive eu que ajudar o rapaz, com o meu mau inglês.
Na urgência e porque o jovem não tinha cartão europeu, aconselharam-me a levá-lo a um hospital privado pois ali seria muito dispendioso. Terminei o serviço no HSA mas continuei o voluntariado levando o jovem ao Hospital Lusíadas. Quando cheguei a casa eram quase duas horas da tarde...
Nada melhor para terminar que duas versões de Roda Viva de Chico Buarque
Já há muito que não faço a “reportagem “ das
minhas visitas a escolas. Mas, cada vez mais, o
tempo parece fugir ao meu controle.
No dia 13 estive no Agrupamento de Escolas
de S. Lourenço, em Valongo .De entre as várias atividades incluídas no Plano Anual para 2014/2015 encontrava-se :
Projeto "Ler com Ciência" Breve História
da Química por Regina Gouveia
Escola: Escola Básica de São Lourenço
Data Início:
Estado: Aprovada
5-01-2015
Tipologia: Palestra
Data Término:
20-03-2015
Proponentes: Prof Paula Ferreira
Dinamizadores:
Professores do grupo Física e Química Destinatários:
8º ano
Palestra dada pela Professora Regina Gouveia sobre o
livro "Breve História da Química" dinamizada pelo grupo 510 e a
Biblioteca.
Inicialmente prevista para 20/03 foi adiada
para 6/05 mas, problemas surgidos com umas
provas de avaliação, levaram a um novo adiamento, para 13/05.
Foram 4 sessões, duas de manhã e duas à
tarde. Os alunos fizeram breves encenações do texto e eu, como é habitual, ao
longo da apresentação de alguns excertos do livro, fui fazendo algumas
experiências. Correu muito bem.
Fui muito bem recebida por professores, alunos
e funcionários
Almocei numa das escolas do Agrupamento e, em conversa com professores, soube que frequentam a escola duas jovens
grávidas, uma com treze e outra com quinze anos. Quando estava a sair, já no
fim das quatro sessões, estava no átrio uma jovem com uma criança ao colo rodeada
de alunos, professores, empregados A
professora que me acompanhava perguntou-lhe se a criança era o filho. Não
professora, o meu tem quatro anos este é da minha irmã gémea. Mais dois casos
de mães adolescentes....
Veio-me de imediato à mente um excerto do poema Tchador, do meu livro Reflexões e Interferências
(...) Aquela com onze anos, tão menina,
de uma outra menina já é mãe.
Por certo é a primeira boneca que ela tem.
E nos olhos, em vez de ódio e de revolta, uma
lágrima solta,
enquanto embala a filha
com amor (...).
No dia 15, a pedido da Porto Editora, fui ao Centro escolar de Gandra e Astromil, com o livro Ciência para meninos em poemas pequeninos
A Associação de Pais do Centro Escolar de Gandra e Astromil vai promover juntamente com a Porto Editora uma Feira do Livro nos dias 13, 14 e 15 de Maio no Centro Escolar de Gandra.
Esta feira, irá promover um encontro, para os alunos do 1.º ciclo, com a escritora Regina Gouveia, autora entre outras obras, do livro "Ciências para Meninos em Poemas Pequeninos"(....).
Foram também quatro sessões para cerca de 300 alunos, no total.
Também aqui fui muito bem recebida pela Escola e pela Associação de Pais. De ambas recebi flores em arranjos muito delicados.
No dia 21, ainda a pedido da Porto Editora, fui ao Agrupamento de escolas de Aradas.
Dia 13 de Março estive neste agrupamento mas, porque nesse dia houve uma greve que afetou as escolas, ficaram algumas sessões por realizar.
Estavam previstas 3 sessões, duas de manhã e uma de tarde, mas a da tarde foi desmarcada.
Alguns dos alunos eram muito interessados e colocaram questões interessantes.Como os alunos estiveram sempre envolvidos, saí da primeira sessão e fui diretamente para a segunda (habitualmente tomo qualquer coisa entre as sessões). Quando terminei todo o trabalho, já passava das 13 h.
Ainda não conhecia o funcionário da editora que me "transportou", mas tive a sensação que se propunha vir diretamente para o Porto. Senti que não iria aguentar sem comer qualquer coisa. Como não conhecia bem Aveiro, sugeriu que fôssemos almoçar à Vila da Feira, num restaurante simples mas com pratos bem confecionados. Passava das 14h quando almoçámos, mas foi agradável.
Já em tempos fiz referência à educadora Maria João, do Infantário Barbosa du Bocage, que desenvolve atividades muito interessantes com as crianças.
A seu convite, no dia 27 fui ao infantário falar um pouco sobre o sistema solar que tem vindo a ser explorado com as crianças, A minha neta estava eufórica mas durante a sessão amuou. Queria que toda a minha atenção lhe fosse dedicada....
Uma das iniciativas da educadora tem sido levar à escola pais, avós, para contarem histórias, lendas, contos, etc.
A propósito da Lua, a mãe de uma amiguinha da minha neta, contou a lenda da Vitória Régia, uma lenda do seu país, o México.
Já em tempos tinha lido uma referência à lenda, que deixo aqui resumida. A índia que se transformou em flor A lua, guerreiro forte, quando se escondia detrás das montanhas, levava consigo as jovens mais bonitas que transformava em estrelas. A índia Naiá, da tribo tupi- guarani, desejava muito ser estrela pelo que perseguia a lua, subindo e descendo as montanhas Mas a lua não a levava nem a transformava em estrela. Numa noite de lua cheia, ao ver a imagem
da lua refletida num lago, a índia atirou-se à água, acabando por se afogar. Nunca mais foi vista. No lago surgiram umas plantas da família Nymphaeaceae, família a que pertencem também os lótus e os nenúfares. Dão uma flor branca, enorme, chamada Vitória Régia, que só abre à noite para ser iluminada pela luz do luar.
Os tupi guarani acreditavam que as flores que nasciam na Vitória-régia
significavam o renascer de Naiá. Por isso, a planta é também conhecida como
“estrela das águas”, em homenagem à índia.
E por falar em nenúfares, neste site pode encontrar-se uma das várias telas que Monet pintou com nenúfares bem como um filme de 1915 em que está a pintar uma dessas telas
Deixo também uma entrevista a Wim Wenders, a propósito do filme. O som não é famoso...
Sebastião Salgado, um dos mais reconhecidos
e premiados fotógrafos brasileiros da actualidade, regressa a Lisboa para
apresentar Génesis, o seu mais recente trabalho.
Numa parceria entre a Câmara Municipal de
Lisboa, a EGEAC e a Terra Esplêndida, Génesis abre ao público no Torreão
Nascente da Cordoaria Nacional no dia 10 de Abril, onde estará patente até 2 de
Agosto de 2015.
Dedicada aos últimos redutos naturais e
humanos de um planeta ameaçado, esta exposição é composta por mais de duas
centenas de fotografias, fruto de 8 anos de trabalho e de mais de 30 viagens
por diversas partes do globo.
No seu estilo muito característico, que lhe
valeu a admiração do público, recorrendo a imagens a preto e branco de grande
formato, com enorme impacto e beleza, Génesis constitui simultaneamente uma
sentida homenagem ao planeta Terra e um alerta para a urgente necessidade de o
preservar.
Organizada em 5 secções, Sul do Planeta,
África, Santuários, Terras a Norte e Amazónia e Pantanal – cinco ecossistemas,
em sentido lato, que Sebastião Salgado e a curadora da exposição, Lélia Wanik
Salgado, consideraram melhor traduzirem as dinâmicas da natureza –, Génesis
apresenta ao público ambientes que até agora conseguiram escapar às
transformações impostas pela sociedade moderna, continuando assim quase
intactos.
Sobre a exposição Génesis, uma carta de
amor ao planeta, podemos encontrar muitas referências como esta que apresenta cerca de 30 fotos e onde pode
ler-se
Uma carta de amor ao nosso planeta,
"escrita" não com as letras do alfabeto mas com as imagens: eis as
novas fotografias de Sebastião Salgado, reveladas num preto e branco de tons
acentuados, que mostram a beleza da Terra no seu esplendor primordial.
Neste outro site podemos ver um vídeo muito interessante, tal como
Hoje
de manhã passei pela Livraria Académica para cumprimentar Nuno Canavez
pelo seu 80º aniversário, ocorrido no
passado dia 8. Tomei conhecimento do facto, através da revista As Artes entre as
Letras de que sou assinante, revista que lhe dedicou algumas páginas do seu
último número. Deixo alguns excertos
Conheci-o já há alguns anos. Sabe de livros
como poucos. Herdei do meu pai A Criação do Mundo, de Torga, mas sem um dos
volumes. Já tinha procurado encontrá-lo em alfarrabistas, feiras, etc, mas sem resultado. Quando conheci Nuno Canavez
dirigi-me à Livraria Académica e de imediato
me arranjou o volume em falta, não da mesma edição mas de uma outra, o que para
mim bastava. Quando quis pagar não aceitou dizendo, com o humor que o caracteriza,
mais ou menos isto “Mais barato não posso fazer”. Quando, há uns anos, vi
anunciado que na feira do livro lhe seria prestada uma homenagem, fiquei
aborrecida porque a data já havia passado e gostaria de ter estado presente.
Passei pela Livraria e quando justificava a minha ausência respondeu-me. Fez
muito bem em não ir, eu também não fui.
A estes testemunhos acrescento um outro,
ocorrido também há alguns anos, em Agosto. Era dia de feira em Alfândega
da Fé e, quando vagueava pela mesma, ouvi a sua voz inconfundível. Estava a
conversar com um senhor, feirante, dono da tenda onde se encontrava.
Explicou-me que tinha estado hospitalizado e
na cama ao lado estava o referido
senhor. Como sabia que costumava fazer aquela feira, deslocou-se ali para o
cumprimentar.
Estas características, tão transmontanas,
encontrava-as eu no meu pai.
Parabéns Sr. Nuno Canavez
Ao fim da tarde, estive na Biblioteca
Almeida Garrett, no lançamento do livro E todavia de Ana Luísa Amaral cuja poesia aprecio muito.
Foi um evento muito bonito pois houve leitura de
poemas pela autora e por Pedro Lamares, acompanhados por Álvaro Teixeira
Lopes no piano e Fernando Costa no violoncelo.
Deixo uma “amostra” dos poemas
Termino com música, interpretações de Álvaro Teixeira Lopes e de Fernando Costa
O
CONHECIMENTO DA LUZ E A LUZ DO CONHECIMENTO é o título de um texto de Carlos
Fiolhais de que deixo alguns excertos
As
Nações Unidas, através da UNESCO, o seu organismo para a Educação, Ciência e
Cultura, decidiram que o ano de 2015 seria o “Ano Internacional da Luz”. Sob
esse grande tema inspirador que é a luz, o objectivo das Nações Unidas consiste
em ligar, educar e inspirar os cidadãos das mais diversas nacionalidades. Num
mundo dividido por um sem número de questões, questões políticas, sociais e religiosas,
foi emitida uma chamada à celebração conjunta da luz e das suas aplicações que
nos tornam a vida mais fácil.
A luz é o
fenómeno físico que nos permite tomar conhecimento do mundo. Com o sentido da
visão, assegurado pelos olhos que estão ligados imediatamente ao nosso cérebro
que conhece, recolhemos a chamada luz visível, que é a luz emitida com maior
abundância pelo Sol. De dia dispomos da luz do Sol que, como diz o provérbio,
“quando nasce é para todos”. De noite, para além da luz do Sol reflectida na
Lua, e da luz das miríades de astros, luminosos como as estrelas ou não
luminosos como os planetas e as suas luas, dispomos da luz artificial que
desenvolvemos para tornar a noite mais parecida com o dia. Algumas dessas
tecnologias são bastantes recentes e estão a proporcionar benefícios
civilizacionais inestimáveis: por exemplo, em continentes como África onde há
vastas regiões sem rede eléctrica é possível hoje recolher de dia a luz do Sol
através de painéis fotovoltaicos, guardá-la em baterias e usá-la de noite para
iluminação recorrendo a lâmpadas LED.
É graças à
luz que o mundo se transformou numa “aldeia global” possibilitando, por
exemplo, comunidades educativas à escala planetária. A Internet chega aos
vários continentes através de cabos ópticos que atravessam os oceanos. Nas
nossas escolas e nas nossas casas o acesso à informação faz-se à velocidade da
luz por fibras ópticas, podendo ser distribuída em profusão por meio de redes
sem fio (WiFi). Também as redes telefónicas sem fios são hoje asseguradas por
luz: a radiação de microondas que permite as comunicações entre telemóveis mais
não são do que uma forma de luz invisível, uma luz que apenas difere da visível
por ter um maior comprimento de onda (sim, desde há 150 anos que se sabe que a luz
são ondas electromagnéticas).
Mas a luz é
muito mais que um fenómeno físico e o seu aproveitamento útil. A luz é também
uma forma de expressão artística (...) Manipulando a luz os artistas conseguem
transmitir não só ideias como sentimentos e emoções.
Viajemos um pouco pela obra de Turner,considerado por muitos como o
o pintor da luz
Retomo o texto de Carlos Fiolhais
Na cultura em geral, a luz é ainda uma poderosa metáfora que significa esclarecimento, entendimento, compreensão. Ter uma ideia luminosa consiste em perceber algo que antes não se percebia(...)
Quando o poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe morreu na cidade de Weimar em 22 de Março de 1832, as suas últimas palavras foram Mais luz!. Ainda hoje se discute se teria sido um simples pedido para abrir a janela ou, com um significado e âmbito muito mais profundos, teria sido a expressão de um desejo humano que ele próprio protagonizou ao longo de toda a sua vida: a aspiração a mais conhecimento, a mais verdade.
A marcha da humanidade, desde os primeiros hominídeos que habitaram o planeta seguramente há mais de um milhão de anos até ao moderno homo sapiens sapiens, que apenas apareceu há cerca de duzentos mil anos, tem sido sempre no sentido do maior conhecimento. De início, um conhecimento rudimentar a respeito do mundo, expresso de modo muito limitado, desde há cerca de seis mil anos, expresso simbolicamente através da escrita. Pese embora a invenção do papel e da impressão pelos antigos chineses, só desde meados do século XV, com a oficina do alemão Johannes Gutenberg na cidade de Mainz, foi possível espalhar conhecimento sob a forma impressa de um modo maciço e sistemático. A Revolução Científica, com a explosão de conhecimento a respeito do mundo que se deu a seguir com o astrónomo polaco Nicolau Copérnico, no século XVI, e com o físico italiano Galileu Galilei e com o físico inglês Isaac Newton, os dois no século XVII (o segundo a ocupar um bocadinho do século XVIII), não teria sido possível se as ideias científicas não se tivessem espalhado rapidamente a vastas regiões do globo sob a forma do livro impresso. Convém lembrar que tanto Galileu como Newton conseguiram grandes avanços no uso e conhecimento da luz, o primeiro ao construir e utilizar o primeiro telescópio, ampliando muito o poder do olho humano, e o segundo ao explicar o aparecimento do espectro de cores – as cores do arco-íris - quando a luz branca do Sol incide num prisma. É curioso que O Discurso do Método (de 1637) do filósofo, matemático e físico francês René Descartes, um contemporâneo de Galileu, contenha num dos seus apêndices uma descrição do mecanismo de formação do arco-íris, um conhecimento que, na geração seguinte, Newton haveria de completar. Quer dizer, o conhecimento científico não só se serviu da luz para compreender o mundo como procurou desde que eclodiu fazer luz sobre a própria luz, compreendendo melhor esse indispensável intermediário entre nós e os objectos do mundo.
Em 1865, o físico escocês James Clerk Maxwell escrevia, num artigo, as equações que hoje têm o seu nome, com as quais conseguiu decifrar a natureza da luz: uma onda, com qualquer comprimento de onda, capaz de se propagar mesmo onde não exista qualquer meio material, como o espaço entre o Sol e a Terra. Essa teoria matemática do electromagnetismo (uma descrição unificada da electricidade e do magnetismo) foi o “farol” que permitiu ao físico suíço de origem alemã Albert Einstein, no início do século XX, ver mais longe do que tinham visto os gigantes Galileu e Newton. Celebramos em 2015, neste Ano Internacional da Luz, o centenário da teoria maior de Einstein, a teoria da relatividade geral, que veio explicar melhor a gravidade que Newton já tinha descrito: a atracção gravítica deve-se a uma deformação geométrica do espaço à volta de um corpo pesado. A observação de um eclipse solar em 1919 na ilha do Príncipe, então território colonial português, permitiu confirmar a previsão einsteiniana de que a luz de estrelas situadas por detrás do Sol encurva ao passar rasante à nossa estrela. A luz segue a trajectória mais curta, mas perto do Sol o espaço é curvo.
Devido ao valor limite que representa a velocidade da luz (c = 300 000 km/s), muito provavelmente nunca conseguiremos viajar até essas estrelas de onde nos chega luz. Decompondo a luz vinda delas ou de quaisquer outras estrelas, usando um prisma semelhante ao de Newton, sabemos que a matéria das estrelas é matéria que encontramos aqui na Terra: hidrogénio que se transforma em hélio, que por sua vez se transforma em carbono e noutros elementos mais pesados. Com a ajuda da luz, sabemos hoje que todo o Universo é feito da matéria que conhecemos. Organizámos boa parte desse conhecimento recorrendo à Tabela Periódica. Sabemos ainda que o carbono e os elementos mais pesados que entram na nossa constituição só podem ser feitos naturalmente numa estrela e que foram "cozinhados" numa estrela anterior ao Sol, uma estrela que explodiu violentamente, espalhando a sua matéria no espaço. Nesse sentido, somos “filhos das estrelas”.
Usando agora a luz como metáfora, temos feito progressiva luz sobre o Universo em que vivemos embora haja muita coisa sobre a qual ainda falta fazer luz. Por exemplo, a chamada matéria escura, cuja natureza desconhecemos, é matéria que existe nas galáxias e que possui massa sem emitir luz como fazem as estrelas(...).
A escola é, na sociedade, o meio por excelência de transmissão de conhecimento às novas gerações. Não houve e provavelmente não haverá nunca um meio tão adequado para cumprir essa tarefa. A escola deve iluminar os jovens com base nos conhecimentos do passado para que eles se sintam capazes de viver melhor no mundo. Nalguns casos, da escola sairão aqueles que terão novas ideias, aqueles que conseguirão como tão bem disse Goethe Mais luz!
Na semana passada estive quatro dias na
minha aldeia. Já adiáramos a viagem três
ou quatro vezes por causa do tempo, que
desta vez estava soberbo...
Os campos estão belíssimos como se pode ver
nas fotos anexas. E o "rio", continua a crescer espreguiçando-se pelas novas margens....
Em Alfândega e como é habitual, fui à Casa da Cultura pois desde o dia 25 de Abril, está lá uma exposição que ainda não tinha visto. Trata-se de um conjunto de 40 fotografias relativas às Campanhas de Dinamização Cultural, em 1975.
Se nem tudo correu bem pois houve alguma demagogia à mistura e alguns
exageros desnecessários, considero que foi uma época muito bonita, pejada de
ideais, dos quais, hoje pouco ou nada resta neste país que
trocou os valores, nomeadamente a solidariedade e a ética, pelo vil metal. E sem olhar a meios para atingir os fins, a
corrupção foi-se instalando a todos os níveis, sob uma impunidade assustadora perante os
ilícitos mais flagrantes.
Assusta-me pensar que vai ser muito difícil,
senão impossível, sair deste poço de
podridão.
Ando a ler o livro Toda a China, volume I, de
António Graça de Abreu, o guia cultural que nos acompanhou na viagem à China em
agosto passado . Não resisto a colocar um excerto
E porque na viagem, a Antena 2 emitiu o quinteto "A truta" de Schubert, uma das peças musicais de que gosto imenso, termino com a mesma
Até 10 de Janeiro de 2010 esteve patente na Casa da Cultura Manuel Lueiro, em O Grove, Galiza, uma exposição de trabalhos de alunos da galeria Utopia .
Participei com os dois trabalhos anexos; no dia da inauguração tive a agradável surpresa de ver que o cartaz (1mx2m) que anuncia a exposição foi construído com a imagem do 2º quadro.
Quadros na exposição em Grove
Imagem que figura no cartaz
cartaz da exposição em Grove
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Há ciência e poesia nas coisas do dia a dia
Tamanho XXS
Quando o mistério se dilui na penumbra
Para mais tarde recordar
Requiem pelo planeta azul
quando o mel escorre nas searas
revista Philos 2017
revista Philos 2014
O bosão do João
Sete Luas
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Terras de cieiro
Entre margens
Pelo sistema solar vamos todos viajar..
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Breve história da Química
Era uma vez...
Magnetismo...
Reflexões...
Estórias....
Se eu não fosse....
Um poema para Fiama
Os dias do Amor
Uma viagem para Pasárgada
Cancioneiro Infanto- Juvenil...
Fiat Lux
O amor em visita
A Terra de Duas Línguas II.Antologia de Autores Transmontanos
Por longos dias, longos anos, fui silêncio
antologia
Entre o sono e o sonho
Textos on-line
Estão disponíveis on-line: -Magnetismo Terrestre (livro de poesia) -Reflexões e Interferências (livro de poesia) -Estórias com sabor a nordeste (livro de ficção) -Einstein (poema) -Se eu não fosse professora de Física. Algumas reflexões sobre práticas lectivas(didáctica) -Vou-me embora para Pasárgada (conto)
Como todos nós, feita de pó de estrelas, estou apenas de passagem nesta fantástica viagem desde um passado remoto até um futuro ignoto.
(Para saber mais consultar a página CV)