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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

ERRO AO ABRIR

Por razões que desconheço, o blog deixou de abrir na página inicial. Agradeço que "cliquem" nesta para aceder às mensagens.
Obrigada pela compreensão

domingo, 13 de março de 2011

Por terras de Aragão, viagem ao passado …

Não se depreenda deste título que  pretendo viajar até aos tempos da Reconquista Cristã e da formação dos reinos de Leão, Castela, Navarra, Aragão, bem como dos condados da Catalunha e Portucalense, donde iria emergir o reino de Portugal.
Não fui grande aluna na disciplina de História pelo que de modo alguma me atreveria a tal viagem.

O passado da minha viagem é bem mais recente - os tempos da minha infância e adolescência

Vivi em Bragança desde os 8 aos 16 anos e nunca esqueci o fascínio da cidade coberta de neve, especialmente quando os nevões obrigavam a fechar as escolas e me divertia a fazer bonecos de neve, a jogar à pelotada com os colegas e a deliciar-me comendo neve acabada de cair , misturada com sumo de laranja e açúcar ( não sei se é por isso que ainda hoje adoro granizados).
Regresso com muita frequência ao Nordeste Transmontano, não a Bragança, mas à aldeia das minhas origens , no concelho de Alfândega da Fé. Mas no Inverno, evito ir porque me desabituei da agressividade do frio intenso .
O meu filho mais velho adora esquiar e o gosto é partilhado pela mulher e pela minha neta de oito anos. Quando em 2009 nasceu o irmão, tornou-se evidente que a ida à neve era mais difícil. Prontifiquei-me a ficar com o bebé e assim foi em 2010. Este ano pôs-se de novo o problema. Decidi acompanhá-los. Fomos para Panticosa onde existe uma estância de esqui
Panticosa fica na Província de Huesca, no Valle de Tena, em pleno coração dos Pirinéus. É uma povoação interessante com uma igreja do século XIII. A zona mais elevada da estância é a de Valle de Sabocos, com mais de 2000 metros de altitude
Imgem de Panticosa, tirada da cabine, numa das descidas
Filho, nora e neto iam por volta das 8, 30 e eu subia por volta das 12 h com o pequenino. Antes passeávmos junto ao hotel, onde fizemos amizade com um gato que costumava acompanhar-nos.



Almoçávamos e os dois regressávamos por volta das 14,30. Na quarta feira fui logo de manhã e a minha nora subiu por volta das 12 h com o pequenito. Só foi esquiar de tarde. Nunca tinha estado numa estação de esqui. È interessante ver todo aquele movimento mas o que mais me tocou foi a chegada no dia em que fui mais cedo. Ainda não estava praticamente ninguém A montanha coberta de neve ainda virgem, o céu azul muito límpido e uma fantástica sensação de paz. Durou pouco. Passados alguns minutos a música numa intensidade aberrante, poluía brutalmente aquele espaço e assim se manteve ao longo do dia, como era habitual.
Porquê? Para quê? Para quem ?




Se quiserem ver imagens de toda esta zona consultem http://www.valletena.com/.    O site é do marido da dona de uma papelaria/livraria onde entrei . Conversei bastante tempo com a senhora, muito simpática, que mo sugeriu.
 No regresso jantámos e dormimos em Logroño. O Hotel em que ficámos situa-se centro histórico. À noite, nas ruas estreitas do casco antigo, há uma alegria e uma vida contagiantes. Jantámos num dos inúmeros bares que pululam por essas ruas.

No dia seguinte, sexta-feira, levantei-me cedo e, de mapa na mão, fui explorar o centro histórico.

Edifício arte nova numa das ruas da cidade
Infelizmente fiquei sem bateria na máquina e tirei muito poucas fotografias.
No caminho tentei comprar caramelos.
Em criança e ainda na adolescência, passei várias férias em Vila Verde da Raia pelo que as idas a Espanha eram vulgares. Recordo-me sempre dos gelados “de corte” ( o gelado que era cortado de uma barra e colocado entre duas bolachas rectangulares) e dos caramelos de Logroño. Nestes, o que mais me admirava era virem dentro de uns sacos de celofane. Em Portugal não havia gelados de corte, caramelos e rebuçados compravam-se à unidade.
Resolvi comprar caramelos para trazer. Só os encontrava a peso. Mas para mim, só os embalados correspondem à imagem da minha infância. Tanto procurei que encontrei. Não sei se por isso, o sabor parece-me o de outros tempos. Será?
Saímos por volta das 11h já em direcção a Portugal,

Na viagem, a minha neta pediu-me para falarmos em castelhano O pequenito ri-se às gargalhadas sempre que o fazemos.
Durante a conversa lembrei-me de uma canção que se ouvia muito, creio que ainda na década de 50. Foi uma das que cantámos durante a viagem.

Chiquitina, chiquitina le dicen los muchachos al verla pasar.


Buenos dias chiquitina la trenza de tu pelo quien la cortará (bis).


Chiquitina, chiquitina ojitos inocentes la hará desmayar.


Y la pobre chiquitina quisiera ser tan alta como la luna (bis).
Para vertirse de largo, para poderse pintar, para ponerse tacones y aprender a caminar.

Deixo a canção na voz de Mariluz

Continuemos a viagem. Saímos numa das saídas da autovia e almoçámos num restaurante. Mais tarde, já próximos da fronteira, parámos para lanchar. A televisão da cafetaria mostrava imagens do sismo no Japão. Desde que partira, propositadamente quebrara todas as ligações com televisão, jornais, etc.
Consegui descansar mas havia que regressar à realidade.

3 comentários:

  1. Olá Regina
    Já fazia falta o seu post.
    E, mais uma vez, a descrição da viagem é linda, tão real que quase me sentia lá, e as fotos são óptimas.Parabéns.
    Por cá, tudo vai indo. Do ponto de vista social de mal a pior.

    Um beijo grande.

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  2. Que saudades me fez este post das minhas idas à Alemanha, regulares de 1997 a 2003, quando ia visitar o meu filho, depois filho e nora e por fim, filho, nora e neto :).

    Nunca deixávamos de ir aos Alpes - ao Allgau , onde fica o castelo de NeuSchwannstein. Aquela brancura iluminava-me.Uuma vez fizémos uma caminhada de 4 horas e foi escurecendo. Fiquei em pânico pois o meu filho parecia não ter uma noção exacta do caminho. Felizmente chegámos a são e salvo ao destino. Nunca esquiei, mas este ano os meus filhos foram com os três meninos ( e sem baby sitter) a Karlsruhe e Munique, passando dois dias nos Alpes bávaros. Ontem o meu neto telefonou-me, entusiamado, a contar que tinham estado numa escola de esqui e que ele tinha dado a mão ao irmão para esquiarem a vontade os dois sem perigo de cair! A Mãe ficou com o pequenito de dois anos a ver as peripécias do Pai e filhos. É bonito. Penso que a família unida jamais será vencida....para usar um slogan muito em voga :)))
    Não me importei de ficar cá, era uma viagem longa de carro e cansativa de certeza, foram dias que passaram depressa e na 6ª veio o meu filho mais novo.
    As tuas fotos ficaram muito belas e fazem inveja.
    Este ano já apanhei muita neve na Inglaterra em Dezembro e realmente gosto sempre dos campos e das árvores cobertas pelo manto branco ...sem barulho.

    Benvinda a casa e ao blogue.

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  3. Ai, as vóvós...! São uma instituição!
    É tão lindo ouvi-las falar dos netos...
    Sinto uma tristeza imensa quando os avós não são respeitados pelos netos, sobretudo quando envelhecem e já não são "precisos". Esquecendo os miminhos, as histórias,a paciência e conforto,os bolinhos e coisinhas boas que lhes deram quando eram mais pequenos...
    Há que mudar mentalidades...

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