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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 3 de março de 2013

Aldebaran: a Estrela que deu nome à Serra


Aldebaran: a Estrela que deu nome à Serra é o título de um artigo publicado em Ciência Hoje


(...) o investigador português Fábio Silva apresenta uma teoria sobre a origem do nome da Serra da Estrela. O artigo publicado no «Papers from the Institute of Archaeology» sugere que a estrela que dá nome à serra seria a Aldebaran, a mais brilhante da constelação de Touro.
Quando comecei este trabalho, não estava a pensar encontrar nenhuma relação com a Serra da Estrela”, admite. “Mas quando fiz uma análise mais cuidada dos dólmens do Mondego, apercebi-me que existia um padrão. Todos estavam a apontar para a serra”.
Quando se está na câmara de um desses dólmens, olhando para a entrada através do corredor, vê-se a serra. Os dólmens foram construídos há 6 mil anos por povos semi-nómadas que tinham adoptado a agricultura e a pastorícia, continuando ainda a praticar a caça e a recolecção.
Devido a várias evidências, principalmente fora de Portugal, pensa-se que estes monumentos megalíticos seriam funerários. No entanto, em Portugal, “nomeadamente no norte do país, não há evidências nenhumas de enterramentos, nunca se descobriram ossos, por isso não podemos com toda a certeza afirmar que seriam monumentos funerários”, considera Fábio Silva.
Mas quer tenham sido utilizados para esse fim ou não, “tudo indica a eles estavam associados a elaborados rituais que aconteceriam tanto dentro do monumento como na área circundante. A grande questão, ainda em aberto, é saber para que serviriam esses rituais”(...)

Apontarem os monumentos para lá faz sentido, até porque isso acontece muito em outros países da Europa: os monumentos megalíticos encontram-se orientados para determinadas montanhas ou outros elementos naturais importantes”, informa.
 A procura de elementos astronómicos fez o investigador ir mais longe. Os dólmens apontam todos para a serra em geral, mas há uma zona em particular que é possível ver de todos eles, o que não acontece com o pico, por exemplo. “Se alguma coisa de interessante do ponto de vista astronómico se passasse, seria ali”, afirma.

Podia, explica, “ser o Sol a nascer em meados de Fevereiro ou a a Lua algures no Inverno”. Mas hipótese da estrela, nomeadamente a mais brilhante de todas – a Aldebaran – pareceu-lhe mais viável “porque teria o seu primeiro nascimento antes do nascer do Sol em fins de Abril”, quando o tempo fica mais ameno, o que indicaria a altura certa para o início da transumância para o cimo da serra.

Uma das poucas pinturas nas paredes dos dólmens que sobreviveu ao tempo, precisamente num dólmen no Carregal do Sal, é composta por cinco traços vermelhos, que parecem representar o Sol. “Poderia ser igualmente a Aldebaran, que é vermelha e muito brilhante”, considera. Devido ao movimento de precessão axial, a estrela deixou de nascer no alinhamento dos corredores megalíticos em 3 mil a.C., sendo que os dólmens tinham deixado de ser utilizados 100 ou 200 anos antes(...).


É interessante confrontar esta hipótese com a lenda que pode ser lida aqui

E a propósito de Aldebaran comparemo-la com outros corpos celestes

 
 

 

2 comentários:

  1. Muito interessante a provável explicação para o nome da nossa maravilhosa Serra da Estrela.
    E a lenda também é linda. Não sei porquê fez-me lembrar o poema "A lágrima" de Guerra Junqueiro que o meu pai adorava. Desprezando riquezas e honrarias "a lágrima celeste ingénua e luminosa tremeu, tremeu, tremeu e caiu silenciosa" sobre o cardo seco num rochedo nu.

    Um beijo.

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  2. Também o meu mais gostava desse poema que dizia muito bem (pelo menos eu assim achava).
    Bjs
    Regina

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