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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 17 de junho de 2012

Machu Pichu e epílogo

Por volta do meio-dia, em 23 de julho de 1911, um explorador chamado Hiram Bingham subiu uma colina íngreme e tropeçou em Machu Picchu , descobrindo o que tinha sido até aquele momento, um  segredo bem guardado.


Foi no penúltimo dia em terras peruanas que visitámos Machu Pichu. Deslocámo-nos de comboio através do vale sagrado, até à povoação de Águas Calientes. O Comboio panorâmico(de teto envidraçado), destinado apenas a turistas percorre cerca de 100km em quase 4 h.
Mas o percurso vale a pena...De Águas Calientes (imagem abaixo) até ao santuário a viagem é feita de autocarro por uma estrada muito sinuosa e estreita.

 Há quem acredite que a mítica cidade perdida dos incas ainda não foi descoberta e estará algures escondida na selva que cobre várias montanhas. Mas para quase todos essa cidade é Machu Pichu.  Pessoalmente acho que outra a ser eventualmente descoberta, dificilmente será mais grandiosa. Deixo algumas fotos de entre as muitas que tirámos

Na última foto,  o Intihuantana (“lugar de pouso do sol”), uma pedra sagrada que tinha como objetivo o culto ao deus Sol (“Inti”) e que servia como instrumento científico para as observações astronómicas e cálculos meteorológicos  que ajudavam a prever as épocas propícias para os trabalhos agrícolas.

É espantoso como foi possível em tanto pouco tempo (cerca de 300 anos) ter-se desenvolvido uma civilização com técnicas de construção apuradas, excelente exploração agrícola,  observatórios astronómicos desenvolvidos para a época, etc.

Em 1532 Francisco Pizarro atingiu o Perú com seu pequeno exército espanhol. Durante os primeiros meses foram gradualmente conquistando a zona litoral. Dois anos depois os espanhóis haviam conquistado todo o império Inca. Tiveram do seu lado uma certa ingenuidade do povo,  que admitiu serem os espanhóis enviados dos deuses, e a guerra civil entre os irmãos Huáscar e Atahuallpa, ambos com pretensão ao trono deixado por seu pai, vítima de varíola. Pizarro alia-se a Huáscar mas quer ele quer o irmão acabam por morrer às mãos dos espanhóis...

Em jeito de epílogo...
Antes de partir para  a viagem ao Peru decidi reler o livro Inês da minha alma de Isabel Allende ( o meu pai dizia que quem quiser saber ou há-de andar ou há-de ler; a mim fascinam-me as duas coisas...)
O livro, que embora ficcionado se baseia em factos reais,  relata a história de Inés Suarez  nascida na Estremadura espanhola, cujo marido parte na aventura da descoberta do Novo Mundo, as novas terras conquistadas pelos espanhóis, no outro lado do atlântico.  Inés fica à espera do seu regresso. Cansada de esperar decide partir em busca de notícias do marido e embarca num navio que a leva até ao Peru, a mais recente jóia da coroa espanhola. Seguindo o rasto do marido, acaba por conhecer o homem que lhe vai mudar a vida, Pedro de Valdivia, com quem parte na conquista do Chile. São impressionantes as descrições das batalhas e da forma como os índios e todos os colonos das terras conquistadas, eram tratados. pelos espanhóis. Mas se as atrocidades dos espanhóis nos chocam, não podemos esquecer que também os incas as cometeram ao submeterem as civilizações que os precederam.


A visita ao Perú terminou. No último dia parti de Cusco para S. Paulo onde vive a maior parta da minha família. O avião fez-se à pista mas passado algum tempo tivemos que o abandonar por questões de segurança...Tinha surgido qualquer problema. Reinstalados num outro avião sobrevoámos pela última vez o Perú.
Na véspera, após a chegada (já de noite) de Machu Pichu, ainda fomos tirar umas fotos na praça de Armas de Cusco. É com uma foto a sobrevoar Cusco e uma das imagens tiradas à noite que termino esta mensagem



1 comentário:

  1. Mais uma vez, Regina, parabéns pela magnífica viagem e fotos tão lindas.
    Quanto às civilizações que descreve, que temos nós mais do que elas? Eu creio que apenas Tecnologia, que fomos obrigados a criar pelas necessidades, cada vez maiores, da adaptação o que nos levou a aumentar conhecimentos e outras condições de vida. Creio que o homem primitivo era bem inteligente e talvez mais feliz que nós.
    Havia mais partilha e mais solidariedade.
    Mas isto são apenas conjeturas.

    Um beijo.

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