Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 4 de dezembro de 2016

O Outono está a findar….


A  minha amiga Virgínia Barros, uma excelente fotógrafa, dedicou ao outono uma das sua últimas mensagens: Vale a pena passar por “lá” 

Eu, para além de não ser grande fotógrafa, ultimamente tenho o tempo muito ocupado. Hoje, na rua, entre várias folhas belíssimas, estavam sementes aladas de cedro.
Algumas sementes desenvolveram, ao longo da evolução, adaptações que permitiram a colonização de novos ambientes, de forma bastante eficiente.  
Recolhi algumas juntamente com folhas


É também no fim do Outono que tem lugar a Semana de Ciência e Tecnologia que, em 2016 foi a semana que se iniciou a 21.
Esta semana terá que incluir o dia 24 de novembro, Dia Nacional da Cultura Científica. Este Dia foi criado em 1996 em Portugal e foi escolhido o dia 24 de novembro para a sua celebração pois foi neste dia (em 1906) que nasceu Rómulo de Carvalho, o professor de Física e Química responsável pela promoção do ensino de ciência e da cultura científica em solo nacional e também poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão.

Comecei a semana com uma visita ao Infantário da Escola Bom Pastor . Fiz alguns atividades com as crianças e no fim cada uma delas levou para casa um disco de Newton.
Tive a preciosa ajuda da Associação de Pais que os recortaram. Basta colocar um fio no orifício e fazer girar o disco para que as várias cores se “mesclem” dando a sensação de branco. A associação ao nome do grande físico Newton, deve-se a que o mesmo fez estudos sobre a luz nomeadamente sobre o arco-íris. 
Terminei a semana no Colégio Santa Eulália, visita solicitada pela PE.
No  link poderão ver  imagens do colégio e de várias iniciativas levadas a cabo no mesmo.
Uma delas é a “Casinha do escritor”. Cada escritor que por ali passe terá que cortar uma fita para ter acesso à "casinha" onde se vão acumulando fotos dos escritores que por ali passam. Deverá também oferecer um objeto simbólico. Eu deixei um espectroscópio que fiz e com o qual algumas crianças se deliciaram a ver o arco-íris.




Em contrapartida, recebi uma oferta da escola, um livro com poemas ilustrados, tudo feito pelas crianças. Todos mereciam ser destacados mas são muitos pelo que incluo apenas um 


Ainda antes da minha intervenção tive direito a uma visita à escola guiada essencialmente por dois alunos do 4º ano, a Ânia e o Francisco

No dia 28, celebrámos o 80º aniversário da mãe da minha nora Teresa. Está muito bem apenas com problemas graves de artroses nos joelhos. Foi operada há cerca de dois meses a um dos joelhos e já se movimenta um pouco melhor.
Eis o bolo que a Teresa fez e decorou.


Com a música do Alecrim, cantámos-lhe uma canção alusiva à data. O José e eu tocámos Ukulele e o Nuno flauta. Estiveram presentes quatro gerações da família:  filha, netos, sobrinhos, sobrinhos netos e uma sobrinha bisneta. Estava muito feliz.

Na 5ª feira, que felizmente voltou a ser feriado, aproveitei para descansar um pouco. 
Daqui a pouco chega um sobrinho meu que tem vindo a Portugal com alguma regularidade. Desta vez vem em trabalho. É engenheiro sanitário e foi visitar algumas instalações na Alemanha, em França e termina a visita no Porto. Vem com ele um colega e ambos ficarão em minha casa. Infelizmente vêm por pouco tempo pois dia 7 regressam ao Brasil. Mas vai dar para matar saudades….

Termino com Gedeão

Amargo estilo novo

Tudo é fácil quando se está brincando com a flor entre os dedos
quando se olham nos olhos as crianças,
quando se visita no leito o amor convalescente.
É bom ser flor, criança, ou ser doente.
Tudo são terras donde brotam esperanças,
pétalas, tranças,
a porta do hospital aberta à nossa frente.

Desde que nasci que todos me enganam,
em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel
com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel
E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades
mas com profundas, autênticas verdades.

E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos
Os estadistas não sabem,
mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho não guardam segredos,
sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem. 


Gedeão, A. in Poesias Completas






quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Na semana de 14 a 20...

Desde a última mensagem em que falei do encontro de Professores de Ciência e Tecnologia da UTAD não consegui arranjar tempo para escrever. Vou tentar fazer uma resenha de algumas coisas que acontecerem.
Logo no dia 14  e como geralmente acontece às segundas feiras, fui ao Ginásio. Quando regressei tinha um aviso para levantar uma encomenda nos correios do Carvalhido. Fui logo a seguir ao almoço. Tratava-se de  um livro de Química para o 1º ano do ensino médio, no Brasil.


Há cerca de dois anos recebi um mail de um autor, pedindo autorização para incluir um poema meu num livro de Química e enviando em anexo uma minuta de um documento para eu assinar, caso autorizasse. Nesse documento era referido que  logo que o livro fosse editado, me seria oferecido um exemplar

Não posso deixar de referir a diferença de comportamento deste autor, em relação a autores nacionais que têm colocado poemas  meus  em livros e nunca tiveram a gentileza de, pelo menos, me informar. Tenho tomado conhecimento sempre através de outros que por vezes me dizem: No livro... do meu filho está um poema teu....

No dia 16,  de manhã,  tinha uma consulta de rotina (oftalmologia)  no Hospital de Santo António   e à tarde mais uma sessão de um tratamento que estou a fazer. Assim, eu e  marido, decidimos almoçar naquela zona . A consulta de oftalmologia foi breve e  enquanto aguardava a hora de almoço fui visitar a exposição de Amadeo Souza Cardoso no Museu Soares dos Reis

A exposição recria a que Amadeo de Souza-Cardoso organizou em 1916 no Porto(...)
 e suscitou reações fortes. Houve quem cuspisse nos quadros e mesmo quem batesse no pintor. Agora chegou a vez da aclamação de um dos mais importantes pintores portugueses do século XX. 
A exposição está em exibição no Museu Nacional Soares dos Reis até 31 de Dezembro e no Museu do Chiado, em Lisboa, a partir de 12 de Janeiro de 2017. A mostra reúne 81 dos 114 quadros que o artista reuniu na sua primeira grande exposição em Portugal.
Quando Amadeo expôs a sua obra, mais de 30.000 pessoas viram-na em apenas 10 dias. Mas o sucesso de público esteve longe de corresponder ao aplauso geral. A pintura de Amadeo não era compreendida e chocou a sociedade portuense: que o artista devia ser internado foi o mais brando que se ouviu nos jardins Passos Manuel, onde hoje é o Coliseu do Porto.
A escolha do local pelo pintor foi estratégica. Quem fosse ao cinema ou aos chás dançantes deparava-se com os quadros de Amadeo.
Mas a exposição original teve também o condão de pôr as pessoas a discutir a arte moderna e Amadeo – um homem discreto por natureza – pela primeira vez não se limitou a deixar a sua arte falar. Acompanhou visitantes e jornalistas e deu mesmo entrevistas. Quando chegou a Lisboa, o grupo do Orpheu, com Almada Negreiros à cabeça, recebe entusiasticamente a exposição. Almada distribuiu um manifesto pelos cafés onde afirma: “a Descoberta do Caminho Marítimo p’rá Índia é menos importante do que a Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso na Liga Naval de Lisboa”.
Exageros à parte, de um lado e de outro, o que não se pode negar é a importância do pintor no panorama da pintura em Portugal e mesmo na Europa nos primeiros anos do século 20, mesmo não tendo vendido nenhum quadro no Porto e apenas um em Lisboa. Aliás, o aplauso veio já depois da sua morte prematura.

Fui a Lisboa ver uma exposição de Amadeo, na Gulbenkian, creio que em 2006. Não me lembro de  ter sido "alertada" para a influência da poesia de Rimbaud na obra de Amadeo. Nesta exposição é referida essa influência,  que também o foi para ouros artistas

A poesia de Rimbaud  impressionou vários escritores, músicos e artistas do século XXPablo PicassoDylan ThomasAllen GinsbergVladimir NabokovBob DylanPatti SmithGiannina BraschiLéo FerréHenry MillerVan Morrison e Jim Morrison 

Regressando à obra de Amadeo, na  minha modestíssima opinião acho a sua obra  genial.  Mas nos vídeos anexos podemos ouvir as  opiniões  de quem sabe...




https://www.youtube.com/watch?v=Uyms125mvAQ&t=172s


https://www.youtube.com/watch?v=JcCE-Tcs3gM

Na sequência do que anteriormente foi referido,  deixo um poema de Rimbaud

Farto de ver. A visão que se reecontra em toda parte.
Farto de ter. O ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre.
Farto de saber. As paradas da vida. - Ó Ruídos e Visões!
Partir para afetos e rumores novos.  ( in   https://pensador.uol.com.br/poemas_de_rimbaud/)

Quando pesquisava a poesia de Rimbaud encontrei este vídeo, um breve relato da sua vida atribulada


https://www.youtube.com/watch?v=yD-fn7Vouw8

Na impossibilidade de fotografar a exposição tirei uma foto do jardim, a partir de uma janela 

Na sexta feira fomos para Trás os Montes pois, como já tinha anunciado na mensagem de 13 /11, teve lugar  na Biblioteca de Alfândega da Fé, uma apresentação dos meus dois últimos livros, 
Terras de Cieiro foi apresentado pelo meu marido e, por António Fortuna, Quando o mel escorre nas searas


https://www.youtube.com/watch?v=9wFTaj9qbSQ

Conheci António Fortuna  há vários anos. Professor de Física e Química em Vila Real, trabalhámos juntos em vários projetos de investigação na área da Didática das Ciências, coordenados pela Prof Dra Nilza Costa, da Universidade de Aveiro. Para além de docente, dedica-se à escrita,  tendo vários livros publicados. No passado dia 12, quando do encontro em Vila Real, manifestou interesse em assistir à apresentação a que esta mensagem se refere, Convidei-o então para ser o apresentador do referido livro,  convite a que generosamente acedeu de imediato. 

Ao fazer uma brevíssima  apresentação sua, li o soneto Livro, de um dos seus livros. Do mesmo retirei a sinopse biográfica que está muito incompleta, dado que desde 2006 até ao presente já publicou mais livros.



 
In A Chave do Degredo

Quando,  na sexta feira, saímos do Porto em direção ao Nordeste passámos pela Adeganha, onde o meu filho mais velho iria passar o fim de semana com a mulher, os filhos, uns amigos e respetivos filhos (ao todo  11 pessoas).  Almoçámos ali e depois seguimos para a Parada. No caminho passámos por um pinhal onde apanhámos algumas sanchas que cozinhei logo que cheguei à Parada

As sanchas são seguramente os cogumelos mais apanhados em Portugal e uma das espécies em que as pessoas têm mais confiança. Há muitas pessoas que apenas apanham esta espécie. 
As sanchas crescem nos pinhais. Eu prefiro procurá-las nas bordas dos pinhais, principalmente nos locais mais húmidos. Tem um sabor muito característico e intenso 
( in http://descobrir-vilaflor.blogspot.pt/2010/11/cogumelos-sanchas-lactarius-deleciosus.html)

A paisagem estava lindíssima mas o tempo foi escasso e, como choviscava, as poucas  fotos que tirei estão fracas


 No sábado, após a  apresentação fomos para a Parada. Fomos convidados para jantar  em casa da Isabel, de quem já aqui falei várias vezes. Levei sanchas e uma sobremesa feita com peras de um quintalzinho que ali tenho.
O serão foi muito agradável, como o são todos os serões em casa da Isabel....
O meu filho fez questão que no domingo fôssemos almoçar com eles à Adeganha. Levei também sanchas e  todos se deliciaram... Ao fim da tarde regressámos ao Porto.









domingo, 13 de novembro de 2016

A voz dos professores de C&T

Anteontem e tal como tinha anunciado, fui a Vila Real. A camioneta partia às 18 h. A minha neta mais nova sai da escola às 17, 30 pelo que não daria para ir buscá-la. Foi o pai. O meu marido foi levar-me e juntamente foi o José, que após as aulas veio cá para casa. A professora de Português tinha-lhes dado uma lista de vinte livros para, de entre eles, escolherem um para “leitura autónoma” e  posterior apresentação na sala de aula. Alguns existem cá por casa ou nas dos meus filhos. Outros não. Feita uma breve pesquisa na NET, mostrou interesse em ler “Contos Gregos” de António Sérgio. Liguei para a UNICEPE (sou sócia) e reservei um. No caminho para a camioneta fui levantá-lo.
O trânsito estava caótico mas consegui chegar a tempo à camioneta. Avô e neto rumaram a casa, à porta da qual, vindos da escola, já estavam o meu filho e a pequenita.
Na Rodonorte esperava-me um contratempo…. Uma das camionetas avariou, pelo que foi necessário distribuir por outras duas, os passageiros com destino a Amarante e a Vila Real. A mim coube-me a que se destinava a Miranda do Douro. Saímos com 10 min de atraso.
Uma amiga de Alfândega, que vive em Vila Real, tinha-me convidado para ir jantar com ela e, muito gentilmente, insistiu em me ir buscar à camioneta. Mal saímos, enviei uma SMS alertando para o atraso.
Sair da cidade foi “terrível” por causa do tal caos… Depois, tivemos que parar numa saída perto de Amarante, para “largar” os passageiros que tinham esse destino. Por volta das 19 h e 15 min telefona a minha amiga, preocupada. Tinha feito confusão e pensava que a hora prevista para a chegada a Vila Real era sete menos um quarto em vez de sete e um quarto, daí que, apesar de avisada quanto ao atraso, achar que algo estranho se teria passado. Chegámos por volta das 19, 45…
Sempre gentil e porque sabe que eu gosto dos cogumelos, que por esta altura crescem no Nordeste, tinha preparado um prato com os mesmos. Uma delícia..
Como já há bastante tempo não nos víamos, só agora conheci a a netita, filha do seu filho mais novo. Tem 16 meses e é um encanto…
Este filho e a nora gerem na Eucísia, concelho de Alfândega, um turismo rural, de que já aqui falei


Bela Vista Silo Housing, situado no coração da terra quente transmontana, oferece aos hospedes uma experiência e conceito único em turismo rural, alojamento em Silos agrícolas transformados em habitações modernas, com um design futurista e inseridos em uma bela paisagem rural. O conceito é para pessoas que gostam de ser surpreendidas, a envolvente é de paz e contemplação da natureza, o ambiente é familiar, a experiência é única e o cenário é fora do vulgar. Ao mesmo tempo que se dorme em uma habitação futurista sente-se a paz e o silencio, contempla-se a natureza e banha-se em uma piscina biológica em forma de lago natural que atinge temperaturas de 28º no verão, que convida as pessoas a nadar e explorar.
     Instalado numa Quinta centenária em Alfândega da Fé, a 20km do rio Douro e com produção de amêndoa e azeitona em modo biológico, podem usufruir de toda a beleza e paz que a região tem para oferecer, deliciar-se com a gastronomia local e hospitalidade das nossas gentes, num local que convida à descoberta e apela a todos os sentidos. Passear pela serra de Bornes e serra da Gouveia, contemplar a profundidade do Vale da Vilariça e conhecer o rio Sabor, afluente do Rio Douro, são algumas das propostas que temos para os nossos hóspedes.
     Os quartos foram adaptados de silos para cereais e possuem casa de banho privativa, ar condicionado, cafeteira, minibar e forno Microondas. Possuem também vistas a quase 360º com varandas e janelas panorâmicas.

Após o jantar forma levar-me ao Hotel Miracorgo, onde já ficara instalada em 2007, num outro encontro em que também participei. Como o nome indica, dali "mira-se" o Corgo porque o hotel está junto a uma escarpa sobre o mesmo como se pode ver nas fotos, tiradas de manhã da sala onde tomei o pequeno almoço.





Às 9 h um dos elementos da organização foi buscar-me.
Antes da minha comunicação assisti, às 9,30, a uma comunicação muito interessante
Aprendizagem em habitats digitais-um desafio ao futuro do ensino das Ciências e da Tecnologia
pelo Dr. João Filipe Matos

Seguiu-se a minha comunicação Se Galileo tivesse um câmara digital. 
que pode ser lida aqui 
E porque evoquei Galileo, a comunicação começou com o Poema para Galileo, de António Gedeão, na voz de Mário Viegas

A propósito da Internet, coloquei o vídeo já inserido na mensagem anterior
Terminei com um excerto da Sinfonia do Novo Mundo de Dvorak , 



Terminada a comunicação houve um pausa para café (das 11 às 11, 30).
Das 11,30 às 13, 30 havia várias atividades á escolha. Eu escolhi uma oficina
Ficção científica no ensino da ciência dinamizada pela Dra Helena Caldeira 
Foi bastante interessante.
Entre as 13 e as 14,30 teve lugar o almoço, num espaço da Universidade, localizado no meio de muita vegetação e com uma vista muito bonita.

À tarde assisti a um debate muito interessante “Investigação em educação em C& T” com A Dra Nilza Costa (minha orientadora de Mestrado e acima de tudo amiga ) e do Dr. Arsélio Martins, pai de Catarina Martins, que costuma dizer com humor. Antigamente a Catarina Martins era referida como a filha do Arsélio; agora o Arsélio é referido como o pai da Catarina Martins.

Após este debate regressei ao Porto. Foi um encontro muito agradável  pela qualidade das comunicações a que assisti e pelo contacto com várias pessoas amigas e não só.
Quero expressar o meu agradecimento à organização do encontro, muito em particular ao meu amigo Dr. Bernardino Lopes, que antes de enveredar pela carreira universitária passou pelo ensino secundário, onde tive o privilégio de ser sua orientadora de estágio.



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Os próximos fins de semana....

No dia 20 do passado mês de Setembro recebi um convite para fazer uma comunicação, no Encontro Internacional “A voz dos professores de Ciências e Tecnologiaa decorrer na UTAD a 11 e 12 de Novembro e cujo programa pode ser consultado aqui



A primeira resposta que me ocorreu foi: Não. E porquê? Tendo-me aposentado em 2006, receei estar um pouco desatualizada, essencialmente no que respeita às conceções de ensino aprendizagem, na área das ciências. Dirigi-me à livraria Leitura na Rua José Falcão que, em tempos, tinha um manancial razoável de livros e publicações nessa área. Não encontrei nada. Essa secção pura e simplesmente deixou de existir…
Dirigi-me ainda a mais duas livrarias. Nada…. Lembrei-me então de recorrer à NET onde pude consultar os números mais recentes de diversas publicações, nomeadamente a Enseñanza de las Ciencias , Alambique,Ciência e Ensino, que assinei vários anos até me aposentar. E foi essencialmente a partir de vários artigos recentes, encontrados na NET, que preparei a minha comunicação que vou apresentar no dia 12 . Parto amanhã para Vila Real.

A propósito da Internet, lembrei-me de “Pela Internet” de Gilberto Gil. Ao pesquisar encontrei vários vídeos,um deles com uma reflexão interessante no que respeita aos contributo das TIC para o ensino/ aprendizagem.

https://www.youtube.com/watch?v=Xk4F6DKW8HU


No dia 19 volto a Trás-os-Montes. Vou apresentar, em Alfândega da Fé, os meus últimos dois livros
Aqui deixo o cartaz de divulgação.


E porque é outono...                                        
                                                        O outono pintou
                            de amarelo e sépia
                                                    as folhas tristes.

                                                                                                 in Quando o mel escorre nas searas

terça-feira, 1 de novembro de 2016

É fantástico como nos podemos surpreender a nós próprios.

No passado dia 20, escrevi um texto a propósito das provas de doutoramento do artista plástico, Domingos Loureiro. Terminei assim:

Tive o enorme privilégio de ser aluna de Domingos Loureiro na Escola Utopia, mas referir-me-ei a isso na próxima mensagem.

Não foi na "próxima mas "numa próxima", esta
Creio que já referi aqui mais que uma vez, o “acaso”que me levou à pintura. Novembro de 2006, acabara de me aposentar e tinha que me" reocupar". O meu filho mais novo, talvez porque ligado às artes, já por várias vezes me sugerira que frequentasse uma escola de joalharia, dado que desde há alguns anos, nos poucos tempos livres, faço adereços reciclando materiais. Pensei que era a altura de o fazer. Fui a uma aula para experimentar e, embora achasse muito interessante, não gostei da forma agressiva como a monitora me falava sempre que eu cometia qualquer erro. Mesmo assim resolvi inscrever-me. Na vez seguinte, logo no início da aula quis pagar, mas o dono pediu-me para o fazer no fim. A meio da aula, a dita monitora “mandou-me” um berro tal que me assustei. Peguei nas "trouxas" e não voltei à escola (nem paguei, obviamente). Vinha muito incomodada quando passei pela porta da escola UTOPIA(à época em Antero de Quental e agora na Rua da Alegria, 1910) e vi anunciadas aulas de pintura. Decidi inscrever-me por um mês, no pressuposto que seria apenas uma experiência que largaria ao fim desse tempo. Mas fiquei. Porque o meu tempo disponível é muito escasso, há dois anos tive que abandonar a escola. Fi-lo com muita pena por várias razões: a simpatia dos donos, o bom ambiente entre os colegas e de uma forma muito especial as qualidades artísticas, didáticas, intelectuais e humanas do professor Domingos Loureiro a quem muito devo.

Em 2/1/2011, escrevi neste blogue:

É fantástico como nos podemos surpreender a nós próprios. Se há quatro anos me tivessem dito que um dia iria pintar, limitar-me-ia a emitir um sorriso de total incredibilidade; se para além disso me dissessem que um dia iria expor obras minhas, daria uma gargalhada muito sonora. E se me dissessem que a minha obra ia ser exposta além fronteiras, então achava que o humor tinha ido longe demais…

Poderia agora acrescentar:  Se para além disso me dissessem que

  • numa exposição na Galiza, um quadro meu iria ser escolhido para o cartaz e os folhetos de divulgação
  • seria convidada para participar , em Bragança, numa exposição com artistas de vários países

  • um quadro meu iria merecer uma menção honrosa numa exposição 

talvez respondesse, já um pouco agastada: acabou a brincadeira

Mas há momentos em que passamos à hora certa no lugar certo, neste caso a Escola Utopia com o Professor Domingos Loureiro. Para além dos vários ensinamentos teóricos e técnicos, lançava-nos vários desafios, o que para mim foi muito estimulante.

Vou falar de dois deles
  • A escola organizou uma visita à exposição Vieira da Silva, O espaço e outros enigmas, na fundação EDP (Porto). Após a visita, guiada por Domingos Loureiro, este lançou-nos o desafio de pintar um quadro inspirado nas obra da artista. Alguns colegas fizeram cópias, outros, como eu, recriámos.Eis o que eu pintei

  • O professor sugeriu que fôssemos a uma loja de artigos de construção civil e adquiríssemos algo, (custo máximo 5 euros) que à partida nada tivesse a ver com arte, mas que teríamos que transformar em “arte”. Não comprei nada. Escolhi pedaços de persiana que andavam por uma anexo de minha casa. Foi esse trabalho, que acima incluí, o distinguido com uma menção honrosa numa exposição levada a cabo pelo ISEP.

Um dos aspetos que mais me impressionou no professor, foi a sua capacidade de “identificar” os aspetos mais relevantes de cada aluno e adaptar as propostas de trabalho respetivas.
Quando um dia lhe perguntei como conseguia fazer isso, respondeu-me

Lembra-se que ao iniciar a aprendizagem da pintura, após a fase inicial do desenho, pedi aos alunos que escolhessem um pintor para tentar reproduzir uma obra sua. As escolhas dos alunos são pistas para o trabalho futuro.
Eu escolhi Paul Klee. Gosto muito das suas obras.
Aí está o meu primeiro trabalho de pintura.

A partir daí foi-me sempre incentivando a criar as minhas próprias obras ao mesmo tempo que ia diversificando materiais(acrílico, aguarela, óleo, pastel seco, pastel de óleo, pigmentos vários, nomeadamente café, telas, papel, contraplacado, madeira, tecido ...)

Nos meus primeiros trabalhos sobre tecido usei antigos “saco da azeitona”.

E foram estes os últimos trabalhos que fiz na escola, dois dos quais estiveram na exposição "Encuentros 4" anteriormente referida

Após deixar a escola tenho pintado muito pouco e os principais trabalhos têm sido sobre tecido
Em 27 de Abril, fiz referência aqui à minha estreia na pintura em roupa. Após vários ensaios pintei duas túnicas, uma para cada nora e uma túnica e uma “écharpe” que levei a um casamento.
Ultimamente, tenho aproveitado algum do pouco tempo livre para pintar “écharpes”. Pintei duas: uma para mim e outra para oferecer no Natal


Nada disto era previsível em 2006, nem por mim nem pelos que me conhecem. Mas se o meu desempenho, ocasionalmente pode ter algum mérito, devo-o a Domingos Loureiro.
Bem haja Professor.

( fotos  tiradas com o celular)

domingo, 30 de outubro de 2016

Carta a um amigo-novo

Foi com surpresa e muita tristeza que soube da morte de João Lobo Antunes. Como tenho referido, ultimamente os meus dias têm sido tão preenchidos que não me apercebi do seu problema de saúde.
Assisti a algumas palestras suas, nomeadamente a uma na Fundação Eng. António de Almeida em que se referiu à postura negativa de muitos reformados, enfatizando que reformar é mudar de forma, incentivando os reformados a encontrar novas formas de “viver”. Foi extraordinariamente interessante como todas as que assisti diretamente ou através de órgãos de comunicação, do youtube, etc
Tenho apenas um livro seu Memórias de Nova Iorque e outros ensaios de que várias vezes usei excertos, em comunicações.
Mas o texto de sua autoria de que mais gosto e que releio de vez em quando, é Carta a um amigo-novo, prefácio ao livro De Profundis, Valsa lenta, de J. Cardoso Pires.
Confesso que embora goste de alguma obras JCP, neste caso gostei bem mais do prefácio do que do livro. Deixo dois excertos.



Nesse prefácio faz referência ao Quarteto das Dissonância de Mozart de que deixo um excerto

Tentei encontrar o texto integral na NET mas não consegui. Nessa busca fui ter a um site 
que se refere à sua morte de um modo comovedor.
...fatalidades que surgem, a que vulgarmente se chama cancros, que estreitam logo a margem da esperança de vida, logo a ele que passou a vida inteira a resolver esta tipologia de doenças fatais, a roubar dias à morte dos outros.

Deixo também três intervenções suas, um vídeo Reflexões sobre Medicina, Literatura e Culturahttps://www.youtube.com/watch?v=jxfc9Jg7Btg


e duas entrevista, uma em 2015 ao JL e outra e outra em 2001, publicada no Diário de Notícias 
Nesta última faz referência a algumas obras de arte, nomeadamente ao Grito de Munch com que 
termino esta mensagem.




quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sublime e Constrangimento


No passado dia 17, à tarde, decorreram na FAUP  as provas de doutoramento de Domingos Loureiro. Não pude comparecer pois, como já referi, estou a fazer uns tratamentos no Hospital de Santo António (nada de grave, felizmente) que têm lugar precisamente às segundas e quartas de tarde.
Quando lhe telefonei a felicitá-lo e simultaneamente a explicar a minha ausência, disse-me que na Faculdade poderia ver os trabalhos apresentados, pois estariam expostos até ao dia 19.
No dia 18 de manhã, aproveitando um tempo livre fui lá e, por sorte, encontrei-me com ele.

Deixo alguns documentos relacionados com a dissertação bem como fotos de dois trabalhos (acrílico sobre plexiglass, montado em estrutura de cobre),  tiradas com o meu celular





Os trabalhos constaram  da exposição “Em Direção ao Azul”, que (sic)
revelou parte da investigação(...)  no âmbito do Doutoramento(...). Trata-se de pintura sobre vidro acrílico, em que a pintura de cariz gestual é realizada de modo inverso à pintura tradicional, registando um acontecimento na qual a eminência de erro é paralelamente um risco e um estímulo. É mais uma manifestação da dependência que o artista tem e da qual não procura a cura. Quanto ao azul, diz, que mais do que uma cor, é um estado emocional.



Como dei conta numa mensagem neste blogue,  em 2011 pude estar presente nas provas de Mestrado que concluiu com 19 valoresCito  alguns excertos dessa mensagem:

O júri referiu-se ao talento do artista, à sua generosidade e modéstia.
Contrariamente a alguns intelectuais jovens e não só, cuja petulância esconde muitas vezes uma mediocridade tangível, Domingos Loureiro oculta, por detrás da sua modéstia , um enorme talento e uma enorme generosidade.

A paisagem está muito presente em toda a sua obra, mas numa perspetiva de contemporaneidade. Entre as suas obras contam-se trabalhos notáveis em madeira, onde as árvores se tornam o objeto predileto de representação"

São de Domingos Loureiro as palavras que seguem e que podem ser lidas nesta entrevista

"O meu trabalho artístico e a investigação que realizo têm a paisagem como elemento primordial, especialmente na relação entre a experiência física da Natureza e a experiência física do acto de pintar uma memória dessa mesma Natureza. Assim ao nível da geografia, retenho um sem número de memórias das paisagens (quase) naturais do concelho, especialmente a Serra de Santa Justa e o vale do rio Ferreira, mas não posso dizer que sejam essenciais no meu trabalho.
Existe uma relação de nostalgia entre aquilo que vejo e aquilo que recordo, não conseguindo esclarecer se aquilo que estou a ver actualmente é exactamente aquilo que lá está".
Tive o enorme privilégio de ser aluna de Domingos Loureiro na Escola Utopia mas referir-me-ei a isso na próxima mensagem.