Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

ERRO AO ABRIR

Por razões que desconheço, o blog deixou de abrir na página inicial. Agradeço que "cliquem" nesta para aceder às mensagens.
Obrigada pela compreensão

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sons da viola e não só....


Num mail que me foi enviado, tomei conhecimento da mestria de Marcus Biancardini,  violista excepcional dono de uma técnica extraordinária a serviço de uma musicalidade igualmente excepcional. (sic)

Decidi então dedicar esta mensagem à importância dos  instrumentos de corda  na música, ao longo dos tempos 


Começo com a sonata nº 10 de Corelli


 

Incluo agora  excertos do concerto para dois violinos e cordas de Bach, do concerto  nº 5 para violino de Mozart da sonata nº 5 para violino de Beethoven e do concerto opus 35 de Tchaikovsky

 







https://www.youtube.com/watch?v=SkyA09JitSg



 https://www.youtube.com/watch?v=CTE08SS8fNk

De seguida,   André Segóvia interpretando Bach e Paco de Lucia no concerto de Aranjuez de Rodrigo






Passo agora a autores e intérpretes em língua portuguesa: Carlos Paredes, José Afonso, Amália Rodrigues e Chico Buarque









Também na  poesia e na pintura vários autores  imortalizaram instrumentos de corda
No que respeita à pintura  refiro  Amadeo Souza -Cardoso

Na poesia refiro Camilo Pessanha, in Clepsidra…
Violoncelo
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trêmulos astros,
Soidões lacustres...
_ Lemes e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
_ Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.


Finalmente e porque a música está em íntima relação com a física termino com  um vídeo muito breve 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O segredo da felicidade….

O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros.
Alexandre Herculano
Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não vemos a que se abriu. 

Helen Keller

Ser feliz
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo-as  todas, um dia vou
Construir um castelo …”

Fernando Pessoa


Às vezes basta tão pouco para se ser feliz...
Regressei ontem de Trás-os-Montes, onde fui passar o fim de semana. Os problemas de saúde que me massacraram durante 6 meses, levaram a que tivesse lá ido apenas uma vez, mas à minha casa não ia desde Setembro.
Os campos floridos foram uma bênção para o olhar… 






Tão só esta papoila...





Os tufos cor de rosa são de azedas floridas. As azedas crescem geralmente nos muros e as folhas são comestíveis, essencialmente em saladas, e são ótimas



O planeta terra é pródigo em belezas naturais mas algumas são pouco acessíveis como, por exemplo, a cascata ardente que podemos ver neste vídeo





sábado, 28 de abril de 2018

Não há mal que sempre dure…..



Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe... diz o ditado

No início de novembro,  a minha qualidade de vida, óptima até então, salvo raras e breves exceções,  começou a ficar reduzida. Comecei a ter muitas dores na anca  esquerda, com duas crises violentas em que desmaiei.  O ortopedista mandou-me fazer vários exames à anca e um RX à coluna, que só identificaram  uma bursite no trocânter e  várias tendinites na coxa. Comecei então com uma panóplia de tratamentos: fisioterapia, infiltrações, ondas de choque, ulrassons,  laser.  O meu filho Miguel e a minha nora são muito amigos de um casal  em que a senhora é  fisiatra e o marido neurocirurgião. Por insistência deles fui ouvir a opinião da senhora. Sugeriu que fizesse uma RM à coluna. Constatou-se que, a par do problema na anca e na coxa, que ainda subsiste embora minorado, eu tinha um outro, independente do primeiro- um quisto na coluna, responsável pelas tais crises violentas. Para avaliar a importância do quisto, o ortopedista mandou-me fazer uma eletromiografia onde não foi muito valorizado o quisto.  As melhoras não surgiam, bem pelo contrário. De manhã ainda andava mais ou menos, mas ao fim do dia já quase não conseguia andar. Fui vista então pelo neurocirurgião amigo  do meu filho. Mal viu a ressonância, disse que o quisto devia  ser extraído o mais brevemente possível.  E assim foi. Extraiu-mo na passada segunda feira e fiquei óptima.
Eis o malfadado quisto que tanta dor me causou ….



Claro que vou ter que resolver ainda o problema da anca e da coxa mas esses são perfeitamente toleráveis.
Creio que nunca tinha tido esta sensação fantástica de entrar algures (neste caso num  bloco operatório) com muitas dores e limitações e sair a andar perfeitamente  e sem dores.

Família e amigos andavam preocupados pois nunca me tinham visto tão limitada e por tanto tempo. Uma amiga minha de infância que vive em Setúbal,  veio visitar-me após a  intervenção e ficou espantada de me ver como se nada me tivesse acontecido durante os 6 meses anteriores

God save the doctors…

Passados dois dias da intervenção, e porque ainda não tinha visitado a Casa da Arquitetura em Matosinhos,   aproveitei a presença da minha amiga e fomos até lá, juntamente com o meu marido. Está patente uma exposição muito interessante

“OS UNIVERSALISTAS – 50 ANOS DE ARQUITECTURA PORTUGUESA” INAUGURA A 13 DE ABRIL
Depois de em 2016 ter estado patente na Cité de l’Architecture et du Patrimoine, em Paris, a mostra “Os Universalistas – 50 anos de arquitectura portuguesa” é  apresentada pela primeira vez em Portugal, na Nave Expositiva da Casa da Arquitectura, em Matosinhos, de 13 de abril a 19 de agosto.

A exposição merece ser visitada. Também o edifício, que pertencia à Companhia Vinícola Portuguesa, é interessante. Deixo algumas imagens .





Ainda tentámos ir à casa do Design, também em Matosinhos, mas como não levámos GPS, não conseguimos descobri-la embora soubéssemos qual a rua e tivéssemos visto a foto na NET(em baixo). As pessoas a quem perguntávamos ignoravam a sua existência.




Durante todo o tempo de “clausura” (as minha únicas saídas eram para os Hospitais Lusíadas ou CUF…) li e reli bastante, como já referi  em mensagens anteriores e por duas vezes tentei pintar, aproveitando umas telas de que não gostava. Aqui vai o produto do trabalho (técnica mista- colagem de rede de cortina, acrílico e pastel de óleo)





quinta-feira, 12 de abril de 2018

O Sol quando nasce...

O Sol quando nasce é para todos- reza o aforismo...É certo que não nasce para todos ao mesmo tempo, mas nasce...
A justiça, essa só nasce para alguns....

Uma bola no estômago em forma de raiva, e vergonha, e tudo

“Um nojo que cresce, e a vida como se nada fosse. Uma bola no estômago em forma de raiva, e vergonha, e tudo. Ricardo Salgado vê a sua caução ser reduzida para metade pelo Tribunal Central de Instrução Criminal. Dos antes 3 milhões, terá que pagar apenas um milhão e meio para limpar a sua vida que não tem por onde ficar mais suja. Na mesma semana, como nos filmes maus, fica a saber que a sua reforma vai triplicar para um valor de 90.000€. Isto num país que tem de encontrar moedas entre as almofadas do sofá para pagar o dia de amanhã”, escreveu o humorista  Bruno Nogueira na sua página de Facebook.
“E a vida segue, e o sol nasce, e nada acontece. A impunidade a qualquer preço num país que não merece ser pontapeado desta maneira. A mer** que passa e acena a quem fica. O nojo que cresce. Mer** por todo o lado, e mais mer**. Merecíamos melhor. Merecíamos que a corrupção fosse punida por quem tem a responsabilidade jurídica e moral para o fazer. O país a ser defendido por nada. O que nos protege é um antibiótico que mata. Vítimas do BES com vidas destruídas por alguém que agora sai premiado. Mereciam melhor. É um país ao contrário, que já perdeu os sapatos, calça meias de cores diferentes e nada acontece. Amanhã tudo segue como ontem. Nada acontece a quem compra a liberdade nas traseiras de tudo. Assim é difícil acordar todos os dias. Assim é difícil não querer chamas e fogo e gritos. Feitas as contas, assim é difícil encontrar Portugal”, sublinha Bruno Nogueira. in https://www.jn.pt/nacional/interior/bruno-nogueira-enojado-com-justica-portuguesa-4873341.html

No Brasil, Lula foi preso. Pessoalmente  não acredito na sua inocência tal como não acredito na de José Sócrates, mas pergunto:
E  Collor de Mello ? E Michel Temer ?   E Ricardo Salgado? Isto só para nomear alguns, muito poucos…

Tandem obtinet justitia (A justiça tarda mas não falha)- o aforismo já vem de longe mas continua a faltar-lhe o acrescento  mas só para alguns...

 Dissonância

Pego na palavra sinfonia e faço-a ressoar.
Faço-a rimar com fantasia, com alegria.
Pego na palavra dança e faço-a voltear.
Faço-a rimar com esperança, com criança.
Mas eis que o som sai desafinado,
e na dança um passo é trocado.
Sinfonia e dança rimam com horror,
criança passa a rimar com dor.
Vêm-me à memória barbaridades da história,
escravatura, exploração,
campos de concentração,
Hiroshima, Bhopall, Chernobill,
os meninos da rua no Brasil,
a prostituição  infantil, a pedofilia,
a corrupção,
barbaridades com e sem nome, 
crianças com fome, com leucemia.
Tapo os ouvidos e bloqueio todos os sentidos.
Não quero mais sentir tal sinfonia.

Regina Gouveia (2002)

E por falar em tardar, também a primavera tarda...

Tudo se conjuga para uma certa tristeza... Nestes momentos, refugio-me na música...


Já que falei na primavera, deixo dois vídeos sobre A sagração da primavera de Stravinsky.

https://www.youtube.com/watch?v=jF1OQkHybEQ bailado


https://www.youtube.com/watch?v=ACzkbiez2UU

sábado, 31 de março de 2018

Feliz Páscoa

A todos os seguidores desejo uma Feliz Páscoa 2018

quinta-feira, 15 de março de 2018

Até sempre, Stephen Hawking


Confesso que o prazer que me proporciona a física quando as coisas correm bem é muito superior ao da música. Mas isso só ocorre muito poucas vezes numa carreira profissional, ao passo que se pode ouvir um disco sempre que se queira.

Isto disse Stephen Hawking em 1992, numa entrevista para o programa de rádio da BBC “Discos da Ilha Deserta” e de que pode ser lido aqui um excerto  (http://archivo.e-consulta.com/blogs/consultario/la-musica-de-stephen-hawking/)

Hawking, que nasceu a 8 de Janeiro de 1942, faleceu ontem, dia 13 de março, aos 76 anos.

A morte foi comunicada à imprensa inglesa pela família. "Estamos profundamente tristes pela morte do nosso pai hoje", disseram os filhos Lucy, Robert e Tim. "Era um grande cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado viverão por muitos anos".

Hawking, um dos mais prestigiados nomes da ciência, revolucionou os estudos sobre os buracos negros, nunca deixando de se indagar sobre a origem do Universo. Excelente divulgador, explicou o tema ao público em geral, no livro "Uma breve história do tempo", 


Mais alguns pormenores do seu percurso podem ser lidos em https://dererummundi.blogspot.pt/2018/03/stephen-hawking-1942-2018.html#comment-form
num texto do Prof. Carlos Fiolhais


Ao mesmo tempo que provocava, com humor e inteligência, o que sabíamos sobre o cosmos, desafiava os próprios limites da vida humana
Aos 21 anos foi-lhe diagnosticada  esclerose lateral amiotrófica (também conhecida como a doença de Lou Gehrig) e um tempo de vida  máximo de três anos. A doença veio a afectá-lo gradualmente, ao ponto de apenas conseguir mexer pouco um dedo e piscar os olhos, mas o físico fintou o diagnóstico. Com a ajuda de uma cadeira de rodas e de um sintetizador de voz, ultrapassou em quase cinco décadas o tempo de vida  previsto,  sem nunca prescindir de participar na comunidade científica.

Em 2007 participou num voo para "sentir" a gravidade zero que pode ser visto aqui 

Em 2014, a sua história de vida foi contada no filme "A teoria de tudo", que poderá ser visto aqui





O papel foi interpretado por Eddie Redmayne que comentou 
http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-138669/)

"Perdemos uma mente verdadeiramente bonita, um cientista surpreendente e o homem mais engraçado queeu já tive o prazer de conhecer. Meu amor e meus pensamentos estão com a sua família extraordinária".

Cum uma personalidade tão fascinante, não é de estranhar que “aceitasse figurar” em filmes ao lado de Homer Simpson 





e em Star Trek TNG, Season 6

O Prof https://dererummundi.blogspot.pt/2018/03/stephen-hawking-1942-2018.html#comment-form

Termino com a referência a uma entrevista, com que comecei esta mensagem. Ao longo da mesma, Hawking foi revelando algumas das suas preferências musicais. E é com algumas dessas preferências que eu presto uma modestíssima homenagem a um ser humano excecional.

Até sempre Stephen Hawking


Gloria, de Poulenc 

https://www.youtube.com/watch?v=9A1yGkgmviE

Concerto para violíno de Brahms.



Non, je ne regrette rien, Edith Piaf


Quarteto de cordas, opus 132 de Beethoven. 



Réquiem de Mozart.  



Please Please Me   Beatles



Nessum Norma de Tarando de Puccini



sexta-feira, 2 de março de 2018

We are the world




Todos nos lembramos de "We Are The World" , canção idealizada e composta por Michael Jackson e Lionel Richie, gravada em 28 de janeiro de 1985 por 45 dos maiores nomes da música norte-americana, num projeto que teve como objetivo angariar fundos para o combate à fome no continente africano ...



A África é um continente grande e cheio de problemas.
Como todos sabemos, até metade do século 15 os africanos eram livres. Continente rico em recursos, ficou refém da ganância dos europeus, logo que ali chegaram. Homens, mulheres e crianças eram obrigados a deixar as tribos e entrar nos navios negreiros, onde eram transportados como carga. Ficavam acorrentados no porão, sem condições de higiene e pouca comida. Muitos ficavam doentes e morriam na viagem. Quando chegavam ao destino, eram vendidos de acordo com suas condições físicas. As famílias eram separadas. Quem desobedecia era castigado e podia até morrer.
A escravatura, que foi uma fonte de riqueza para os europeus, era plenamente conhecida e aceite pela sociedade da época.
No século XVIII surgiram os movimentos anti-esclavagistas.  Em 1869, o governo português, liderado pelo Marquês de Sá da Bandeira, aboliu a escravatura em todo o território português (já antes o Marquês e Pombal a tinha abolido mas só para Portugal continental)

Em 1885, teve lugar a Conferência de Berlim, em que participaram Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha . O continente africano foi praticamente retalhado e dividido pelos vários países, embora de forma desigual
No início do século XX começaram a surgir grupos e movimentos que lutavam pela independência. A Segunda Guerra Mundial, com o enfraquecimento económico e político de grande parte dos países europeus, especialmente aqueles que detinham colónias em África, levou a que, aos poucos, fossem perdendo o controle sobre os territórios de sua administração. As lutas pela independência intensificaram-se na década de 60, como foi o caso de Portugal

Com muito derramamento de sangue, os países foram alcançando a independência política. No entanto, a divisão dos territórios, orquestrada fundamentalmente pelos países europeus, não levou em consideração as “fronteiras” anteriormente existentes, justificadas por razões de ordem étnica, cultural e religiosa. Com a instauração das novas fronteiras algumas tribos foram separadas, grupos rivais agrupados, o que desencadeou e continua a desencadear inúmeros conflitos em distintos lugares de África. Por outro lado, se conseguiram a independência política, continuam a manter um elevado grau de dependência em relação às antigas metrópoles, nomeadamente pelo atraso em desenvolvimento tecnológico, industrial e económico.
Da imensa riqueza do continente, a esmagadora maioria dos africanos pouco ou nada tem beneficiado. Só nas últimas décadas, a fome, a pobreza e as doenças mataram milhões de pessoas. . Segundo a ONU, 25% da população passa fome.

A Unicef refere que quase 27 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, em países que enfrentam ou estão em risco de fome.
(...) falta de água, saneamento básico, práticas de higiene inadequados e epidemias representam uma ameaça adicional a crianças desnutridas no Iemen, no norte da Nigéria, na Somália e no Sudão do Sul.
A África do Sul é um dos países mais ricos do continente africano, Apesar disso, a cidade do Cabo enfrenta problemas gravíssimos, nomeadamente no que respeita à escassez de água

O problema da escassez de água, aliado ao aquecimento global estão a tomar proporções muito preocupantes em todo o planeta,


mas infelizmente há mentes muito tacanhas





Face à extrema gravidade do problema, a sensibilização para os problemas ambientais deve começar desde cedo.

Nesse sendo deixo dois vídeos interessantes, para todas as idades….



Deixo também um vídeo com uma música dedicada à água





Quase a terminar  incluo alguns poema do meu livro Requiem pelo planeta azul (2017)


No rio cristalino que corria outrora,
as águas cantavam enquanto corriam.
Cantar e correr eram seu mister
Agora, no rio que lentamente morre,
a água não corre,
            arrasta-se dolente e já não canta, chora.

Agosto.
O sumo da rubra melancia nas mãos e no rosto.
Procuro a velha fonte, água cristalina, sempre fria,
a rumorejar, qual litania.
Água imprópria para consumo.
            Uma heresia conspurca o xisto centenário

Deixou de cair a chuva benfazeja.
e o deserto avança passo a passo.
Suplicante o olhar perdido da criança,
que passa fome e sede sem entender porquê.
Vazio o olhar do velho sem esperança
que não implora mais, pois já não crê.

A sombra do velho salgueiro na margem,
os pés chapinando na água, o limo escorregadio.
O rio que então me parecia imenso.
A infância, agora uma miragem.
O sussurro da água ainda se recorta no silêncio,
mas já não é cristalino o velho rio.

            Algures a chuva caiu furiosamente,
destruindo tudo na passagem
Desencantada com a espécie humana,
não consegue controlar os seus impulsos.
Por vezes cai de forma insana,
tudo engolindo na voragem,
outras não cai e deixa agonizante
a terra seca e gretada que a reclama.

Água, esquife de Ofélia,
fonte de vida para o lírio,
a bromélia, a rosa, a camélia,
para as flores no altar.
Água de sangues e linfas,
de sereias e ninfas,
dos homens cativa,
cada dia mais ténue o seu respirar.





E porque falei da África do Sul, não posso deixar de evocar, com um pequeno vídeo de 2010, Nelson Mandela, um símbolo mundial na luta pela paz e entendimento dos homens,