Confesso que o
prazer que me proporciona a física quando as coisas corrembem émuitosuperior
aoda música. Mas issosó ocorre
muitopoucas vezes numa carreira profissional, ao
passo que se pode ouvir um disco sempre que se queira.
Hawking, que nasceu a 8 de Janeiro de 1942, faleceu ontem, dia 13 de março, aos 76 anos.
A
morte foi comunicada à imprensa inglesa pela família. "Estamos
profundamente tristes pela morte do nosso pai hoje",
disseram os filhos Lucy, Robert e Tim. "Era um grande
cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado viverão
por muitos anos".
Hawking,
um dos mais prestigiados nomes da ciência, revolucionou os estudos
sobre os buracos negros, nunca deixando de se indagar sobre a origem
do Universo. Excelente divulgador, explicou o tema ao público em
geral, no livro "Uma breve história do tempo",
Mais alguns pormenores do seu percurso podem ser lidos em https://dererummundi.blogspot.pt/2018/03/stephen-hawking-1942-2018.html#comment-form num
texto do Prof. Carlos Fiolhais Ao mesmo tempo que provocava, com humor e inteligência, o que sabíamos
sobre o cosmos, desafiava os próprios limites da vida humana
Aos
21 anos foi-lhe diagnosticada esclerose lateral amiotrófica
(também conhecida como a doença de Lou Gehrig) e um tempo de vida
máximo de três anos. A doença veio a afectá-lo gradualmente, ao
ponto de apenas conseguir mexer pouco um dedo e piscar os olhos, mas
o físico fintou o diagnóstico. Com a ajuda de uma cadeira de rodas
e de um sintetizador de voz, ultrapassou em quase cinco décadas o
tempo de vida previsto,
sem nunca prescindir de participar na comunidade científica.
Em
2007 participou num voo para "sentir" a gravidade zero que
pode ser visto aqui
"Perdemos
uma mente verdadeiramente bonita, um cientista surpreendente e o
homem mais engraçado queeu já tive o prazer de conhecer. Meu amor e
meus pensamentos estão com a sua família extraordinária".
Cum
uma personalidade tão fascinante, não é de estranhar que “aceitasse
figurar” em filmes ao lado de Homer Simpson
O Prof https://dererummundi.blogspot.pt/2018/03/stephen-hawking-1942-2018.html#comment-form
Termino
com a referência a uma entrevista, com que comecei esta mensagem. Ao
longo da mesma, Hawking foi revelando algumas das suas preferências
musicais. E é com algumas dessas preferências que eu presto uma
modestíssima homenagem a um ser humano excecional.
Todos
nos lembramos de "We
Are The World"
, canção idealizada e composta por Michael Jackson e Lionel Richie,
gravada em 28 de janeiro de 1985 por 45 dos maiores nomes da música
norte-americana, num
projeto que
teve
como objetivo angariar
fundos para o combate à fome no continente africano ...
A
África é um continente grande e cheio de problemas.
Como
todos sabemos, até
metade do século 15 os africanos eram livres. Continente
rico em recursos, ficou refém da ganância dos europeus, logo que
ali chegaram. Homens,
mulheres e crianças eram obrigados a deixar as tribos e entrar nos
navios negreiros, onde eram transportados como carga. Ficavam
acorrentados no porão, sem condições de higiene e pouca comida.
Muitos ficavam doentes e morriam na viagem. Quando chegavam ao
destino,
eram vendidos de acordo com suas condições físicas. As famílias
eram separadas. Quem desobedecia era castigado e podia até morrer.
A
escravatura, que
foi
uma fonte de riqueza para
os europeus,
era plenamente conhecida e aceite pela sociedade da
época. No
século
XVIII surgiram os movimentos anti-esclavagistas. Em
1869, o
governo português, liderado pelo Marquês de Sá da Bandeira, aboliu
a escravatura
em
todo
o território português (já antes o Marquês
e Pombal a tinha abolido mas só para Portugal continental)
Em
1885, teve lugar a Conferência de Berlim, em que participaram
Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha
.Ocontinente
africano
foi
praticamente retalhado e
dividido pelos
vários países, embora de forma desigual
No
início do século XX começaram
a surgir
grupos e movimentos que lutavam pela independência.
A Segunda Guerra Mundial, com o enfraquecimento económico
e político de grande parte dos países europeus, especialmente
aqueles que detinham colónias
em
África, levou
a que,
aos poucos, fossem
perdendo
o controle sobre os territórios de sua administração. As
lutas
pela independência intensificaram-se
na década de 60, como
foi o caso de Portugal
Com
muito
derramamento de sangue, os
países foram alcançando a
independência política. No
entanto, a divisão dos territórios, orquestrada
fundamentalmente pelos países
europeus,
não
levou em consideração as “fronteiras”
anteriormente existentes, justificadas por razões
de ordem étnica, cultural
e religiosa. Com a instauração das novas fronteiras algumas tribos
foram separadas, grupos rivais agrupados, o que desencadeou e
continua a desencadearinúmeros
conflitos em distintos lugares de África. Por outro lado, se conseguiram a independência política, continuam
a manterum
elevado grau de
dependência em relação às antigas
metrópoles, nomeadamente
pelo
atraso em desenvolvimento tecnológico, industrial e económico.
Da
imensa riqueza do continente, a esmagadora maioria dos africanos
pouco ou nada tem beneficiado.Só
nas últimas décadas, a
fome, a pobreza e as doenças mataram milhões de pessoas. . Segundo
a ONU, 25%
da população passa fome.
A
Unicef refere que quase 27 milhões de pessoas não têm acesso a
água potável, em países que enfrentam ou estão em risco de fome.
(...)
falta de água, saneamento básico, práticas de higiene
inadequados e epidemias representam uma ameaça adicional a crianças
desnutridas no Iemen, no norte da Nigéria, na Somália e no Sudão
do Sul.
A
África do Sul é
um
dos
países
mais ricos
do continente africano, Apesar
disso, a cidade do Cabo enfrenta problemas gravíssimos, nomeadamente
no que respeita à escassez de água
Quase a terminar incluo alguns poema do meu livro Requiem pelo planeta azul (2017)
No rio cristalino que corria outrora,
as águas cantavam enquanto corriam.
Cantar e correr eram seu mister
Agora, no rio que lentamente morre,
a água não corre,
arrasta-se dolente e já não canta, chora.
Agosto.
O sumo da rubra melancia nas mãos e no rosto.
Procuro a velha fonte, água cristalina, sempre fria,
a rumorejar, qual litania.
Água imprópria para consumo.
Uma heresia conspurca o xisto centenário
Deixou de cair a chuva benfazeja.
e o deserto avança passo a passo.
Suplicante o olhar perdido da criança,
que passa fome e sede sem entender porquê.
Vazio o olhar do velho sem esperança
que não implora mais, pois já não crê.
A sombra do velho salgueiro na margem,
os pés chapinando na água, o limo escorregadio.
O rio que então me parecia imenso.
A infância, agora uma miragem.
O sussurro da água ainda se recorta no silêncio,
mas já não é cristalino o velho rio.
Algures a chuva caiu furiosamente,
destruindo tudo na passagem
Desencantada com a espécie humana,
não consegue controlar os seus impulsos.
Por vezes cai de forma insana,
tudo engolindo na voragem,
outras não cai e deixa agonizante
a terra seca e gretada que a reclama.
Água, esquife de Ofélia,
fonte de vida para o lírio,
a bromélia, a rosa, a camélia,
para as flores no altar.
Água de sangues e linfas,
de sereias e ninfas,
dos homens cativa,
cada dia mais ténue o seu respirar.
E
porque falei da África do Sul, não posso deixar de evocar, com um pequeno vídeo de 2010, Nelson Mandela, um símbolo mundial na luta pela paz e entendimento dos homens,
Nos
dias 2,9,16 e 23 de janeiro, a RTP passou o Documentário
2077-10
s para o futuro ,
num total de 4 programas que podem ser
vistos aqui ( http://media.rtp.pt/2077/).
Entre
os vários intervenientes no programa contam-se António Guterres,
Sobrinho Simões e o cientista e grande divulgador científico,
Michio Kaku
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Michio_Kaku),
Creio
que a 1ª vez que tomei contacto com o cientista/divulgador, foi ao
ler o livro “Para além de Einstein”, edição de 1989.
Ainda
a propósito dos multiuniversos e da teoria das cordas pode
ler-se um artigo muito interessante de Carlos
Fiolhais, publicado em 2012, na Gazeta de Física e
do qual reproduzo um
excerto https://www.spf.pt/magazines/GFIS/109/article/858/pdf
O
físico de cordas Brian Greene, da Universidade de Columbia e autor
de “O Universo Elegante”, comparou, num recente artigo publicado
na Newsweek, a situação actual dos físicos à de Newton, sentado
de baixo da sua macieira. Suponhamos que ele observou a queda das
maçãs e concluiu que certas maçãs, as que viu, caem e outras, as
que não viu, sobem ao céu (onde estão há muito tempo).
Analogamente, não veríamos os outros Universos por estarem para lá
das nossas possibilidades da visão. Embora improvável, há, porém,
a hipótese de o nosso Universo colidir com outros universos do vasto
Multiverso, resultando daí algum sinal observável, como por exemplo
alterações na radiação cósmica de fundo. Mas nada disso se viu
até agora. As ideias das muitas teorias de cordas e dos múltiplos
universos poderão ser mais metafísica do que física, tal como a
teoria das maçãs que sobem ao céu.
A dificuldade em imaginarmos um Universo com mais dimensões, para além das quatro que conhecemos (3 espaciais e uma temporal), pode ser entendida através deste pequeno vídeo “Planolândia”https://www.youtube.com/watch?v=EHXQPu_MOwA
Tal
como o Universo, também a pessoa humana é multidimensional.
O
ser humano é formado por um conjunto de dimensões: orgânica,
biológica, mental, emocional, intelectual, cultural, social,
planetária e espiritual. Nas últimas décadas, por exemplo,
negligenciamos a nossa dimensão planetária e não nos demos conta
dos impactos de nossas ações sobre o meio ambiente. Embora fosse
real, a perspectiva planetária não era percebida. A novidade não é
o que está acontecendo, mas a forma como a gente percebe que está
acontecendo.
A
lógica do mercado reduz tudo a uma só dimensão provocando uma
distorsão lenta e gradual nos conceitos e consequentemente na
perceção das pessoas que passam a buscar a felicidade e a
satisfação em conquistas materiais
A
propósito desta última reflexão permitam-me que conte um episódio
bem revelador desta conceção:
Há
cerca de dois anos, quando chegava à minha aldeia e estando o meu
marido a meter o carro na garagem ( um modesto Honda Jazz com vários
anos), passa uma senhora e comenta com ar espantado:
-
Ah, “inda num tem um mercedes? Agora, cá no povo, já muita gente
tem...
Mudou
a percepção do ser humano a respeito de si mesmo. Essas múltiplas
dimensões sempre existiram, sempre praticamos todas elas, mas não
percebíamos o que estava acontecendo e não nos sentíamos
responsáveis pelos impactos provocados. ”
Um
exemplo paradigmático do desrespeito por essa dimensão planetária
vem-nos do Presidente do país mais poderoso do mundo, para quem nada
mais importa para além do ter e do poder, indo ao ponto de
considerar que o aquecimento global é um mito...
A
esta altura poderá perguntar-se;
-
Que tem isto tudo a ver com as mochilas dos estudantes?
O
excesso de peso das mochilas escolares contribui para a ocorrência
de problemas de saúde de crianças e jovens, designadamente dores
nas costas, alterações na marcha e postura deficiente, conforme
conclusões de diversos estudos, designadamente da OMS.
Entre
os vários fatores que condicionam o peso das mochilas, está o peso
dos manuais escolares.
Para
cada disciplina, o aluno tem, genericamente, mais que um livro ( o
manual propriamente dito, o manual de atividades, os frisos
históricos….) quase todos profusamente ilustrados, muitas vezes
com repetição de exercícios levada à exaustão, informação
irrelevante, etc, etc..
E
porquê toda esta profusão de papel?
Quem
é ou foi professor conhece bem a “competição” entre editoras
quando da escolha dos manuais escolares. E essa competição gera
toda esta multiplicidade de recursos (?).
E
assim, a preocupação com a saúde dos jovens é relegada para 2º
plano.
Mas
há mais, nesta luta pelo lucro. Os professores são aliciados por
uma parafernália de “livros de apoio” para a docência
da respetiva disciplina.
Há
dias, comentando a mensagem A
capacitação dos professores para tomarem decisões,
da autoria de Helena Damião,
postada aqui,( ( http://dererummundi.blogspot.pt/2018/02/a-capacitacao-dos-professores-para.html#comment-form) escrevi:
....a propósito de umas dúvidas que um dos meus netos apresentava
em Ciências Naturais, consultei o manual e vários
complementos de apoio ao professor. Fiquei horrorizada...
Acredito
na boa intenção dos autores, cuja competência não ponho em
dúvida, mas pergunto:
Os
professores são tão incapazes que precisam que lhes apresentem:
-Planificações
a médio prazo, planos de aula, atividades de desenvolvimento, de
recuperação, estruturantes da aprendizagem, para aulas de
substituição,....num total de mais de 250 páginas?
Que
espaço resta para a criatividade do professor? E lembrei-me de
imediato de textos fantásticos de Ruben Alves, enfatizando que cada
professor deve ter "seu jeito" de ensinar.
Pergunto
ainda:
Os
professores estão de tal forma anestesiados (com toda a burocracia
que os envolve) que aceitam este "protecionismo" quase
infantilizante?
Até 10 de Janeiro de 2010 esteve patente na Casa da Cultura Manuel Lueiro, em O Grove, Galiza, uma exposição de trabalhos de alunos da galeria Utopia .
Participei com os dois trabalhos anexos; no dia da inauguração tive a agradável surpresa de ver que o cartaz (1mx2m) que anuncia a exposição foi construído com a imagem do 2º quadro.
Quadros na exposição em Grove
Imagem que figura no cartaz
cartaz da exposição em Grove
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Há ciência e poesia nas coisas do dia a dia
Tamanho XXS
Quando o mistério se dilui na penumbra
Para mais tarde recordar
Requiem pelo planeta azul
quando o mel escorre nas searas
revista Philos 2017
revista Philos 2014
O bosão do João
Sete Luas
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Terras de cieiro
Entre margens
Pelo sistema solar vamos todos viajar..
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Breve história da Química
Era uma vez...
Magnetismo...
Reflexões...
Estórias....
Se eu não fosse....
Um poema para Fiama
Os dias do Amor
Uma viagem para Pasárgada
Cancioneiro Infanto- Juvenil...
Fiat Lux
O amor em visita
A Terra de Duas Línguas II.Antologia de Autores Transmontanos
Por longos dias, longos anos, fui silêncio
antologia
Entre o sono e o sonho
Textos on-line
Estão disponíveis on-line: -Magnetismo Terrestre (livro de poesia) -Reflexões e Interferências (livro de poesia) -Estórias com sabor a nordeste (livro de ficção) -Einstein (poema) -Se eu não fosse professora de Física. Algumas reflexões sobre práticas lectivas(didáctica) -Vou-me embora para Pasárgada (conto)
Como todos nós, feita de pó de estrelas, estou apenas de passagem nesta fantástica viagem desde um passado remoto até um futuro ignoto.
(Para saber mais consultar a página CV)