Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste ….parte 4


Regresso ao descritivo das férias..
No dia 17 fomos jantar a casa da Isabel que tinha uma irmã a passar uns dias com ela. Um dos petiscos eram peixinhos do “rio” pescados no profundo lago que cobriu a ribeira de Zacarias, (afluente do Sabor), que ali corria mas no verão quase secava. A pesca e a caça foram, noutros tempos, hobbies do meu marido pelo que no dia seguinte lá estávamos nós.
Estava apenas um pescador, um senhor extremamente simpático. Vivera em Angola onde casou com uma senhora dos Cerejais, aldeia do concelho de Alfândega da Fé. Regressou como “retornado”e arranjou emprego em Valongo onde trabalhou até à reforma. Nessa altura a mulher quis regressar às origens. Na impossibilidade de arranjar casa nos Cerejais foram viver para Sambade, onde uma cunhada lhes cedeu uma casa.
Veio para o Nordeste a contragosto mas como sempre teve o hobbie da pesca, participando inclusivamente em vários concursos, passa os seus dias junto à albufeira. Entusiasmou o meu marido de tal forma que logo que pôde foi à Adeganha buscar material. O meu cunhado tinha um arsenal de pesca que daria para muitos pescadores...
Entretanto chegou o dia 20. Há meses que andava a ser preparado um almoço da família Gouveia com origens na Parada.


Envolveram-se profundamente na pesquisa quatro elementos um deles, Manuel António Gouveia, meu parente como acontece com muitos Gouveias. Vários elementos da família Ramos (descendentes do avô materno do meu pai) ao longo dos tempos foram casando com elementos da família Gouveia. No caso do primo que acabo de referir, a mãe era Ramos, prima direita do meu pai e o pai era Gouveia. Há até um episódio triste nesta ligação entre famílias. Uma irmã da minha avó (Ramos) iria casar com o avô paterno do meu marido (Gouveia). Era, ao que consta, uma jovem muito bonita. Tinha um problema grave de coração pelo que o médico receava que o casamento e eventual maternidade lhe agravassem muito o estado de saúde. Os meus avós paternos ao tempo viviam no Porto, pelo que os meus bisavós decidiram que a filha deveria consultar um especialista.
A cavalo, sentada numa cadeirinha (não sei se aquela que eu herdei da minha avó),


 o melhor meio de transporte que poderiam usar, levaram-na até a à estação do Pocinho onde apanhou o comboio que a levaria ao Porto.
E a este propósito regresso a Ernestina de Rentes de Carvalho que refere a viagem até ao Pocinho, desde a sua aldeia que dali dista menos que a minha.
Como a ida e volta até à estação do Pocinho eram dois dias e duas noites...(pag 55)
A minha tia avó, de nome Laurinda, não chegou a consultar o médico pois morreu pouco tempo após a chegada, possivelmente devido ao cansaço da viagem.
Nas feiras a tragédia era cantada. Só sei parte da letra mas segundo consta era mais ou menos assim

Laurindinha, Laurindinha
de tão grande formosura
foi ao Porto para curar-se
e voltou para a sepultura
Larindinha, Laurindinha
o seu mal não tinha cura
Pr´o prometido na terra
grande foi a amargura.

Regresso ao Encontro da Família Gouveia

Durante a sessão de boas vindas foi sendo apresentada a árvore genealógica desde o início do século XIX até aos dias de hoje. Seguiram-se a visita guiada e o almoço que contou com a presença da Presidente da Câmara e marido.
O convívio durante o almoço foi-se alongando pelo que, findo o mesmo seguimos para a Parada onde o encontro terminou.
No encontro estavam duas amigas de infância, se bem que mais novas, cuja mãe, professora, e prima direita de umas primas minhas, completou cem anos há pouco tempo.
Sempre que as filhas vêm à aldeia, faz questão de vir também embora tenha problemas de mobilidade. Fui visitá-la no fim do encontro. Já não a via há bastante tempo. Mal me aproximei uma das filhas perguntou: Mamã, sabes quem é? Respondeu de imediato “É a Gininha Sousa”.
É impressionante a lucidez que mantém.

Regresso ao almoço. Tinha recebido, há uns tempos, um convite para estar presente no VI Encontro de Escritores Transmontanos, organizado pela Poética Editora, com autores editados pela mesma . Entre os autores previstos para fazerem apresentações de livros estava um de Bragança, o meu amigo de infância António Afonso. Para além desse estavam António Sá Gué, um autor de Moncorvo  e uma autora Raquel Serejo Martins, também transmontana, que não conhecia. Conversava com a Presidente da Câmara sobre o referido encontro quando me disse: Já tinha pensado que é pena haver um encontro de escritores em Alfândega e não estar nenhum escritor da terra a apresentar um livro. E como desde há algum tempo a Câmara andava para editar um livro meu,Terras de Cieiro, decidiu comunicar com a Editora para ver se poderia ser editado até ao encontro, mas a editora respondeu que não seria possível. No entanto conseguiu-se uma solução de que falarei na próxima mensagem.

Na 2ª feira, 22, a minha ex-aluna Raquel, médica em Bragança e com quem gosto sempre de me encontrar, aceitando o convite que lhe fizera apareceu para almoçar, acompanhada pelo namorado. Já no ano passado estivemos juntas uma vez na Adeganha, outra na Parada. Chegou com uma série de mimos entre eles um bolo de maçã, muito saboroso. No fim do almoço tentámos visitar o Santuário de Santo Antão da Barca, a que me referi já várias vezes
Mas não pudemos lá chegar pois estavam a empedrar os acessos, obra que deveria estar pronta até ao dia 3, em que iria ter lugar a festa 


Termino com mais um pôr do Sol, visto do meu terraço, enquanto ali jantávamos



Interregno...


Um pequeno interregno para anunciar mais um concerto da banda que o meu filho Nuno integra. É já no próximo dia 10, pelas 23h30min, na Rua Ló Ferreira, 125, Matosinhos.




quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste ….parte 3


Cheguei à Parada e nova azáfama me esperava, embora menor, pois iria poder contar com a ajuda da mulher do senhor que toma conta das poucas terras que ainda temos.
Ainda de manhã fui dar umas braçaditas na mini piscina onde, todos os dias, me refrescaria várias vezes ao dia.
O meu marido chegaria à hora do almoço, uma feijoada que ele traria de um restaurante de Alfândega, onde teve que passar antes de chegar à aldeia.
À tarde telefonei à Isabel, de quem já aqui falei, uma escultora ainda familiar que vive em França, mas reconstruiu a casa dos avós e está a reconstruir uma outra que lhe servirá de atelier. Convidei-a para jantar.
Fizemo-lo no terraço, como aconteceu quase todos os dias, tendo por cenário o pôr do Sol.



Como a propósito de livros se falou em Rentes de Carvalho, disse-me que estava a ler “Pó, cinza e recordações” e de seguida iria ler “Ernestina”. Tenho o primeiro mas não o segundo pelo que mo emprestou. Iria ser uma das minhas leituras… 

Começa assim
«Deus criou o mundo em Vila Nova de Gaia, numa tarde quente de Maio em 1930. E eu, quando uns quatro anos depois comecei a observar a Sua criação, não o fiz como seria de esperar, apenas com os olhos que Ele me tinha dado à nascença, mas quase exclusivamente através dum binóculo.»
Algumas das considerações que tece (pag13)  sobre um tio avô a que chamava avô, poderiam ter sido escritas sobre o meu avô (nascido em 1863), que não conheci mas de que irei falar mais adiante.
Ouvi dizer também que era bom, cumpridor, fiel aos seus amigos(….)Deixou fama como caçador.(…) 


Já aqui referi que a adega da casa tem sido para mim como uma arca do tesouro. Por volta de 1995 começámos a explorar o imenso caos ali existente. Foi assim que descobri, dentro duma mala, um conjunto de poemas do meu pai que viriam a ser publicados pela Câmara de Alfândega da Fé 


Mas descobri muitas outras coisas, para mim autênticas preciosidades. Pensei então em fazer uma espécie de museu para deixar a filhos, netos…

Só que a tarefa é ciclópica, e como só lhe posso dedicar alguns dias por ano, avança lentamente. Para além disso, de entre as inúmeras peças que me aparecem, há muitas cuja função desconheço. Vale-me o meu marido que as conhece ou se as não conhece, as vai analisando com toda a sua minúcia de arquiteto e acaba por lhes adivinhar a função que mais tarde confirma junto de algumas “entendidos” da aldeia.







Este ano decidiu ajudar-me pelo que começámos a tarefa de organizar as ferramentas.
As peças mais bonitas são as de carpintaria. Que eu saiba, não tive nenhum carpinteiro na família mas o meu avô, nas horas de lazer lia ou fazia peças em madeira: cadeirinhas para os filhos, uma estante, um porta lápis e canetas, que tenho na minha casa do Porto, etc
À medida que vamos organizando as peças, segue-se a tarefa de as limpar,   que sobra para mim... Logo na primeira peça que limpava, uma plaina, deparei com as iniciais do meu avô...Mais tarde foi a vez de um serrote...





O meu avô não era da Parada mas de uma aldeia vizinha, Sendim da Ribeira. Não gostava das lides de lavoura pelo que ingressou na Guarda Fiscal. Já no posto de 1º cabo escolheu para casar, a minha avó, natural da Parada, mas o meu bisavô, lavrador razoavelmente abastado, de início não se entusiasmou. Não percebe nada de lavoura, tem boas terras na aldeia mas pouco trabalhadas… Tinha no entanto algumas caraterísticas que agradavam ao meu bisavô, nomeadamente alguma cultura (lia bastante, assinava o jornal, escrevia muito bem...) que o tornavam diferente de quase todos os candidatos à mão da filha, lavradores mais abastados mas que, terminada a escola,nunca mais tinham pegado num livro e nunca tinham lido um jornal. Começou a sua carreira no Porto onde nasceram 3 dos 9 filhos e ali, tal como o “avô” de Rentes de Carvalho, comandou o posto da Guarda Fiscal, na Alfândega. Tinham ainda em comum o gosto pela leitura 
Fanático como era da leitura (…)in Ernestina, pag 58. 
Não conheci os meus avós mas, tal como o avô de Rentes de Carvalho, também o meu avô terá sido um excelente caçador.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste ….parte 2


A semana seguinte foi de uma azáfama tremenda. Era preciso ensaiar uma peça de teatro e filmá-la a seguir para, tal como no ano anterior, ser projetada na TV como se fosse um filme.
Desta vez a Rita decidiu imaginar e filmar pequenos anúncios de filmes, “supostamente”em cartaz. Estes antecederiam a apresentação da peça
Briosa como é, desesperava sempre que os atores(irmão e primos) levavam pouco a sério o papel.
O tempo fugia veloz e ela, lágrimas nos olhos, dizia: Não vamos conseguir a tempo…
Mas conseguimos.
Entretanto, no dia 26, alegando que precisavam de ensaiar, fecharam-se numa sala e não me deixavam entrar. Ao jantar fizeram-nos uma surpresa. Brindaram-nos com textos e desenhos. Era o Dia dos Avós...
Eis o trabalho da mais pequenina...

Na sexta, 29, chegariam filhos e noras. O espetáculo ficou pronto a tempo e foi apresentado mas por o filme tem 1,5 G não consigo mostrá-lo aqui

No dia 30 fomos à praia fluvial da Foz do Sabor

Ao fim do dia fomos à piscina de Moncorvo http://dourovalley.eu/poi?id=1268 
onde todos, em especial os mais pequenos, passámos um fim de tarde fantástico. À noite participámos num jantar organizado na aldeia para celebrar os 25 anos da associação cultural e recreativa e simultaneamente angariar fundos para poderem ampliar as suas atividades. A aldeia é muito pequenina pelo que me surpreendeu esta iniciativa. Foi muito agradável pois permitiu o convívio com as pessoas que ali habitam e com outras que ali vão só de férias.
Dia 31, filhos, noras e netos foram ao aquafixe





Após o fim de semana os adultos regressariam ao Porto, exceto o meu filho mais velho. A mulher regressaria no dia 3. No dia 4 foram com os filhos a Miranda do Douro onde fizeram um passeio de barco, Douro acima. Como eram quatro, já não podiam levar os sobrinhos e para os compensar fomos passar o dia à minha aldeia onde preparámos a piscina ( o antigo lagar de vinho que existia em minha casa) em que os miúdos se deliciaram.

Casal e filhos partiriam dia 5 rumo a outras férias, no mesmo dia em que chegaram, ao fim da tarde, o meu outro filho, a mulher e o David, um coleguinha do José.


No dia 6 ao fim a tarde, o casal foi com os filhos e o David, à piscina de Moncorvo, No dia 7 o meu filho decidiu fazer um baloiço, tarefa que teve que interromper a meio da tarde para levar a minha nora ao Pocinho onde apanharia o comboio para o Porto. Precisava de trabalhar no projeto de investigação em que está envolvida.

Após o jantar mostrámos ao David o filme com a nossa peça de teatro. Ficou entusiasmadíssimo e perguntou-me. Podemos fazer outro espetáculo idêntico? Começámos de imediato a trabalhar as propostas que os os três iam sugerindo, fizeram-se as filmagens e o meu filho ficou de fazer a montagem logo que pudesse. O David não cabia em si de contente.  Tudo se passa numa academia com várias vertentes, uma escola de dança, atividades de parkour (que nocartaz ficou com c em vez de k...), capoeira, etc
Deixo duas fotos




Entretanto o meu filho concluiria o baloiço 






Dia 9 regressaram ao Porto, pois seguir-se-ia um período de férias no Algarve. Preparei-lhes um pic -nic para fazerem em Carrazeda de Ansiães. Começaram por visitar o Museu da Memória Rural em Vilarinho da Castanheira http://www.cm-carrazedadeansiaes.pt/pages/294 que acharam muito interessante e terminaram o dia na piscina http://dourovalley.eu/poi?id=1161. Chegaram ao Porto já noite.
Dia 10, uma nova azáfama...Lavar as roupas de cama e não só e preparar as tralhas pois dia 11 rumaríamos para a Parada.
Dia 11 parti logo cedo com o jipe. O meu marido partiria mais tarde pois ficou a ultimar algumas coisas que tinha para fazer.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste …. parte 1

Regresso ao Blogue após mês e meio de ausência...


Desde que o meu marido herdou a casa de família, que pertencera ao irmão, as nossas férias de verão começam em Adeganha (Moncorvo)
onde passamos cerca de 3 semanas e terminam na minha aldeia, Parada(Alfândega da Fé), onde passamos igual período de tempo. A ordem tem que ser esta pois a 25 de julho há festa na Parada e o barulho é insuportável durante duas semanas, a que antecede a festa e a que lhe sucede...

Partimos do Porto no dia 21 de julho, com os dois netos “rapazes” e o gato.
Quando os filhos eram pequenos, estas viagens eram “tenebrosas”. Saíamos de Porto ainda de manhã, fazíamos algumas paragens pois as inúmeras curvas provocavam enjoos, especialmente nas crianças, e chegávamos muitas vezes ao fim do dia. Agora são apenas duas horas, se se cumprirem os limites de velocidade...
Logo que se chega é a agitação do costume: descarregar o carro, arrumar as “tralhas” preparar as refeições, os quartos. Os pequenos foram ajudando, por entre uns chutos na bola, no curral (pátio onde, noutros tempos, circulavam animais (cavalos, bois, muares, galinhas, perus, porcos,etc) a caminho das “lojas”, capoeiras, etc.


Ao fim do dia fizemos um mapa com o planeamento das atividades ao longo de cada dia (uso do tablet, leitura, televisão, jogos de tabuleiro, atividade física, ensaios para o teatro, passeio pela aldeia, etc). Perto de nossa casa vive uma senhora que por vezes me ajuda nas limpezas da casa e costuma ter cachorrinhos, pelo que os passeios incluíam sempre uma visita aos mesmos.
O mapa ficou afixado para facilmente ser consultado.
No dia seguinte fomos abastecer-nos na aldeia de Cardanha, a 2km da Adeganha pois nesta (aldeia muito bonita mas muito pequena) não há qualquer loja. Aproveitámos para almoçar no restaurante anexo ao supermercado e regressámos a casa.
As atividades decorreram mais ou menos de acordo com o planeamento e digo mais ou menos porque, se me descuidava, o tempo do tablet era logo excedido…
No sábado chegaram filhos, noras e as duas netas.
Nesse mesmo dia montaram a piscina insuflável. Pequenina, faria no entanto a delícia dos mais novos, nos dias quentes com que o verão nos brindou foto.



À tarde, o meu marido e o meu filho mais velho foram buscar o jipinho que temos na Parada pois como iríamos ficar com os quatro netos, eu precisava de ficar também com um carro. O espetáculo com que depararam deixou-me arrepiada, apesar de só o ter visto em foto...….
Junto ao portão de casa, em altos brados, o camião com a instalação sonora para a festa.



Terminado o fim de semana, em que o Nuno fez uma baliza para as crianças jogarem futebol, os adultos regressariam ao Porto. 
O cartaz que se vê na imagem  foi temporariamente colocado durante as filmagens de uma outra peça de teatro de que falarei mais tarde.




quinta-feira, 21 de julho de 2016

Se eu tivesse tido tempo…


Creio já ter referido aqui que as mensagens que coloco no blogue são essencialmente uma espécie de "diário" (mais semanário ou mensário) não íntimo, que me permite (e permitirá, espero eu) revisitar quando me apetecer e poderá ficar como um testemunho de eventos mais ou menos importantes, com eventual interesse para os filhos e netos. Nunca esperei ter muitas visualizações nem seguidores e não me preocupa se há muita gente a ler as mensagens ou não. 
Sinto pena de não ter tempo para escrever mais, como tinha quando iniciei o blogue. Sinto pena também de não estar a ser fiel ao objetivo a que me propus."um blogue onde a ciência, a música, a literatura e a arte em geral andam de mãos dadas..."

Se eu tivesse tido tempo teria feito referência a este poema de Armando Silva Carvalho “postado” a 8 de Julho por Ângelo Miguel Pessoa Alves in de Rerum Natura http://dererummundi.blogspot.pt/2016/07/armando-silva-carvalho-sombra-do-mar.html

LEITURA DE JORNAL
Enrolado pelas nuvens duma eternidade,
debruado pelas franjas de catástrofes cósmicas,
soletrado numa lentidão de milénios pela voz sintetizada e virtual 
de Stephen Hawking,
podes tu alguma vez imaginar todo o espectro poético
da explosão do campo de Higgs?

100 000 milhões de gigaelectrões-volts não são bastantes
para tornar metastável
o campo desse senhor dos buracos negros,
e fazer dele
uma bolha de vácuo.

Tudo à velocidade da luz, é claro, que a partícula de deus
não é um caracol que vá deslizar
a sua vegetal e mansa paciência pelas folhas
do universo.

Mas a criatura irónica, imobilizada,
esse génio oráculo que fala através dos músculos da face,
esse cérebro de engenhos que desdenham deus,
concentra no seu sorriso um fulgor natural,
talvez o único,
e pretende, diz ele, seduzir as enfermeiras
com o sotaque do texas que lhe sai da máquina falante.

É um riso de fichas virtuais, e as meninges tremem
entre placas, galáxias, anjos megalómanos, funcionários divinos,
engenheiros do eterno e promotores da vida futura
na imensidão devoluta dos planetas.

Abençoado profeta, só eu não sei por que deuses,
fruto absurdo das matemáticas dos tempos,
és o trânsfuga da história
a imagem ambulatória do belo, próxima verdade de nós,
futuro reprodutor do universo.

Se eu tivesse tido tempo não teria deixado de fazer referência a mais um sucesso na exploração do espaço.
A sonda Juno, da Nasa, finalmente chegou a Júpiter, seu destino final. Ela irá orbitar o planeta e obter dados inéditos para a equipe na Terra. A sonda de quatro toneladas, não tripulada, foi lançada pela agência espacial americana em 5 de agosto de 2011,com o propósito de estudar a formação e composição do planeta. Durante a aproximação da sonda já foi possível captar diversas imagens e sons do gigante gasoso.


A propósito de Júpiter deixo um excerto do meu livro para os mais pequenos Pelo sistema solar vamos todos viajar


E a propósito de Júpiter e Io, a obra Júpiter e Io de Correggio (1489-1534),  pintura que se encontra atualmente no Museu de História da Arte em Viena

A pintura é dedicada à história de Io, uma sacerdotisa de Hera, conforme relatado nas Metamorfoses, o poema épico mitológico de Ovídio: enamorado dela, mas temeroso do ciúme da sua esposa Juno, Júpiter fez cair uma espessa neblina sobre a terra e seduziu a rapariga encantadora

E ainda a propósito de Júpiter um excertos da sinfonia “Os Planetas” de Holst



Se eu tivesse tido tempo teria feito referência ao concerto a que assisti na Fundação Manuel António da Mota no dia 15.

Deixo um dos temas ali interpretado

https://www.youtube.com/watch?v=n81JA6xSbcs

Se eu tivesse tido tempo teria feito referência ao bailado O Corsário, no dia 16, no Coliseu e em que as minhas duas netas participaram


Se eu tivesse tido tempo, em vez desta mensagem longa teria provavelmente escrito várias mensagens mais curtas

Mas o tempo, que por vezes se arrasta, na maior parte das vezes por vezes voa...Termino com David Mourão-Ferreira

https://www.youtube.com/watch?v=xb60diwkPQU


Parto daqui a pouco para férias e só devo regressar em Setembro. Quando tiver oportunidade e rede, darei notícias. Boas férias para todos

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Breves ....


Começo pela notícia mais "séria".Há dias, a minha nora Fátima, cientista, deu uma entrevista ao Porto Canal. Pode ser seguida aqui

Este ano não tive oportunidade de ir com os netos ver cascatas, nem tão pouco fizemos a nossa porque todos estiveram fora no S. João. Mas na Rua da Constituição, bem perto de minha casa, numa loja de instrumentos musicais (e não só) que é simultaneamente uma escola de música, não pude deixar de fotografar as montras, onde de uma forma extremamente simples estavam montadas  uma cascata e uma outra alusão ao S. João, usando cartão pintado e bonecos  feitos do mesmo material




Na semana passada, bem como na anterior, o José frequentou uma série de atividades no CDUP. O encerramento foi sexta feira e fui assistir.Aqui ficam imagens






No sábado e tal como já anunciara, decorreu na Casa das Artes o Concerto do Sol 2016. De manhã foi o ensaio geral e à noite o espetáculo que decorreu com a organização impecável  que a Teclarte consegue manter.

Logo na 3ª intervenção a  minha neta Marta (5 anos)  e  mais 4 crianças  tocaram,em teclados, um pequeno excerto de Can´t Help Falling in Love que podemos ouvir abaixo, na Voz de Elvis Presley
(https://www.youtube.com/watch?v=vGJTaP6anOU)





Quase a finalizar, o meu neto e mais seis pessoas, entre elas eu mesma, tocámos em ukulele,
Gonna build a mountain (sob o título Carpe Diem), acompanhados pelo coro, e que podemos ouvir abaixo, na voz de Matt Monro (https://www.youtube.com/watch?v=vKl_p6d0nCk)





Na terça feira passada, a minha neta Marta que  no próximo ano letivo vai iniciar o 1º ano (1ºciclo), foi prestar provas de acesso ao Conservatório. Caso seja selecionada ( o que é altamente improvável), terá ensino integrado. Para mim será um pouco complicado pois não tenho autocarro direto para lá e estacionar ali o carro é quase impossível...
Foi tocar precisamente o excerto que tocara no Concerto do Sol e, segundo ela, os "avaliadores" disseram que tinha tocado muito bem.
Enquanto esperávamos  fez amizade com uma outra menina. Aqui as duas a desenharem


Encontrei lá,  também com um neto, uma colega e amiga que já não via há alguns anos. Foi muito bom.

E a propósito da minha neta Marta, consegui  uma "proeza". Fui com ela para a piscina, sem bóias nem braçadeiras e comecei a afastar-me na água, de modo a que ela tentasse alcançar-me. Passado pouco tempo já atravessava a piscina segundo a menor dimensão e ontem já fez toda a piscina, sempre ao longo da parede, segurando-se de vez em quando, mas sem qualquer outra ajuda. 
Todos ficámos muito satisfeitos mas creio que a maior satisfação foi mesmo a dela que dizia "estou tão feliz,,.."

Como estava sempre atenta a ela, nem me lembrei de filmar. Mas vou fazê-lo em breve.

Esta semana tenho tido comigo o José a Rita e ao fim do dia,o Bernardo e algumas vezes a Marta.

Será assim até ao dia 20 em que devemos ir para Trás-os-Montes. Antes disso, no dia 16, teremos o espetáculo de ballet em que participam a Rita (já com 11 anos de preparação) e a Marta que iniciou em 2014/2015.
O bailado "O corsário" será apresentado no Coliseu, no próximo dia 16  

E a pensar nas férias em Trás-os-Montes já estamos a preparar o nosso espetáculo de teatro,...