Após quase dois meses de silêncio, eis-me
de novo a dar notícias.
No dia 18 de Julho partimos para a Adeganha (aldeia no concelho de
Moncorvo, onde o meu marido herdou uma casa (por morte do irmão, há 3 anos). Levámos dois dos netos e o gato.
No dia seguinte chegariam os dois outros
netos com os pais e, dado que o nosso carro só tem 5 lugares, tivemos que ir à “minha” aldeia, buscar um “jipito”
que lá temos. Eu não gosto de conduzir
mas não tive outro remédio...
Passámos por Alfândega da Fé para fazer
algumas compras e aproveitei para ver, na casa da Cultura, uma exposição do Dr. Levi Guerra.
Mal chegámos à aldeia “deparámos” com um
barulho ensurdecedor. Tratava-se do fim de semana anterior ao da festa local
pelo que, mesmo ao lado de minha casa, já estava instalado um camião com um
palco e um conjunto, com música sem qualquer qualidade e num nível sonoro muito acima do limiar permitido. Não entrei em
casa. O meu marido retirou o jipe da garagem e eu parti de imediato,
completamente atordoada. Infelizmente é assim todos os anos.
Regressámos à calma da Adeganha e ao fim da tarde para alegria dos mais pequenos , montou-se no
pátio de entrada, uma piscinita insuflável
.
No dia seguinte, domingo, resolvemos visitar a aldeia de Mós, no concelho
de Moncorvo. Deixo algumas fotos.
Na segunda, o meu filho e a minha nora
regressaram ao Porto pois a minha nora, por causa de um projeto de investigação
na Argentina, partiria para lá na quarta feira.
Na sexta feira chegariam os adultos (salvo a minha nora que estava já na Argentina). Como é habitual, no dia da chegada tem lugar o espetáculo de teatro que vamos preparando durante a semana. Desta vez filmámos e o que foi apresentado foi uma reportagem que passámos no ecrâ da TV.
Não coloco o filme mas deixo partes do texto. A reportagem começa com a Rita e o José, na praça da aldeia, a apresentar o programa BOM TURISMO
José-Tempo de férias. Já pensaste no teu
destino de férias ?
Rita- Talvez vá para fora
José -Pois eu vou pra fora, cá dentro...
Boa tarde senhores telespectadores. Já
perceberam que hoje vamos falar de férias
Rita- Bem vindos a mais um programa de bom
turismo. Desta vez o local escolhido foi Adeganha, uma pacata aldeia
transmontana cheia de história que acaba de ser
descoberta pelo turismo...
Com o afluxo de turistas surgem novas
novidades na aldeia: obras, lixeiros, arrumadores e muito mais...
José- A nossa equipa de filmagens tem andado
pela aldeia. Deixamos-vos com alguns dos melhores momentos.
O Bernardo varre a rua quando se aproxima uma turista (Rita)
Rita-dove si può mangiare bene la pasta?
Bernardo-Tem falta de pasta? Também nós. A crise
chega a todos
(.....)
B-Adio
Adia o quê?
Ai se não fôssemos nós a ajudar os
turistas.
Esta é
espanhola, tenho a certeza
O José faz de turista brasileiro e o Bernardo faz de operário a compor o muro da igreja
José -Quê nêgócio é esse áí
Bernardo- "Olha-m´este..." Quer montar um negócio ali? Ali é a Igreja,
homem
(...)
Ai se não fôssemos nós a ajudar os
turistas.
A Rita e a Marta fazem de empregadas de limpeza a limpar um portão e aproxima-se o José, como turista francês
José -S´íl vous plait.
Marta-Tem uma silva no pé?
José-Je n´ai pas comprit
Marta- É comprida?
José -Je ne comprend pas
Rita- Ah, precisa de comprar uns sapatos? Aqui não há sapatarias. Terá que ir a Moncorvo.
Ai se não fôssemos nós a ajudar os
turistas. ...
Após uma série de "Sketch" idênticos termina a reportagem. Surgem novamente os dois apresentadores
Rita- E é
tudo por hoje
José-Esperamos
por vocês no próximo “Bom Turismo”
Divertimo-nos muito quer durante as filmagens quer na apresentação
No domingo, dia 26, decidimos ir a Moncorvo, “inaugurando” a travessia pela barragem recém concluída
Atravessando na barragem
Na piscina
No dia seguinte, segunda feira, filhos e netos foram passar o dia ao Aquafixe, também recentemente inaugurado.
Ao final da tarde o meu filho Nuno regressaria ao Porto. O irmão foi levá-lo ao Pocinho, onde apanharia o comboio.
O resto do pessoal chegaria à Adeganha para jantar. Na terça feira, último dia em que estariam todos, os netos as crianças passaram o dia usufruindo da “piscina” e do espaço que a casa disponibiliza ao ar livre. O meu marido "divertia-se" na agricultura...
Na quarta feira, o meu filho mais velho partiria com a família para Esmoriz e daí para o Sul de Espanha. Ficaram os outros dois netos. Nesta aldeia, já há cerca de 20 anos que não nasce uma criança pelo que as brincadeiras ficaram limitadas aos dois irmãos de 4 e 9 anos. O pai regressou à Adeganha na sexta feira e no domingo vieram para o Porto pois as crianças tinham agendadas, para esse dia, festas de aniversário dos colegas mais amigos.
Ficámos só os avós e uma grande sensação de vazio....
No sábado, dia 8, o Nuno e as crianças regressariam de comboio, para mais uns dias, não para a Adeganha, mas para a minha aldeia. Deixámos a Adeganha nesse mesmo dia. O meu marido foi buscá-los ao Pocinho e eu fui para a Parada, preparar o almoço para todos.
Na Parada divertiram-se na piscininha que ali montámos, aproveitando o espaço do antigo lagar de vinho e brincaram com algumas (poucas) crianças da aldeia: bicicleta, futebel, etc No dia 10 fomos ao Santo Antão( o santuário que foi transladado por causa da barragem) aproveitámos para tomar banho no rio
Dia 12 regressaram ao Porto pois tinham que partir para o Algarve onde todos os anos fazem uns dias de férias, numa casa que ali tem um irmão da minha nora. Fizeram a viagem de carro pois o meu marido aproveitou para tratar de algumas coisas no Porto. Como fiquei na aldeia, aproveitei para convidar para almoçar uma amiga (ainda parente afastada), escultora, que vive em França mas está a restaurar, na aldeia, para onde pensar regressar definitivamente, umas casinhas para a habitação e o atelier.
No dia seguinte seríamos nós a ir almoçar com ela.
No dia 17 regressando diretamente de Espanha, chegariam o meu filho mais velho e família. As crianças iriam ficar uma semana connosco e eles partiriam na manhã seguinte , bem cedo, pois tinham que regressar ao trabalho.
No dia 14 de Junho deixei aqui uma mensagem a que dei o título "roda viva". A roda viva continuou de tal forma que não consegui arranjar tempo para escrever . Por isso, deixo hoje o último mês em
síntese,
No dia 10, como então referi, tinha reunido em minha casa vários colegas do José, numa festinha de despedida que correu muito bem.
Na sexta feira seguinte, dia 12, contava ir para Trás-os-Montes mas não fui porque decorreu no Carolina uma festinha com os alunos do 1º ciclo. Os alunos de 4ºano, finalistas do ciclo, para além de outras atividadesrepresentaram
novamente, vestidos de cozinheiros, a coreografia que tinham apresentado no Coliseu.
Correu muito bem.
No dia 13, o Infantário Barbosa du Bocage, que a minha neta mais nova frequentea e a escola do Bom Sucesso, levaram a cabo a festa de encerramento do ano letivo, com um peddy paper.
Como o meu filho e a minha nora não podiam ir fui eu com a pequenita.
Logo no início houve uma grande confusão e eu não fazia a mínima ideia da constituição da equipa em que nos inseriram e que tinha um número que não recordo. Ia perguntando às várias pessoas mas ninguém sabia. A dada altura vi, também perdido, um pai com uma pequenita(a Leonor). Fizemos uma equipa e só então nos apercebemos que a minha neta e a Leonor eram colegas e amigas. Passados cerca de 5 min de iniciarmos o percurso em busca das pistas, começou a chover torrencialmente. Entrámos no Cidade do Porto e o peddy paper terminou para nós...
Quando parou de chover regressámos ao espaço da escola e do infantário onde, por sugestão da educadora, fotografei alguns trabalhos que as crianças tinham realizado a propósito da minha visita em 27 de Maio ( a que fiz referência em uma mensagem anterior)
A propósito do dia de Camões, a minha neta "retratou" assim o poeta
A partir do dia 15, e porque o meu neto José já estava de férias, ficava comigo todo o dia. Entretanto eu tinha que ir a Trás-os-Montes, ida que adiara como atrás referi. Ele quis ir connosco. Entretanto foi convidado para uma festa de um amiguinho da escola que frequentou antes de ser transferido para o Carolina Michaëlis e ficou indeciso quanto a ir connosco ou ficar.. Como não se decidia optámos por deitar uma moeda ao ar. Ficou mas desatou num choro sentido porque também queria ir...Ficou o neto, foram os avós. O tempo estava óptimo
Aqui ficam algumas fotos
Regressámos para o S. João e, como habitualmente, fizemos a cascata cujas fotos não ficaram famosas...
Na semana seguinte, o meu neto José frequentou todas a tardes, a escola de futebol Hernâni Gonçalves e na semana a seguir frequentou, durante uma semana, um espaço onde praticou basquete Na mesma semana a minha neta fez um curso de surf . Ambos adoraram as atividades.
Nesta semana o José está a frequentar um curso de verão na escola de música Santa Cecília.
No sábado parto para Trás-os-Montes com os quatro netos e só regressarei ao Porto em fins de Agosto. Até lá o blogue ficará de novo inativo...
Antes de terminar quero fazer referência ao XVII PortoCartoon World Festival, cujo núcleo central está patente na Galeria Internacional do Cartoon do Museu Nacional da Imprensa.
Cerca de trinta exposições do PortoCartoon
espalham o humor por diversos locais, dentro e fora do Porto. Trata-se da maior
montra de humor do mundo, tanto em extensão como em número de desenhos.
Vila do Conde The Sytle Outlets, Dolce Vita
Porto, Via Catarina, Galeria do JN, Casa Branca de Gramido (Gondomar),
Aeroporto, Mercado do Bom Sucesso, Funicular dos Guindais, Livraria Lello,
Piolho, Café Progresso, Café Célia, Café Velasquez, Museu do Vinho Bairrada,
Estação de Braga, Museu de Imprensa - Madeira e Museu Nacional da Imprensa (com
3 exposições) são alguns dos locais onde já podem ser visitadas estas mostras.
O tema principal – A Luz – vem, mais uma
vez, reforçar a preocupação relativamente aos grandes problemas da humanidade,
deste que é um dos maiores certames mundiais de humor. Centenas de desenhos
parodiam o 'ano internacional da luz' (ONU).
Integradas no PortoCartoon 2015, e patentes
no MNI, estão ainda as mostras Sin Palabras - uma exposição comemorativa dos 20
anos de Magola, personagem criada por Nani Mosquera – e uma exposição de
homenagem a Georges Wolinski. Esta última resulta de um convite dirigido pela
Direção do MNI aos cartunistas de várias nacionalidades, vencedores do Grande
Prémio do PortoCartoon, e inclui um busto da autoria do escultor Fernando
Saraiva. Georges Wolinski, famoso cartunista assassinado em janeiro passado no
atentado ao Charlie Hebdo, foi durante 10 anos Presidente do Júri do
PortoCartoon e em 2014 recebeu o título de Cidadão Honorário do Porto – Capital
do Cartoon.
Ernest Hemingway e Cristiano Ronaldo foram
as figuras eleitas para o Prémio Especial de Caricatura do PortoCartoon 2015. A
exposição do Prémio Especial de Caricatura Ernest Hemingway, cujo vencedor foi
Dalcio Machado (Brasil), pode ser visitada na Galeria do JN até 30 setembro. A
Galeria Internacional do Cartoon (MNI) acolhe a mostra do Prémio Especial de
Caricatura Cristiano Ronaldo, cujo vencedor foi Krzysztof Grondziel (Polónia).
Até outubro vão ser ainda montadas
exposições no Edifício Transparente, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões,
Palacete Visconde de Balsemão, Casa do Infante, Casa-Museu Guerra Junqueiro,
Estação de Campanhã, ESAP, Café Via Garrett.
Deixo algumas imagens de carttons que podem ser vistos no Bom Sucesso
Em em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu, José Afonso dava o seu último concerto
Estava hoje a ouvi-lo pela enésima vez e quando ecoaram Os Vampiros, lembrei-me de imediato de um texto que acabara de ler na NET e que deixo a seguir
“Afinal o eurogrupo é um grupo sem existência legal que tem
o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a
ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é
confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase
de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém” revela Varoufakis
Na primeira entrevista após deixar o
Ministério das Finanças, Varoufakis revela que defendeu a emissão de moeda
alternativa como resposta à asfixia dos bancos, fala da “completa falta de
escrúpulos democráticos por parte dos supostos defensores da democracia na
Europa” e acusa os governos de Portugal e Espanha se serem “os mais enérgicos
inimigos do nosso governo”.
“Desde o início, esses países [os mais
endividados] deixaram bem claro que eram os mais enérgicos inimigos do nosso
governo(…). E claro que a razão era que o seu maior pesadelo era o nosso
sucesso: se conseguíssemos um acordo melhor para a Grécia, isso iria
obliterá-los politicamente, teriam de responder aos seus povos porque não
tinham negociado como nós fizemos”, responde Varoufakis na entrevista à New
Statesman.
O ambiente no Eurogrupo é um dos temas mais
tratados na entrevista e é definido assim pelo antigo ministro das Finanças
grego: “Aquilo é como uma orquestra bem afinada e Schäuble é o maestro. Tudo
segue a sua pauta”. Para Varoufakis, apenas o ministro francês sai do tom, mas
de forma “muito subtil”, parecendo que não se está a opor ao homólogo alemão.
Mas no fim, quando o Dr. Schäuble responde a definir a linha oficial, o
ministro das Finanças francês acaba sempre por aceitar”, explica.
Varoufakis explica também o episódio da sua
“expulsão” da reunião do Eurogrupo em junho. Quando chamou a atenção de
Dijsselbloem que as declarações do Eurogrupo têm de ser aprovadas por
unanimidade e que ele não pode convocar uma reunião excluindo um dos membros,
“ele disse: Tenho a certeza de que posso. Então pedi um parecer legal. Isso
criou alguma confusão. A reunião parou cinco ou dez minutos, os funcionários
falavam uns com os outros ao telefone e acabou por chegar um responsável dos
assuntos legais ao pé de mim a dizer-me isto: Bom, o Eurogrupo não tem
existência legal, não há nenhum tratado que tenha previsto este grupo”.
“Eurogrupo toma decisões quase de vida ou
morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”
“Afinal o que temos é um grupo inexistente
que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas
a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é
confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase
de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”, prossegue
Varoufakis.
Quando falava nas reuniões, com argumentos
económicos preparados, “as pessoas ficavam a olhar para mim, como se não
tivesse falado (…) Bem podia estar ali a cantar o hino da Suécia que ia receber
a mesma resposta (…) Nem sequer havia mal-estar, era como se ninguém tivesse
dito nada”, revela Varoufakis.
O que mais impressionou Varoufakis nas
reuniões a que assistiu foi a “completa ausência de qualquer escrúpulo
democrático por parte dos supostos defensores da democracia”. O ex-ministro dá
um exemplo: “Ter várias figuras muito poderosas a olharem-me nos olhos e
dizerem ‘Você até tem razão no que está a dizer, mas vamos esmagar-vos à
mesma’”.
Proposta de emitir moeda paralela, tomar posse
do banco central e cortar dívida ao BCE foi a derrota que o levou a sair do
governo
Varoufakis fala também pela primeira vez da
derrota política que o levou a sair do governo. Segundo a versão do
ex-ministro, propôs ao governo um plano com três ações caso o BCE obrigasse ao
encerramento dos bancos: a emissão (ou o anúncio) de uma moeda paralela (uma
promessa de dívida conhecida como IOU), o corte na dívida detida pelo BCE desde
2012 e tomar o controlo do Banco da Grécia. “Perdi por seis contra dois”, diz
Varoufakis, que voltou a insistir no plano na noite da vitória do OXI.
Mas o governo tinha outros planos, segundo
Varoufakis, que levaria a “mais concessões ao outro lado: a reunião dos líderes
partidários, com o nosso primeiro-ministro a aceitar a premissa de que o que
quer que aconteça, o que quer que o outro lado faça, nunca vamos responder de
forma desafiante. E basicamente isso significa desistir… deixa-se de negociar”.
Termino com um cartoon de André Carrilho, publicado na Diário de Notícias “Ajuda à Grécia”
Em Outubro de 1955, com 10 anos incompletos,
entrei para o 1º ano do então Liceu Nacional de Bragança. O fascínio de uma
nova etapa da minha vida onde quase tudo era novidade, a começar pela dimensão
da escola. De entre as colegas da 4ª classe, poucas continuaram estudos, pelo
que não conhecia a maior parte das alunas da turma A, onde me “encaixaram” com mais 30
meninas. O Liceu era misto, contrariamente à escola onde fizera a 4ª classe
mas, genericamente, meninos e meninas não partilhavam espaços. A professora
Lina, foi substituída por váriosprofessores, creio que nove. Entre esses professores estava o Dr.
António José Maldonado, professor de Português. Recordo-o como um professor muito
afável mas bastante permissivo pelo que não se aprendia muito nas suas
aulas.
Voltei a tê-lo como professor na disciplina
de História no 5º ano (actual 9º). Por motivos de saúde foi substituído, creio
que no início do 2º período.
Por essa altura, surgiu na escola uma nova professora de
Inglês, a Drª Aurora, com quem o Dr. Maldonado veio a casar.
Não voltei a tê-lo como professor. Que no 6º
quer no 7º ano, embora as turmas fossem mistas, eram desdobradas na disciplina
de Filosofia. O Dr. Maldonado dava aulas aos rapazes e o Dr. Lopes da Silva,
então Reitor, às meninas.
Já no fim da minha passagem por Bragança, constou-me que teria escrito um livro de poesia Futuros ou não,
Embora tivesse sempre uma palavra gentil para
me dizer se me visse na escola ou na rua, nunca me apercebi do seu lado poético,
o que não é de estranhar pois era ainda muito jovem quando fui sua aluna.
Transcrevo um dos poemas desse livro
Futuros ou não
viajemos um para o outro, tranquilos;
viajemos, sombras fugidias, levemente
eternas:
- Tu para mim, eu para ti.
Futuros ou não,
passemos nos lábios inventando o fogo,
passemos nos corpos repartindo as
nascentes,
passemos nas almas pronunciando espaço.
Como
o ruído dos passos gasta a solidão
dos caminhos,
assim tu em mim,
chegada de muitos gestos, dum mundo e de
outro mundo, do alfa e do omega.
António José Maldonadofoi inserido pela crítica na chamada "Geração de 50", que se tornou célebre pelo seu inconformismo e revolta contra o regime salazarista. De entre os seus poemas destacam-se particularmente "Êxodo", "Dies Irae" e "Os Fundadores de Cidades".
Na passada semana tive o tempo um pouco mais
livre pelo que deambulei pela Baixa, muito em particular por livrarias. E numa
delas, na Praça Guilherme Gomes Fernandes, descobri Limite Cultivado, um livro de António José Maldonado, prefaciado
por Fernando Guimarães que também conheci como professor do Liceu de Bragança,
embora nunca tivesse sido meu professor
O que
se pode dizer? Falemos da sua leveza, dessa espécie de gesto que a sustenta no ar.
Permanece sozinha, para que se encontre a si mesma. À sua frente
estão múltiplos caminhos, mas escolhe apenas um. Ela procura o
centro de qualquer coisa. Aí fica à espera, atenta como nós
quando lemos um livro. Talvez esteja perto daquilo que há muito se
ignorava, de um segredo que a teia lhe pode revelar quando
estremece. Solta-se dela um fio maior para que a luz venha ao
seu encontro. Oscila um pouco e afasta-se lentamente. É
outra a página que se lê agora.
[inAs
Raízes Diferentes, Relógio d’Água, 2011]
Como referi no início, recordo o professor como uma pessoa afável e próxima dos alunos. Lembro-me que numa das aulas, não sei se de Português ou de História um dia falou-nos de uma canção de que gostava muito e que trauteou. Tratava-se da Canção do Mar e creio que foi a primeira vez que a ouvi. Deixo-a na voz de Dulce Pontes
Já há imenso tempo que não escrevo acedo ao blogue. Mas hoje não poderia deixar de o fazer.
Se há algo que me incomoda é a subserviência....Por isso o NÃO dos gregos merece o meu maior aplauso.
Se a Troika estivesse realmente interessada em que os países, entre eles Portugal e Grécia,reduzissem as despesas de uma forma justa, teria imposto a esses países medidas como por exemplo:
A- reduções /extinções:
1. de mordomias dos ex-Presidentes da República (gabinetes,
secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros
atestados, motoristas, etc.) e da Assembleia da República, (como almoços opíparos a custos ridículos),
2. do número de deputados da
Assembleia da República
3. no número de Institutos
Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e
administradores como 2º e 3º emprego.
4. das empresas Municipais, com
Administradores a auferir milhares de euros/mês
5. do financiamento aos partidos
6. da distribuição de carros a
Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que muitas vezes se deslocam em
digressões particulares pelo País;.
7. dos motoristas particulares
20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias, muitas vezes em serviço não oficial
8. da renovação sistemática de
frotas de carros do Estado
9. das viagens de deputados em classe VIP( mesmo em pequenas distâncias), e respectivas estadias em hotéis de
cinco estrelas.
10. das numerosas administrações de hospitais e outros organismos públicos
11. dos milhares de pareceres
jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de
comunicação fáceis com o Governo
12. das várias reformas por
pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que muitas vezes passaram
fugazmente pelo Estado.
13-dos salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos
14- das Parcerias Público Privadas
etc, etc, etc
B-Eficácia
1. na "perseguição" dos milhões desviados por
banqueiros
2. na investigação do
enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo quem faz fortunas e adquiriu patrimónios de forma indevida
3. no controle rigoroso de toda a
actividade bancária
etc, etc, etc
Mas não foi isso que sucedeu. Foram-se impondo medidas gravosas que afetaram essencialmente os mais desfavorecidos e a classe média. Isto tudo com com a subserviência dos governos e dos povos...
Como homenagem ao povo grego, termino com um excerto de um filme que marcou a minha geração
Se habitualmente já tenho o tempo bastante preenchido, nos últimos dias tenho andado numa "roda viva". Mas citando o brasileiro Hermes Fernandes,prefiro o estresse ao tédio, o ativismo ao ócio, a frustração de não ter conseguido à de não ter sequer tentado.
Mas vamos à "roda viva" No dia 4 de junho fui à Escola Carolina Michaëlis, a convite da professora do 4ºano. Entre os 22 alunos encontra-se o meu neto José, que para ali foi transferido no último período do 3º ano. Recordo o que em tempos escrevi a propósito dessa transferência
Sei de um aluno do 1º ciclo, numa escola pública, cuja professora ,
ainda nova, sempre o caracterizou como uma criança irrequieta (não
no sentido de travessa, mas significando precisamente o ter dificuldade em
estar quieta), desconcentrada, um pouco infantil, mas meiga e educada ( o que
corresponde à realidade).
A forma que esta professora encontrou para atenuar a
irrequietude foi retirar-lhe, por vezes durante semanas seguidas, todos
os intervalos (inclusive o de almoço) e obrigá-lo, sempre que podia gozar do
intervalo, a falar e brincar apenas com meninas, ficando impedido de conversar
com os colegas do sexo masculino
Não teve sucesso com nenhuma das práticas mas insistiu sempre
até que o encarregado de educação, que várias vezes a abordou no sentido de
repensar tais atuações, optou por mudar a criança de escola. Para além
disso , a segunda prática gerou um comportamento de delação por parte das
meninas, sempre que o aluno falava com rapazes.
Face à infantilidade, uma das medidas que adotou foi colocar-lhe
uma chupeta na boca, dentro da sala de aula, humilhando-o perante todos os
colegas.
A professora tem tido muito sucesso com a aprendizagem de
conteúdos por parte dos alunos, incluindo o aluno em causa. Isso não faz dela
uma boa professora. Esta professora precisava urgentemente de uma formação para
evitar que continue a adotar práticas aberrantes com os seus alunos. E
provavelmente quem a “formou”precisaria também de formação..
Trata-se de uma escola pública mas conheço relatos de situações
diferentes, mas tão graves quanto estas, que têm lugar em escolas privadas. Mas regresso à minha visita à escola. Tratando-se do fim de um ciclo, ofereci a cada menino um pequeno "livro" com o poema Era uma vez...o mar (do meu livro Era uma vez.... ciência e poesia no reino da fantasia).
Seleccionei alguns excertos do texto que os alunos iam lendo(todos os alunos leram). De vez em quando e, como acontece em todas as visitas a escolas, fazia uma paragem para realizar uma experiência alusiva ao texto.
Correu muito bem e os alunos não mostravam o mínimo interesse em sair da sala. Queriam sempre mais...
O José teve alguma dificuldade de integração com os colegas pois, na escola anterior, esteve quase três anos impedido de brincar com os amigos, nos recreios, Aproveitando a minha ida à escola, decidi convidar todos os colegas para um convívio em minha casa no dia 10 de Junho
Mas ao convívio, volto mais tarde.
Logo no dia seguinte ao da visita à escola, fui ao ISEP pois recebi uma menção honrosa no concurso "Reciclar é uma arte" a que aqui fiz referência em janeiro. Deixo imagens do catálogo da exposição e do trabalho, bem como o texto que o acompanhou
Sobre o trabalho
O homem é um produtor
de resíduos, mas a produção dos mesmos é
tanto maior quanto maior o consumismo, que tem vindo a aumentar de forma
exponencial na maior parte dos países ditos “desenvolvidos”. As consequências
para o ambiente são altamente preocupantes, daí a necessidade de um
desenvolvimento sustentável que assegure bem-estar, não só à atual geração mas
também às gerações futuras.
A reciclagem, transformando materiais usados em
novos produtos para o consumo, é uma das práticas que têm vindo a ser
desenvolvidas com vista a permitir que o crescimento seja acompanhado de qualidade de vida, sob os
pontos de vista económico, ambiental, social e cultural.
Fazer arte
utilizando resíduos “inúteis” é também uma forma de contribuir para que o
desenvolvimento almejado se transforme em realidade. No trabalho foram usados
desperdícios de persiana e pedaços de rolos de cartão. Os primeiros viveram,
devassados por olhares indiferentes, numa qualquer fachada, de uma qualquer
casa, contribuindo para o conforto das pessoas que ali moravam. Envelheceram
com o tempo e o seu destino foi uma lixeira.
Os rolos de
cartão viveram numa loja de tecidos, ocultos sob metros de panos dos mais
variados em cor, em textura, em desenho. Logo que esgotado o tecido, exposta a
sua nudez, tornaram-se inúteis. O seu destino poderia ter sido uma lixeira ou a
reciclagem, dependendo da consciência ecológica de quem tomasse a decisão.
Li algures uma
frase de um artista “Arte é tudo o que me toca e que me motiva a fazer coisas
que possam atingir estética e emocionalmente outras pessoas”
Não sei porquê
os desperdícios de persiana tocaram-me...Sobre eles fui derramando tintas. Não
mais seriam as velhas persianas duma qualquer fachada, ignoradas por olhares
indiferentes. Seriam a fachada, que a minha mão, manejando o pincel, cobriria
de acrílico.
Também os rolos
de cartão, nus, encostados num canto da loja, me tocaram. Eram belos na sua
nudez. Que melhor moldura para o meu trabalho?
No dia seguinte, sábado, dia 6, teve lugar, no Coliseu o sarau de encerramento do Porto de Atividades, uma festa onde participaram os 16 agrupamentos de escolas, através de atuações muito interessantes. O espetáculo, cujo o tema foram as profissões, destacou-se pela criatividade e expressão artistica, tendo sido os alunos de jardim de infância e 1º ciclo do ensino básico que frequentam as atividades de enriquecimento curricular, os artistas principais.
Os alunos do Carolina, vestidos de cozinheiros, apresentaram uma coreografia de que gostei bastante. Mas todas elas tiveram bastante qualidade. Podem ver aqui imagens de atuações doutros agrupamentos de escolas
O evento terminou por volta das 13h.
À tarde ultimei os preparativos para a "animação" da festa do 6º aniversário do meu neto Bernardo que nasceu a 1 de junho. Como calhou à segunda feira, só pôde comemorar com os amigos, no dia 7.
Já tive oportunidade de referir que este meu neto tem um autêntico fascínio por tudo o que se relacione com animais. Desta vez o tema da festa foi o mar.
Os pais(muito em especial a mãe) e a irmã decoraram a casa com crepon simulando algas, com imagens de peixes, luz azul, etc. Um dos bolos ( e digo um porque a minha nora fez e decorou 3 bolos: uma para uma breve comemoração na escola, outro para a festa em família e o terceiro para a festa da crianças onde estiveram presentes 16 das 18 que constituem a turma). Aqui ficam imagens do terceiro bolo e das bolachinhas com que foram presenteadas as crianças (podem ver mais imagens aqui)
Para a animação da festa o tema teria que ser também o mar. Numa Arca de Noé faltavam casais de animais marinhos. Toca a encontrá-los e a colocá-los na arca tendo cuidado com os "intrusos"....
Na NET encontrei várias imagens de animais (24 espécies diferentes) que imprimi e colei em cartão (aqui ficam algumas) As imagens foram espalhadas pelo jardim, nos sítios mais variados. De um saco, os alunos tiravam, ao acaso, um papel com o nome da espécie a procurar. Alguém lhe lia o nome e mostrava a espécie num cartaz. Logo que encontrassem um casal teriam que o colocar na arca e simultaneamente escrever o nome num quadro magnético (copiando o nome escrito no papel retirado (isto porque a maior parte ainda não sabe ler). Depois tiravam do saco o nome de um outro ser, etc, etc.
Adoraram o jogo que teve que ser interrompido por ter chegado a hora do lanche. Havia mais um jogo previsto mas não foi necessário.
Além deste jogos houve futebol para os meninos, pois as meninas preferiram as bonecas...
Entre as meninas estava uma com trissomia 21 que não costuma ir às festas por serem habitualmente em espaços mais propícios a contaminação por vírus, bactérias, etc. Chamava-me tia...Uma doçura de criança.
No dia 9, toca a preparar o convívio para os colegas do meu neto José, o tal convívio a que me referi anteriormente
Aqui vai o programa
1-Sessão de Magias
2-Constituição de grupos por
sorteio. (Após constituído, cada
grupo escolherá um nome)
3-Atividades rotativas pelos
grupos
A-Lançamento de foguetões
B-Alfabeto cifrado
C-Atividades variadas
Intervalo para Lanche
4.Atividade final- Caça ao tesouro
Das 22 crianças da turma, apareceram 12 ( algumas tinham atividades desportivas nesse dia) ou seja, estiveram 14 crianças contando com os meus netos mais novos (a mais velha tinha que estudar para um teste 5ª feira).
A minha nora e o meu filho apareceram logo de manhã para ajudar
Como receámos que a chuva nos pregasse uma partida, começámos pela caça ao tesouro que tinha que ser ao ar livre. Cada grupo, tendo em conta a planta do espaço exterior e sabendo para que lado está o mar, tinha que seguir as dicas referenciadas pelos rosa dos ventos, até encontrar o tesouro (um copinho com gomas para cada um) De seguida o meu filho fez com as crianças uma atividade muito interessante, também de ar livre-o lançamento de foguetões. Enquanto metade das crianças estava nesta tarefa, a outra metade ia, acompanhada por mim e pela minha nora, visitar a cascata nos Bombeiros, junto a minha casa. Seguiu-se um lanche e após o mesmo, só houve tempo para eu fazer algumas "magias" que depois lhes explicava. Após o almoço, tocaram a campaínha. Eram duas coleguinhas do José, que moram perto de minha casa e que vieram convidá-lo para ir brincar para casa delas. Cerca de 2 h depois aparecerem os três mais um amigo das meninas. Estas pediram-me para repetir as magias para o amigo ver.
Não pude convidá-las para ficar mais tempo pois a minha neta Rita ia ter teste de Física e queria certificar-se de que estava bem preparada.
Como o meu filho mais novo e a minha nora tinham uma reunião na 5ª feira de manhã, fora do Porto, os meninos dormiram em minha casa.
Foi uma corrida.Levar os meninos cada um a sua escola e seguir para o Hospital de Santo António pois à 5ª feira de manhã faço voluntariado.
Dado que cheguei mais tarde, decidi que sairia mais tarde para compensar. Estava já para sair quando surgiu um jovem de Hong Kong para ir ao serviço de urgência. Como em terras de cegos quem tem um olho é rei, lá tive eu que ajudar o rapaz, com o meu mau inglês.
Na urgência e porque o jovem não tinha cartão europeu, aconselharam-me a levá-lo a um hospital privado pois ali seria muito dispendioso. Terminei o serviço no HSA mas continuei o voluntariado levando o jovem ao Hospital Lusíadas. Quando cheguei a casa eram quase duas horas da tarde...
Nada melhor para terminar que duas versões de Roda Viva de Chico Buarque
Até 10 de Janeiro de 2010 esteve patente na Casa da Cultura Manuel Lueiro, em O Grove, Galiza, uma exposição de trabalhos de alunos da galeria Utopia .
Participei com os dois trabalhos anexos; no dia da inauguração tive a agradável surpresa de ver que o cartaz (1mx2m) que anuncia a exposição foi construído com a imagem do 2º quadro.
Quadros na exposição em Grove
Imagem que figura no cartaz
cartaz da exposição em Grove
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Livros que publiquei ou em que participei por convite
Há ciência e poesia nas coisas do dia a dia
Tamanho XXS
Quando o mistério se dilui na penumbra
Para mais tarde recordar
Requiem pelo planeta azul
quando o mel escorre nas searas
revista Philos 2017
revista Philos 2014
O bosão do João
Sete Luas
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Terras de cieiro
Entre margens
Pelo sistema solar vamos todos viajar..
Ciência para meninos em poemas pequeninos
Breve história da Química
Era uma vez...
Magnetismo...
Reflexões...
Estórias....
Se eu não fosse....
Um poema para Fiama
Os dias do Amor
Uma viagem para Pasárgada
Cancioneiro Infanto- Juvenil...
Fiat Lux
O amor em visita
A Terra de Duas Línguas II.Antologia de Autores Transmontanos
Por longos dias, longos anos, fui silêncio
antologia
Entre o sono e o sonho
Textos on-line
Estão disponíveis on-line: -Magnetismo Terrestre (livro de poesia) -Reflexões e Interferências (livro de poesia) -Estórias com sabor a nordeste (livro de ficção) -Einstein (poema) -Se eu não fosse professora de Física. Algumas reflexões sobre práticas lectivas(didáctica) -Vou-me embora para Pasárgada (conto)
Como todos nós, feita de pó de estrelas, estou apenas de passagem nesta fantástica viagem desde um passado remoto até um futuro ignoto.
(Para saber mais consultar a página CV)