Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


domingo, 6 de setembro de 2015

Reportagem...


Após quase dois meses de silêncio, eis-me de novo a dar notícias.
No dia 18 de Julho partimos  para a Adeganha (aldeia no concelho de Moncorvo, onde o meu marido herdou uma casa (por morte do irmão,  há 3 anos). Levámos dois dos netos e o gato.
No dia seguinte chegariam os dois outros netos com os pais e, dado que o nosso carro só tem 5 lugares,  tivemos que ir à “minha” aldeia, buscar um “jipito” que lá temos.  Eu não gosto de conduzir mas não tive outro remédio...
Passámos por Alfândega da Fé para fazer algumas compras e aproveitei para ver, na casa da Cultura,  uma exposição do Dr. Levi Guerra.

Mal chegámos à aldeia “deparámos” com um barulho ensurdecedor. Tratava-se do fim de semana anterior ao da festa local pelo que, mesmo ao lado de minha casa, já estava instalado um camião com um palco e um conjunto, com música sem qualquer qualidade e num nível sonoro  muito acima do limiar permitido. Não entrei em casa. O meu marido retirou o jipe da garagem e eu parti de imediato, completamente atordoada. Infelizmente é assim todos os anos.
Regressámos à calma da  Adeganha      e ao fim da tarde  para alegria dos mais pequenos , montou-se no pátio de entrada, uma  piscinita insuflável .

No dia seguinte, domingo,  resolvemos visitar a aldeia de Mós, no concelho de Moncorvo. Deixo algumas fotos.












Na segunda, o meu filho e a minha nora regressaram ao Porto pois a minha nora, por causa de um projeto de investigação na Argentina, partiria para lá na quarta feira.

Na sexta feira chegariam os adultos (salvo a minha nora que estava já na Argentina). Como é habitual, no dia da chegada tem lugar o espetáculo de teatro que vamos preparando durante a semana. Desta vez filmámos e o que foi apresentado foi uma reportagem que passámos no ecrâ da TV.

Não coloco o filme mas deixo partes do texto. A reportagem começa com a Rita e o José, na praça da aldeia, a apresentar o programa BOM TURISMO

José-Tempo de férias. Já pensaste no teu destino de férias ?

Rita- Talvez vá para fora

José -Pois eu vou pra fora, cá dentro...
Boa tarde senhores telespectadores. Já perceberam que hoje vamos falar de férias

Rita- Bem vindos a mais um programa de bom turismo. Desta vez o local escolhido foi Adeganha, uma pacata aldeia transmontana cheia de história que acaba de ser  descoberta pelo turismo...
Com o afluxo de turistas surgem novas novidades na aldeia: obras, lixeiros, arrumadores e muito mais...

José- A nossa equipa de filmagens tem andado pela aldeia. Deixamos-vos com alguns dos melhores momentos.

O Bernardo  varre a rua quando se aproxima uma turista (Rita)

Rita-dove si può mangiare bene la pasta?

Bernardo-Tem falta de pasta? Também nós. A crise chega a todos
(.....)
B-Adio
Adia o quê?

Ai se não fôssemos nós a ajudar os turistas.
Esta é  espanhola, tenho a certeza

O José faz de turista brasileiro e o Bernardo faz de operário a compor o muro da igreja

José -Quê nêgócio é esse áí

Bernardo- "Olha-m´este..." Quer montar um negócio ali? Ali é a Igreja, homem
(...)
Ai se não fôssemos nós a ajudar os turistas.

A Rita e a Marta fazem de empregadas de limpeza a limpar um portão e aproxima-se o José, como turista francês

José -S´íl vous plait.

Marta-Tem uma silva no pé? 

José-Je n´ai pas comprit

Marta- É comprida?

José -Je ne comprend pas

Rita- Ah, precisa de comprar uns sapatos? Aqui não há sapatarias. Terá que ir a Moncorvo.

Ai se não fôssemos nós a ajudar os turistas. ...

Após uma série de "Sketch"  idênticos termina a reportagem. Surgem novamente os dois apresentadores

Rita- E é  tudo por hoje

José-Esperamos  por vocês no próximo “Bom Turismo”

Divertimo-nos muito quer durante as filmagens quer na apresentação


No domingo, dia 26,  decidimos ir a Moncorvo,  “inaugurando” a travessia pela  barragem recém concluída






Atravessando na barragem


Na piscina
No dia seguinte, segunda feira, filhos e netos foram passar o dia ao Aquafixe, também recentemente inaugurado.
Ao final da tarde o meu filho Nuno regressaria ao Porto. O irmão foi levá-lo ao Pocinho, onde apanharia o comboio.
O resto do pessoal chegaria à Adeganha para jantar. Na terça feira, último dia em que estariam todos, os netos as crianças passaram  o dia usufruindo da “piscina” e do  espaço que a casa disponibiliza ao ar livre.  O meu marido "divertia-se"  na agricultura...









Na quarta feira, o meu filho mais velho partiria com a família para Esmoriz e daí para o Sul de Espanha. Ficaram os outros dois netos. Nesta aldeia, já há cerca de 20 anos que não nasce uma criança pelo que as brincadeiras ficaram limitadas aos dois irmãos de 4 e 9 anos. O pai regressou à Adeganha na sexta feira e no domingo vieram para o Porto pois as crianças tinham agendadas, para esse dia, festas de aniversário dos colegas mais amigos.
Ficámos só os avós e uma grande sensação de vazio....
No sábado, dia 8,  o Nuno e as crianças  regressariam de comboio, para mais uns dias, não para a Adeganha, mas para a minha aldeia. Deixámos a Adeganha nesse mesmo dia. O meu marido foi buscá-los ao Pocinho e eu fui para a Parada, preparar o almoço para todos. 
Na Parada divertiram-se na piscininha que ali montámos, aproveitando o espaço do antigo lagar de vinho e brincaram com algumas (poucas)  crianças da aldeia:  bicicleta, futebel, etc
No dia 10 fomos ao Santo Antão( o santuário que foi transladado por causa da barragem) aproveitámos para tomar banho no rio



Dia 12 regressaram ao Porto pois tinham que partir para o Algarve onde todos os anos fazem uns dias de férias, numa casa que ali tem um irmão da minha nora. Fizeram a viagem de carro pois o meu marido aproveitou para tratar de  algumas coisas no Porto.
Como fiquei na aldeia, aproveitei para convidar para almoçar uma amiga (ainda parente afastada), escultora, que vive em França mas está a restaurar, na aldeia, para onde pensar regressar definitivamente,  umas casinhas para a   habitação  e o atelier.

No dia seguinte seríamos nós a ir almoçar com ela.
No dia 17  regressando diretamente de Espanha, chegariam o meu filho mais velho e família. As crianças iriam ficar uma semana connosco e eles partiriam na manhã seguinte , bem cedo, pois tinham que regressar ao trabalho.

Continuo na  próxima “reportagem”

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O último mês em síntese....

No dia 14 de Junho deixei aqui uma mensagem  a que dei o título  "roda viva". A roda viva continuou de tal forma que não consegui arranjar tempo para escrever . Por isso, deixo hoje o último mês em
síntese,
No dia 10, como então referi, tinha reunido em minha casa vários colegas do José, numa festinha de despedida que correu muito bem.
Na sexta feira seguinte, dia 12, contava ir para Trás-os-Montes mas não fui porque decorreu no Carolina uma festinha com os alunos do 1º ciclo. Os alunos de 4ºano, finalistas do ciclo, para além de outras atividades  representaram novamente, vestidos de cozinheiros, a coreografia que tinham apresentado no Coliseu.
Correu muito bem.
No dia 13, o Infantário  Barbosa du Bocage, que a minha neta mais nova frequentea  e a escola do Bom Sucesso, levaram a cabo a festa de encerramento do ano letivo, com um peddy paper.




Como o meu filho e a minha nora não podiam ir fui eu com a pequenita.
Logo no início houve uma grande confusão e eu não fazia a mínima ideia da constituição da equipa em que nos inseriram e  que tinha um número que não recordo. Ia perguntando às várias pessoas mas ninguém sabia. A dada altura vi, também perdido,  um pai com uma pequenita(a Leonor). Fizemos uma equipa e só então nos apercebemos que a minha neta e a  Leonor eram colegas e amigas. Passados cerca de 5 min de iniciarmos o percurso em busca das pistas, começou a chover torrencialmente. Entrámos no Cidade do Porto  e o peddy paper terminou  para nós...
Quando parou de chover regressámos ao espaço da escola e do infantário onde, por sugestão da educadora, fotografei alguns trabalhos que as crianças tinham realizado a propósito da  minha visita em 27 de Maio ( a que fiz referência em uma mensagem anterior)




A propósito do dia de Camões, a minha neta "retratou" assim o poeta


A partir do dia 15, e porque o meu neto José já estava de férias, ficava comigo todo o dia. Entretanto eu tinha que ir a Trás-os-Montes, ida que adiara como atrás referi. Ele quis ir connosco. Entretanto foi convidado para uma festa de um amiguinho da escola que frequentou antes de ser transferido para o Carolina Michaëlis e ficou indeciso quanto a ir connosco ou ficar.. Como não se decidia optámos por deitar uma moeda ao ar. Ficou mas desatou num choro sentido porque também queria ir...Ficou o neto, foram os avós. O tempo estava óptimo
Aqui ficam algumas fotos






Regressámos para o S. João e, como habitualmente, fizemos a cascata cujas fotos não ficaram famosas...

 

Na semana seguinte, o meu neto José frequentou todas a tardes, a escola de futebol Hernâni Gonçalves  e na semana a seguir frequentou, durante uma semana, um espaço onde praticou basquete Na mesma semana a minha neta fez um curso de surf .  Ambos adoraram as atividades.
Nesta semana o José está a frequentar um curso de verão na escola de música Santa Cecília.
No sábado parto para Trás-os-Montes com os quatro netos e só regressarei ao Porto em fins de Agosto. Até lá o blogue ficará de novo inativo...

Antes de terminar quero fazer referência  ao XVII PortoCartoon World Festival, cujo núcleo central está patente na Galeria Internacional do Cartoon do Museu Nacional da Imprensa.

Cerca de trinta exposições do PortoCartoon espalham o humor por diversos locais, dentro e fora do Porto. Trata-se da maior montra de humor do mundo, tanto em extensão como em número de desenhos.

Vila do Conde The Sytle Outlets, Dolce Vita Porto, Via Catarina, Galeria do JN, Casa Branca de Gramido (Gondomar), Aeroporto, Mercado do Bom Sucesso, Funicular dos Guindais, Livraria Lello, Piolho, Café Progresso, Café Célia, Café Velasquez, Museu do Vinho Bairrada, Estação de Braga, Museu de Imprensa - Madeira e Museu Nacional da Imprensa (com 3 exposições) são alguns dos locais onde já podem ser visitadas estas mostras.

 tema principal – A Luz – vem, mais uma vez, reforçar a preocupação relativamente aos grandes problemas da humanidade, deste que é um dos maiores certames mundiais de humor. Centenas de desenhos parodiam o 'ano internacional da luz' (ONU).

Integradas no PortoCartoon 2015, e patentes no MNI, estão ainda as mostras Sin Palabras - uma exposição comemorativa dos 20 anos de Magola, personagem criada por Nani Mosquera – e uma exposição de homenagem a Georges Wolinski. Esta última resulta de um convite dirigido pela Direção do MNI aos cartunistas de várias nacionalidades, vencedores do Grande Prémio do PortoCartoon, e inclui um busto da autoria do escultor Fernando Saraiva. Georges Wolinski, famoso cartunista assassinado em janeiro passado no atentado ao Charlie Hebdo, foi durante 10 anos Presidente do Júri do PortoCartoon e em 2014 recebeu o título de Cidadão Honorário do Porto – Capital do Cartoon.

Ernest Hemingway e Cristiano Ronaldo foram as figuras eleitas para o Prémio Especial de Caricatura do PortoCartoon 2015. A exposição do Prémio Especial de Caricatura Ernest Hemingway, cujo vencedor foi Dalcio Machado (Brasil), pode ser visitada na Galeria do JN até 30 setembro. A Galeria Internacional do Cartoon (MNI) acolhe a mostra do Prémio Especial de Caricatura Cristiano Ronaldo, cujo vencedor foi Krzysztof Grondziel (Polónia).

Até outubro vão ser ainda montadas exposições no Edifício Transparente, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, Palacete Visconde de Balsemão, Casa do Infante, Casa-Museu Guerra Junqueiro, Estação de Campanhã, ESAP, Café Via Garrett.


Deixo algumas imagens de carttons que podem ser vistos no Bom Sucesso
     

Boas férias para todos

terça-feira, 14 de julho de 2015

Os vampiros

Em  em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu, José Afonso dava o seu último concerto 


Estava hoje a ouvi-lo pela enésima vez e quando ecoaram Os Vampiros, lembrei-me de imediato de um texto que acabara de ler na NET e que deixo a seguir



Afinal o eurogrupo é um grupo sem existência legal  que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém” revela Varoufakis

Na primeira entrevista após deixar o Ministério das Finanças, Varoufakis revela que defendeu a emissão de moeda alternativa como resposta à asfixia dos bancos, fala da “completa falta de escrúpulos democráticos por parte dos supostos defensores da democracia na Europa” e acusa os governos de Portugal e Espanha se serem “os mais enérgicos inimigos do nosso governo”.
“Desde o início, esses países [os mais endividados] deixaram bem claro que eram os mais enérgicos inimigos do nosso governo(…). E claro que a razão era que o seu maior pesadelo era o nosso sucesso: se conseguíssemos um acordo melhor para a Grécia, isso iria obliterá-los politicamente, teriam de responder aos seus povos porque não tinham negociado como nós fizemos”, responde Varoufakis na entrevista à New Statesman.
O ambiente no Eurogrupo é um dos temas mais tratados na entrevista e é definido assim pelo antigo ministro das Finanças grego: “Aquilo é como uma orquestra bem afinada e Schäuble é o maestro. Tudo segue a sua pauta”. Para Varoufakis, apenas o ministro francês sai do tom, mas de forma “muito subtil”, parecendo que não se está a opor ao homólogo alemão. Mas no fim, quando o Dr. Schäuble responde a definir a linha oficial, o ministro das Finanças francês acaba sempre por aceitar”, explica.
Varoufakis explica também o episódio da sua “expulsão” da reunião do Eurogrupo em junho. Quando chamou a atenção de Dijsselbloem que as declarações do Eurogrupo têm de ser aprovadas por unanimidade e que ele não pode convocar uma reunião excluindo um dos membros, “ele disse: Tenho a certeza de que posso. Então pedi um parecer legal. Isso criou alguma confusão. A reunião parou cinco ou dez minutos, os funcionários falavam uns com os outros ao telefone e acabou por chegar um responsável dos assuntos legais ao pé de mim a dizer-me isto: Bom, o Eurogrupo não tem existência legal, não há nenhum tratado que tenha previsto este grupo”.
“Eurogrupo toma decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”
“Afinal o que temos é um grupo inexistente que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”, prossegue Varoufakis.
Quando falava nas reuniões, com argumentos económicos preparados, “as pessoas ficavam a olhar para mim, como se não tivesse falado (…) Bem podia estar ali a cantar o hino da Suécia que ia receber a mesma resposta (…) Nem sequer havia mal-estar, era como se ninguém tivesse dito nada”, revela Varoufakis.

O que mais impressionou Varoufakis nas reuniões a que assistiu foi a “completa ausência de qualquer escrúpulo democrático por parte dos supostos defensores da democracia”. O ex-ministro dá um exemplo: “Ter várias figuras muito poderosas a olharem-me nos olhos e dizerem ‘Você até tem razão no que está a dizer, mas vamos esmagar-vos à mesma’”.
Proposta de emitir moeda paralela, tomar posse do banco central e cortar dívida ao BCE foi a derrota que o levou a sair do governo
Varoufakis fala também pela primeira vez da derrota política que o levou a sair do governo. Segundo a versão do ex-ministro, propôs ao governo um plano com três ações caso o BCE obrigasse ao encerramento dos bancos: a emissão (ou o anúncio) de uma moeda paralela (uma promessa de dívida conhecida como IOU), o corte na dívida detida pelo BCE desde 2012 e tomar o controlo do Banco da Grécia. “Perdi por seis contra dois”, diz Varoufakis, que voltou a insistir no plano na noite da vitória do OXI.
Mas o governo tinha outros planos, segundo Varoufakis, que levaria a “mais concessões ao outro lado: a reunião dos líderes partidários, com o nosso primeiro-ministro a aceitar a premissa de que o que quer que aconteça, o que quer que o outro lado faça, nunca vamos responder de forma desafiante. E basicamente isso significa desistir… deixa-se de negociar”.

Termino com  um cartoon de André Carrilho, publicado na Diário de Notícias
“Ajuda à Grécia”

Publicado no Diário de Notícias


domingo, 12 de julho de 2015

António José Maldonado, o professor e o poeta.

Em Outubro de 1955, com 10 anos incompletos, entrei para o 1º ano do então Liceu Nacional de Bragança. O fascínio de uma nova etapa da minha vida onde quase tudo era novidade, a começar pela dimensão da escola. De entre as colegas da 4ª classe, poucas continuaram estudos, pelo que não conhecia a maior parte das alunas da  turma A, onde me “encaixaram” com mais 30 meninas. O Liceu era misto, contrariamente à escola onde fizera a 4ª classe mas, genericamente, meninos e meninas não partilhavam espaços. A professora Lina, foi substituída por vários  professores, creio que nove. Entre esses professores estava o Dr. António José Maldonado, professor de Português. Recordo-o como um professor muito afável mas bastante permissivo pelo que  não se aprendia muito nas suas aulas.
Voltei a tê-lo como professor na disciplina de História no 5º ano (actual 9º). Por motivos de saúde foi substituído, creio que no início do 2º período.
Por essa altura, surgiu na escola uma nova professora de Inglês, a Drª Aurora, com quem o Dr. Maldonado veio a casar.
Não voltei a tê-lo como professor. Que no 6º quer no 7º ano, embora as turmas fossem mistas, eram desdobradas na disciplina de Filosofia. O Dr. Maldonado dava aulas aos rapazes e o Dr. Lopes da Silva, então Reitor,  às meninas.
Já no fim da minha passagem por Bragança, constou-me que teria escrito um livro de poesia Futuros ou não,
Embora tivesse sempre uma palavra gentil para me dizer se me visse na escola ou na rua, nunca me apercebi do seu lado poético, o que não é de estranhar pois era ainda muito jovem quando  fui sua aluna.

Transcrevo um dos poemas desse livro

Futuros ou não
viajemos um para o outro, tranquilos; 
viajemos, sombras fugidias, levemente 
            eternas:
- Tu para mim, eu para ti.
  Futuros ou não,
passemos nos lábios inventando o fogo, 
passemos nos corpos repartindo as nascentes, 
passemos nas almas pronunciando espaço. 
  Como o ruído dos passos gasta a solidão
            dos caminhos,
assim tu em mim,
chegada de muitos gestos, dum mundo e de 
            outro mundo, do alfa e do omega.


António José Maldonado foi inserido pela crítica na chamada "Geração de 50", que se tornou célebre pelo seu inconformismo e revolta contra o regime salazarista. De entre os seus poemas destacam-se particularmente "Êxodo", "Dies Irae" e "Os Fundadores de Cidades". 

Na passada semana tive o tempo um pouco mais livre pelo que deambulei pela Baixa, muito em particular por livrarias. E numa delas, na Praça Guilherme Gomes Fernandes, descobri  Limite Cultivado, um livro de  António José Maldonado, prefaciado por Fernando Guimarães que também conheci como professor do Liceu de Bragança, embora nunca tivesse sido meu professor 



Voltando ao limite cultivado deixo dois poemas


Deixo também um poema de Fernando Guimarães 

ACERCA DE UMA ARANHA
O que se pode dizer? Falemos da sua leveza, dessa espécie de gesto
que a sustenta no ar. Permanece sozinha, para que se encontre
a si mesma. À sua frente estão múltiplos caminhos, mas escolhe
apenas um. Ela procura o centro de qualquer coisa. Aí fica
à espera, atenta como nós quando lemos um livro. Talvez esteja perto
daquilo que há muito se ignorava, de um segredo que a teia
lhe pode revelar quando estremece. Solta-se dela um fio
maior para que a luz venha ao seu encontro. Oscila um pouco
e afasta-se lentamente. É outra a página que se lê agora.
[in As Raízes Diferentes, Relógio d’Água, 2011]

Como referi no início,  recordo o professor como uma pessoa afável e próxima dos alunos. Lembro-me que numa das aulas, não sei se de Português ou de História um dia falou-nos de uma canção de que gostava muito e que trauteou. Tratava-se da Canção do Mar e creio que foi a primeira vez que a ouvi. Deixo-a na voz de Dulce Pontes




terça-feira, 7 de julho de 2015

Os gregos disseram NÃO

Já há imenso tempo que não escrevo acedo ao blogue. Mas hoje não poderia deixar de o fazer.
Se há algo que me incomoda é a subserviência....Por isso o NÃO  dos gregos merece o meu maior  aplauso.


Se a Troika estivesse realmente interessada em que os países, entre eles  Portugal e Grécia,reduzissem as despesas de uma forma justa, teria imposto a esses países medidas como por exemplo: 

A- reduções /extinções:

 1. de  mordomias dos ex-Presidentes da República (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros atestados, motoristas, etc.) e da Assembleia da República, (como almoços opíparos a custos ridículos),

2. do número de deputados da Assembleia da República 

3. no número de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores como 2º e 3º emprego.

4. das empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euros/mês 

5.  do financiamento aos partidos

6. da distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que muitas vezes se deslocam em digressões particulares pelo País;.

7. dos motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias, muitas vezes em serviço não oficial

8. da renovação sistemática de frotas de carros do Estado 
  
9.  das viagens de deputados  em classe VIP( mesmo em pequenas distâncias),  e respectivas estadias em hotéis de cinco estrelas. 

10. das numerosas administrações  de hospitais e outros organismos públicos 

11. dos milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo

12. das várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que muitas vezes passaram fugazmente pelo Estado. 

13-dos salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos

14- das Parcerias Público Privadas 

etc, etc, etc

B-Eficácia 

1. na "perseguição"  dos milhões desviados por banqueiros

2. na investigação  do enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo  quem faz fortunas e adquiriu patrimónios de forma indevida 

3. no controle rigoroso de toda a actividade bancária 

etc, etc, etc

Mas não foi isso que sucedeu. Foram-se impondo medidas gravosas que afetaram essencialmente  os mais desfavorecidos e  a classe média. Isto tudo com  com a subserviência dos governos e dos povos...

Como homenagem ao povo grego, termino com um excerto de um filme que  marcou a minha geração 







domingo, 14 de junho de 2015

Roda viva

Se habitualmente já tenho o tempo bastante preenchido, nos últimos dias tenho andado numa "roda viva". Mas citando o brasileiro  Hermes Fernandes, prefiro o estresse ao tédio, o ativismo ao ócio, a frustração de não ter conseguido à de não ter sequer tentado.

Mas vamos à "roda viva"
No dia 4 de junho fui à Escola Carolina Michaëlis,  a convite da professora do 4ºano. Entre os 22 alunos encontra-se o meu neto José, que para ali foi transferido no último período do  3º ano. Recordo o que em tempos escrevi a propósito dessa transferência

Sei de um  aluno do 1º ciclo, numa escola pública, cuja professora , ainda nova, sempre o caracterizou  como uma criança irrequieta (não no sentido de travessa, mas significando precisamente o ter dificuldade em estar quieta), desconcentrada, um pouco infantil, mas meiga e educada ( o que corresponde à realidade).
A forma que esta professora encontrou para atenuar a irrequietude foi retirar-lhe, por vezes durante semanas seguidas,  todos os intervalos (inclusive o de almoço) e obrigá-lo, sempre que podia gozar do intervalo, a falar e brincar apenas com meninas, ficando impedido de conversar com os colegas do sexo masculino
Não teve sucesso com nenhuma das práticas mas insistiu sempre até que o encarregado de educação, que várias vezes a abordou no sentido de repensar tais atuações,  optou por mudar a criança de escola. Para além disso , a segunda prática gerou um comportamento de delação por parte das meninas, sempre que o aluno falava com rapazes.
Face à infantilidade, uma das medidas que adotou foi colocar-lhe uma chupeta na boca, dentro da sala de aula, humilhando-o perante todos os colegas.
A professora tem tido muito sucesso com a  aprendizagem de conteúdos por parte dos alunos, incluindo o aluno em causa. Isso não faz dela uma boa professora. Esta professora precisava urgentemente de uma formação para evitar que continue a adotar práticas aberrantes  com os seus alunos. E provavelmente quem a “formou”precisaria também de formação..

Trata-se de uma escola pública mas conheço relatos de situações diferentes, mas tão graves quanto estas, que têm lugar em escolas privadas.

Mas regresso à minha visita à escola. 
Tratando-se do fim de um ciclo, ofereci a cada menino um pequeno "livro" com o poema Era uma vez...o mar (do meu livro Era uma vez.... ciência e poesia no reino da fantasia). 


Seleccionei alguns excertos do texto que os alunos iam lendo(todos os alunos leram). De vez  em quando  e, como acontece  em todas as visitas a escolas, fazia uma paragem para realizar uma experiência alusiva ao texto.
Correu muito bem e os alunos não mostravam o mínimo interesse em sair da sala. Queriam sempre mais...

O José teve alguma dificuldade de integração com os colegas pois,  na escola anterior, esteve quase três anos impedido de brincar com os amigos, nos recreios, 
Aproveitando a minha ida à escola, decidi convidar todos os colegas para um convívio em minha casa no dia 10 de Junho

Mas ao convívio, volto mais tarde.

Logo no dia seguinte ao da visita à escola, fui ao ISEP pois recebi uma menção honrosa no concurso "Reciclar é uma arte" a que aqui fiz referência em janeiro. Deixo imagens do catálogo da exposição e do trabalho, bem como o texto que o acompanhou




Sobre o trabalho
O homem é um produtor de  resíduos, mas a produção dos mesmos é tanto maior quanto maior o consumismo, que tem vindo a aumentar de forma exponencial na maior parte dos países ditos “desenvolvidos”. As consequências para o ambiente são altamente preocupantes, daí a necessidade de um desenvolvimento sustentável que assegure bem-estar, não só à atual geração mas também às gerações futuras.
A  reciclagem, transformando materiais usados em novos produtos para o consumo, é uma das práticas que têm vindo a ser desenvolvidas com vista a permitir que o crescimento seja  acompanhado de qualidade de vida, sob os pontos de vista económico, ambiental, social e cultural.
Fazer arte utilizando resíduos “inúteis” é também uma forma de contribuir para que o desenvolvimento almejado se transforme em realidade. No trabalho foram usados desperdícios de persiana e pedaços de rolos de cartão. Os primeiros viveram, devassados por olhares indiferentes, numa qualquer fachada, de uma qualquer casa, contribuindo para o conforto das pessoas que ali moravam. Envelheceram com o tempo e o seu destino foi uma lixeira.
Os rolos de cartão viveram numa loja de tecidos, ocultos sob metros de panos dos mais variados em cor, em textura, em desenho. Logo que esgotado o tecido, exposta a sua nudez, tornaram-se inúteis. O seu destino poderia ter sido uma lixeira ou a reciclagem, dependendo da consciência ecológica de quem  tomasse a decisão. 
Li algures uma frase de um artista “Arte é tudo o que me toca e que me motiva a fazer coisas que possam atingir estética e emocionalmente outras pessoas”
Não sei porquê os desperdícios de persiana tocaram-me...Sobre eles fui derramando tintas. Não mais seriam as velhas persianas duma qualquer fachada, ignoradas por olhares indiferentes. Seriam a fachada, que a minha mão, manejando o pincel, cobriria de acrílico.
Também os rolos de cartão, nus, encostados num canto da loja, me tocaram. Eram belos na sua nudez. Que melhor moldura para o meu trabalho?   

No dia seguinte, sábado, dia 6, teve lugar, no Coliseu  o sarau de encerramento do Porto de Atividades, uma festa onde participaram os 16 agrupamentos de escolas, através de atuações muito interessantes. O espetáculo, cujo o tema foram as profissões,  destacou-se pela criatividade e expressão artistica, tendo sido os alunos de jardim de infância e 1º ciclo do ensino básico que frequentam as atividades de enriquecimento curricular, os artistas principais.



Os alunos do Carolina, vestidos de cozinheiros, apresentaram uma coreografia de que gostei bastante. Mas todas elas tiveram bastante qualidade. Podem ver aqui imagens de atuações doutros agrupamentos de escolas

O evento terminou por volta das 13h.
À tarde ultimei os preparativos para a "animação" da festa do 6º aniversário do meu neto Bernardo que nasceu a 1 de junho. Como calhou à segunda feira,  só pôde comemorar com os amigos, no dia 7. 
Já tive oportunidade de referir que este meu neto tem um autêntico fascínio por tudo o que se relacione com animais. Desta vez o tema da festa foi o mar.
Os pais(muito em especial a mãe) e a irmã decoraram a casa com crepon simulando algas, com imagens de peixes,  luz azul, etc. Um dos bolos ( e digo um porque a minha nora fez e decorou 3 bolos: uma para uma breve comemoração na escola, outro para a festa em família e o terceiro para a festa da crianças onde estiveram presentes 16  das 18 que constituem a turma). Aqui ficam imagens do terceiro  bolo e das bolachinhas com que foram presenteadas as crianças (podem ver mais imagens  aqui)


Para a animação da festa o tema teria que ser também o mar. Numa Arca de Noé faltavam casais de animais marinhos. Toca a encontrá-los e a colocá-los na arca tendo  cuidado com os "intrusos"....

Na NET encontrei várias imagens de animais (24 espécies diferentes) que imprimi e colei em cartão (aqui ficam algumas) As imagens foram espalhadas pelo jardim, nos sítios mais variados. De um saco, os alunos tiravam, ao acaso, um papel com o nome da espécie a procurar. Alguém lhe lia o nome e mostrava a espécie num cartaz.  Logo que encontrassem um casal  teriam que o colocar na arca e simultaneamente escrever o  nome  num quadro magnético (copiando  o nome escrito no papel  retirado (isto porque a maior parte  ainda não sabe ler). 
Depois tiravam do saco o nome de um outro ser, etc, etc.





Adoraram o jogo que teve que ser interrompido por ter chegado a hora do lanche. Havia mais um jogo previsto mas não foi necessário.
Além deste jogos houve futebol para os meninos, pois as meninas preferiram as bonecas...
Entre as meninas estava uma com trissomia 21 que não costuma ir às festas por serem habitualmente em espaços mais propícios a contaminação por vírus, bactérias, etc. Chamava-me tia...Uma doçura de criança.

No dia 9, toca a preparar o convívio para os colegas do meu neto José, o tal convívio a que me referi anteriormente  

Aqui vai o programa

1-      Sessão de Magias

2-      Constituição de grupos por sorteio. (Após constituído, cada grupo escolherá um nome)

3-      Atividades rotativas pelos grupos

A-     Lançamento de foguetões

B-      Alfabeto cifrado

C-      Atividades variadas

Intervalo para Lanche


4.      Atividade final-  Caça ao tesouro

      Das 22 crianças da turma, apareceram 12 ( algumas tinham atividades desportivas nesse dia) ou seja, estiveram 14 crianças contando com os meus netos mais novos (a mais velha tinha que estudar para um teste 5ª feira).
A minha nora e o meu filho apareceram logo de manhã para ajudar 
Como  receámos que a chuva nos pregasse uma partida, começámos pela caça ao tesouro que tinha que ser ao ar livre.
Cada grupo, tendo em conta a planta do espaço exterior e sabendo para que lado está o mar, tinha que seguir as dicas referenciadas pelos rosa dos ventos,  até encontrar o tesouro (um copinho com gomas para cada um)

De seguida o meu filho fez com as crianças uma atividade muito interessante, também de ar livre-o lançamento de foguetões.
Enquanto metade das crianças estava nesta tarefa, a outra metade ia, acompanhada por mim e pela minha nora, visitar a cascata nos Bombeiros, junto a minha casa.
Seguiu-se um  lanche e após o mesmo, só houve tempo para eu fazer algumas "magias" que depois lhes explicava.

Após o almoço, tocaram a campaínha. Eram duas coleguinhas do José, que moram perto de minha casa e que vieram convidá-lo para ir brincar para casa delas. Cerca de 2 h depois aparecerem os três mais um amigo das meninas. Estas pediram-me para repetir as magias para o amigo ver. 
Não pude convidá-las para ficar mais tempo pois a minha neta Rita ia ter teste de Física e queria certificar-se de que estava bem preparada.

Como o meu filho mais novo e a minha nora tinham uma reunião na 5ª feira de manhã, fora do Porto, os meninos dormiram em minha casa.
Foi uma corrida.Levar os meninos cada um a sua escola e seguir para o Hospital de Santo António pois à 5ª feira de manhã faço voluntariado.
Dado que cheguei mais tarde, decidi que sairia  mais tarde para compensar. Estava já para sair quando surgiu um jovem de Hong Kong para ir ao serviço de urgência. Como em terras de cegos quem tem um olho é rei, lá tive eu que ajudar o rapaz, com o meu mau inglês.
Na urgência e porque o jovem não tinha cartão europeu, aconselharam-me a levá-lo a um hospital privado pois ali seria muito dispendioso. Terminei o serviço no HSA mas continuei o voluntariado levando o jovem ao Hospital Lusíadas. Quando cheguei a casa eram quase duas horas da tarde...

Nada melhor para terminar que duas versões de Roda Viva de Chico Buarque






quarta-feira, 3 de junho de 2015

E se acabassem certos privilégios?


E se acabassem certos privilégios?

Boaventura Sousa Santos  apresenta, em cinco postais,  uma resposta 

PARA QUEM ESTÁ REFORMADO E IGUALMENTE PARA QUEM NÃO ESTÁ NA SITUAÇÃO DE REFORMADO

resposta que é simultaneamente ....

 Um recado para o futuro governo que sair das novas Eleições,  seja o mesmo de esquerda, de direita, do centro ou de qualquer coligação.