segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Improvisos...
(...)uma
coisa que eu queria assegurar aos senhores deputados, nós, na preparação do
próximo ano lectivo não vamos fazer experimentalismos(...)
Nuno Crato que terminou a audição garantindo que o
próximo ano lectivo será preparado atempadamente, referia-se não aos vários experimentalismos em
que o Ministério da Educação(e não apenas com este ministro) gasta tempo e
dinheiro com improvisos sem sentido, mas apenas aos experimentalismos na colocação de professores.
Presume-se que os outros irão continuar...
Na
mensagem anterior falei da coadjuvação,
um dos muitos improvisos em que os alunos ( e também os professores) servem de
cobaias.
Numa determinada aula estavam dois professores, a professora da turma mais
o professor coadjuvante. A primeira, uma
professora excelente (e não sou apenas eu que o digo pois foi assim classificada
na última avaliação) cujas aulas, a que várias vezes assisti, não se limitam a
um debitar de matéria, o que contrasta
em absoluto com as aulas do professor coadjuvante, um
professor cerca de 15 anos mais velho.
Tratava-se
da primeira aula de coadjuvação e calhou ser na turma da professora.
Logo que
se pôs em prática este “improviso” da coadjuvação, a professora foi ter com o
colega e sugeriu que, antes de cada aula, cada professor conhecesse o plano de
aula do outro. O professor coadjuvante referiu que não via nenhum interesse
nessa sugestão.
Regressemos
então à primeira aula. O professor coadjuvante sentou-se na secretária enquanto
a professora ia conversando com os alunos, com vista à interpretação de dados
recolhidos numa tarefa experimental anterior.
O
professor coadjuvante interrompia sistematicamente dizendo: colega, não devia
primeiro fazer isto .... não devia primeiro fazer aquilo... Ela ia respondendo
calmamente. A seu tempo eu vou lá chegar.
Atónitos, os
alunos olhavam para a professora
e para o coadjuvante.
Após a
aula a professora, que durante toda a aula fez um esforço enorme para se manter
serena, retirou-se e tentou acalmar. Depois foi ter com o colega e fez-lhe
notar que o conhecimento do plano da aula teria evitado as interrupções que só serviram para causar
confusão nos alunos.
A segunda
“experiência” teve lugar uma aula do professor, sendo coadjuvante a professora.
Esta
sentou-se atrás enquanto o professor fez uma exposição sobre a matéria,
exposição assente apenas no formalismo matemático, sem a mínima referência a
situações do conhecimento dos alunos que ajudassem a compreender os conceitos.
A exposição foi breve e de seguida
passou-se à resolução de exercícios. A partir desse momento a colega levantou-se e foi de carteira
em carteira tentando ajudar os alunos.
A partir
dessa aula o professor jamais interrompeu a colega e, se a aula é de introdução
da matéria, fica todo o tempo sentado atrás, à espera que a aula acabe, o
mesmo procedimento que a colega adota.
Como a
coadjuvação tem que decorrer nas aulas não desdobradas, precisamente aquelas indicadas
para a introdução da matéria, dado que estão todos os alunos presentes, a
coadjuvação, tal como eu previa não faz qualquer sentido.
Estes e
outros improvisos, altamente nefastos, têm vindo a degradar sistematicamente o
sistema educativo em Portugal.
E para afastar o espectro destes maus improvisos, termino com os magníficos improvisos, D. 899 / Op. 90 de Schubert interpretados por Maria João Pires
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Falando de educação e responsabilidade.....
Já há algum tempo que comecei a escrever esta mensagem mas a reportagem sobre a viagem à China
acabou por ser mais longa do que eu previa.
acabou por ser mais longa do que eu previa.
No passado dia 19 Maria Helena Damião colocou no de Rerum Natura uma mensagem muito interessante
"Não estão nisto por gostarem dos miúdos ou por estarem interessados na educação",que transcrevo
a seguir.
"Não estão nisto por gostarem dos miúdos ou por estarem interessados na educação",que transcrevo
a seguir.
Nós, portugueses, que tão impelidos somos a seguir modelos pedagógicos inovadores, a citar autores que não lemos, a dissertar sobre teorias exóticas, em vez de seguirmos critérios filosóficos racionais e conhecimentos científicos confiáveis, deveríamos pensar duas vezes antes de adoptarmos e insistirmos em medidas educativas que não oferecem garantia, por referência ao que é certo e justo. Estas características mas não exclusivamente nossas, bem sei, mas são muito nossas.
Uma das recentes modas que seguimos, muito acriticamente, é a de confiar a educação pública a empresas privadas e só encontrar nisso vantagens, desde as mais elevadas, como o direito de escolha da escola dos filhos e a melhoria da aprendizagem, até às mais pragmáticas, como as de uma gestão financeira mais benéfica e transparente (os exemplos não terão sido os melhores porque, bem vistas as coisas, ambos caem por terra).
Estados Unidos da América e Suécia adoptaram, em grande escala, o discurso e a estratégia da empresarialização da educação formal. Mas, ambos os países têm analisados resultados académicos e feito contas. Não, não resulta! E estão a voltar à ideia de que ao Estado cabe proporcionar uma escola para todos.
Mas não são apenas os resultados e as contas que, nesta questão, têm sido destacadas pelos analistas. Assinalam um outro factor que faz toda a diferença: as empresas “não estão nisto por gostarem dos miúdos ou por estarem interessados na educação. Estão nisto porque querem fazer dinheiro rapidamente”.
Quem está na educação por outra razão que não seja a educação, não pode ser consentido na educação.
Sobre esta questão poderá ler-se o recente artigo Suecos decepcionados com o sistema de educação, da autoria de Helen Warrell (Financial Times) e traduzido para português por Ana Pina.
Dois dias antes (17/9) a mesma autora havia colocado uma outra mensagem, Escolas-2
Na sequência da publicação do meu texto Escolas-1, dedicado ao livro O Berço da desigualdade, da autoria de Sebastião Salgado (fotografias) e Cristovam Buarque (textos), o leitor Manuel Silva deixou uma pergunta: "tem esse livro fotografias de África, países pobres, zonas rurais...?"
Sim, tem. E belíssimas. Duas das minhas preferidas são as que abaixo reproduzo: uma tirada no Quénia e outra no Brasil.
![]() |
Quénia: Escola para jovens refugiados do sul do Sudão, Sebastião Salgado,1993
|
![]() |
| Brasil: Escola itinerante do Movimento dos Sem Terra, 1996, Sebastião Salgado |
A recordação do leitor traduz o que nelas é essencial:
"Vi em tempos algumas fotos de uma escola numa zona dessas, com os alunos sentados no chão, o professor de pé, um pedaço de ardósia velha e partida pendurada por um fio na «parede». Nada mais. Mas olhares vivos, cheios de curiosidade, interessados, alegres, havia-os em todos os alunos, que seriam uns 15 ou 20."
E acrescenta:
"A escola, para além de nos por a todos num patamar mais elevado de conhecimento, tem ajudado a igualar muita gente muito desigual à partida."
É essa, aliás, a função da escola. Tendo interesse por esta ideia, poderá ler um extracto do livro Escola, igualdade e diferença, da autoria de Joaquim Valentim (aqui) ou ler o livro integralmente.
A leitura das mensagens acima referidas serviu de mote para esta minha mensagem.
Há quatro anos o meu marido foi numa missão humanitária à Guiné Bissau onde, como alferes miliciano, cumpriu cerca de 2 anos de serviço militar. Levaram várias coisas, nomeadamente livros que foram entregar a diversas escolas. Algumas ao ar livre, sem carteiras (as crianças sentavam-se no chão ou em banquinhos improvisados).

Outras, já algo apetrechadas...
Em todas elas o que mais os impressionou foram a ânsia de aprender revelada pelas crianças e o respeito pelo professor.
Desde há muito que em
Portugal os sucessivos ministérios da educação se esqueceram que a principal
função seria precisamente educar, com tudo o que isso comporta, instruir,
desenvolver competências e atitudes, nomeadamente sentido de responsabilidade.
Ora vejamos:
- Há uns anos (creio que há mais de cinco) uma medida para
conseguir o "sucesso" dos alunos dos cursos profissionais era
fazer testes até que o aluno tivesse um resultado
satisfatório (creio que a medida se mantém mas não estou certa). E
esta medida tinha que ser posta em prática mesmo que o aluno
faltasse sistematicamente, não mostrasse o mínimo interesse nas
aulas, perturbasse...
Em vez de se
responsabilizarem alunos e famílias, penaliza-se o professor que terá que
fazer um teste, outro e mais outro e ainda mais outro, até que o aluno
tenha um mínimo de sucesso (obviamente aparente)
- Duas das práticas agora adotadas para diminuir o insucesso são a supervisão de uns professores por outros e a criação de coadjuvações. Neste último caso, dois professores (titular e coadjuvante) estão ao mesmo tempo na mesma sala de aula. Quando tentei saber a razão de tais práticas foi-me dito que são medidas para substituir as aulas de apoio.Ingenuamente perguntei qual a razão da substituição e fiquei atónita quando ouvi: como as aulas de apoio não eram obrigatórias, muitos alunos não apareciam.
Novamente, em vez de
se responsabilizarem alunos e famílias pelo desinteresse manifestado, arranja-se
uma qualquer outra solução.
Mas voltemos à
coadjuvação
Em algumas escolas,
não sei se em todas, na disciplina de Física e Química (e provavelmente
nas outras) na maior parte das vezes essa presença terá que ocorrer em aulas de
apresentação da matéria. Que sentido pode fazer estarem dois professores numa
mesma sala a apresentarem a mesma matéria? A coadjuvação, a meu ver, só
fará sentido e poderá ser extremamente útil nas aulas de aplicação
dos conhecimentos, através de exercícios, problemas etc, e nas de
actividade experimental.
A sensação com que se
fica é que tudo é feito em cima dos joelhos e ninguém é
responsabilizado...
Não me admiro se já
estiver na forja um qualquer outro improviso para "diminuir" o
insucesso.
Há pouco chegaram
às escolas novas diretivas sobre as provas intermédias.
No documento pode ler-se:
(...)Em relação aos
testes aplicados no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário,
considerando as
evidências que os relatórios de anos anteriores têm revelado,
nomeadamente o facto
de ser residual, ou mesmo impercetível, o seu impacto na melhoria do
desempenho dos alunos, entende-se, passados quase 10 anos desde o início do
projeto, já não se justificar a sua continuidade nos moldes vigentes(...).
A falta de
responsabilização de quem (des)governa o ME vem de há muito.
Provavelmente já
pouca gente se lembra do experimentalismo de Roberto Carneiro com as PGA,
nomeadamente a primeira, “introduzida” a meio do ano letivo e que levou a
situações gritantes. Alunos (de escolas de referência), com médias de 18 e 19
valores ficaram de fora, enquanto outros com notas muito inferiores entraram no
Ensino Superior.
E a criação dos
famigerados professores titulares, improviso de Maria de Lurdes
Rodrigues?
E o que aconteceu e
ainda está a acontecer com a colocação dos professores em 2014/2015?
O problema é que, por
estes e muitos outros erros educacionais, nenhum ministro foi alguma vez
responsabilizado...
O exemplo devia vir
de cima, mas infelizmente não vem.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Por terras do Oriente -11
O último dia da viagem foi destinado ao Dubai, um dos sete emiratos que compõem os Emiratos Árabes Unidos (EAU). Os outros são Abu Dhabi, Sharjah, Ajman,Umm al-Qaiwain, Ra’s al-Khaimah, Fujeirah
Em árabe” emirato” e "emir" significam respetivamente principado e príncipe.
Este pequeno território (EUA) está situado na
Península Arábica, faz fronteira com a Arábia Saudita e Oman e é banhado pelo Golfos Pérsico e de Oman.
O país, cuja capital é Abu Dhabi. é uma federação que foi constituída em 02 de dezembro de 1971 sob o comando do falecido líder político Sheikh Zayed Al Nahyan.
O país, cuja capital é Abu Dhabi. é uma federação que foi constituída em 02 de dezembro de 1971 sob o comando do falecido líder político Sheikh Zayed Al Nahyan.
A presidência do país pertence sempre ao soberano do Abu Dhabi e a vice-presidência ao soberano do Dubai.
A língua oficial é o árabe mas no
dia-a-dia e nos negócios o inglês é que predomina.
Antes de falar da visita sugiro que vejam este vídeo em inglês ou este outro em "português do Brasil"
Passemos então à visita.
No aeroporto aguardava-nos um autocarro que
nos levou para o centro da cidade onde almoçámos (desta feita comida árabe de
que também gosto e que estava muito bem confecionada).O guia era egípcio e
falava espanhol.
Depois de almoço fizemos uma visita à cidade, a maior parte da visita em autocarro, parando apenas para tirar fotos. A única exceção foi a visita ao centro comercial Dubai Mall inaugurado em novembro de 2008 e que dizem ser o maior e o mais visitado do mundo. Com 111 hectares conta com mais de 1.200 lojas e 14.000 lugares de estacionamento. Esse centro comercial é referido nos vídeos. O que achei muito interessante foi o aquário enorme que os vídeos também mostram

Para além do Dubai Moll, apercebemo-nos de outras "obras", as mais....do mundo...
Para além do Dubai Moll, apercebemo-nos de outras "obras", as mais....do mundo...
O hotel mais caro do mundo (em forma de vela)
De autocarro andámos pela ilha artificial Palmeira mas, de modo algum, nos apercebemos da forma da ilha. Para isso teríamos que sobrevoar o Dubai
O vídeo anexo mostra o projeto da ilha bem como o da torre Burj Khalifa,
Quando saímos do Dubai, do avião pudemos ver a " palmeira"
Quando saímos do Dubai, do avião pudemos ver a " palmeira"
A propósito deste segundo vídeo, retomo a reportagem...
Ao fim da tarde fomos conduzidos ao Hotel Holiday Inn Downtown, supostamente de 4 estrelas.
Todos os hotéis em que estivéramos anteriormente, em Hong Kong, Macau e nas várias cidades da China onde pernoitámos, eram de 4 ou cinco estrelas mas foram sempre excelentes, mesmo os de 4 estrelas. Sendo o Dubai uma cidade de construções modernas e espetaculares imaginei um hotel com essa caraterísticas. Com bom aspeto exterior, depressa nos apercebemos que o interior era muito diferente...
Todos os hotéis em que estivéramos anteriormente, em Hong Kong, Macau e nas várias cidades da China onde pernoitámos, eram de 4 ou cinco estrelas mas foram sempre excelentes, mesmo os de 4 estrelas. Sendo o Dubai uma cidade de construções modernas e espetaculares imaginei um hotel com essa caraterísticas. Com bom aspeto exterior, depressa nos apercebemos que o interior era muito diferente...
A
par da recepção pouco acolhedora, os quartos estavam sujos (lixo nos móveis,
debaixo da cama, etc) e degradados (armários danificados, portas sem puxadores,
etc). Como se tratava apenas de uma noite não protestámos.
Quando
fomos jantar ficámos perplexos pois, mesmo ao lado do restaurante, no último
piso, uma sala servia de "salão de cabeleireiro". A porta estava aberta e as clientes tinham
um aspecto "estranho". O restaurante não tinha a
mínima qualidade nem nas instalações, nem nas refeições. Após o jantar fomos para os quartos e um funcionário
dirigiu-se a vários quartos, abriu as portas (exceto as que tinham sido
trancadas por dentro) e perguntou se tudo estava “O.K”.
No
dia seguinte de madrugada, quando aguardávamos o transporte para o aeroporto, várias
“meninas” de aspecto duvidoso passeavam pela recepção e olhavam provocantemente
para o grupo, enviavam beijinhos, etc .
Foi
nessa altura que um dos companheiros de viagem referiu que, antes de partir, consultando
a NET para obter informações dos hotéis, sobre o hotel em causa tinha lido comentários
preocupantes. Avisou por e-mail a Abreu que nada fez.
(anexo alguns comentários relativos ao Hotel no Dubai,
retirados da NET tal como ali se
apresentam traduzidos e escritos)
Fui
pela primeira vez a dubai, para meu azar, em lua de mel e tinha muita
expectativa que o hotel seria maravilhoso por estar numa cidade moderna como
dubai..porem, tive uma grande desilusao, o hotel de bom so tem a localizacao
proximo a estacao dd metro e o pequeno almoco, do resto e horrivel, quartos
equipados com mobilias do seculo passado e wc em pessimas condicoes, ambiente nao propicio a casais pois notou
se um ambiente de sem vergonhice publica na recepcao e passando pelos
corredores notava se um ambiente muito desagradavel (...)
(...)Fiquei
totalmente decepcionado do hotel ,O meu marido tinha reservado apenas para uma
noite no nosso caminho de volta da Ilha Maurícia .foi a pior idéia para acabar
as nossas férias(....) Ok, a preço muito baixo(...) o quarto era pequeno e com
um cheiro de cigarro, sem varanda, sem chinelos para o tapete sujo, banheiro
muito antiga, ok estávamos cansados e foi apenas uma noite(...)
(...)O
quarto em si tinha tapetes manchados. O chão estava sujo e a cama não parecia
muito limpo. Eu não dormir nesta cama (....)A casa de banho também teve
inúmeras manchas (...)
É sabido que em todas as partes do mundo, muitos hotéis,independentemente do número de estrelas, têm esta componente mas é discreta e por isso nunca antes me chamara a atenção, nos vários países que já visitei.
Num país onde as mulheres não estrangeiras usam véu e andam com o corpo tapado com vestes negras, apesar das temperaturas que ali se atingem, tudo isto é estranho e revela uma hipocrisia incrível.
Gostei desta passagem pelo Dubai até para confirmar aquilo que já imaginava. Não é o tipo de destino turístico que eu procure. Suponho que nos demais emiratos não será muito diferente.
Quando viajo interessam-me muito a cultura, as tradições, a história. Não penso voltar ao Dubai mas não me importaria de voltar à China se "para tanto mundo não fosse tão curta a vida"...
No dia 30 de Agosto "desembarcámos" em Lisboa, donde seguimos de comboio para o Porto.
Fim de reportagem....
As fotos desta mensagem são da autoria de Fernando Gouveia, arquiteto
domingo, 28 de setembro de 2014
Por terras do Oriente-10
Na madrugada do dia 29 de Agosto saímos do Hotel em direção ao
Aeroporto donde partimos para o Dubai,
última etapa da viagem.
Antes de falar dessa etapa,
gostaria de "partilhar" algumas curiosidades sobre a China, bem como uma
espécie de síntese (para todas as idades...)
De forma muito ligeira e superficial deixo algumas "curiosidades" sobre vários temas
Filosofia e religião
As religiões mais praticadas são o budismo com origem na Índia e o taoísmo religioso (esta com menor expressão). Há outros tipos de religiões na China, mas muito minoritárias como o Islamismo e o Cristianismo (Catolicismo e Protestantismo)
Confúcio, eventual discípulo de Lao Tsé, viria a difundir o Confucionismo, corrente essencialmente filosófica.
Aqui podem ver um brevíssimo excerto do filme "A Batalha Pelo Império" (título em português do filme Confucius)
Símbolos e gestos
Sobre símbolos já me referi em mensagem anterior aos sinogramas que facilitam a comunicação entre os próprios chineses pois, para uma mesma palavra/ideia, a fonética pode ser muito diferente de região para região. Nesses casos comunicam pela linguagem escrita.
Os chineses usam também gestos para comunicar, nomeadamente os números.Com a mão conseguem representar os número de 1 a 99 .
O número nove é considerado o nº da sorte na
China por ser o maior algarismo possível. Cien tem 9 colinas em volta dum lago com 36 pontes (3+6 = 9) e a
cidade proibida teria tido 999 construções.
Surge também associado ao dragão. A "Parede dos Nove Dragões" é uma parede com imagens de nove dragões diferentes, encontrada em palácios e em jardins imperiais. Os imperadores tinham nove dragões em suas vestes. Há vários lugares na China chamados "nove dragões", sendo o mais
famoso Kowloon (em cantonês) que deu o nome a Hong kong onde, curiosamente, o nº 4 é um número indesejável.No Hotel onde ficámos não havia quartos com os números 4,14,24, etc
O símbolo anexo traduz os conceitos de ying e yang associados à filosofia chinesa
O símbolo anexo traduz os conceitos de ying e yang associados à filosofia chinesa
Zodíaco chinês
O dragão é um dos 12 animais no calendário chinês.
Na astrologia chinesa, os doze animais que
formam os signos do zodíaco representam um reflexo do próprio Universo.
Os animais do signo chinês são: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão,Serpente,
Cavalo, Carneiro, Macaco, Galo, Cão e Porco.
Os signos ocidentais são divididos por meses, enquanto que os signos chineses são definidos por ano. Cada ano representa um
animal específico do horoscópo chinês.
Flores de Lótus
Em todos os lagos dos parques e palácios
que visitámos a flor de Lótus marca presença. É uma flor sagrada associada à
figura de Buda e aos seus ensinamentos.
Significa" pureza do corpo e da mente.
Um poema do começo da dinastia Song, exalta as beldades dos pés enfaixados, mas reconhece a sua dor.
"Ungida com fragrância, ela tem passos de lótus;
Ainda sempre triste, caminha com rápida leveza.
Ela dança como o vento, sem deixar vestígios
Outra furtiva, mas alegre, veste-se ao estilo do palácio,
Mas sente tal sofrimento no andar!"
(Poema de Su Shi, que viveu de 1036 a 1101)
No passado os chineses consideravam feio o tamanho dos pés das mulheres. A beleza e virtude da mulher chinesa estavam vinculadas ao
tamanho dos seus pés, que tinham que se assemelhar ao tamanho de uma pequena “flor
de lotus”.
A planta de Lótus é cultivada como planta ornamental em tanques e lagos. Para além disso toda a planta é comestível, da raiz às sementes
Na imagem pode ver-se a flor e também o fruto com as sementes
O fruto estava à venda nos mercados de rua.
As duas imagens foram retiradas daqui
Transportes e Poluição
Estatísticas sobre transporte na China, com dados relativos a 2007
Transportes e Poluição
Estatísticas sobre transporte na China, com dados relativos a 2007
Estradas:
O segundo maior sistema do mundo, com 3, 58 milhões de quilómetros, dos quais 53,9 mil são de alta velocidade.
O segundo maior sistema do mundo, com 3, 58 milhões de quilómetros, dos quais 53,9 mil são de alta velocidade.
Vias férreas:
Comprimento total de 78 mil quilómetros sendo 24,4 eletrificados.
Comprimento total de 78 mil quilómetros sendo 24,4 eletrificados.
Metro:
Seis cidades (Beijing, Shanghai, Guangzhou, Hong Kong, Taipei e Nanjing) têm metro e estão a ser construídos mais oito em outras cidades.
Seis cidades (Beijing, Shanghai, Guangzhou, Hong Kong, Taipei e Nanjing) têm metro e estão a ser construídos mais oito em outras cidades.
O número de passageiros do metro de Pequim excedeu 613 milhões.
Portos:
Treze portos, cada um com capacidade anual de mais de 100 milhões de toneladas.
Treze portos, cada um com capacidade anual de mais de 100 milhões de toneladas.
Linhas aéreas:
A China tem 1.506 rotas, 1.216 domésticas e 290 internacionais, que ligam 91 cidades. Há 152 aeroportos com capacidade de 185,8 milhões de passageiros e 4,02 milhões de toneladas de cargas.
A China tem 1.506 rotas, 1.216 domésticas e 290 internacionais, que ligam 91 cidades. Há 152 aeroportos com capacidade de 185,8 milhões de passageiros e 4,02 milhões de toneladas de cargas.
O transporte fluvial tem também uma grande importância na China que possui uma rota de de mais de 130 mil quilómetros um terço dos quais é conseguido no Rio das pérolas, no Huaihe e no Yangtzé que é navegável em 3000 dos seus 5500 km
A par dos meios de transporte coletivos há o transporte individual.
Tal como aconteceu na ex-União Soviética a China "importou" muitos dos aspetos negativos do Ocidente nomeadamente o culto do automóvel. Vêem-se na China inúmeros automóveis, muitos deles "topo de gama", circulando com apenas um passageiro. As consequência são tremendas quer ao nível do trânsito quer ao nível ambiental.
Vêem-se ainda muitas bicicletas, a maior parte elétricas, logo menos poluentes.Como são muito silenciosas têm o inconveniente de causar mais acidentes.
Uma grande fonte de poluição na China é o uso de combustíveis fósseis, especialmente carvão para produção de energia elétrica. Desde 1980, a produção de energia da China tem crescido dramaticamente, já que o consumo doméstico também aumentou drasticamente com o rápido crescimento económico chinês. Cerca de 80% da eletricidade gerada no país vem de recursos fósseis, nas centrais termoelétricas, e 17% vem de hidroeléricas . No Yangtzé foi construída a maior central hidroeléctrica do mundo, a Barragem das Três Gargantas
Apenas 2% da produção de eletricidade na China vêm de centrais nucleares
Educação e saúde
O sistema de ensino chinês é muito
competitivo e existem numerosos testes ao longo das diversas etapas do sistema.
Apesar disso, os níveis de fracasso escolar são muito baixos e a taxa de
alfabetização ultrapassa os 94%, segundo dados do Banco Mundial(...)
Pretende-se o acesso generalizado ao ensino
superior. Neste sentido, nos últimos anos implementaram-se planos específicos,
orientados para pessoas com dificuldades económicas. Estes planos incluem
bolsas, isenções ou reduções de matrículas, trabalhos em part-time ou
empréstimos estatais.
Dirk Pilat, Chefe da Divisão de Política Científica e Tecnológica da OCDE, citado em comunicado da organização, refere ser espectacular a «rápida progressão da China em termos de volume de despesa em I&D e emprego de investigadores» e acrescenta ainda que, «para não se deixarem distanciar, os países da OCDE devem reforçar a eficiência dos seus sistemas de investigação e de inovação e encontrar novos meios para estimular a inovação num contexto mundial, marcado pela intensificação da concorrência».
Há na China Hospitais altamente especializados e dotados de alta tecnologia mas o sistema básico de saúde ainda não atinge 100% da população .
O Governo chinês pretende que o sistema básico de saúde chegue a toda a população, que resida em zonas urbanas ou rurais, no ano 2020. De acordo com o livro branco "Serviços médicos e de saúde na China" em finais de 2011, 95% dos cidadãos (cerca de 1.300 milhões) já estavam registados em algum dos três programas básicos de seguros médicos promovidos pelo Estado.
Nível de vida
Os níveis salariais na China têm aumentado
constantemente nas últimas duas décadas. No entanto, as disparidades entre
regiões geográficas, setores industriais e entre os altos executivos e os
trabalhadores também aumentaram de maneira significativa. Por outro lado, os
aumentos salariais para os trabalhadores pior pagos foram corroídos, com
frequência, pelo aumento do custo de vida.
Etnias
Há na China, para além da maioria Han (91% da população), 55 minorias étnicas espalhadas por toda a China. A província Yunnan, no sul, é a província onde moram mais tipos de etnias, Han e mais de 20 minorias étnicas.
Existem cerca de 80 tipos de línguas faladas na China. À exceção das minorias étnicas Hui e Man, que usam a língua chinesa, as outras 53 minorias têm as suas próprias línguas.
Daí que os chineses muitas vezes só consigam comunicar através de sinogramas.
Planeamento familiar na China
A chamada "política do filho único", foi adotada há cerca de três décadas para travar o crescimento demográfico no país mais populoso do mundo.Essa política previa exceções, nomeadamente para as minorias étnicas e para os casais rurais que tivessem primeiro uma filha. Assim o índice de fecundação no país (1,5 filhos por mulher) tornou-se muito inferior ao nível que garantiria a renovação geracional. Para além disso, nas comunidades rurais muitas vezes as mulheres,ao saberem que iam ter uma filha, provocavam abortos. Os filhos eram mais "úteis" para ajudar nos trabalhos do campo.
Consequentemente a população chinesa é uma população envelhecida e há uma grande carência de mulheres.
A chamada "política do filho único", foi adotada há cerca de três décadas para travar o crescimento demográfico no país mais populoso do mundo.Essa política previa exceções, nomeadamente para as minorias étnicas e para os casais rurais que tivessem primeiro uma filha. Assim o índice de fecundação no país (1,5 filhos por mulher) tornou-se muito inferior ao nível que garantiria a renovação geracional. Para além disso, nas comunidades rurais muitas vezes as mulheres,ao saberem que iam ter uma filha, provocavam abortos. Os filhos eram mais "úteis" para ajudar nos trabalhos do campo.
Consequentemente a população chinesa é uma população envelhecida e há uma grande carência de mulheres.
Hoje a lei recomenda que as autoridades provinciais, tendo em conta a avaliação da situação demográfica local, tomem decisões específicas no sentido de alterar as suas regras de controle de nascimentos.
.
Comida chinesa
A culinária é uma parte importante da
cultura chinesa e os chineses apreciam a boa comida. Acreditam que uma refeição
deliciosa gera felicidade, harmonia e bem-estar físico e mental. Durante as
"eras douradas" da China, nas épocas de prosperidade, os chineses
desenvolveram a cultura por meio da arte, da ciência e da culinária.
Também a fome e a miséria
desempenharam papel importante no desenvolvimento da cozinha, pois os chineses
tiveram de usar tudo o que fosse comestível para se alimentar.
o que é traduzido no dito popular referente à comida cantonesa "os cantoneses comem tudo o que está no ar, menos avião; tudo o que está na terra, menos carro e tudo que está na água, menos barco".
A escassez de alimentos ensinou o povo chinês a não desperdiçar, de modo que as cascas de numerosas frutas e vegetais e as barbatanas de tubarão, são consideradas iguarias na China.
o que é traduzido no dito popular referente à comida cantonesa "os cantoneses comem tudo o que está no ar, menos avião; tudo o que está na terra, menos carro e tudo que está na água, menos barco".
A escassez de alimentos ensinou o povo chinês a não desperdiçar, de modo que as cascas de numerosas frutas e vegetais e as barbatanas de tubarão, são consideradas iguarias na China.
Pessoalmente deliciei-me com a comida chinesa pois durante toda a viagem fui experimentando várias das muitas iguarias disponíveis, genericamente com um aspeto muito apetecível.
Compras
Regatear na China é algo cultural. Com exceção de centros comerciais e grandes supermercados a arte do regateio é importante quando se vai fazer qualquer compra
Os comerciantes pedem valores muito inflacionados pelos produtos, especialmente quando os clientes são estrangeiros e não estão familiarizados com essa "arte" .
Na muralha da China tinha comprado dois livros com fotos sobre a mesma, um deles para mim.Cada um tinha custado 25 yuan (1 yuan corresponde a cerca de 8 euros).
Fiz pouquíssimas compras na China (o que para mim é normal ). No último dia em Pequim, como ainda tinha algum dinheiro chinês, decidi gastá-lo pois não me serviria para nada. Perto do Hotel havia um" centro comercial" se é que assim lhe podemos chamar, com lojas de toda a espécie onde tudo tinha que ser negociado.
Decidi comprar mais dois dos referidos livros pois seriam uma lembrança interessante para dar a amigos.
Começaram por pedir 185 yuan por cada um. Ao fim de muito regatear ( eu não tenho jeito mas o nosso amigo Pimentel é "mestre" nessa"arte") comprei os dois por 50 yuan (25 por cada, o valor que dera pelos que já comprara). Ou seja, comprei por um valor mais de sete vezes inferior ao indicado inicialmente...
Divirtam-se com o filme que segue
Os comerciantes pedem valores muito inflacionados pelos produtos, especialmente quando os clientes são estrangeiros e não estão familiarizados com essa "arte" .
Na muralha da China tinha comprado dois livros com fotos sobre a mesma, um deles para mim.Cada um tinha custado 25 yuan (1 yuan corresponde a cerca de 8 euros).
Fiz pouquíssimas compras na China (o que para mim é normal ). No último dia em Pequim, como ainda tinha algum dinheiro chinês, decidi gastá-lo pois não me serviria para nada. Perto do Hotel havia um" centro comercial" se é que assim lhe podemos chamar, com lojas de toda a espécie onde tudo tinha que ser negociado.
Decidi comprar mais dois dos referidos livros pois seriam uma lembrança interessante para dar a amigos.
Começaram por pedir 185 yuan por cada um. Ao fim de muito regatear ( eu não tenho jeito mas o nosso amigo Pimentel é "mestre" nessa"arte") comprei os dois por 50 yuan (25 por cada, o valor que dera pelos que já comprara). Ou seja, comprei por um valor mais de sete vezes inferior ao indicado inicialmente...
Divirtam-se com o filme que segue
O Circo na China
Pode-se dizer que as artes circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase 5.000 anos em que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas. A acrobacia era uma forma de treinamento para os guerreiros de quem se exigia agilidade, flexibilidade e força. Com o tempo, a essas qualidades se somou a graça, a beleza e a harmonia que podemos ver aqui
Termino com um balanço final desta visita à China: Valeu a pena . Gostei muito e aprendi alguma coisa.
Na próxima mensagem, a última desta série, falarei do Dubai
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