Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


sábado, 31 de dezembro de 2011

As últimas "breves" de 2011...

Não deixem de ler as declarações prestadas por Carlos Fiolhais à jornalista Christiana Alves Martins (CAM) do Expresso 


Quanto a música, deixo uma sugestão.
CONCERTO DE ANO NOVO: VIVE LA FRANCE, 6 de Janeiro 21:00,Sala Suggia
Um momento de puro encantamento, com melodias embriagantes, ritmos cómicos, valsas insinuantes, tudo temperado com o tom característico da música francesa num programa que assinala a estreia do barítono Andrew Ashwin no Porto.


No que respeita às artes pláticas sugiro "A METAMORFOSE DA MATÉRIA"  em exibição no Museu da Fundação Escultor José Rodrigues, de 8 de Novembro de 2011 a 29 de Fevereiro de 2012
 
Mais eventos culturais para 2012 poderão ser consultados aqui  

Despeço-me com o meu último trabalho de 2011 (pastel de óleo sobre papel)




Desejo a todos um Feliz 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012 com ou sem bosão de Higgs

Os físicos acreditam que o tímido bosão de Higgs se revelará em 2012

O "ultra-tímido" bosão de Higgs pode, finalmente, ter-se mostrado no LHC. Ambos os detectores principais, ATLAS e CMS, descobriram indícios de um Higgs leve. A ser verdade, o Modelo Padrão de Partículas estaria completo.


Ainda mais emocionante, um Higgs com uma massa perto de 125 giga eléctrão-Volt/c2, seria também o início de um caminho num terreno inexplorado. Ser tão leve implicaria pelo menos um novo tipo de partícula para estabilizá-lo. "É muito emocionante", afirmou o porta-voz do CMS, Guido Tonelli. "Este poderá ser o primeiro anel de uma cadeia de descobertas."


Sendo a principal teoria de como partículas e forças interagem, o Modelo Padrão tem sido um sucesso espectacular desde que foi proposto na década de 1960. Mas ele só funciona no pressuposto de que o bosão de Higgs existe realmente. A partícula é o cartão de visitas de uma entidade invisível chamado o campo de Higgs, que conferirá a massa às partículas. O problema é o Modelo Padrão não poder prever a massa do Higgs. Os físicos começaram, há vários anos, a sua caça em aceleradores de partículas na versão menos massiva. Experiências têm vindo a descartá-la num intervalo de massas, com excepção de uma janela estreita entre os 115 e 141 GeV/c2.


Agora(…) os físicos do Large Hadron Collider, do CERN, perto de Genève, Suiça, Tonelli e Fabiola Gianotti, chefe do detector ATLAS, apresentaram, separadamente, os resultados de mais de 300 mil milhões de colisões de partículas de alta velocidade efectuadas no ano passado. "Esta é a primeira vez que nós estamos realmente a explorar a sua massa em toda a região com a sensibilidade certa, o que permitirá que se há algo lá então começaremos a ver alguma coisa", diz Tonelli




Ainda a propósito do bosão de Higgs Carlos Fiolhais disse respondendo ao filósofo Fernando Belo

FB:"Uma tribo de milhares de físicos, suspensa dum acontecimento anunciado numa máquina de 27 km de percurso. Se se provar que o famoso bosão de Higgs existe (embora sem 'aparecer'), a pergunta ingénua que faz o leigo é: e depois, a Física fica completa, acaba?"


CF:Respondo neste espaço. Não, não está de maneira nenhuma à vista o fim da Física, quer apareça, quer não apareça a partícula de Higgs. Não sendo especialista na área, tenho defendido o fantástico empreendimento que a numerosa "tribo" de físicos tem realizado no CERN, entre a Suíça e a França. Trata-se de um exercício colectivo de física fundamental, da união internacional de esforços para verificar se uma dada peça prevista pelos físicos teóricos para compreender a existência de massa de partículas existe ou não no nosso Universo. Ninguém melhor que o Nobel da Física Steven Weinberg afirmou a propósito da nossa necessidade da Física fundamental: "O esforço para compreender o Universo é uma das poucas coisas que eleva a vida humana acima da comédia e lhe confere um pouco da dignidade da tragédia.” Não penso que tenha sido bom para a ciência a não-notícia que foi, há dias, o anúncio em Genebra da não-descoberta (até agora) do Higgs. Esta partícula só merecerá uma conferência de imprensa quando, de facto, for notícia. Pode ser que o venha a ser. Ou pode ser - surpresa, surpresa! - que não. A Física avançará tanto num caso como noutro(...).


A existência do bosão de Higgs foi postulada na década de 1960 pelo físico britânico Peter Higgs. Antes dele, Isaac Newton descobrira que a gravidade é a força de atracção que existe entre todas as partículas com massa e Albert Einstein demonstrara a equivalência entre massa e energia, mas nada disto serviu para responder a duas questões: o que é, afinal, a massa, e de onde é que ela provém?
Enquanto esta partícula subatómica não for detectada, os cientistas não conseguem explicar a existência da própria matéria, à luz do actual modelo de compreensão da matéria e das forças que a unem - o chamado Modelo Standard. Por outras palavras, sem o bosão de Higgs fica mais difícil explicar porque é que existem coisas no Universo.

Termino com um poema meu dedicado ao bosão de Higgs, o desejo de que 2012 revelando-o ou não, seja para cada um, o melhor possível , o poema de Ano Novo de Carlos Drummond de Andrade e um concerto de Ano Novo 2011 em  Viena

Existirá desde o primeiro momento


ainda sem espaço, ainda sem tempo,


sem quando, nem onde,


em que o tudo era simplesmente o nada?


Afinal, a massa de onde é que provém?


É este, em essência, o segredo que, cioso, esconde,


mau grado o empenho de toda a ciência.


Cioso, acanhado, quiçá temeroso de um qualquer depois,


ainda mais terrível do que eme cê dois


na bomba de Hiroshima


O bosão de Higgs existirá ou não?


Eis a questão

Regina Gouveia 2011


Para você ganhar belíssimo Ano Novo



cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,


Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido


(mal vivido ou talvez sem sentido)


para você ganhar um ano


não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,


mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,


novo até no coração das coisas menos percebidas


(a começar pelo seu interior)


novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,


mas com ele se come, se passeia,


se ama, se compreende, se trabalha,


você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,


não precisa expedir nem receber mensagens


(planta recebe mensagens?


passa telegramas?).


Não precisa fazer lista de boas intenções


para arquivá-las na gaveta.


Não precisa chorar de arrependido


pelas besteiras consumadas


nem parvamente acreditar


que por decreto da esperança


a partir de janeiro as coisas mudem


e seja tudo claridade, recompensa,


justiça entre os homens e as nações,


liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,


direitos respeitados, começando


pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um ano-novo


que mereça este nome,


você, meu caro, tem de merecê-lo,


tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,


mas tente, experimente, consciente.


É dentro de você que o Ano Novo


cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Teatro em Alfândega da Fé

Tal como anunciei em mensagem anterior, no passado dia 16 a peça "Breve História da Química" que escrevi propositadamente para o Ano Internacional da Química (que está a findar), e cujo livro  foi patrocinada pela Sociedade Portuguesa de Química, foi representada pela recém-criada Escola Municipal de Teatro Alfândega da Fé, no auditório da Casa da Cultura da referida vila.


Mas antes desse evento vou referir brevemente a minha passagem pela Escola Secundária de Penafiel que em tempo tinha manifestado interesse na minha presença, nesse dia 16. Como havia o compromisso com Alfândega da Fé, declinei o convite.

Posteriormente o editor manifestou vontade em ir, juntamente com a mulher, assistir ao evento em Alfândega da Fé. Apercebi-me de que, nessas condições já poderia ir a Penafiel. Saí de manhã com eles, fiz duas sessões em Penafiel e dali seguimos para Alfândega, onde o meu marido que saiu mais tarde do Porto, já estaria à nossa espera para almoçarmos juntos. Mas quase não almoçávamos pois, um pouco antes de Vila Real, estivemos parados cerca de 1h, por causa obras na A4.

Em Penafiel tive a grata surpresa de encontrar uma ex-estagiária muito empenhada no seu trabalho. Levou-me aos laboratórios, um luxo, e disse-me : Penso muitas vezes em si. Com o seu entusiasmo pela componente experimental imagino como gostaria de ter trabalhado em laboratórios como estes.

Embora estivéssemos com pressa ainda fomos ver uma exposição de mesas de Natal levada a cabo por alunos de 9º ano.

Sei que me vou repetir. Mas não posso deixar de exprimir a minha admiração por estes professores que tanto se empenham e tão pouco respeitados têm sido



Mas voltemos a Alfândega da Fé

Às 15 h foi apresentado o livro por dois amigos: Beatriz Magalhães, professora de Química aposentada, e José Lopes, director do Agrupamento de escolas.

 Logo a seguir houve uma representação da peça e houve uma outra às 21h. Nos três eventos, com o auditório sempre cheio, esteve presente a Presidente do Município, Drª Berta Nunes a quem se deve a iniciativa da criação da referida Escola Municipal de Teatro. Existe um protocolo com a Filandorra e o Dr. David Carvalho, do referido grupo, presta assistência à escola cuja dinamização in loco está essencialmente a cargo de Carlos Damasceno. Os actores vão praticamente dos 12 aos 70 anos mas a maioria são alunos do Agrupamento de Escolas. Há também alguns professores do mesmo agrupamento e outras pessoas da vila. Uma delas pelo menos, o jovem Luís Inocêncio, já integrou outros grupos de teatro.
O grupo teve apenas dois meses para ensaiar mas portou-se muito bem.











Aqui deixo o meu obrigada a todos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Memórias de Natal

A imagem que eu guardo dos natais em criança, e de que a seguir dou conta, é, tal muitas outras, um misto de duas culturas, como tento traduzir no poema imagem
O Natal brasileiro de que a minha mãe me falava, com as indispensáveis idas à praia, nunca me entusiasmou. Ao falar desse natal, a minha mãe não falava das idas ao musgo, da fogueira da praça nem do cantar dos Reis. E disso eu gostava muito. Começava a pensar nele muito tempo antes, não sei bem quanto, mas só quando chegavam a TIA e o tio Justino é que o Natal começava realmente para mim. No dia seguinte à sua chegada, eu, o meu pai e o tio Justino íamos ao musgo. Às vezes tinha pena de arrancá-lo, tão verde e tão fofo ele estava, agarrado às paredes. Parecia veludo. Arrancado o musgo começava a construção do presépio, essencialmente a cargo do tio Justino e da minha mãe. Eu colaborava activamente. Também os meus colegas de escola vinham muitas vezes ajudar. Fazia-se no pátio de baixo. O tio Justino começava por empilhar várias cortiças de modo a criar uma estrutura em relevo. Depois cobríamo-las com o musgo. Em seguida, com areia fazíamos uns carreirinhos ao longo dos quais iríamos colocar várias figuras. Estas eram de barro pintado e tinham sido trazidas de Viana pelo tio Justino. Também foi ele quem fez a cabana do Menino Jesus, com uma cortiça virgem. Para além das figuras, da cabana e dos carreirinhos, havia no presépio um lago, feito com um espelho envolvido de musgo, ao qual dava acesso um regato que serpenteava ao longo da cascata e era feito com papel prateado. Havia ainda uma fogueira feita com papel celofane vermelho, coberto com galhinhos de lenha, e por baixo do qual se colocava uma lanterna acesa. Era à volta desta fogueira que se colocavam os pastores. Presa do tecto havia uma estrela que iluminava os reis magos. Era de cartão coberta com papel dourado.


Para além do presépio havia lá em casa uma árvore de Natal, e creio que seria a casa de cima a única casa da TERRA onde tal acontecia. A ideia da árvore de Natal tinha vindo com a minha mãe. Era feita com um zimbrinho que era colhido no mesmo dia em que íamos ao musgo. Os enfeites eram pompons de lã, coloridos, que eu fazia com a ajuda da Mininha, e pequenos biscoitos que a minha mãe fazia com vários formatos- de estrela, de meia lua, de sino, de árvore. Na parte superior da árvore havia um grande laço de seda arranjado pela minha mãe.


Mas o Natal era muito mais que o presépio e a árvore. Era a ceia, sempre na CASA, até à morte da TIA. Comíamos todos à mesa- os meus pais, a TIA e o tio Justino, a Germana, a Balbina, o António Joaquim e a família. A ceia constava de bacalhau, polvo e pescada cozidos com batatas e couves da TERRA que têm um sabor diferente de todas as outras que eu conheço. E tudo isto era regado com o azeite dourado das oliveiras, também da TERRA. Eu, na altura, não apreciava muito essa comida mas sabia que depois vinham as sobremesas. E dessas eu gostava. Eram as rabanadas, as filhós, os milhos doces, o arroz doce, a aletria, os fritos de jerimum, os rochedos de amêndoa. No dia de Natal o almoço era na casa de cima. Invariavelmente era peru recheado com farofa acompanhado de arroz com amêndoas, passas e nozes. À sobremesa eram doçarias brasileiras- quindins, bom bocado, docinhos de amêndoa, pudim de laranja. Eu gostava de ajudar a fazer estas doçarias, particularmente os docinhos de amêndoa. Eram feitos de véspera com uma pasta de açúcar, gemas e amêndoa, que era introduzida dentro de cascas de nozes para ali secar. No dia de Natal saíam das cascas docinhos de amêndoa com o formato de noz.


Depois do almoço eu ia sempre com o meu pai e o tio Justino ver a fogueira na praça. Ainda hoje se faz a fogueira. Antes do Natal os rapazes da TERRA vão pelas casas mais abastadas pedir lenha. As pessoas indicam-lhe onde a podem ir buscar. Na véspera de Natal lá vão eles. Após a ceia de Natal, lá pelas 10 h da noite, a lenha, grandes toros e raízes, começa ser empilhada na praça, em frente à igreja. Em seguida acende-se a fogueira. Levam-se umas chouriças para assar e assim, entre conversas, comendo chouriça assada, os homens vão passando a noite. Se há Missa do Galo, vai-se à Missa. Caso contrário por ali se fica até passar da meia-noite. A fogueira manter-se-á acesa por vários dias, enquanto a lenha durar. As mulheres não participam deste evento. Podem ir ver, passar algum tempo, mas é uma prática essencialmente masculina.


Outra boa recordação que tenho da época natalícia é o cantar dos Reis. Aí participam crianças e jovens que vão de porta em porta cantando. Lembro-me particularmente de alguns excertos de duas canções de Reis. Uma delas era:


Dai-nos leitão e cabrito,


arroz doce e marmelada,


dai-nos vinho de há cem anos


já não vos queremos mais nada.


Trigo e nozes e marmelada,


lombo de porco, vitela assada,


pão com manteiga, chá ou café


e o Deus Menino nascido é.






A outra, era a última a ser cantada:






Ao carrasco de Lisboa já lhe caiu a bolota


Se nos querem dar os Reis venham-nos abrir a porta




E as portas abriam-se e lá vinham as nozes, a marmelada, os figos, as chouriças. Eu gostava muito de cantar os Reis em todas as casas mas, muito em especial, na casa de cima. A minha mãe preparava uma cesta com uns embrulhos feitos em papel de seda com uns grandes laços. Cada um de retirava da cesta um embrulho. Era bonito, pela surpresa. Lá dentro podia haver caramelos de leite (que ela fazia tão bem), biscoitos iguais aos da árvores, docinhos recheados com amêndoa, pé de moleque. Eu ficava muito feliz até porque me parecia que a minha mãe também estava feliz.

(in Estórias com sabor a Nordeste, edição da Câmara Municipal de Alfândega da Fé))

Imagem


Minha mãe era brasileira de alma e coração,


para ela, o Brasil era país de eleição.


O meu pai era brasileiro de torna- viagem


e assim, do Brasil eu construí uma imagem.


Nessa imagem há uma miscelânea tal


que vai de Salvador até ao Carnaval,


de Copacabana à aguardente de cana.


É Elis, Betânia, Caetano, Jobim


é jeito de samba, sabor de quindim.


São as cataratas do Iguaçu e as cachoeiras lá em Avaré


É jaca, acerola, pitanga, caju


gosto de garapa, cheiro de café,


É Sena, Pelé. É Oscar Niemeyer disperso em Brasília


é toda a família. Irmãos, tios, primos, sobrinhos, sei lá,


ali em S.Paulo, Goiás, Paraná, Santa Catarina.


È Chico Buarque, o meu cantor dilecto,


Cabral de Melo Neto, "Vida e Morte Severina"


É Manuel Bandeira e é Jorge Amado


Érico Veríssimo, Alcântara Machado


Di Cavalcanti, Vinicius, Heitor Villa Lobos.


É impossível enumerar todos.


É a bandeira, verde e amarela,


é cheiro de cravo, sabor a canela


É telenovela, coronéis, jagunços, grandes fazendeiros,


fazendas, engenhos, bois e boiadeiros.


É praia e é mar, é Sol a brilhar


É o Céu Azul e o Cruzeiro do Sul


É pamonha de milho e é vatapá


Enfeitando os jardins, é o manacá


É um povo que canta e seus males espanta


È a Amazónia e é o Pantanal,


Pedro Álvares Cabral


É um testemunho bem colonial como em Olinda e em Parati,


é o negro Zumbi, os Tupi-Guarani


É onça pintada, tatu, colibri


É cheiro a cocada, gosto de siri


É mistura de gentes


É o Tiradentes. É o Lampião


É o Rio Amazonas e o Maranhão


É arroz com feijão nem sempre na mesa


É a extrema pobreza dos descamisados, marginalizados,


dos sem terra e sem pão, gente do sertão.


É Carmen Miranda, afinal portuguesa,


tudo isto é Brasil com toda a certeza


in Reflexões e Interferências, Editora Palavra em Mutação, 2002

De novo por terras de Montemor o Velho...

No dia 12 estive numa escola em Montemor (em mais uma escola do Agrupamento). Acompanhou-me o grupo de teatro e fizemos duas sessões, a 1ª para 150 alunos e a segunda para mais de 200, incluindo alunos dos CEF. A primeira sessão correu melhor do que a segunda, mas tendo em conta o número de alunos, qualquer uma delas correu para além das minhas expectativas.
Ficaram de me enviar fotografias; quando as receber colocarei algumas


A professora Bibliotecária é uma pessoa muito empenhada e para além disso de uma gentileza extrema (descobrimos que passamos férias em terras vizinhas, Moncorvo e Alfândega da Fé….)

Enquanto aguardávamos a hora de almoço fez questão de me levar ao castelo (que eu já tinha visitado há muito tempo, há tanto que já nem me lembrava de quão bonito ele é). Podem ver várias imagens aqui
Depois de almoço e enquanto aguardava que me fossem buscar (a editora assegura-me sempre as viagens)fez questão de me levar ao centro, nomeadamente à Biblioteca Municipal onde estava uma exposição de presépios feitos com papel reciclado, pelas crianças das escolas. Os trabalhos, genericamente muito interessantes, serão sujeitos a votação por parte dos utilizadores da Biblioteca e os mais votados serão publicados no site oficial da Câmara Municipal. Vai ser difícil a escolha…

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"A criança é o amor feito visível."

Foi o poeta alemão Friedrich Novalis (1772-1801) quem disse: "A criança é o amor feito visível."
Como referi em mensagem anterior, no dia 28 de Novembro estive no Centro Escolar da Araucária, em Vila-Real. As imagens então colocados, dão ideia do carinho com que fui recebida por professores e alunos. Anteontem enviaram-me, por mail, mais um “mimo” que aqui deixo. Obrigada ao grupo de estágio e aos meninos e meninas da turma 09-4º ano da EB1 nº 7.


Hoje, e relativamente à  sessão com crianças na casa Barbot referida em mensagem anterior ,

recebi da editora esta foto


E porque  "o melhor do mundo são as crianças", termino com palavras de Eugénio de Andrade e com
Barcarolle dos  Contes d'Hoffmann ( ao som da qual muitas vezes adormeço os netos), na voz de Placido Domingo 

Em Louvor das Crianças


Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.


A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade(…)..


Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Breve História da Química pela Escola Municipal de Teatro de Alfândega da Fé

No próximo dia 16 a peça "Breve História da Química" que escrevi propositadamente para o Ano Internacional da Química (que está a findar), e cujo livro que foi patrocinada pela Sociedade Portuguesa de Química, irá ser encenado pela recém-criada Escola Municipal de Teatro de Alfândega da Fé