Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 25 de outubro de 2015

Por longos dias, longos anos, fui silêncio

Há já uns meses fui convidada para integrar uma antologia de autoras transmontanas com direito a um exemplar. Não pude estar presente na apresentação em Bragança mas recebi há dias o meu.




A capa, com um trabalho de Graça Morais, é muito bonita, tal como o título, extraído de um dos poemas em língua mirandesa, de Adelaide Monteiro, YOU FUI MULLHIER, de que deixo alguns versos
You fui siléncio!...
Por lhargos dies, lhargos anhos,
you fui siléncio (...)
(...)Apuis,
fiç-me la mulhier coraige
dw la somlombra de ls mius dies,
páixaro smenuçado na punta de la xibata
qu´andefeso se tomba na friaige 
i, 
als mius uolhos
deciu la nuite inda de die
i
you fui nuite...
na paç de la nuite!..

Deixo também um excerto da introdução da autoria das organizadoras da antologia, Hercília Agarez e Isabel Alves


Finalmente dois dos seis poemas meus que estão incluídos na antologia

LITANIA  

Nuvens violáceas, gigantescas. 
Thor cruza os céus  e agita o seu martelo 
produzindo raios e trovões. Ou terá sido  Zeus ?
Santa Bárbara bendita 
que nos céus estais escrita, 
reza o povo em aflição.
Já não são  nuvens mas  figuras dantescas,
 já não são raios, são garras e dentes.
Tendes a palma na mão
para nos livrardes do  trovão, 
continua a  litania dos crentes.
As nuvens vão partindo em  debandada  
e Santa Bárbara sorri no altar 
a cabeça já reposta no lugar,  depois de degolada.


OS OLHOS DA MENTE

Majestosas, as pedras,
vestidas de azul marinho  e ferrugem, 
bordadas de líquenes  e linhas de fissura,
emolduravam  o silêncio junto ao rio, 
que corria livre.
Aprisionaram-no 
num imenso lago 
que as pedras engoliu. 
Enclausuradas, 
jazem ocultas, silenciosas, 
visíveis  só aos olhos da mente. 

E por falar em livros, há  dias encontrei na caixa do correio esta referência a uma livraria na minha rua.


Feita uma pesquisa na  NET encontrei uma série de fotos 

Numa delas identifiquei o Arnaldo Vila Pouca que conhecia da Leitura e posteriormente da Bertrand, no Cidade do Porto

O espaço é muito simpático e há uma  seleção cuidada  dos livros 

E agora, dos livros às artes...
Na Galeria Olga Santos, na Praça da República, pode ver-se atá ao fim do mês, uma exposição muito

interessante de Cláudio Ricca
 

De sábado passado até terça feira esteve em minha casa a artista plástica Lourdes Sendas, minha amiga de infância. Embora licenciada pela ESBAL, fez parte do curso na ESBAP pelo que viveu alguns anos no Porto, cidade de que gosta muito. Como sempre, deambulámos pelas ruas mais emblemáticas. Ao passar na Rua das Flores, visitámos o recém inaugurado Museu da Misericórdia cujo espaço, que eu já conhecia, é interessante.


E por fim a música...
No início deste ano letivo o meu neto manifestou vontade de aprender a tocar Ukulele, que havia experimentado num curso de verão, na Academia de Santa Cecília. Na NET encontrei uma escola para o efeito, a TECLARTE, no Centro Comercial Campo Alegre. Como se podia fazer uma aula experimental gratuita, liguei para lá no dia dos seus anos e consegui que a aula fosse nesse dia. Gostou e ficou inscrito. Como levei a irmã, a professora de piano perguntou-me se  não queria que a Marta fizesse uma aula experimental de piano. A miúda já tinha feito, no ano passado,  uma experiência numa outra escola. Mas reagiu muito mal e chorava sempre que tinha aula. Optámos por não insistir pois seria, por certo,  contraproducente. Desta vez gostou e ficou também inscrita. Muito gentilmente e porque eu tinha dito que toco (ou melhor, finjo que toco) cavaquinho propuseram-me ter aula de ukulele com o José sem pagar mais por isso. Estamos os dois a aprender e tem sido uma experiência divertida. Ao mesmo tempo, a Marta faz a aula de piano. Alunos e familiares podem integrar gratuitamente o coro da escola que começou já a ensaiar um concerto para o Ano Novo. No passado sábado o meu neto, o pai(o meu filho Nuno) e eu (a Marta esteve doente)fomos ao ensaio . O Nuno que, para além de piano, toca vários instrumentos de corda (integra a Banda Proud Creedence)  tocou ukulele no ensaio. Nós também já estamos a ensaiar nas aulas...

E a terminar, não esqueçam que vai mudar a  hora...





sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Viagem à Grécia- balanço final

Como referi na primeira mensagem dedicada a esta visita à Grécia, ia com muitas expetativas pois era um destino que sempre me atraíra. A realidade superou as expetativas. Adorei a visita. O meu marido, para quem esta viagem nunca fora motivo de especial interesse, também adorou.
A história, a beleza de inúmeros lugares que visitámos, o custo de vida, os transportes muito cuidados, o respeito pelos mais velhos (descontos em transportes, museus, etc), a segurança que sentimos, a alegria e a amabilidade do povo...
O cuidado com a história reflete-se inclusivamente nos bilhetes de  entrada para museus que, em alguns deles,  têm imagens distintas de visitante para visitante. Deixo imagens dos que considerei mais bonitos.
Em baixo os bilhetes de entrada (do meu marido e meu, frente e verso), no Museu da Acrópole em Atenas. Vimos outros bilhetes diferentes em visitantes que entraram ao nosso lado


  Bilhetes de entrada em Micenas e Olímpia

No cruzeiro, entre os vários acompanhantes havia um para os passageiros de língua portuguesa, o Roberto. Natural de  Porto Santo vive em Atenas há pouco mais de um ano. Uma prima casou com um grego. Desde logo houve um intercâmbio entre as duas famílias, a grega e a madeirense, a tal ponto que neste momento está a viver em casa dos sogros da prima.
A opinião dele sobre a Grécia não pode ser mais favorável e, referindo-se às notícias que aqui foram tão exploradas sobre  a falta de dinheiro nos bancos, etc, referiu que a situação das filas para levantar dinheiro, ocorreu apenas durante dois dias e a população aguardou calmamente que a situação a normalizasse.
Embora não sendo fã de cruzeiros reconheço que favorecem o contacto com os outros viajantes.
Conheci alguma pessoas muito interessantes nomeadamente um casal de Valência, um casal de Rosário na Argentina, uma brasileira de quem já falei em mensagem anterior, um casal de brasileiros
descendente de transmontanos e que todos os anos visitam a família em Portugal e uma espanhola de Bilbau. Trocámos endereços de e-mail e já comunicámos após a viagem.
Regressando à simpatia do povo grego termino com um episódio, já no avião. Ao nosso lado sentou-se uma senhora. Com as minhas alergias ao ar condicionado, a dada altura comecei a tossir e a senhora, num francês para mim muito correto, perguntou-me se eu estava bem. Expliquei que era do ar condicionado e a partir daí começámos a conversar. Era grega, professora de Francês e Inglês e ia a Geneve visitar um tio. Quando soube que éramos portugueses, repetiu aquilo que fui ouvindo ao longo de toda a viagem "Os portugueses foram muito pouco solidários com o povo grego.."
Ao longo da conversa deu-me os seus contatos (e-mail, telefone, morada). Se um dia eu voltasse a Atenas teria muito gosto em me guiar pela "Atenas" que não vi...
O marido era funcionário na televisão grega (ERT)  quando, há cerca de dois anos,  a  estação foi encerrada (viria a ser reaberta em Junho passado) . Posteriormente integrou a "ERT Open", plataforma criada por cerca de 400 profissionais, que continuaram a emitir em Atenas, Salónica e em várias cidades do país, mantendo viva a chama da “verdadeira cadeia pública".Fora do ar há dois anos, a estação pública de televisão na Grécia está de regresso ao pequeno ecrâ. 
Divulgador de poesia, poeta, tem uma grande admiração pelos escritores de língua portuguesa, entre outros Pessoa ( sob os diversos heterónimos), Camões, Saramago, Vinicius de Moraes. Ambos têm o sonho de visitar Portugal. Foi o momento de eu retribuir toda a sua gentileza anterior fornecendo os meus contactos e disponibilizando-me para os guiar numa eventual visita ao Porto.
Ontem enviaram-me um mail com alguns textos ilustrados(as ilustrações são belíssimas mas estão bloqueadas) 
  δασκαλακης
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões


     μποτσογλου
Sou um guardador de rebanhos. 
O rebanho é os meus pensamentos 
E os meus pensamentos são todos sensações. 
Penso com os olhos e com os ouvidos 
E com as mãos e os pés 
E com o nariz e a boca. 
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la 
E comer um fruto é saber-lhe o sentido. 
Por isso quando num dia de calor 
Me sinto triste de gozá-lo tanto, 
E me deito ao comprido na erva, 
E fecho os olhos quentes, 
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade, 
Sei a verdade e sou feliz.
 alberto caeiro

E porque falei de poesia e arte termino com um excerto do "Canto Geral" de Neruda, com música de Theodorakis (https://www.youtube.com/watch?v=aaOM4PzVJng)



Navegando no Mar Egeu- continuação


Finda a breve passagem pela Turquia (ver mensagem anterior) navegámos atá à pequena ilha de Patmos. O filme anexo dá uma visão  geral, embora breve,  da ilha
https://www.youtube.com/watch?v=r6l9oit2mf4




De seguida coloco algumas fotos tiradas na nossa visita em" auto-gestão"....









A ilha de Patmos é mundialmente conhecida como o lugar onde o apóstolo João escreveu o Livro do Apocalipse.
Pesquisando na NET encontrei um site muito interessante com ilustrações sobre as visões do apocalipse
Deixo uma dessas ilustrações e o texto que a acompanha




Apocalipse 12:13 E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. 14 E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.

Após a visita regressámos ao barco. Depois  do jantar fomos assistir a um espetáculo de música e dança grega


A dança mais típica da Grécia é o sirtaki a dança do filme "Zorba , o grego". Aqui fica um vídeo onde se podem ver bem os diversos passos da dança.


A dada altura fomos convidados a dançar e eu, que adoro dançar, lá fui......

Durante a noite o navio navegou até Rodes, a ilha de que mais gostei .
Começo por colocar um video que encontrei na NET,


Como fizemos a visita em "auto-gestão", guiados pelo nosso "Guia Michelin", vimos muitas coisas que o vídeo não refere, nomeadamente o Bairro Turco com os banhos turcos e as mesquitas de Salomão, de Mustapha e de Aga (esta transformada em galeria de arte), a Loja dos Mercadores, o Hospital dos Cavaleiros, a Sinagoga Kahal e, obviamente, a Rua dos Cavaleiros com as "mansões" de França, Itália, Espanha, etc...
Logo que saímos do Porto fomos guiados atá ao centro da cidade por umas indicações pintadas nas ruas bem como a indicação da nossa localização























Não fomos almoçar ao navio; almoçámos em Rodes,  num dos inúmeros bares muito agradáveis.


Ao fim dos dia regressámos ao navio onde jantámos. Como era a penúltima noite a bordo, houve um coctail  e o  Comandante do navio fez questão de vir cumprimentar os passageiros, um a um
A arte na escultura dos frutos...


Durante a noite o navio navegou até Creta.

Mais uma vez usando o guia Michelin fomos explorar a cidade por nossa conta. Deixo alguma imagens







 Na Grécia, particularmente em Mykonos,  vêem-se pequenas capelas como esta em Creta. São capelas familiares,  dedicadas ao santo padroeiro de cada família. Tal como em Espanha, na Grécia não se festeja o aniversário mas o Dia do Santo respetivo. Nesse dia, bem como em outras datas importantes para as famílias, as capelas são abertas e reúnem-se os familiares.
Finda a visita a Creta navegámos para Santorini. Infelizmente não conseguimos ver o famoso pôr do Sol. A multidão que se "atropelava" pelas ruas fez com que esta visita, possivelmente a que mais expetativas criou, fosse uma  desilusão. Deixo algumas fotos e termino com um vídeo sobre Creta, Mykonos e Santorini  (https://www.youtube.com/watch?v=Gt7atBg_0aE)

 

 

  

 




Finda a visita regressámos ao barco onde jantámos. Durante a noite rumaríamos até Pireus. Esperava-nos um autocarro  para nos transportar  ao aeroporto a fim de empreendermos a viagem de regresso ao Porto, via Geneve.