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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Invictus

Invictus é um pequeno poema do poeta Inglês William Ernest Henley (1849-1903). Ele foi escrito em 1875 e publicado pela primeira vez em 1888.Nelson Mandela, citou-o como fonte de inspiração durante seu tempo na prisão.

SOB O MANTO DA NOITE QUE ME COBRE,
NEGRO COMO AS PROFUNDEZAS DE UM POLO A OUTRO,
EU AGRADEÇO A TODOS OS DEUSES
POR MINHA ALMA INVENCÍVEL!

NAS GARRAS FEROZES DAS CIRCUNSTÂNCIAS,
NÃO ME ENCOLHI NEM DERRAMEI MEU PRANTO.
GOLPEADO PELO DESTINO
MINHA CABEÇA SANGRA,
MAS NÃO SE CURVA.

LONGE DESTE LUGAR DE IRA E LÁGRIMAS
SÓ ASSOMA O LOUVOR DAS SOMBRAS
AINDA ASSIM, A AMEAÇA DOS ANOS ME ENCONTRA
E ME ENCONTRARÁ SEMPRE
DESTEMIDO!

POUCO IMPORTA QUÃO ESTREITA SEJA A PORTA
QUÃO PROFUSA EM PUNIÇÕES SEJA A LISTA
SOU O SENHOR DO MEU DESTINO!
SOU O CAPITÃO DA MINHA ALMA!

O poema é referido também neste vídeo

Nelson Mandela terá dito um dia:

A morte é inevitável. Quando um homem fez o que considera seu dever para com seu povo e seu país, pode descansar em paz.

Nelson Mandela um dos maiores vultos da Humanidade, pode assim descansar em paz


São atribuídas a este HOMEM essencialmente bom, tolerante  e corajoso os excertos que seguem:

Não se é amado porque se é bom. É-se  bom porque se é amado

Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que vence esse medo.

A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo

Sonho com o dia em que todos compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.


(excertos do discurso de posse em 10 de maio de 1994)

"Chegou o momento de construir".
            Hoje, através da nossa presença aqui e das celebrações que têm lugar noutras partes do nosso país e do mundo, conferimos glória e esperança à liberdade recém-conquistada.
Da experiência de um extraordinário desastre humano que durou demais, deve nascer uma sociedade da qual toda a humanidade se orgulhará.
Os nossos comportamentos diários como sul-africanos comuns devem dar azo a uma realidade sul-africana que reforce a crença da humanidade na justiça, fortaleça a sua confiança na nobreza da alma humana e alente as nossas esperanças de uma vida gloriosa para todos.
Devemos tudo isto a nós próprios e aos povos do mundo, hoje aqui tão bem representados.
Sem a menor hesitação, digo aos meus compatriotas que cada um de nós está tão intimamente enraizado no solo deste belo país como estão as célebres jacarandás de Pretória e as mimosas dobushveld.
De cada vez que tocamos no solo desta terra, experimentamos uma sensação de renovação pessoal. O clima da nação muda com as estações.
Uma sensação de alegria e euforia comove-nos quando a erva se torna verde e as flores desabrocham.
Esta união espiritual e física que partilhamos com esta pátria comum explica a profunda dor que trazíamos no nosso coração quando víamos o nosso país despedaçar-se num terrível conflito, quando o víamos desprezado, proscrito e isolado pelos povos do mundo, precisamente por se ter tornado a sede universal da perniciosa ideologia e prática do racismo e da opressão racial.
Nós, o povo sul-africano, sentimo-nos realizados pelo facto de a humanidade nos ter de novo acolhido no seu seio; por nós, proscritos até há pouco tempo, termos recebido hoje o privilégio de acolhermos as nações do mundo no nosso próprio território(...)
(...)Apreciamos sinceramente o papel desempenhado pelas massas do nosso povo e pelos líderes das suas organizações democráticas políticas, religiosas, femininas, de juventude, profissionais, tradicionais e outras para conseguir este desenlace. O meu segundo vice-presidente o distinto F.W. de Klerk, é um dos mais eminentes.
Chegou o momento de sarar as feridas.
Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem.
Chegou o momento de construir.
Conseguimos finalmente a nossa emancipação política. Comprometemo-nos a libertar todo o nosso povo do continuado cativeiro da pobreza, das privações, do sofrimento, da discriminação sexual e de quaisquer outras.
Conseguimos dar os últimos passos em direção à liberdade em condições de paz relativa. Comprometemo-nos a construir uma paz completa, justa e duradoura.
Triunfámos no nosso intento de implantar a esperança no coração de milhões de compatriotas. Assumimos o compromisso de construir uma sociedade na qual todos os sul-africanos, quer sejam negros ou brancos, possam caminhar de cabeça erguida, sem receios no coração, certos do seu inalienável direito a dignidade humana: uma nação arco-íris, em paz consigo própria e com o mundo(...).
(...)Dedicamos o dia de hoje a todos os heróis e heroínas deste país e do resto do mundo que se sacrificaram de diversas formas e deram as suas vidas para que nós pudéssemos ser livres.
Os seus sonhos tornaram-se realidade. A sua recompensa é a liberdade.
Sinto-me simultaneamente humilde e elevado pela honra e privilégio que o povo da África do Sul me conferiu ao eleger-me primeiro Presidente de um governo unido, democrático, não racista e não sexista.
Mesmo assim, temos consciência de que o caminho para a liberdade não é fácil.
Sabemos muito bem que nenhum de nós pode ser bem-sucedido agindo sozinho(...)
Nunca, nunca e nunca mais voltará esta maravilhosa terra a experimentar a opressão de uns sobre os outros, nem a sofrer a humilhação de ser a escória do mundo.
Que reine a liberdade.
O sol nunca se porá sobre um tão glorioso feito humano.
Que Deus abençoe África!


Aos 94 anos, foi  homenageado com uma escultura de aço e concreto que reproduz o seu rosto.
A efígie foi instalada na cidade de Howick, zona rural da África do Sul, no lugar exato onde Mandela foi preso, pouco depois de fundar o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA).
Consiste em 50 placas de aço, com 10 metros de altura cada, cortadas a laser e inseridas na paisagem. Num ponto específico de observação, a visão em perspectiva das colunas surpreende ao assumir a imagem de Nelson Mandela. O escultor é Marco Cianfanelli, de Joanesburgo, que estudou Belas-Artes em Wits University.
A parte frontal da escultura é um retrato de Mandela com barras verticais que representam sua prisão”, disse Ciafanelli e acrescentando: “Quando alguém caminha ao longo da escultura, esta irradia um raio de luz, o que simboliza o levante político de muitas pessoas e a solidariedade.”. 



Também através da música se têm prestado homenagens a este HOMEM como neste vídeo e neste outro  


Em tempos escrevi o poema que segue. Deixei-o ficar, sempre com a intenção de o melhorar o que nunca fiz. Apesar disso, mesmo considerando que é um poema muito pobre, insiro-o aqui como uma modestíssima homenagem a Mandela

Chamava-se Sidharta.
Deixou tudo e partiu
em busca de um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem segregações,

E o budismo espalhou-se pelo mundo.

Chamavam-lhe Mestre.
Deixou tudo e partiu
em busca de um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem discriminações.

O cristianismo espalhou-se pelo mundo
mas o preço do sonho foi a vida.

Chamava-se Mahatma Gandhi
e tinha um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem qualquer segregação.

O preço do sonho foi a vida,
mas a semente não ficou perdida.

Chamava-se Martin Luther King
e tinha um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem qualquer segregação,

A semente começara a germinar
mas ainda não era o tempo de colher.
O preço do sonho foi, uma vez mais, a vida.

Chama-se Nelson Mandela
e teve o mesmo sonho audaz,
quase uma fantasia.
Liberdade, igualdade, fraternidade,
respeito pelos direitos humanos.

A fantasia que sonhou
é hoje realidade.
Acabou o  apartheid para os sul africanos.

Mas ainda há que lançar muita semente à terra
para exterminar completamente
o ódio, a segregação, a fome, a guerra.

Termino coma outra frase de Mandela que nos deve fazer refletir face à situação que se vive em muitas partes do mundo e, infelizmente, também  em Portugal

"Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram."
Nelson Mandela


3 comentários:

  1. Obrigada, Regina.

    Foi a melhor e mais bonita homenagem que li hoje.
    Se há santos na Terra, Mandela foi um deles.

    Bjo

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  2. Que extraordinária homenagem a NELSON MANDELA!!!
    Eu acho o seu poema muito bonito mas, tal como a Regina diz, "ainda há que lançar muita semente à terra para exterminar completamente o ódio,a segregação, a fome, a guerra".
    Que Mandela seja um farol para todos os que lutam por esses objetivos.
    Um beijo.

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  3. Obrigada a ambas. Acabo de chegar da Casa da Música onde fui assistir à 9ª de Malher num espetáculo de homenagem a Manoel de Oliveira, ali presente. No início fez-se 1 min de silêncio em homenagem a Mandela
    Bjs
    Regina

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