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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 8 de julho de 2011

“Na Kontra “

Ontem, no espaço Vivacidade, decorreu tal como já tinha anunciado, a apresentação do livro “Na Kontra Ka Kontra “ de Fernando Gouveia. Foi também inaugurada uma exposição sua sobre flores sem “pergaminhos” e que são belíssimas.

Estiveram presentes vários amigos, cuja presença agradeço, num "Na Kontra" sempre agradável, numa  sessão no Vivacidade, que considerei muito bonita.  Mas como posso ser considerada suspeita , transcrevo quase na íntegra o que disse a minha amiga Virgínia

Como já disse várias vezes, não sinto especial apelo por eventos sociais, prefiro estar a tomar um café sozinha ou acompanhada na Foz, do que sentada numa sala apertada e cheia de gente a ouvir pessoas, louvando o trabalho deste e daquele, trabalho esse que pode ser apreciado por nós individualmente, sem aparato.


Hoje, porém, o evento a que assisti no Vivacidade impressionou-me. Pelas pessoas envolvidas. Pessoas que sentem e transmitem sem qualquer vedetismo ou petulância o interesse e empenho com que fazem coisas. Pessoas que admiro. De quem gosto muito.


Fernando Gouveia escreveu o seu primeiro livro, Na Kontra , Ka Kontra (Encontros e Desencontros), instado por amigos, que com ele partilharam dois anos de África. O livro é pequeno, apetece ler...provavelmente vou faze-lo logo que acabe de escrever esta entrada.


Apresentou-o com enorme emoção, sem qualquer espécie de orgulho, mas como se tivesse cumprido uma obrigação para com a sua Guiné, que o marcou e que ficará para sempre na sua memória. Dizendo que não sabia escrever e, ainda menos, falar, falou bem e ainda escreveu melhor...

Foi um evento duplo, visto que se inaugurou também uma exposição de fotografia do mesmo autor muito especial: Flores que não existem. Não existem, mas estavam bem palpáveis, ali nas paredes do Vivacidade, enchendo de odores silvestres e cores singulares o ambiente. As fotos falam por si, ainda que as minhas tenham reflexos por causa do vidro. Para quem gosta de flores e de fotografia, a expo éum regalo para os olhos.


Toda a família estava reunida(…). Um dos filhos, Nuno, tocou e cantou 4 canções dos anos 60-70 com uma sonoridade e modéstia notáveis. É bom partilhar estes momentos.


O montante conseguido pela venda dos livros e quadros destina-se a melhorar a vida das crianças guineenses, que estudam em condições muito difíceis, num país ainda marcado por anos de guerras.


O Vivacidade contribui muito para que a Vida seja menos cinzenta. É bom ir lá de vez em quando. A Adelaide e a Helda estão mais uma vez de Parabéns. Obrigada às duas.




E já que a exposição era sobre flores "sem pergaminhos" termino com algums fotos das mesmas e com um poema meu em que falo de coisas belas





Simples e bela
Porque serão as coisas simples geralmente belas?
É bela, embora tão singela,
a gota de orvalho que oscila na flor,
e são belas as flores, mesmo sem pergaminhos,
aquelas que nascem timidamente à beira dos caminhos.
É simples e belo o plátano frondoso,
que derrama a fresca sombra sobre o chão
e são belas as folhas que tombam quando finda o verão.
Também as palavras podem ser simples e belas
como lua , paz, amor .
É simples a palavra maçã e também o fruto, cuja queda,
terá levado Newton a formular a lei da gravitação,
que Feynman considera simples e bela.
Talvez a história da maçã não passe de mera ficção.
Isso não impede que as coisas simples sejam geralmente belas
sejam elas uma gota de orvalho, uma flor,
palavras como, lua, paz, amor,
o plátano frondoso que derrama a fresca sombra sobre o chão,
as folhas que tombam no fim do verão
ou a lei de Newton da gravitação.





3 comentários:

  1. As tuas fotos estão bem mais bonitas...são as originais com toda a certeza...fotos atrás de vidros perdem qualidade ou ganham reflexos.
    Obrigada por usares as minhas palavras...é sinal de que são justas e equilibradas. Nunca gostei de lisongear, sem sentir...

    Ainda não li o livro, ontem estava já demasiado cansada para me concentrar, mas hoje vou tentar, dado que o tempo está chuvoso e triste, chegámos à época das chuvas:)). Só me falta o mangueiro, mas já comi manga hoje no ginásio.

    Os meus meninos chegam as 6...é sempre tão bom ter os miminhos deles ao fim do dia.

    Um bom fim de semana para vós todos, com flores sem nome e muita Paz.

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  2. Virgínia disse::)
    Já agora fica aqui a minha opinião sobre o romance, que li duma penada ontem a partir das 6 da tarde. Não há nada como estar mais ou menos só para se apreciar um bom livro, para se entrar nele e deixar-nos levar para paragens longínquas, em tempos longínquos.
    A categoria dum escritor vê-se pela sua naturalidade na escolha das palavras, há neste livro, um cunho pessoal no modo como os factos são tratados, num zoom constante ( o autor é fotógrafo e sabe do que estou a falar), entre passado e presente ( que nunca é este presente temporal, mas aquele que o autor tem na sua mente).
    Este zoom também se dá no uso dos tempos verbais,o que me fez um pouco de confusão no início, mas acaba por se coadunar com a corrente de pensamento do autor.
    Enquanto conta a estória, ele está a presenciar os factos, a vivê-los, tem vinte e poucos anos, a sua deusa 16, é um mundo muito efémero, mas que o vai marcar toda a vida. Ao contá-los , tem de recuar 40 anos, ajustar as lentes, focar o que interessa e fazer fade out do que é mera paisagem.
    A sua ansiedade é sentida por nós, leitores, assim como a sua fase blasée ou desencantada, meses depois. Tudo nos toca profundamente.
    Ficção ou realidade, é um romance original, em que personagens e situações se confundem nessa imensa Guiné, que não conheço...mas fiquei a conhecer melhor.
    Gostei do estilo, gostei da estória, gostei das fotos, gostei do fim. Será happy? Na minha imaginação, acredito que sim.

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  3. Olá Regina
    Gostei muito da apresentação do livro do seu marido. Ainda não o li porque estive três dias na casa de uma amiga em Terras de Bouro onde me envolvi em beleza, silêncio e calma.
    Apreciei imensas das flores que não existem, como aquelas das fotografias do seu marido.
    Agora, já com mais tempo, e bem abastecida de oxigénio, vou ler o livro e depois conto-lhe a minha opinião que será boa, tenho a certeza.

    Um beijo.

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