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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Complementaridades

Ontem, no espaço criativo Vivacidade,  assisti  à palestra complementaridade das Artes, proferida pela Prof. Drª. Isabel Ponce de Leão

Foi uma “viagem” muito interessante numa abordagem integrada de literatura, arte e sociedade, em que a conferencista foi destacando aspectos históricos, sociais, políticos, culturais e as várias mudanças paradigmáticas ao longo dos tempos. Para mim, apenas um senão. Em momento algum foi feita referência à cultura científica e à sua relação com as artes. Na fase de intervenções da assistência exprimi este meu sentir provavelmente decorrente da minha formação científica, que falou mais alto.
Antes da palestra, na aula de pintura também falámos de complementaridade a propósito das cores. E tudo começou a propósito de um quadro de Turner. Do que conhecia de Turner, não era grande apreciadora da sua pintura. Mas ao investigar um pouco mais, deparei com obras lindíssimas como aquela que aqui deixo



Mas voltemos à conversa, no decorrer da qual se falou em cores primárias. Aí, mais uma vez a minha formação científica falou mais alto. Cores primárias aditivas ou subtractivas?

Genericamente as pessoas consideram que da junção de azul com amarelo resulta verde. e  de  vermelho com verde, um acastanhado. E isso é verdade se se tratar de pigmentos. Mas se sobrepusermos um luz azul com uma luz amarela, obteremos luz branca e se sobrepusermos luz vermelha com verde obteremos luz amarela como podemos ver aqui
O azul, o verde e o vermelho são cores primárias aditivas, que adicionadas duas a duas, dão as cores primárias subtractivas



A síntese aditiva ocorre quando projectamos sobre uma superfície luzes de cores diferentes. Aqui as cores adicionam-se. Na imagem da esquerda podemos ver que da adição de verde com  vermelho resulta amarelo,de vermelho com azul, magenta  e de  azul com verde, ciano.
Na TV usa-se esta a síntese aditiva daí a designaão RGB- vermelho (R), verde (G) e azul (B).  

Quando se coloca um corante ou pigmento sobre uma superfície branca este  "subtrai" cor à luz incidente! Vê-se a parte da luz que não foi subtraída.
As cores primárias subtractivas ciano ( C) , magenta (M) , amarelo (Y), também designadas por aditivas secundárias,  constituem o sistema CMY usado, por exemplo, nos tinteiros das impressoras

Na imagem da esquerda  podemos ver que da adição de azul com  amarelo  resulta efectivamente verde
Sugiro a aleitura deste artigo e deste

E de novo as complementaridades, agora outras...
Na ciência das cores, duas cores são chamadas complementares se, quando misturadas, produzem o branco(cores aditivas), ou o negro (cores subtractivas) .

Voltemos agora o quadro de Turner antecipando o impressionismo

O modo como Turner trata a água, o céu e a atmosfera, afasta-se de todo o realismo natural e transforma-se no reflexo anímico da situação. As pinceladas soltas e difusas dão forma a um torvelinho de nuvens e ondas, a uma desesperança interior que se transmite à natureza, uma das características básicas do romantismo.Também foi de grande relevância para sua pintura a viagem que fez a Veneza em 1812, quando o pintor descobriu a importância da cor e conseguiu dar corpo à atmosfera de uma maneira que, anos depois, os impressionistas retomariam.

Termino com a importância da luz para os impressionistas  e um quadro de Monet

3 comentários:

  1. Olá Regina, mais uma grande lição de Arte e Física(Óptica).
    E assim renovei alguns conhecimentos, li artigos interessantes e apreciei belas Pinturas.
    É muito bom ter acesso a um blog como o seu.

    Um beijo.

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  2. Mais uma vez obrigada pelas suas palavras. Aproveito também para lhe agradecer os contributos para a causa do Sr. Álvaro
    Um grande beijinho
    Regina

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  3. Turner é um dos meus pintores britanicos preferidos. Na Tate Gallery tem uma enorme colecção dos quadros dele, que vão do mais realista ao mais simbolista ou impressionista. Há uns fantásticos. Turner é para mim um dos grandes pintores do seculo XVIII-XIX.

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