Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Open House

Quem, no fim de semana,  tenha passeado pelas ruas do Porto, Gaia e Matosinhos, provavelmente terá visto várias pessoas com uma brochura cuja capa anexo

Logo na 1ª página podemos encontrar um texto de que deixo um excerto
Foram 51 alternativas.

No sábado optámos por visitar o "Cenáculo do Espírito Santo". O arquiteto que o projetou foi colega do meu marido e já há cerca de 40 anos fomos ao seu casamento. Às 11h a visita era guiada pelo arquitecto e foi esse o horário que escolhemos. Nunca tinha entrado numa"igreja da IURD".
Visitámos as salas de culto, dois anfiteatros um para 2500 e outro par 300 pessoas, o "tanque" para batismos e algo que achei muito  interessante: espaços para jovens e crianças. Estes últimos, distribuídos por idades, propiciam muitas atividades para as crianças enquanto os pais estão no culto.
O espaço para jovens, cuja mobília foi feita pelos mesmos nas oficinas de que o edifício dispõe,  é muito acollhedor, com uma vista alargada até ao mar.
Terá sido o 1º cenáculo da IURD construído na Europa e creio que é também o maior
Aqui ficam algumas imagens e um vídeo que " retirei da NET

O auditório maior
O "tanque" para os batismos

https://www.youtube.com/watch?v=Aqu0WSYAeYs


Além de ter gostado da visita gostei de rever o nosso amigo. a esposa e uma das filhas, também arquiteta, que conheci  era ela pequenita.

À tarde fui visitar a Casa- Atelier Marques da Silva. A visita, muito interessante, foi comentada pelo Arquiteto Alves Costa
Deixo algumas fotos e a referência a um blogue onde se pode encontrar alguma  informação com interesse
                                       
No jardim

A parte de trás da casa  vista   do  jardim
A sala de entrada
Uma clarabóia
 Entradas de luz para a casa, no último piso, o piso dos quartos das empregadas,





No domingo começámos por visitar o terminal do Porto de Leixões, uma obra fantástica do ponto de vista arquitetural. O meu marido, arquiteto,  ia pouco entusiasmado mas  gostou muito. Deixo algumas fotos e um vídeo (fonte Net)








Relativamente perto dali situa-se a Casa da Arquitetura, embora esteja de "partida" para
o centenário edifício da Real Companhia Vinícola em Matosinhos, na Avenida Menéres, que foi reabilitado pela autarquia, após várias décadas de abandono e degradação.

A mudança será transitória (até à construção de uma sede própria) mas a CMM pretende, no futuro, transformar uma parte deste edifício, em museu de arquitectura.

Após a visita à Casa da Arquitetura fomos ver a primeira obra de Álvaro Siza, projetada ainda antes de terminar o curso e que gerou muita polémica a ponto de ter sido considerada "a vergonha da terra".

Nada sabíamos destas polémicas e tão pouco ouvíramos falar de Álvaro Siza quando eu e o meu marido (ao tempo namorado) fomos passear por Matosinhos e deparámos com aquelas casas, que achámos muito bonitas. Creio que na altura o meu marido ainda era estudante de engenharia química, que cursou dois anos antes de mudar para arquitetura.
Numa delas, a fachada principal situa-se na Avenida Afonso Henriques, quase em frente ao Senhor de Matosinhos e as outras três situam-se na Rua Dr.Filipe Coelho que faz esquina com a dita avenida. Aliás a outra casa tem também uma fachada para essa rua.



Não podíamos imaginar na altura que alguma vez entraríamos numa das casas.



Deixo mais um vídeo também retirado da NET



Para terminar a nossa seleção de visitas faltava só o Hotel Vincci

Começo por deixar um vídeo e só depois duas fotos



https://www.youtube.com/watch?v=jwH5yyqxDjE



Este "deambular" pelo Porto, para mim tinha começado na véspera, dia 17.
O meu neto José já está de férias. Como a maior parte dos miúdos da sua idade (e não só) passaria todo o tempo com o tablet, o telemóvel ou em frente ao ecrã de televisão. Por isso existe um plano diário  que contempla também o uso destes dispositivos mas de forma moderada e integrada  com outras atividades (leitura, escrita, música, jogos ao ar livre, jogos de tabuleiro, passeios). Na sexta feira fomos visitar a Torre dos Clérigos. Por mais incrível que possa parecer, nunca lá tinha subido. Por duas vezes em que fora sozinha,não pude fazer a visita porque estava fechada, em obras... Sempre que pensava  mostrá-la aos meus familiares brasileiros, assustava-os o número de degraus que teriam que subir.
Íamos um pouco apreensivos porque tinha ouvido que as filas eram intermináveis mas quando chegámos só tínhamos à nossa frente meia dúzia de pessoas. Na "bilheteira" perguntei se havia desconto para a 3ª idade. Responderam que não mas que até aos 10 anos as crianças não pagam. Por isso precisámos de um só bilhete


Não consegui tirar fotos em condições pois no interior havia pouca luz e quando chegámos ao topo, a claridade era muita e não conseguia ver nada no ecrã do telemóvel...



Mas sirvo-me mais uma vez de um vídeo da Net...


https://www.youtube.com/watch?v=-JPeBepIZq8 


Sei que a mensagem já vai muito longa mas, a meu ver, dividi-la não faria sentido

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Partilha

Partilho hoje convosco dois vídeos, um pleno de ternura e sensibilidade, vencedor dum festival de curtas metragens no Egito, e outro pleno de humor.



Partilho também um vídeo que encontrei por acaso na NET quando pesquisava música de Aram Khachaturian,  compositor de que conhecia apenas Sobre Dance, composição incluída no Mix que aqui deixo com uma seleção de composições quase todas do meu agrado

https://www.youtube.com/watch?v=d_1XEKUIpMY

 00:09 Johan Sebastian Bach "Air"
 
00:55 Vincenzo Bellini "Casta Diva (voce di Maria Callas)"
 
01:48 Georges Bizet "Habanera"
 
02:53 Giuseppe Verdi "Nabucco - Va' Pensiero"
 
04:05 Edvard Grieg "In the Hall of the Mountain King"
 
05:08 Antonio Vivaldi " Le Quattro Stagioni - Estate"
 06:16 Georges Bizet "Carmen - Ouverture"
 07:29 Edvard Grieg "Peer Gynt - Morning Mood"
 08:34 Tomaso Albinoni "Adagio in G Minore"
 09:44 Wolfgang Amadeus Mozart "Eine Kleine Nachtmusik"
 11:06 Sergei Prokofiev "Montagues and Capulets"
 12:13 Pyotr Ilyich Tchaikovsky "The Nutcracker - Waltz of the Flowers"
 12:57 Johann Pachelbel "Canon in D Major"
 14:13 Felix Mendelssohn "A Midsummer Night's Dream - Wedding March"
 15:16 Jacques Offenbach "Orpheus in the Underworld - Can Can"
 16:26 Johann Sebastian Bach "Toccata and Fugue in D Minor"
 17:39 Wolfgang Amadeus Mozart "Piano Sonata N°11 in A Major - Andante Grazioso"
 19:05 Frederic Chopin "Polonaise N°06 - Heroic"
 20:22 Aram Khachaturian "Sabre Dance"
 21:13 Ludwig Van Beethoven "Symphony N°05"
 22:49 Wolfgang Amadeus Mozart "The Marriage of Figaro"
 23:48 Léo Delibes "Lakmé - Flower Duet (voice Natalie Dessay)"
 24:54 Antonio Vivaldi " Le Quattro Stagioni - Primavera"
 26:16 Niccolò Paganini "Sonata Varsavia"
 27:23 Gioacchino Rossini "Guglielmo Tell - Ouverture"
 28:37 Richard Wagner "Cavalcata delle Valchirie"
 29:49 Edward Elgar "Pomp and Circumstances N°01 in D Major"
 31:00 Gioacchino Rossini "La Gazza Ladra - Ouverture"
 32:42 Wolfgang Amadeus Mozart "Rondo Alla Turca - Sonata in A Major"
 33:59 Carl Orff "O Fortuna - Carmina Burana"
 35:51 Maurice Ravel "Bolero"
 38:09 Ludwig Van Beethoven "Symphony N°09"
 40:14 Giuseppe Verdi "Aida - Marcia Trionfale"
 41:47 Antonin Dvorak "From the New World - Symphony N°09"
 43:34 Richard Strauss "Also Sprach Zarathustra"

E por falar em partilha, quando há dias estive no Carolina Michaëlis com alunos do secundário, 
uma turma de Ciências e outra de Letras, na turma de Ciências e a propósito da relação entre Literatura e Ciência, referi o livro Sistema Periódico de Primo Levi "um dos escritores italianos mais marcantes" na opinião de Umberto Eco. 


A professora dos referidos alunos encontrou-me ontem e disse-me que nessa mesma tarde foi dar com uma aluna na Biblioteca a ler o livro com muito entusiasmo.

Na véspera de se retirar do universo da química para se dedicar exclusivamente à escrita, Primo Levi oferece-nos, através de 21 capítulos, cada um com o nome de um elemento da tabela periódica, um relato da sua vida enquanto cientista e através do qual responde a inúmeras e complexas questões sobre o mundo e sobre si próprio.
" O Sistema Periódico é, pois,  um conjunto de vivências de um químico judeu do Piemonte, combatente antifascista, deportado e escritor, vistas através do caleidoscópio da química. As histórias cobrem a vida do autor, do nascimento à redação deste livro, passando por momentos fulcrais como a infância, a descoberta da vocação e a sua formação como químico, os amores e as amizades, o crescimento do movimento fascista italiano e o aparecimento das leis raciais, a vida na clandestinidade, a prisão e o encarceramento em Auschwitz, e o regresso aos laboratórios do campo de concentração já no pós-guerra.Um testemunho autobiográfico único por um dos principais romancistas do século XX.

É o próprio autor que escreve:

« La nobiltà dell'uomo, acquisita in cento secoli di prove e di errori, era consistita nel farsi signore della materia, e io mi ero iscritto a Chimica perché a questa nobiltà mi volevo mantenere fedele. Vincere la materia è comprenderla, e comprendere la materia è necessario per comprendere l'universo e noi stessi: e quindi il Sistema Periodico di Mendeleev[...] era una poesia. »


E a propósito do elemento potássio:

Destilar é belo. Primeiro, porque é uma tarefa lenta, filosófica e silenciosa que nos ocupa, mas que nos deixa tempo livre para pensarmos noutras coisas, um pouco como o andar de bicicleta. Depois, porque comporta uma metamorfose: de líquido a vapor (invisível) e deste novamente a líquido; mas, nesse duplo caminho, para cima e para baixo, atinge-se a pureza, que parte da Química e chega muito longe. E, finalmente, quando nos preparamos para destilar, adquirimos a consciência de repetir um rito consagrado há séculos, quase um acto religioso, em que de uma matéria imperfeita se obtém a essência, o espírito e, em primeiro lugar, o álcool que refresca os ânimos e aquece o coração.









quinta-feira, 9 de junho de 2016

Para alguns as férias já começaram...

O meu neto José entrou em férias. Os outros continuam em aulas.
Eu também entrei em férias no que respeita às digressões por escolas.

No passado dia 31 de Maio estive na Biblioteca da Escola Carolina Michaëlis com alunos do Secundário, em duas sessões, uma turma da área das "letras" e outra da área das "ciências". O encontro, que teve por base a minha poesia para "os mais crescidos"  foi muito interessante e alguns momentos estão registados no video anexo

Na passada segunda feira estive mais uma vez no Agrupamento de Escolas de São Lourenço, em Ermesinde. Duas sessões num total de 7 turmas de 8º ano, tendo por base o livro "Breve História da Química". Almocei com colegas na Escola Básica Mirante dos Sonhos um espaço muito agradável para os mais pequenos

Falou-se de alimentação saudável e uma colega referiu-se a uma loja " à Grama " 
(deveria ser ao grama, já que grama, unidade de medida,  é masculino...) onde se podem comprar a peso, linhaça, sésamo, chia, chás, etc etc . Outra colega comentou que faz em casa  "barrinhas de cereais"


Hoje, após o meu trabalho de voluntariado no Hospital passei pela loja, uma loja pequenina mas muito agradável. Comprei algumas sementes e vou tentar fazer umas barrinhas, a aprtir de uma receita que encontrei aqui

  • 1 ½ xícara (chá) de grão de aveia prensados
  • ½ xícara (chá) de amêndoas
  • ½ xícara (chá) de ameixas secas – caso estejam muito secas, hidrate-as por 10 minutos
  • ½ xícara (chá) de mix de sementes de girassol, de abóbora e de gergelim
  • ½ xícara (chá) de sementes de chia
  • ½ xícara  (chá) de uvas passas pretas
  • 5 colheres (sopa) de mel ou de melaço
  • Canela a gosto (opcional)
Preparação:
  • Triture as ameixas até que obtenha uma pasta. À essa pasta, junte o mel ou melaço e reserve
  • Pique as amêndoas  em pedaços, junte as sementes de chia, o mix de sementes, as uvas passas, os grãos de aveia prensados e se quiser uma pitada de canela e reserve
  • Em um recipiente, misture a massa de mel ou melaço e ameixas com a mistura de amêndoas, sementes, uvas passas e aveia. Mexa bem para misturar todos os ingredientes
  • Forme uma forma de bolo com papel vegetal e em seguida coloque a mistura. Prense essa mistura com as costas de uma colher, até que ela fique lisa e uniforme na altura
  • Leve ao forno com uma temperatura de 160°, pelo tempo de 20 a 25 minutos, até que doure
  • Retire do forno e espere esfriar
  • Retire da forma e coloque no freezer por um tempo de 15 a 20 minutos e só então as corte, em forma de barrinhas
E já que falo de comida, não posso deixar de colocar aqui a foto do bolo e dos "cup cakes"  que a minha nora Teresa  fez para o  aniversário do meu neto Bernardo, que completou 7 anos no passado dia 1 de Junho.
Este ano o tema da festa(os temas são sempre escolhidos pelas crianças) foi relacionado com os Trash pack



Como vem sendo habitual, criei  jogos para as crianças e o tema foi o mesmo...



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Festival literário em Bragança

Na mensagem de 28/05 deixei o programa  de um Festival Literário em Bragança em que  iria estar presente. O festival decorreu de 1 a 4 de junho e o programa do dia 4 foi o que a seguir anexo


Aproveitando o fim de semana convidámos una amigos de longa data. Saímos sexta feira à tarde e fomos diretos à minha aldeia. É uma aldeia incaracterística mas conhecida pelo Santuário de Santo Antão da Barca. 
que lhes fomos mostrar
Mandado construir pelos Távoras,  no século XVIII, foi  transladado pedra a pedra da sua localização inicial, na sequência da construção da barragem do Baixo Sabor



A construção da barragem alterou profundamente a belíssima paisagem que com  uma beleza diferente continua a merecer uma visita 

 


Ao fim do dia fomos para a Adeganha, aldeia do meu marido, à qual já me referi várias vezes e  cuja igreja românica é referida por Saramago em Viagem a Portugal
…a igreja é esta. Não caiu em exagero quem a gabou. A igreja da Adeganha é coisa para se ter no coração”
José Saramago, Viagem a Portugal
 
 Dormimos na Adeganha e na manhã seguinte passeámos pela aldeia inserida numa zona de fraguedo
 granítico, rude e belo.
 Almoçámos e seguimos para Bragança por Alfândega da Fé que vimos apenas de passagem pois o nosso primeiro destino era o Hotel SPA,  Senhora das Neves, em Sambade, donde se avista uma paisagem soberba.

Seguimos então para Bragança, onde às 16 h se iria iniciar  o 4º dia de Festival Literário e eu iria falar um pouco da minha última obra "Quando o mel escore nas searas"




A sessão prolongou-se por toda a tarde. Encontrei colegas do tempo de Liceu o que foi extremamente agradável. Um deles, o meu amigo de infância António Afonso, pintor, poeta, dramaturgo, falou da sua última obra“O guardador de Memórias”, sobre a vida e obra de Abade Baçal e um grupo de atores representou um pequeno excerto da peça. A par disso,um dos intervenientes, Virgílio Gomes, investigador em História da Alimentação, fez uma intervenção muito interessante. Perguntei-lhe se era familiar de um Sr Virgílio Gomes que era um amigo do meu pai. Respondeu-me que fora o seu pai.
Também gostei de outras intervenções nomeadamente uma  sobre Miguel Torga.

Finda a sessão, um afilhado meu(de batismo e casamento)  que vive em Bragança fez questão que fôssemos jantar a sua casa e o convite foi extensivo aos meus amigos. Receberam-nos com o carinho a que sempre me habituaram. 
Após o jantar regressámos ao Centro Cultural onde foi prestada uma homenagem póstuma a Mário Péricles da Cruz  (http://videos.sapo.pt/KvPGZ5sFV0j3lEu7P81j)

«Em 1938, Mário Péricles da Cruz, criou a Livraria Liz, que englobava as áreas de Livraria, Papelaria e
encadernação.A personalidade amável, contemporizadora e solidária do fundador catapultou a Livraria para um plano diferente dos restantes estabelecimentos congéneres e depressa se colocou na vanguarda dos mesmos a nível da cidade e região.
Era um tempo em que a cidade de Bragança recebia os estudantes de quase todo o distrito, uma vez que não havia estabelecimentos de ensino de grau superior ao primário nos outros concelhos.
Acontecia também que a maioria das famílias tinha sérias dificuldades económicas que não lhes permitia a compra, a dinheiro, dos livros e demais material escolar. Consciente dessas dificuldades, Mário Péricles da Cruz, facilitava a sua aquisição a crédito, sendo os pagamentos efetuados de acordo com as possibilidades de cada família. Isso permitiu a muitos estudantes prosseguir os seus estudos, o que não teria acontecido sem as facilidades concedidas.
Tal comportamento empresarial, impossível nos dias de hoje, aliado a um comportamento exemplar como cidadão e às qualidades excecionais de bondade e simpatia, granjearam-lhe um prestígio social de grande relevo que foi aumentando com o passar dos anos.
A área de encadernação, foi entretanto abandonada, passando a ser exercida no Patronato, para onde transitaram os empregados colocados nesse serviço.
As áreas mais desenvolvidas eram as de papelaria, livros e material escolar, sendo a vertente de livraria pouco desenvolvida, o que bem se compreende se atentarmos às condições sociais e políticas dessa época.
Mário Péricles da Cruz viria a falecer em 1972, passando a empresa a ser gerida por sua filha Maria Celeste da Cruz Machado, em colaboração com o seu marido Luís Emílio de Brito Machado, passando a intitular-se Livraria Mário Péricles da Cruz.
Nos primeiros tempos a orientação dos serviços prestados não sofreu grandes alterações, vindo, no entanto, a verificar-se uma grande viragem, com o desenvolvimento da vertente Livraria, tendo em conta a abertura política verificada, a instalação do ensino superior em Bragança e o aparecimento de estabelecimentos congéneres, mais virados para as áreas de papelaria, livros e material escolar.
Com o decorrer do tempo, a vertente Livraria foi de tal modo incrementada que, nessa área, era reconhecidamente a melhor Livraria de Trás os Montes e uma das boas livrarias do norte do país; com milhares de livros das mais diversas áreas do saber.
A sua clientela era a mais diversificada, incluindo muitos espanhóis da Galiza e da região de Leão que aqui vinham procurar obras dos melhores autores portugueses.
Em 2004, por imperiosos motivos de saúde e tendo em conta a realidade económica de então, entendeu-se dar por finda a atividade da empresa, gerando uma onda de consternação nos clientes que lamentaram o desaparecimento da Livraria onde se habituaram a encontrar livros de que precisavam.
» [página de facebook Amigos da Livraria Mário Péricles]

O encontro terminou com uma conversa com Rentes de Carvalho e Sérgio Godinho, na sua atividade de escritor

De Rentes de Carvalho tinha lido há relativamente pouco tempo o livro Pó, Cinza e Recordações, um diário escrito entre maio de 1999 e maio de 2000. Logo na 1ª página, datada de 15 de maio de 1999, escreve:

Está hoje com 86 anos e com uma lucidez e um humor invejáveis...
Passava já das 23 h quando saímos de Bragança em direcção `Adeganha onde dormimos. No dia seguinte ainda passeámos pela Adeganha, fomos visitar a Cardanha, onde o meu marido nasceu e regressámos à Adeganha para almoçar. Após o almoço regressámos. No caminho parámos num miradouro para ver o vale da Vilariça e passámos pela Junqueira para ver a capela que pertenceu à família da Adeganha


domingo, 29 de maio de 2016

Em defesa da escola pública

Toda a minha formação, desde a primária ao mestrado, foi feita na escola pública. 
Em Parada (Alfândega da Fé) iniciei a primária, em Bragança fiz a 4ªclasse e os sete anos do Liceu, no Porto a licenciatura em Físico Químicas e em Aveiro, o mestrado em supervisão na área das ciências. Genericamente encontrei professores empenhados (há sempre exceções), no Liceu de Bragança habituei-me a ter aulas com atividades experimentais desde cedo, a assistir a sessões de música clássica que o Reitor Lopes da Silva promovia na Pousada de S. Bartolomeu, a participar numa série de atividades desportivas. Fiz parte do teatro, danças regionais, etc, etc…
Toda a minha carreira docente se processou em escolas públicas(Liceu de Barcelos, Liceu Sá de Miranda em Braga, Liceu Alexandre Herculano no Porto onde fiz estágio, Liceu de Vila Nova de Famalicão onde efetivei , Liceu Carolina Michaëlis onde terminei a minha carreia aos 60 anos de idade com 39 anos de serviço. Paralelamente lecionei cursos breves na UTAD e na ESE do Porto, no âmbito da didática da Química.
Durante os 39 anos da minha carreira estive 31anos ligada à formação de professores, 24 como orientadora de estágio no ensino secundário e 7 como docente da cadeira de Didática da Física no Mestrado em Física para o Ensino(FCUP). 
Após a aposentação continuo a fazer (a título gracioso) sessões em várias escolas do país, desde o pré-primário ao fim do secundário.
Os meus dois filhos ( um licenciado em economia e outro com duas licenciaturas, arquitetura e engenharia civil e um mestrado na interface entre as duas áreas) sempre estudaram em escolas públicas. 
Tenho quatro netos: dois deles estudam numa escola privada e os outros na escola pública

Tudo isto para dizer que conheço razoavelmente bem a escola pública e considero que, genericamente, o ensino na escola pública tem qualidade.
Não quero com isto dizer que o não tem nas escolas privadas ( pelo menos em algumas). O que eu discordo é da política que, desde há alguns anos, se tem vindo a praticar , com muitos dos “famigerados” contratos de associação.
O vídeo que segue (https://www.youtube.com/watch?v=OgWCEWQe75k), evidencia bem a forma pouca séria como alguns casos foram tratados.



No passado dia 23 foi publicado  um texto, da autoria de João Maria de Freitas Branco,e que pode ser lido aqui https://www.publico.pt/sociedade/noticia/util-licao-1732679


Que o Estado tem a obrigação de formar, manter e assegurar o competente funcionamento de uma rede escolar pública de modo a garantir uma educação base acessível a todos, ou seja, gratuita e universal, é uma evidência em qualquer país moderno, democrático, civilizacionalmente desenvolvido. Evidente é também a obrigação estatal de garantir o direito de existência do ensino privado, sob variadas formas (cooperativas, colégios particulares, escolas tuteladas por instituições religiosas, etc.). Essa escola privada concorrerá lealmente com o sector público procurando conquistar alunos para os respectivos estabelecimentos de ensino, mediante a oferta de propostas/projectos pedagógicos aliciantes.
Não menos evidente é a ilegitimidade e a injustiça de o Estado financiar uma pequena percentagem de escolas privadas em regiões em que o próprio Estado assegura, com o dinheiro de todos nós, uma oferta que satisfaz por completo as necessidades locais, garantindo o acesso universal e gratuito à educação básica. Se na ausência de situações de excepção (carência de oferta) o Estado optasse por continuar a financiar, com o nosso dinheiro, um conjunto minoritário de escolas privadas, estaria desde logo a incorrer numa descabelada injustiça relativamente à imensa maioria dos estabelecimentos de ensino privado que não recebem nenhum financiamento público. Teria esta maioria (97%) todas as razões para vir manifestar-se ruidosamente contra o Governo, por indecente favorecimento de uns poucos – sendo talvez instrutivo saber quem são eles, esses menos de 3% de colégios privados. E também nós, cidadãos contribuintes, deveríamos protestar com igual veemência por utilização abusiva, ilegítima e danosa do nosso dinheiro.
O problema é sério e preocupante, por isso termino com um momento de humor retirado daqui




Já tinha terminad esta mensagem quando dei conta deste texto, colocado por Helena Damião  in De Rerum Natura


domingo, 29 de maio de 2016

"E se parássemos para pensar?": Não, não tem esse direito.

A jornalista Teresa de Sousa escreveu para o jornal Público de hoje um excelente artigo sobre a discussão, que nem devia ser discussão, do financiamento público a algunas escolas privadas e cooperativas, a que deu o título "E se parássemos para pensar?". Reproduzo abaixo uma parte substancial dele pela clareza da informação que presta e pelos argumentos a que recorre.
1. Há quinze dias, Manuela Ferreira Leite disse no seu comentário na TVI que não percebia qual era o problema da “guerra” entre os colégios privados subsidiados pelo Estado para suprir falhas do ensino público e a decisão do Governo de dispensar alguns.
Como o que disse ia contra a corrente, não sei se o seu pensamento ficou absolutamente claro. Mas é a mais pura das verdades que, mesmo assim, não impediu uma polémica em que já ninguém sabe exactamente o que está em causa. Se uma questão ideológica sobre a melhor forma de garantir a educação para todos (Estado ou a compra de serviços a privados) ou uma mera questão de interpretação da lei.
O ruído foi deixando o essencial de fora. Basta estar atento aos cartazes que aparecem nas manifestações para perceber que há nisto tudo uma enorme confusão. “Pago impostos, tenho direito a escolher a escola dos meus filhos”, resume perfeitamente a confusão instalada no debate.
Não. Não tem esse direito. Os impostos que pagamos são para manter um ensino público que garanta da melhor forma possível um princípio base das democracias europeias: a igualdade de oportunidades.
Sabemos que a realidade não permite cumprir totalmente este princípio, porque nele interferem problemas de discriminação social difíceis de resolver. Mas também sabemos que até se provar o contrário esta é a melhor forma de manter esse princípio.
Qualquer família é livre de escolher a escola dos filhos: pública e, portanto, gratuita; privada e, portanto, pagando as propinas devidas (...).
Vai restar alguma coisa desta gritaria sobre as escolas privadas que o Estado vai deixar de financiar? Duvido (...). 
2. A direita, com toda a legitimidade, inoculou no debate as suas ideias sobre o Estado, segundo as quais é preciso garantir o serviço, mas não o seu fornecimento, que pode ser integralmente privado.
É uma velha ideia que até pode parecer apelativa mas que, por alguma razão, ainda não foi levada até ao fim por nenhuma democracia europeia ou, sequer, nos EUA.
Qual seria a escola privada que estaria em condições de prestar o serviço de uma escola pública, por exemplo, num dos bairros mais pobres dos arredores de Lisboa, onde muitos dos alunos são de origem africana? Já fui a uma dessas escolas para falar da Europa e saí de lá com uma admiração enorme por quem a dirige e por quem lá ensina.
Poderiam ir todos inscrever-se no São João de Brito com as propinas pagas pelo Estado? Sabemos a resposta.
Essa liberdade de escolha de que tanto se fala esbarra com a vontade dos colégios privados e com profundas desigualdades sociais. O Estado teria de superar essa falha privada, abrindo as portas a serviços públicos feitos apenas para os pobres. Resultado? Teríamos de ir até outros continentes menos desenvolvidos para os encontrar.
Finalmente, os rankings mostram-nos que escola privada não significa melhor qualidade. Há de tudo (...). 
3. Vale a pena olhar para o que se está a passar na Suécia, um país que já tinha escolaridade obrigatória no final do século XIX e que, com os outros nórdicos, era dado como um exemplo de sucesso na educação.
O que hoje se sabe é que a Suécia caiu drasticamente nos rankings do PISA, obrigando a sociedade a fazer um grande debate sobre o que aconteceu. Pode haver muitas razões, mas uma delas está a merecer a máxima atenção.
Nos anos 90, o sistema foi reformado de alto a baixo, transferindo para as escolas privadas a totalidade do ensino, devidamente financiado pelo Estado. São as chamadas free schools(escolas privadas financiadas directamente aos alunos, que podem escolher a que quiserem), que o anterior Governo britânico (liderado por Cameron) andou a estudar in locopara seguir o mesmo caminho, mas que agora os resultados suecos estão a pôr em causa.
No Reino Unido, as free schools que já foram criadas não podem gerar lucro (e não consta que a cultura britânica tenha horror a tal coisa). Na Suécia podem. Dizia o ministro da Educação sueco, há já algum tempo, ao Guardian, que não haveria uma única causa para o fracasso, mas uma combinação que “ajudou a fragmentar o sistema escolar” e abriu as portas a uma maior desigualdade. “O sistema escolar não é um mercado em que cada um tem as mesmas possibilidades e a mesma informação”, disse ele. “Verificou-se que alguns pais, os mais educados e com maiores recursos, são quem tem a possibilidade de exercer a escolha”.
Estamos a falar de um país muito rico e muito educado.