Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


sexta-feira, 15 de maio de 2015

O CONHECIMENTO DA LUZ E A LUZ DO CONHECIMENTO

O CONHECIMENTO DA LUZ E A LUZ DO CONHECIMENTO é o título de um texto de Carlos Fiolhais de que deixo alguns excertos

 As Nações Unidas, através da UNESCO, o seu organismo para a Educação, Ciência e Cultura, decidiram que o ano de 2015 seria o “Ano Internacional da Luz”. Sob esse grande tema inspirador que é a luz, o objectivo das Nações Unidas consiste em ligar, educar e inspirar os cidadãos das mais diversas nacionalidades. Num mundo dividido por um sem número de questões, questões políticas, sociais e religiosas, foi emitida uma chamada à celebração conjunta da luz e das suas aplicações que nos tornam a vida mais fácil.

A luz é o fenómeno físico que nos permite tomar conhecimento do mundo. Com o sentido da visão, assegurado pelos olhos que estão ligados imediatamente ao nosso cérebro que conhece, recolhemos a chamada luz visível, que é a luz emitida com maior abundância pelo Sol. De dia dispomos da luz do Sol que, como diz o provérbio, “quando nasce é para todos”. De noite, para além da luz do Sol reflectida na Lua, e da luz das miríades de astros, luminosos como as estrelas ou não luminosos como os planetas e as suas luas, dispomos da luz artificial que desenvolvemos para tornar a noite mais parecida com o dia. Algumas dessas tecnologias são bastantes recentes e estão a proporcionar benefícios civilizacionais inestimáveis: por exemplo, em continentes como África onde há vastas regiões sem rede eléctrica é possível hoje recolher de dia a luz do Sol através de painéis fotovoltaicos, guardá-la em baterias e usá-la de noite para iluminação recorrendo a lâmpadas LED.
É graças à luz que o mundo se transformou numa “aldeia global” possibilitando, por exemplo, comunidades educativas à escala planetária. A Internet chega aos vários continentes através de cabos ópticos que atravessam os oceanos. Nas nossas escolas e nas nossas casas o acesso à informação faz-se à velocidade da luz por fibras ópticas, podendo ser distribuída em profusão por meio de redes sem fio (WiFi). Também as redes telefónicas sem fios são hoje asseguradas por luz: a radiação de microondas que permite as comunicações entre telemóveis mais não são do que uma forma de luz invisível, uma luz que apenas difere da visível por ter um maior comprimento de onda (sim, desde há 150 anos que se sabe que a luz são ondas electromagnéticas).
Mas a luz é muito mais que um fenómeno físico e o seu aproveitamento útil. A luz é também uma forma de expressão artística (...) Manipulando a luz os artistas conseguem transmitir não só ideias como sentimentos e emoções.

Viajemos  um pouco pela obra de Turner,considerado por muitos como o  o pintor da luz




Retomo o texto de Carlos Fiolhais


Na cultura em geral, a luz é ainda uma poderosa metáfora que significa esclarecimento, entendimento, compreensão. Ter uma ideia luminosa consiste em perceber algo que antes não se percebia(...)
  Quando o poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe morreu na cidade de Weimar em 22 de Março de 1832, as suas últimas palavras foram Mais luz!. Ainda hoje se discute se teria sido um simples pedido para abrir a janela ou, com um significado e âmbito muito mais profundos, teria sido a expressão de um desejo humano que ele próprio protagonizou ao longo de toda a sua vida: a aspiração a mais conhecimento, a mais verdade.
 A marcha da humanidade, desde os primeiros hominídeos que habitaram o planeta seguramente há mais de um milhão de anos até ao moderno homo sapiens sapiens, que apenas apareceu há cerca de duzentos mil anos, tem sido sempre no sentido do maior conhecimento. De início, um conhecimento rudimentar a respeito do mundo, expresso de modo muito limitado, desde há cerca de seis mil anos, expresso simbolicamente através da escrita. Pese embora a invenção do papel e da impressão pelos antigos chineses, só desde meados do século XV, com a oficina do alemão Johannes Gutenberg na cidade de Mainz, foi possível espalhar conhecimento sob a forma impressa de um modo maciço e sistemático. A Revolução Científica, com a explosão de conhecimento a respeito do mundo que se deu a seguir com o astrónomo polaco Nicolau Copérnico, no século XVI, e com o físico italiano Galileu Galilei e com o físico inglês Isaac Newton, os dois no século XVII (o segundo a ocupar um bocadinho do século XVIII), não teria sido possível se as ideias científicas não se tivessem espalhado rapidamente a vastas regiões do globo sob a forma do livro impresso. Convém lembrar que tanto Galileu como Newton conseguiram grandes avanços no uso e conhecimento da luz, o primeiro ao construir e utilizar o primeiro telescópio, ampliando muito o poder do olho humano, e o segundo ao explicar o aparecimento do espectro de cores – as cores do arco-íris - quando a luz branca do Sol incide num prisma. É curioso que O Discurso do Método (de 1637) do filósofo, matemático e físico francês René Descartes, um contemporâneo de Galileu, contenha num dos seus apêndices uma descrição do mecanismo de formação do arco-íris, um conhecimento que, na geração seguinte, Newton haveria de completar. Quer dizer, o conhecimento científico não só se serviu da luz para compreender o mundo como procurou desde que eclodiu fazer luz sobre a própria luz, compreendendo melhor esse indispensável intermediário entre nós e os objectos do mundo.
 Em 1865, o físico escocês James Clerk Maxwell escrevia, num artigo, as equações que hoje têm o seu nome, com as quais conseguiu decifrar a natureza da luz: uma onda, com qualquer comprimento de onda, capaz de se propagar mesmo onde não exista qualquer meio material, como o espaço entre o Sol e a Terra. Essa teoria matemática do electromagnetismo (uma descrição unificada da electricidade e do magnetismo) foi o “farol” que permitiu ao físico suíço de origem alemã Albert Einstein, no início do século XX, ver mais longe do que tinham visto os gigantes Galileu e Newton. Celebramos em 2015, neste Ano Internacional da Luz, o centenário da teoria maior de Einstein, a teoria da relatividade geral, que veio explicar melhor a gravidade que Newton já tinha descrito: a atracção gravítica deve-se a uma deformação geométrica do espaço à volta de um corpo pesado. A observação de um eclipse solar em 1919 na ilha do Príncipe, então território colonial português, permitiu confirmar a previsão einsteiniana de que a luz de estrelas situadas por detrás do Sol encurva ao passar rasante à nossa estrela. A luz segue a trajectória mais curta, mas perto do Sol o espaço é curvo.
  Devido ao valor limite que representa a velocidade da luz (c = 300 000 km/s), muito provavelmente nunca conseguiremos viajar até essas estrelas de onde nos chega luz. Decompondo a luz vinda delas ou de quaisquer outras estrelas, usando um prisma semelhante ao de Newton, sabemos que a matéria das estrelas é matéria que encontramos aqui na Terra: hidrogénio que se transforma em hélio, que por sua vez se transforma em carbono e noutros elementos mais pesados. Com a ajuda da luz, sabemos hoje que todo o Universo é feito da matéria que conhecemos. Organizámos boa parte desse conhecimento recorrendo à Tabela Periódica. Sabemos ainda que o carbono e os elementos mais pesados que entram na nossa constituição só podem ser feitos naturalmente numa estrela e que foram "cozinhados" numa estrela anterior ao Sol, uma estrela que explodiu violentamente, espalhando a sua matéria no espaço. Nesse sentido, somos “filhos das estrelas”.
 Usando agora a luz como metáfora, temos feito progressiva luz sobre o Universo em que vivemos embora haja muita coisa sobre a qual ainda falta fazer luz. Por exemplo, a chamada matéria escura, cuja natureza desconhecemos, é matéria que existe nas galáxias e que possui massa sem emitir luz como fazem as estrelas(...).

 A escola é, na sociedade, o meio por excelência de transmissão de conhecimento às novas gerações. Não houve e provavelmente não haverá nunca um meio tão adequado para cumprir essa tarefa. A escola deve iluminar os jovens com base nos conhecimentos do passado para que eles se sintam capazes de viver melhor no mundo. Nalguns casos, da escola sairão aqueles que terão novas ideias, aqueles que conseguirão como tão bem disse Goethe Mais luz!


terça-feira, 12 de maio de 2015

No Nordeste, mais uma vez...

Na semana passada estive quatro dias na minha aldeia.  Já adiáramos a viagem três ou quatro  vezes por causa do tempo, que desta vez estava soberbo...
Os campos estão belíssimos como se pode ver nas fotos anexas. E o "rio", continua a crescer espreguiçando-se pelas novas margens....


                                    








Em Alfândega e como é habitual, fui à Casa da Cultura  pois  desde o dia 25 de Abril, está lá uma exposição que  ainda não tinha visto. Trata-se de um conjunto de 40 fotografias relativas às Campanhas de Dinamização Cultural, em 1975. 



Se nem tudo correu bem pois houve alguma demagogia à mistura e alguns exageros desnecessários, considero que foi uma época muito bonita, pejada de ideais, dos quais, hoje pouco ou nada resta neste país que trocou os valores, nomeadamente a solidariedade e a ética, pelo vil metal.  E sem olhar a meios para atingir os fins, a corrupção foi-se instalando a todos os níveis, sob uma impunidade assustadora perante os ilícitos mais flagrantes.
Assusta-me pensar que vai ser muito difícil, senão impossível, sair deste  poço de podridão.

Ando a ler o livro Toda a China, volume I, de António Graça de Abreu, o guia cultural que nos acompanhou na viagem à China em agosto passado . Não resisto a colocar um excerto



                           

E porque na viagem, a Antena 2 emitiu o quinteto "A truta" de Schubert, uma das peças musicais de que  gosto imenso, termino com a mesma 


sábado, 9 de maio de 2015

Do arco-íris ao telemóvel


Quando me desloco a escolas, sou geralmente contemplada com desenhos e textos das crianças ,que tenho guardado religiosamente num espaço a isso destinado.  Mas o  volume do material tornou-se demasiado grande pelo que decidi começar a fazer um “scan”  do mesmo.
A fim de encontrar o melhor critério de organização, estou a rever o material e tenho encontrado  imensas coisas de que já não me lembrava. Foi assim com este boletim de uma escola de Arcozelo, datado de 2008.


 Ao folheá-lo encontrei um texto com  o título Do arco-íris ao telemóvel, a magia da ciência...

Comecei a lê-lo com curiosidade e pareceu-me familiar. Ao virar a página, verifiquei que era de minha autoria.
Num esforço de memória,  consegui lembrar-me que me foi solicitado, pela escola, um texto sobre o telemóvel,  já então  ferramenta” indispensável”  para muito alunos.
Deixo o texto,  já com 7 anos...

                                     


Também encontrei três poemas de adolescentes, cuja escola não sei identificar, datados de 2006 e que contêm reflexões muito interessantes.





terça-feira, 28 de abril de 2015

Mais um périplo pelas escolas...

No passado dia 17, a convite  da “Delegada” (não sei se ainda é esta a designação) do grupo de Físico-Químicas desloquei-me à Escola EB3/S de Amarante.
Estive com várias turmas de 7º ano (em duas sessões), a propósito do livro Pelo sistema solar vamos todos viajar, livro que tinha sido trabalhado com os alunos, numa perspectiva interdisciplinar , nomeadamente entre as disciplinas de Português, Física/Química e  Educação Visual.
Desloquei-me de autocarro. Esperavam-me na estação de embarque/desembarque, a referida “Delegada”  e uma colega de Artes Visuais. A Escola, recentemente intervencionada ( ainda não estão concluídas todas as obras), é muito agradável. Logo à entrada pude ver uma exposição de Artes Visuais, alguns trabalhos evocando Amadeo Souza-Cardoso
As sessões decorreram muito bem, com os alunos genericamente muito envolvidos, o que é  sempre muito gratificante.
Na sexta-feira, a ESA recebeu a Dra Regina Gouveia. Poesia e Física fundiram-se, como nas suas obras, perante os alunos de 7º ano, que se deixaram conquistar por experiências simples e surpreendentes.
Fui tratada com imenso carinho por todos, professores alunos e funcionários.
No fim da sessão ofereceram-me flores e uma "bandeja baguete" com a reprodução de um trabalho de Amadeo Souza Cardoso, 

Almocei com as colegas de Física/Química e Educação Visual, Após o almoço regressei a casa, na companhia das colegas que, muito gentilmente, me trouxeram de carro.
O mundo é pequeno. Logo que me foi apresentada a colega de Educação Visual, achei que a conhecia de algum lado e ela achava o mesmo em relação a mim.
Quando na viagem de regresso, referi que à 5ª feira exerço voluntariado no Hospital de Santo António, a colega disse. É precisamente daí que nos conhecemos pois um dia  em que ali me desloquei  com a minha filha, foi a Regina que nos acompanhou.

No dia 21, a pedido da Porto Editora, fui a Cantanhede onde estive com vários meninos do pré-primário ao 4º ano (duas sessões), a propósito do  livro Ciência para Meninos em Poemas Pequeninos. 
Pesquisando na NET, encontrei esta referência à visita
Navegando na Leitura, 2015
Três dias de atividades com alunos do 1.º CEB e crianças dos Jardins de Infância do AELdF.
6 escolas, 14 sessões, muitas histórias contadas e ouvidas. Livros, leitura, ciência...
Como se faz um livro? Qual a relação entre a forma do livro e a sua história? Podem os livros contar histórias sem texto? Que formas podem assumir os livros? Que histórias sobre o mundo podemos ficar a conhecer a partir de poemas pequeninos que nos falam de ciência? Até onde podemos pensar a partir dos livros?
Mais um modo de chamar os meninos e as meninas ao livro e à leitura.

Apesar de não terem trabalhado o livro, as crianças estiveram muito bem, especialmente na 2ª sessão. Na primeira o grupo era muito heterogéneo, integrando  alunos do pré-primário e do primário ou seja, dos 3 aos 9 anos, o que dificulta um pouco a interação.

Também aqui me ofereceram flores mas o que mais me tocou  foi também a forma muito acolhedora  com que fui recebida por todos.

No dia 27, ainda a propósito do mesmo livro, fui a Castro Daire. Também aqui houve duas sessões com meninos do ensino básico . Os alunos não conheciam o livro mas estiveram razoavelmente interessados. Estranho foi o comportamento de alguns professores que saíram sem se despedir, estavam com o ar de quem me estava a fazer um favor, etc....
As sessões tiveram lugar na Biblioteca onde a simpatia dos funcionários também não era de realçar...

Felizmente estes casos são a exceção e não a regra.

A viagem de ida, pela A25,  foi um pouco maçadora pois choveu todos o tempo, às vezes com muita intensidade. Decidimos regressar pela A24 mas o GPS,  desatualizado, mandou-nos por estradas antigas que em tempos percorri quando passeei por aquela zona.
Para mim não causou qualquer transtorno, pois não tinha hora marcada para chegar e as estradas, embora fracas, são muito bonitas, com vários troços ladeados de árvores, com as encostas cheias de tojos, de urzes, etc
Ao ver estas encostas vieram-me  à memória algumas quadras de um poema de Augusto Gil que li em criança

Dorme, dorme, meu menino
Foi-se o sol, nasceu a  lua.
Qual será o teu destino?
Que sorte será a tua?…

Riquezas tenhas tão grandes,
E tal bondade também,
Que ao redor donde tu andes
Não fique pobre ninguém.

Que a todos chegue a ventura:
Toda a boca tenha pão,
Toda a nudez cobertura,
Toda a dor, consolação…

Mas se o oiro é mau caminho,
– Antes tu venhas a ser
O pobre mais pobrezinho
De quantos pobres houver.

Andaremos à mercê
Dos génios bons e dos falsos,
Léguas e léguas a pé,
Rotinhos, magros, descalços…

E onde houver urzes e tojos,
Pedras que rasgam a pele,
Porei o corpo de rojos
– Passarás por cima dele!
( o poema poderá ser lido aqui, na íntegra, embora com algumas pequenas diferenças)



Ontem, dia 27, fui à Marinha Grande, também pela Porto Editora.
Logo ao entrar fui surpreendida, ainda  no espaço exterior, com um cartaz de  Boas Vindas.
Foram também duas sessões com meninos do 1º ciclo. 
Os livros tinham sido trabalhados e havia vários desenhos das crianças, expostos nas paredes. Infelizmente, dado o pouco tempo disponível,  não pude vê-los com a atenção  que gostaria de lhes ter dispensado.
Eram muitos meninos e um pouco agitados, o que dificultou a interação, em particular com alguns extremamente interessados. Um deles, o Tiago,  ficou até ao fim para eu lhe explicar mais em pormenor algumas das atividades.

Também aqui fui presenteada com vários mimos: um guia turístico da Marinha Grande, uma pecinha em vidro feita por alunos e uma professora, uma publicação do Museu do Vidro e outra da Casa- Museu Afonso Lopes Vieira. Desta última retirei um poema  sobre o tojo, arbusto  de que anteriormente falei a propósito da visita a  Castro Daire.



No mato, assim, de rojo,
não sabe lisonjear…
É misantropo, o tojo.
 Dá flor; sabe florir,
- prova que sabe amar.
Somente, lá fingir
não sabe, nem mentir
para agradar.
Seus bicos ele enrista
no matagal marinho?
É certo: - e estão à vista.
As almas verdadeiras
não são como as roseiras:
a flor não esconde o espinho.
Lindo tojo silvestre:
fossemos nós assim!
Dás flor, e és rude. És mestre.
Cresce no meu jardim

Estas ações nas escolas podem cansar um pouco mas, genericamente, são muito gratificantes.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O Bico Azul

O Bico Azul é o título de um livro, escrito por J. Bernardino Lopes e ilustrado pelo seu filho mais velho, Pedro Lopes.

                             

Bernardino Lopes , licenciou-se em Física na FCUP e começou por ingressar no Ensino Secundário, tendo sido meu estagiário, creio que em  83/84. Professor muito empenhado, passado pouco tempo fez Mestrado na Universidade de Aveiro, na área da Física Educacional.  Na mesma área fez Doutoramento. Passou a fazer parte do corpo docente da UTAD, sempre ligado a projetos de investigação na referida área. Tive o privilégio de integrar as equipas de alguns desses projetos.
A nossa relação é, desde sempre, uma relação de amizade. Fui ao seu casamento e, embora longe,  fui estando ao corrente da sua vida familiar. Tem quatro filhos e o mais velho seguiu a via das artes e já participou em várias exposições. Estive presente numa delas, aqui no Porto, já há alguns anos.
Fui surpreendida (ou talvez não) pela  edição deste livro, que me foi muito gentilmente oferecido.
É o próprio autor que nos fala da génese do livro.  

As ilustrações  são muito bonitas e acompanham muito bem o texto que li de uma assentada.
Refere o  autor que é um livro para crianças mas que poderá ser lido por jovens e adultos.
Na minha leitura, a viagem de Mimi e Fifi pode ter sido inspirada no mundo fantástico da Física Moderna, com espaço e tempo interligados, com deformações do espaço-tempo (responsáveis pelo movimento dos  corpos no cosmos), com "Wormhole" (“buracos de minhoca”) e vários  outros conceitos muito complexos, mas com os quais a Física Moderna, tal como a Clássica,  nos fascina.
 (...)Essencialmente, as equações de Einstein contêm, por um lado, informações sobre massa e energia e, por outro lado, as curvaturas do espaço-tempo. Então, é possível manipular massa e energia e verificar o efeito que têm na geometria do espaço-tempo, e determinar as propriedades que essa configuração apresenta. A geometria do espaço-tempo está para a teoria da relatividade geral assim como a gravidade está para a física newtoniana. Mas, ao contrário de uma força, como na física clássica, é a deformação do espaço-tempo que faz os corpos se movimentarem no cosmos. 
(...) Esses conceitos baseiam-se  em interpretações das teorias da relatividade restrita e geral, praticamente não contestadas na comunidade científica.

Regressando ao livro, nada melhor que disfrutar do  texto e das imagens.
Creio que poderá ser pedido à Livraria Traga - Mundos, em Vila Real, onde a apresentação do livro teve lugar




domingo, 19 de abril de 2015

Obrigada Mariano Gago


Foi com surpresa e  consternação que tomei conhecimento da morte de Mariano Gago.

Mariano Gago é unanimemente considerado uma das figuras que mais fizeram pela promoção da ciência em Portugal

Para o físico Carlos Fiolhais, "há uma ciência antes de Mariano Gago, que era muito pequena, e uma ciência depois de Mariano Gago, que é muito maior".

José Mariano Gago foi o cientista de que mais gostei na minha vida. Não: foi muito mais. Foi o ser humano que mais me ensinou, escreveu  Miguel Esteves Cardoso  

Sobrinho Teixeira não hesita em classificá-lo como “um dos melhores ministros que houve em Portugal”.

O legado de Mariano Gago é o legado de uma vida. De alguém que se entregou sempre de alma e coração, não apenas à profissão de investigador científico de primeira qualidade, mas também de uma emprega generosa e inteligente ao bem comum”, referiu Guilherme D’Oliveira Martins em declarações à SIC

Não sei desde quando possuo o manual Homens e Ofícios do qual deixo algumas páginas, que embora simples, são bem reveladoras da preocupação do autor em promover uma literacia científica  a todos os níveis.





 
  



Em 1981 decorreu no IST de Lisboa, a  exposição " De que são feitas as coisas?", uma exposição interativa que tive o privilégio de visitar. Mariano Gago foi um dos dois responsáveis executivos.

 


Pessoalmente , considero que Mariano Gago foi, de longe,  o melhor ministro desde que me conheço. A acrescentar a tudo o que anteriormente foi referido, foi um ministro muito discreto, o que  não é vulgar na classe política portuguesa.

Devemos-lhe muito. Obrigada Mariano Gago.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Amapola

No dia 27 de Março rumámos a Trás-os-Montes, levando conosco o meu neto José. A irmã só iria no dia seguinte com os pais, para não faltar à aula de ballet, sábado de manhã. Com eles foi também um investigador brasileiro que a minha nora conhece de projetos de investigação em comum.  Aliás há cerca de um ano esteve cá durante 15 dias e ficou em minha casa. Este ano, como vem por um período de 6 meses, está alojado numa residência universitária.
Os meus outros dois netos não puderam ir , pois as férias no Colégio Universal começam (e terminam) uma semana mais tarde.
No domingo, após o jantar, regressaram filho, nora e o amigo,  mas as crianças ficaram.
Com muita pena, regressámos quarta feira pois na quinta eu tinha  uma consulta marcada no Santo António e na sexta a minha neta Rita fez anos. 
Enquanto estivemos por lá demos longos passeios pelo campo pois estes meus netos estão habituados a andar muito a pé.




Por tudo isto, passámos a Páscoa no Porto.
Em Trás-os-Montes o tempo estava fantástico, embora de manhã e ao anoitecer a temperatura baixasse bastante.
A exuberância da Primavera ainda não atingiu o seu auge mas já se veem os campos floridos e algumas papoilas.


                                     

Logo que surgiam as primeiras papoilas,  a minha mãe saudava-as cantando, com a sua belíssima voz de soprano, a canção “Amapola” que deixo nas vozes de Nana Moskuri e de Andrea Bocelli




Quando pesquisava na Net a canção Amapola, junto à seleção que fiz estava, também na voz de Andrea Bocelli,  o Adeste Fideles



 Adeste Fideles é uma das músicas mais conhecidas no mundo. Foi composta pelo  Rei D. João IV e era conhecida pelo Hino dos Portugueses.
Hoje, na época do Natal, canta-se em todo o mundo em louvor ao nascimento de Jesus.

Diz o ditado que as conversas são como as cerejas, enleando-se umas nas outras.... Daí que a próxima referência seja  o Concerto de Aranjuez, composto por Joaquim Rodrigo, também ele
invisual como Andrea Bocelli

Rodrigo é considerado como um dos compositores que mais popularizou a guitarra na música clássica do século XX, e o Concerto de Aranjuez é um dos expoentes máximos da música espanhola.  Em Paris  estudou com Paul Dukas que o considerava como talvez o mais dotado de todos os compositores espanhóis que já tinha visto chegar a Paris. Em Paris, Rodrigo conheceu  pessoalmente Manuel de Falla com quem  estabeleceu uma sólida amizade. Falla, que era membro da Légion d'Honneur,  fez questão de que  que, num concerto apresentado em sua honra,  houvesse para além de músicas suas,  trabalhos de colegas espanhóis jovens, nomeadamente  Rodrigo, que sempre se mostrou grato pela oportunidade oferecida por Falla. E é com a dança ritual do fogo de Manuel de Falla, interpretada por Artur Rubinstein, que termino este "périplo" musical


A terminar a mensagem, regresso às papoilas com três quadros de pintores que admiro muito,
Klint, Monet e Van Gogh.