Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

ERRO AO ABRIR

Por razões que desconheço, o blog deixou de abrir na página inicial. Agradeço que "cliquem" nesta para aceder às mensagens.
Obrigada pela compreensão

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

MÊS DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA, 2017

A Fundação Francisco Manuel dos Santos promove mais um ciclo de conferências . 

 Desta feita, o MÊS DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA, de 19 de   OUTUBRO A 20 NOVEMBRO 2017 

 O programa pode ser visto aqui https://ffms.pt/conferencias/ciclo/2325/mes-da-educacao-e-da-ciencia-2017


onde também pode ler-se:

Pela primeira vez, a Fundação junta os temas da Educação e da Ciência num mês mais ambicioso, num programa de norte a sul do país, com especialistas nacionais e internacionais:
- Nuccio Ordine, filósofo italiano, traz-nos uma reflexão sobre a utilidade dos saberes inúteis e a importância do ensino das Humanidades na formação dos alunos.
- A progressão positiva dos resultados dos alunos portugueses no teste PISA, em Matemática, Ciências e Leitura e a comparação dos sistemas de exames em vários países estão também em discussão.
- E avaliados os conhecimentos dos alunos, estudar compensará? Ter um curso superior é ainda sinónimo de benefícios económicos e não económicos? A Fundação apresenta um estudo inédito sobre os benefícios do Ensino Superior.
- Sarah-Jayne Blakemore desvenda os mistérios do cérebro adolescente, fazendo a ponte entre as neurociências e a sua aplicação na educação.
- Sir Martin Rees fala sobre o papel da Ciência no século XXI e que relação devem os cidadãos ter com a Ciências e a tecnologia. Outros temas de Ciência incluem um debate sobre o estado da Ciência em Portugal – quem a faz e em que condições?
A fechar o mês, a diáspora científica fica em evidência: quem são os investigadores portugueses espalhados pelo mundo? Junte-se ao debate que interessa a professores, a investigadores, a todos os interessados em conhecer e em melhorar o sistema educativo, praticantes e beneficiários da Ciência e Tecnologia em Portugal e, em geral, todos os interessados pelo ensino e pela cultura científica.
Entrada livre mediante pré-inscrição

Estava eu “posta em sossego” em Trás- os -Montes quando, a 3 de agosto, recebi um convite para participar na sessão do dia 19 “ A utilidade dos saberes inúteis” que terá lugar em Lisboa, às 17h, 30 min, na Torre do Tombo, em Lisboa
https://ffms.pt/conferencias/detalhe/2324/a-utilidade-dos-saberes-inuteis,  abordando o valor das humanidades no ensino das ciências
Achei o desafio muito interessante mas seria preciso apresentar um resumo até ao fim de Agosto o que para mim seria difícil.. Como referi essa dificuldade, deram-me mais alguns dias. A partir daí fui dedicando diariamente algum tempo para a preparação, com a necessária pesquisa, que ali só poderia fazer recorrendo essencialmente à NET . Embora disponha de duas pequenas bibliotecas (heranças da minha família e da do meu marido) só me puderam ser úteis nalguma pesquisa sobre poesia ( Camões, Antero..)
Consegui escrever o resumo e enviá-lo a 5 de setembro, dia em que regressei ao Porto. A partir daí, dispondo já de mais recursos, tenho trabalhado um pouco na preparação da apresentação. Mas o ponto forte será, com certeza, a intervenção de Nuccio Ordine, filósofo italiano, professor na Università Della Calabria, autor de A utilidade do inútil . Manifesto .

Nas pesquisas que fiz on-line, para a preparação do resumo, encontrei uma entrevista que pode ser lida aqui

É preciso olhar o mundo em que vivemos, onde a lógica do dinheiro domina tudo. A única coisa que não pode ser comprada é o saber. Não é possível tornar-se um homem culto com um cheque em branco. Criámos um mundo onde as pessoas pensam apenas no seu próprio egoísmo. Perdeu-se de vista o sentido da solidariedade humana(…)
Os saberes, como a música, a literatura, a filosofia, a arte, ensinam-nos a importância da gratuitidade. Devemos fazer coisas que não buscam o lucro. A dignidade humana não é a conta que temos no banco. A dignidade humana é a nossa capacidade de abraçar os grandes valores, a solidariedade, o amor pela justiça, o bem-estar(...)  

E porque falamos de cultura, tenho boas notícias relativas ao Castro da Marruça

O Castro da Marruça é um castro que existe na minha aldeia, conhecido impropriamente por castelo da Marruça. É um local com vistas belíssimas sobre o rio Sabor e as encostas que o ladeiam.
Dediquei-lhe já vários poemas e um dos contos do meu livro Terras de Cieiro.

Outrora seriam por certo diferentes o achatamento polar,
o campo magnético, a atração lunar
e, como tal, o peso das coisas, as marés.
Diferença subtil, irrelevante,
pois se esse tempo, à escala humana é já distante,
à escala do Universo ainda é presente.
Outrora seriam por certo diferentes
as gentes que no castro habitavam
mas como hoje, sofriam, amavam
e guerreavam em sangrentas batalhas,
deixando virgens, talvez para sempre, tímidas donzelas.
Testemunhas desse tempo, as muralhas,
naturais do lado do abismo, do outro lado humana construção,
como também humana a destruição que de onde em onde grassa.
Ignorou-se que enquanto o tempo passa,
as pedras guardam na memória os feitos da história,
o sangue derramado, a glória, o revés.
Em terras que com sangue foram adubadas,
florescem hoje papoilas encarnadas
por entre alvas estevas, roxas arçãs e giestas amarelas.
Na Primavera, todas elas salpicam a ladeira do castro até ao rio.
Deste, quem sabe, o rumor será ainda eco dum clamor, outrora lançado no vazio.

Quando escrevi este poema, a destruição que refiro era apenas pontual. Mas um belo dia, um agricultor da aldeia resolveu solicitar os serviços da Câmara para derrubar a maior parte da muralha, porque esta o impedia de ir buscar lenha no interior do castro. E um funcionário da Câmara foi e derrubou ...gratuitamente, pois os referidos serviços podiam (não sei se ainda podem) ser requisitados pelos agricultores para certas obras, por exemplo obras que permitam um melhor acesso a propriedades…
Sempre que ia à aldeia, gostava de ir ao castro ver a paisagem que dali se avista.


Não sei se fui das primeiras pessoas a ver os estragos. … Cheguei e ao ver aquele descalabro, não consegui evitar as lágrimas ...De imediato liguei para um dos elementos da Junta de Freguesia que me respondeu mais ou menos isto: Sei que a máquina da Câmara andou para esses lados mas não sei bem o que aconteceu. Vou tentar informar-me
Liguei para a Câmara mas a resposta foi igualmente evasiva. No dia seguinte, o membro da Junta ligou identificando a pessoa que tinha encomendado o serviço e que achou que não havia mal nenhum pois era apenas um monte de pedras . E o funcionário da Câmara  pensou o mesmo...

Já lá vão uns anos, desde que isso aconteceu. Mas no passado dia 23 de Setembro, por iniciativa da Câmara Municipal houve uma visita guiada ao local que já está a ser sujeito a intervenção. 


Não pude estar presente mas fui lá no passado fim de semana e tirei  fotos. O local já foi desmatado; seguir-se-á a intervenção de arqueólogos no sentido de fazerem escavações que possam conduzir a vestígios clarificadores quanto ao que ali existiu. Esperemos que a obra avance.
Deixo fotos, algumas minhas, outras gentilmente cedidas pelo meu amigo F. José Lopes, historiador.

Antes da desmatação

Depois da desmastação









Nesta última foto podemos ver a espessura da muralha precisamente onde foi derrubada

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