Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Um sábado diferente


Genericamente ao fim de semana junto a família (filhos, noras e netos), na maior parte das vezes ao almoço de sábado. Somos 10 à mesa e o almoço prolonga- se por entre a alegria contagiante das crianças.
Neste fim de semana o almoço foi "transferido" para domingo como mais adiante referirei o que teve como consequência um sábado diferente.

Após o almoço decidi ir à à UNICEPE onde às 15, 30 teria lugar uma entrevista a ARNALDO TRINDADE, e às 17 seria inaugurada uma exposição de José Oliveira Jool a quem já fiz referência em uma outra mensagem


Na Constituição encontrei a minha amiga Ana Maria, que conheci na escola de pintura UTOPIA, e desafiei-a para ir comigo. Lá fomos



ArnaldoTrindade criou em 1956 a editora discográfica Orfeu, que começou por gravar os maiores vultos da literatura e avançou depois para os ícones da música popular portuguesa como Zeca Afonso(...).
Eram dias cinzentos. Vivia-se sob o bastão implacável da ditadura salazarista. A Censura e a polícia política (PIDE) espreitavam a cada esquina. A rádio era quem mais ordenava, reunia as famílias ao serão e difundia os grandes artistas da canção do momento. Televisão só em finais da década de 1950. Assim foi por muitos e bons anos. Era um Portugal à espera de melhores ventos, onde a cultura se fazia às escondidas. Havia filmes e livros proibidos. E discos também.
Apesar do espartilho que controlava a sociedade, havia homens com iniciativa e coragem que apostavam na cultura, até como forma de libertação. Entre esses estava um portuense de gema, Arnaldo Trindade, editor discográfico. Quem ouve Grândola, Vila Morena, cantada por estes dias tantas e tantas vezes, certamente não pensa que por detrás desta música estava este editor, que, mesmo sabendo os riscos que corria ao contratar Zeca Afonso, um artista proibido, investiu nele de alma e coração. E há um rol quase infindável de músicos que lhe fica a dever a primeira oportunidade discográfica na sua editora, a Orfeu.
Arnaldo Manuel Albuquerque Trindade nasceu no Porto, em 1934. Filho de um comerciante de sucesso, com apenas 19 anos sucedeu ao pai, que entretanto adoeceu, na condução dos negócios de família. Tomou então as rédeas de uma famosa loja de eletrodomésticos, na Rua de Santa Catarina, mesmo em frente ao Café Majestic. Nasceu em berço de ouro - a família tinha tido negócios de tabaco - e nada lhe faltou durante a infância e a adolescência. «O meu pai arranjou a representação da Philco, uma das principais companhias americanas em 1935, eletrodomésticos que vendemos até 2001», lembra o editor, olhar azul brilhante, reflexo da admirável lucidez dos seus 78 anos.
Brincou no Bonfim, na Rua Duque de Saldanha. Nesse tempo, a zona dividia-se em Bonfim de cima, povoado por operários, e Bonfim de baixo, habitado pela burguesia. «Era uma das zonas chiques da cidade», aponta. O pai, que escrevia poesia, quis que estudasse sempre em escolas oficiais. A maioria dos colegas andava descalça e com fome. A mãe dava-lhe um pão com marmelada para levar para a escola e Arnaldo acabava sempre por oferecê-lo aos amigos. Esta era a imagem crua do Porto dos anos 1940, em tempo de Segunda Guerra Mundial.
Os anos passados nos bancos do Liceu Alexandre Herculano estão na base da sua paixão pela poesia, que viria a manifestar-se de uma forma decisiva poucos anos mais tarde. «O responsável por isso foi um professor que tive no terceiro, quarto e quinto anos, o Dr. António Cobeira, que pertenceu à Orfeu de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Em vez de nos pôr a dividir orações, punha-nos a ler Pessoa, que ninguém conhecia na altura», recorda. Numa visita de estudo esteve em casa de Teixeira de Pascoaes, que lhe ofereceu um livro de poesia, que ainda guarda. Foi também aluno de Óscar Lopes e de Alberto Uva. Havia ainda um professor que animava as aulas com música de Bach, de Beethoven e de Mozart. «Fui um privilegiado.»
Privilegiado foi como conheceu a América, onde passava longos períodos de férias em casa de um tio que era engenheiro na General Motors. Ficava a 15 quilómetros de Nova Iorque e palmilhou o que pôde de bus. Lá sentia-se noutro planeta, tamanha era a diferença entre o Portugal cinzento e atrasado dos anos 1950(...).
O seu objetivo era tirar o curso de Engenharia, mas o sonho ficou em suspenso porque o pai ficou muito doente e Arnaldo Trindade viu-se obrigado a tomar conta dos negócios. Para além dos eletrodomésticos, vendia microgravações de música. Uma coisa leva à outra e, em 1956, resolveu partir para a editora discográfica Orfeu, a princípio vocacionada exclusivamente para a gravação de escritores e declamadores (Jaime Valverde, João Guedes, Mário Viegas, Eunice Muñoz, Vasco de Lima Couto, entre muitos outros) a lerem poesia ou prosa. O mundo das artes era-lhes próximo, o seu passado no liceu e a amizade com o artista plástico Moreira Azevedo, colega de escola e vizinho, abriram-lhe as portas do convívio com vultos da pintura como Eduardo Luís, António Quadros, Isolino Vaz, Júlio Resende, entre outros, ao mesmo tempo que fazia crescer nele a vontade de criar algo no campo artístico.
Nesse tempo, e apesar do idealismo, pensou nos problemas que poderia ter com o regime por enveredar por semelhantes caminhos. «Mas a mim só me interessava a poesia, era bonito, não era uma pessoa engagée.» Decidiu então arrancar a editora Orfeu com três enormes escritores a lerem textos de sua autoria: Miguel Torga, José Régio e Alberto Serpa. Uma tarefa que em projeto parecia pertencer à utopia de um jovem de 19 anos, mas que nunca fez Arnaldo Trindade vacilar. Havia um cuidado meticuloso com as capas dos discos, criadas por pintores, como Moreira Azevedo e Isolino Vaz, ou fotógrafos, como Fernando Aroso. «Tive a sorte de nascer no seio do renascimento da arte no Porto nos anos 1950. Por exemplo, o Macbeth, do António Pedro, pelo Teatro Experimental do Porto, foi considerado o melhor feito fora de Inglaterra(...).

Durante a entrevista houve dois momentos musicais um com Mafalda Lemos, que em guitarra tocou duas peças, uma delas de Carlos Paredes e um outro com o coletivo O que faz faltacom várias peças entre elas as duas que aqui deixo na voz de José Afonso, tal como deixo Verdes Anos por Carlos Paredes





https://www.youtube.com/watch?v=XwhV1ivYNsQ


Arnaldo Trindade, hoje com 82 anos, dedica os seus dias a escrever as memórias em poesia. No vídeo anexo podemos ouvir alguns poemas seus



Alguns discos com a etiqueta ORFEU





Às 17 h seria inaugurada a exposição a que acima me referi



O programa atrasou-se pelo que, embora de uma forma fugaz,tivesse visto as obras expostas, não pude ficar para a inauguração pois quer a Ana Maria quer eu, tínhamos compromissos e tivemos que sair às 17,30 .Não sou crítica de arte mas, embora tivesse gostado mais da outra exposição a que aqui me referi há um ano, achei que as obras expostas têm muita qualidade pelo que aconselho a visita


Foi um sábado diferente.
O almoço de família foi no domingo ainda no "rescaldo" do aniversário da Marta e do José. Promovido pelos respetivos pais, foi no terreno onde decorreram as festas de aniversário e, para além dos dez referidos no início, estavam familiares da minha nora (pais, irmãos, cunhada, sobrinhos). O sobrinho mais velho já é casado pelo que estavam também a mulher e o filhote com um ano…
Foi muito agradável finalizando assim um belíssimo fim de semana






quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Aniversários...

Regressei da aldeia no dia 4, como referi em mensagem anterior. Dia 5 tinha uma consulta no H. Sto. António, que aguardava há mais de um ano. Durante 6 meses e duas vezes por semana vou ter que fazer uma "ginástica" de recuperação da musculatura pélvica. Já fiz 7 sessões, uma coisa muito simples e breve (30 min cada sessão).
Os netos continuavam em férias pelo que continuei nas minhas funções de "babby sitter". Dia 8 dois deles iniciaram as aulas no Colégio Universal, no mesmo dia em que os outros dois retomaram, ao fim da tarde, as aulas de música. Mas para estes a escola só teria início no dia 15. Entretanto decorreu o aniversário de ambos: a Marta fez 6 anos no dia 13 e o irmão fez 11 no dia 14. Dia 15, quinta- feira, começou vida nova para a Marta. Entrou no 1º ano. Foi colocada na Escola do Bom Pastor (Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis) e vai ter como professora a mesma que o José teve no Carolina, onde à data funcionava o 1º ciclo. Eu gostaria muito que tivesse ficado na escola da Constituição ( do mesmo agrupamento) que fica a 200 m de minha casa, mas não havia vaga. Ao chegar à escola tivemos uma boa surpresa. A Francisca, neta da minha amiga Ana Maria (que conheci na escola de pintura), ficou na mesma turma.  As duas já se conheciam das aulas de ballet o que  facilitou desde logo a integração. Como estou e /ou comunico frequentemente com a Ana Maria já sabia que a neta tinha ficado na mesma escola mas só no dia é que ficámos a saber que estavam na mesma turma.
No dia seguinte, sexta feira,  começaram as aulas e vinham todas bem dispostas. Dizia a minha neta: É muito fácil, fazemos desenhos, brincamos...  Esperemos que continuem  entusiasmadas quando o trabalho começar a sério.
No sábado teve luar a festa de aniversário do José e no domingo  a da Marta(dada a diferença de idades as atividades têm que ser diferentes)

Há já algum tempo o meu filho mais novo, pai das duas crianças,  adquiriu um terreno perto da Lapa com vista a construir uma casa quando tiver possibilidade para  tal.  No interior do terreno existe uma pequena construção bastante degradada e, à volta,  um espaço relativamente grande que, ao que parece,  serviu durante algum tempo de parque de estacionamento. Como tem água e luz e uma casa de banho, embora rudimentar, fizemos  ali as duas  festas (aliás já acontceu o mesmo em 2015)
 Em ambas havia cerca de 20 crianças

Aqui ficam os programas que em termos genéricos eram iguais, mas com conteúdos diferentes

1-      Caça ao tesouro

2-      Lançamento de foguetões

3-      Lanche

4-      Teatro de fantoches

Havia ainda atividades variadas como andar de bicicleta/triciclo, brincar com bonecas, jogar a bola, etc. 
Ambas as festas tiveram como mascote uma aranha gigante, construída pelo meu filho e a ideia surgiu porque na casa, desabitada,  as aranhas são visitas frequentes... A par dessa aranha gigante, uma outra que era manipulada  em ambos os teatros, cujos textos  aqui deixo




Na festa do José em 2015, a figura "chave" do teatro foi a padeira de Aljubarrota, agora foi Miguel de Vasconcelos.
 A história vai sendo narrada pela aranha(A) 

 A
Sabem quem sou eu? Sou uma aranha de nobre condição. A tetravó da tetravó da tetravó da tetravó...... da minha trisavó, viveu no palácio com D. Sebastião. Sabem quem foi D. Sebastião?  
Era neto de D. João III que teve muitos filhos mas todos morreram novos sem herdeiro.
 Apenas um deixou sucessão. Assim nasceu Sebastião. 
Antes dele nascer o pai morreu e quando tinha 3 anos e meio o avô faleceu. 
Foi aclamado rei com que idade ?  Três anos e meio... parece mentira mas é verdade

D.S bebé entra e sai 
UE, UÉ  Eu num qué fagê ó-ó Eu qué fagê cócó 
UE, UÉ, Eu xou o ei, Eu qué fagê xixi aqui .

A
Acham que podia governar? Nem vale a pena perguntar . 
Primeiro ficou regente a avó D. Catarina, e por final o tio avô, que era Cardeal (C)

O cardeal entra e sai 
Eu sou o Cardeal D.Henrique

A
Com quantos anos D. Sebastião começou a governar ?
.
D.S entra e sai 
Fixe, meu….
Sou o maior, tenho catorze anos e sou Rei e Senhor.. 
 Em muitas batalhas quero entrar, todo o Norte de África quero conquistar. Um forte exército vou já organizar

A- 
Terá conseguido ou era um pouco convencido? 
Afoito, parte para a África em Junho de 1578; 
A 3 de agosto chega perto de Alcácer Quibir e logo a seguir, 
o exército cansado e esfomeado foi completamente destroçado. 
O rei morreu. Quem lhe sucedeu?

O cardeal entra e sai 
Cá estou eu de novo, a ter que aturar o povo

A
Em 1580 o Cardeal faleceu? Quem lhe sucedeu? 
Como o rei não deixara sucessão o trono passou para um neto do bisavô de D. Sebastião. Que grande confusão... 
Só que esse neto já era rei de Espanha. Que sorte tamanha ...Com dois reinos fortes ficou senhor do Mundo. Em Portugal era Filipe I e em Espanha era Filipe II.

Filipe I entra e sai 
Eu sou D. Filipe I  de  Portugal. Aqui passo eu a passo a mandar. Ai de quem as minhas ordens não respeitar

A
Quando Filipe I morreu, sabem quem lhe sucedeu?

Filipe II entra e sai
Eu sou DFII, um Senhor do mundo. Tudo em Portugal é meu e quem manda aqui sou eu...

A
Quando Filipe II morreu, sabem quem lhe sucedeu?

Filipe III entra e sai 
Eu sou DFIII, e aqui eu vou reinar Ai de quem as minhas ordens não acatar

A
Os portugueses, coitados, revoltados, durante 60 anos por espanhóis foram governados 
Haveria alguém contente?  Andava triste quase toda a gente. 
 Os portugueses não eram bem tratados, não ocupavam bons postos, eram sobrecarregados com impostos… 
Mas havia alguns traidores a quem os espanhóis tratavam como grandes senhores.
Sabem o nome de algum?

MV entra e sai 
Eu sou Miguel de Vasconcelos, 1º Ministro do Rei. Ele confia em mim, eu sei. 
Ai de quem não me obedecer… Nas masmorras irá apodrecer

Bobo entra e sai
O povo na rua grita “Traidores, raça maldita, fora, fora vão-se embora”

MV entra e sai
Quanto protesta essa gente! Masmorras com eles, imediatamente

Vozes- Ai, ai, ai...

A
Fartos de tanta opressão um grupo de conspiradores tomou uma decisão

Entram os conspiradores e voltam a sair
Não há outra solução, está visto. Temos que entrar no Palácio para matar o Ministro. 
Cautela temos que ter, senão somos nós a morrer…

Vozes- Fora, fora

O bobo entra e sai
O povo na rua grita . Traidores, raça maldita, fora, fora vão-se embora

Entra MV 
 Vou-me esconder nesta armário. Ai, valha-me S. Januário.
Estou aqui tão apertado, que ainda morro abafado

Entram os conspiradores
Procurámos nos aposentos, no gabinete, no salão, e nem sombras do vilão 
Onde se terá metido o bandido?

Ouve-se um barulho vindo do armário

Conspiradores.
Donde veio este ruído? Estará o traidor no armário escondido?

Abrem o armário e matam MV que atiram pela janela.

Bobo 
Ai que festa mais bonita . O povo na rua grita mas agora é de alegria
Viva Portugal Viva a Restauração. Viva o rei D. João.  Viva a nova dinastia

Aparece o Rei D. João 
Eu sou D. João IV, era duque de Bragança. De opressão estava farto, era tempo de mudança, 

Aranha
Terei prazer em vos servir Majestade. Em boa verdade, eu sou uma aranha de mui nobre condição. 
 A tetravó da tetravó da tetravó da tetravó..... da minha trisavó,viveu no palácio com D. Sebastião
FIM



Na festa da Marta estavam quase todas as amiguinhas do infantário mas da escola apenas esteve a neta da minha amiga Ana Maria pois só tinha havido ainda um dia de aulas com as novas colegas
Quis um teatro com bruxas.


(No decor há um espelho e um tacho com uma colher de pau dentro).
A apresentação foi feita pela aranha pequena(AP)
AP
Vejam que aranha gigante está ali adiante. 
É a aranha Cartucha. Vive nesta mansão que é por bruxas habitada;
faz parte da decoração tal como outra bicharada.

Entra a bruxa (Feiosa)
BF- Eu sou a bruxa feiosa. Espelho meu. Espelho meu. Há alguma bruxa mais feia que eu

Espelho(voz)- Não

BF-Adoro-te espelho meu (beijinhos)

Entra a B malvada
BM- Eu sou a bruxa malvada. Espelho meu. Espelho meu. Há alguma bruxa mais malvada que eu

Espelho- Não

BM-
Adoro-te espelho meu (beijinhos)

Entra o Crocão e sai no fim das falas
Eu sou o crocão. Espelho meu. Espelho meu. Há algum crocodilo mais mauzão que eu

Espelho- Não

Crocão 
Adoro-te espelho meu (beijinhos)

saem BF e BM


Entra a bruxa mandona BMAND
Eu sou a bruxa mandona. Do reino das bruxas sou dona. 
Quem manda aqui sou eu, não é verdade espelho meu?

Espelho- Sim

BMAND
Adoro-te espelho meu (beijinhos)

BMAND- Para uma jantarada estamos aqui reunidas Comecemos pelos aperitivos. 
Já estão todas no salão à espera da refeição


BMAND-
Oh bruxa invisível da cova escura(BICE). Manda-me uma dentadura, bem dura, um escorpião, uma osga, um aranhão, uma centopeia, uma barata e um cocó de leão. Deita tudo no caldeirão. Mexe, mexe com vigor. Quero sentir o fedor

BICE entra e vai repetindo ao mesmo tempo que coloca no caldeirão e mexe
. dentadura bem dura, escorpião, osga, aranhão, centopeia, barata e cocó de leão.

Ouve-se uma voz vinda de baixo
Que bom cheiro a podridão. Já chega aqui ao salão.

Saem BICE e o caldeirão

BMAND-
Continuemos com a refeição Com xixi de morcego, com teias de aranha , com muita entranha e pelos de cão mandei fazer uma sopa

É reposto o caldeirão e entra a BICE que vai mexendo, repetindo

BICE - 
xixi de morcego, teias de aranha , muita entranha, pelos de cão, que rica sopa

Ouve-se uma voz vinda de baixo
Já me cresce água na boca.

Regressam BM e BF 
Que fantástica refeição. A sopa, então, estava deliciosa


BM 
É uma receita famosa…


Entra o Crocão
Com que então não fui convidado para a refeição?Vou dar-vos uma lição….

Bruxas em coro 
Por favor, não, pedimos o teu perdão…..

Crocão 
Ponho uma condição para poder  perdoar. Com a aranha Cartucha quero casar.

Voz da aranha Cartucha- 
Quero-me casar,  quero. Há tanto tempo que espero. .

Saem as duas bruxas e entra a BMAN

BMAND 
Não e não. Nem pensar em tal ideia. Preciso da tua teia para decorar a mansão...

Crocão 
Então nada feito, como-vos todas a eito.

BMAND
Calma,calma, que eu já tenho  solução. Casam, ficam a viver na mansão e ambos servem de decoração.

Crocão e aranha Cartucha
Assim é que é falar . Do casamento vamos já tratar

BMAND 
Vamos preparar a boda, com o que houver de mais nojento, muito mijo e excremento, muito cuspo e suor , muito pelo de camelo, tudo com muito fedor,

Todos em coro

Queremos uma festa tremenda, mal cheirosa e bem horrenda.


Deixo fotos de alguns fantoches. Estão muito más porque já havia pouca luz quando me lembrei de os fotografar


D. Sebastião (com catorze anos e com três e meio)



Dois dos Filipes.....




























Um dos conspiradores ( que depois foi uma bruxa...)
Duas bruxas (na festa do José, com outras vestimentas , foram Miguel de Vasconcelos e outro Filipe)



Curiosamente, o José  uns dias antes da festa disse. 
Não quero teatro de fantoches nem caça ao tesouro. Já não sou nenhum bebé
Embora com intenção de respeitar a sua vontade, à cautela levei tudo preparado para o teatro  e para  a caça ao tesouro, mas nada foi anunciado. Os amigos chegaram, houve  lançamento de foguetões, jogaram à bola, andaram de bicicleta e a dada altura começaram a vir ter comigo:
Este ano  não há fantoches nem caça ao tesouro?
Falem com o José, respondi.
A dada altura apareceu o meu neto a pedir o teatro e a caça ao tesouro...


Divertimo-nos todos, adultos e crianças.

Depois foi a vez do lanche.....
No sábado (festa do José) eram já quase 20 h quando saíram os últimos colegas. Na festa da Marta eram quase 13h pois a festa foi domingo de manhã.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste-parte 6

Retomo a minha "reportagem" de férias

No dia 31 foi feira de Alfândega. Como o meu marido tinha que ir à vila, fui, dei uma volta pela feira mas não comprei nada. Aproveitei para visitar a Laura, uma senhora que cuidou da última tia do meu marido, de quem gostávamos muito. A senhora foi sempre muito carinhosa com ela pelo que sempre que posso vou visitá-la. A conversa girou à volta da feira e das feiras por ali. E eu aproveitei para esclarecer uma dúvida que me tinha ficado ao ler o livro “Ernestina”,de que tenho vindo a falar ao longo das últimas mensagens. Em Mogadouro há uma feira anual famosa, a Feira do Gorazes. O meu pai costumava lá ir e a minha mãe ficava sempre numa angústia. A estrada era perigosa, com muitas curvas e ribanceiras profundas e o meu pai era um pouco louco a conduzir. Teve dois acidentes mas nenhum no percurso para Mogadouro...Rentes de Carvalho também refere a dita feira mas “situa-a” a 15 de Novembro. Ora eu tinha quase a certeza que seria a 15 de outubro, dia a seguir ao do meu aniversário. Na conversa com a Laura pude constatar que é a 15 de outubro.

No regresso de Alfândega não fizemos o percurso habitual mas um totalmente diferente para podermos passar na aldeia de Felgueiras, de que falei na mensagem anterior.
Existe ali uma casa de turismo rural de linhas modernas, mas cheia de “floreados” que, para mim, são de gosto muito duvidoso. 








Mas a aldeia tem muitas potencialidades turísticas embora várias casas estejam em ruínas





No dia 3 teria lugar a festa do Santo Antão, a que já aludi em mensagem anterior.
A festa é uma das romarias mais conhecidas nas redondezas e o local era, antes da construção da barragem, lugar de encontro de pescadores amadores ( e não só) que ali faziam grandes pescarias e lautas comezainas, as peixadas.

Rentes de Carvalho, em Ernestina,  relata o caso de um homem que foi ao Santo Antão comer uma peixada com os amigos e no regresso caiu ao rio onde morreu afogado.

..em vez disso foi direito ao Santo Antão comer uma peixada com os amigos(…) pag 306

Quando eu era criança, um casal da aldeia morreu também ao atravessar o rio a cavalo. Mas houve vários outros casos

Regresso à festa. Não gosto de romarias mas gosto do passeio a pé da minha aldeia até ao Santuário. Antes da transladação (por causa da barragem) eram cerca de 10 km, agora são cerca de 7.
 Há duas “jovens” da geração dos meus filhos, uma delas geógrafa, ainda minha prima, que gostam de fazer esta caminhada pelo que vamos sempre juntas. Por vezes há quem pare e nos ofereça boleia. Quando dizemos que queremos ir a pé, geralmente surge a pergunta: É promessa?
Noutros tempos era promessa habitual de muita gente, tal como dar n voltas à capela, de joelhos, por vezes levando animais pela rédea.
Este ano as duas jovens apareceram acompanhadas de uma outra, a Inês Barbedo filha de uns amigos, que foi colega dos meus filhos na escola e, tal como o meu filho Miguel, frequentou campos de férias do MOCANFE  no Talasnal. Já não a via há muitos anos mas foi uma surpresa muito agradável

Saímos da Parada por volta das 18h por causa do calor. Quando chegámos já o sol se punha.




As cerimónias religiosas tinham terminado. Fomos à capela, ver os óleos que cobrem as paredes e que foram descobertos e restaurados quando da muda do santuário. Fotografei também a centenária caixa de esmolas. 





António dos Santos Lopes (casado com uma tia minha) escreveu, na década de 90, uma monografia sobre o Santuário onde entre muitas fotos, se encontra a desta caixa.



Após a visita à capela fomos encontrar-nos com o meu marido que tinha ido de jipe, onde levara a “merenda” que comemos, sentados no chão, já longe da “confusão”. Depois ainda fomos ao rio tentar apanhar lagostins, mas naquela zona havia muito poucos. Regressámos a casa, de jipe, por volta das 22 h. No local começaria a berraria ensurdecedora dos conjuntos que ecoa hoje em todas as romarias.



Durante esta estadia na Parada fui duas vezes picada por vespas e na mesma perna que, de cada vez inchou e ficou arroxeada durante vários dias. Uma das vezes aconteceu em mais um passeio até ao Castro da Marruça, ou melhor, ao que resta do Castro da Marruça.
Trata-se de um povoado fortificado castrejo, usado até à ocupação muçulmana, situado numa escarpa junto ao rio Sabor.
A sua função era eminentemente defensiva, com um recinto amuralhado ainda razoavelmente conservado, encontrando-se a sul, fora das muralhas, restos de habitações de um povoado ali existente. 

A vista dali sobre o rio ( agora largo por causa da barragem) é muito bonita.



A sua fortificação é feita em grande parte pelo rochedo em que assenta, no cabeço que desce abruptamente para o rio. O resto era obra humana, uma muralha bem conservada até há cerca de 12 anos, em que um homem resolveu deitar parte abaixo para poder aceder facilmente à lenha de carrascos que ali crescem.
Quando nos apercebemos fomos de imediato comunicar à Câmara. Continuamos a aguardar que o IPPAR faça algo, enquanto as pedras da muralha se vão esboroando…

Este castro já me inspirou alguns poemas e um dos contos que figuram  em Terras de Cieiro,   livro que foi agora lançado em Alfândega da Fé 


Outrora

Outrora, seriam por certo diferentes
o achatamento polar, o campo magnético, a atracção lunar
e, como tal, o peso das coisas, as marés.
Diferença subtil, irrelevante,
pois se esse tempo, à escala humana é já distante,
à escala do Universo ainda é presente.
Outrora, seriam por certo diferentes as gentes que no castro habitavam
mas como hoje, sofriam, amavam e guerreavam em sangrentas batalhas,
deixando virgens, talvez para sempre, tímidas donzelas.
Testemunhas desse tempo, as muralhas,
naturais do lado do abismo, do outro lado humana construção,
como também humana a destruição que de onde em onde grassa.
Ignorou-se que enquanto o tempo passa,
as pedras guardam na memória os feitos da história,
o sangue derramado, a glória, o revés.
Em terras que com sangue foram adubadas,
florescem hoje papoilas encarnadas
por entre alvas estevas, roxas arçãs e giestas amarelas.
Na Primavera, todas elas salpicam a ladeira do castro até ao rio.
Deste, quem sabe, o rumor será ainda eco dum clamor,

outrora lançado no vazio.
in Magnetismo terrestre

Nunca tinha sido picada por uma vespa mas, teria uns 12 anos, fui picada por uma abelha e curiosamente na mesma perna...Estava em casa duma menina minha colega e a mãe, na sua boa fé, foi buscar uma moeda e pressionou. Sentia dores na perna e uma manhã acordei febril. Quando tentei levantar-me apercebi-me que a perna parecia um cepo, de inchada. Tive dificuldade em levantar-me. Quando a minha mãe me viu naquele estado decidiu que iria de imediato ao hospital. Não faço ideia de quem me levou pois o meu pai, à época estava no Brasil. Provavelmente terá sido algum dos meus tios, de férias na aldeia, mas essa parte varreu-se da minha memória. A razão da febre e do inchaço estava na moeda… Não tinha sido mordida por uma vespa e sim por uma abelha que deixara o ferrão. Ao pressionar no sítio da picada, o ferrão ficou “enterrado” e acabou por infeccionar. Retirado o ferrão (ainda hoje tenho a cicatriz da incisão feita para o retirar) e com a ajuda de um antibiótico, tudo se resolveu rapidamente.
Nessa altura casou uma rapariga da terra. Como eu tocava acordeão, no dia da boda o pai bateu muito timidamente ao portão. Vinha pedir se “a menina” poderia tocar umas modinhas na festa do casamento.
A minha mãe disse que eu ainda estava a reabilitar-me dos danos causados pela abelha mas iria falar comigo. Fui, com a perna ainda inchada e com o acordeão que ainda tenho mas não toco, e lá toquei já não sei o quê. Com certeza mal tocado pois, tal como acontecia com o piano, era fraca executante.. Mas a gratidão do pai da noiva manteve-se até à sua morte.

E já que falo em vespas, abelhas e músicas, deixo um pequeno excerto de O voo do moscardo de Rimsky Korsakov, obra de que gosto muito.




A partir de 28/08, e com a minha casa “deserta”, tive tempo para escrever este relato de férias, que também para mim estavam a findar pois dia 5 tinha que estar no Porto para uma consulta no Hospital de Sto António, consulta essa que aguardava há um ano. 

Termino com mais um pôr do Sol, visto do meu terraço