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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Música e ciência

Marcelo Gleiser,  físico e escritor fala-nos de música e ciência num artigo  de que transcreco alguns excertos

A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.


A física explica como as ondas sonoras se comportam, as suas frequências e amplitudes. A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos eléctricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.


Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo “chato”, o pulo é enorme.


A música fala directamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afectam as pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais directa. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.


Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais (…).


A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí a sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência. Tudo começou em torno de 520 A.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia(…).


Usando uma lira mostrou que o tom de uma corda, quando percutida na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é percutida em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.


Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros.


E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros(…).



Esta introdução vem a propósito do fabuloso concerto a que assisti na Casa da Música, no passado dia 13.

Com uma mestria insuperável, Grigori Sokolov, considerado por muitos o maior pianista da actualidade, brindou-nos com a interpretação de 4 peças, duas de Bach (concerto italiano e abertura francesa) e duas de Shumman ( humoresca e uma pequena suite)
Na impossibilidade de deixar aqui as obras impregnadas da magia de Sokolov, deixo a 1ª e a 3ª por outros intérpretes e duas outras peças interpretadas por Sokolov

Concerto italiano de Bach por Glenn Gould
Humoresca op.20 de Schumman
Prelúdio e fuga de Bach por Sokolov
Sonata de Shubert por Sokolov


Findo o espectáculo Sokolov brindou-nos com sete “encore”. E o público sem arredar pé…
Em cor em movimento podem ler mais  sobre o concerto
E para finalizar esta mensagem sobre Música e Ciência não resisto a falar de Borodin, compositor e químico brilhante, grande amigo de Mendeleev.
Talvez a sua obra mais conhecida seja o Príncipe Igor de que já aqui deixei um vídeo em post anterior Desta vez deixo um scherzo do Quartet nº 2, in D Major

Deixo ainda duas imagens em que se podem ver Borodin e Mendeleev (já postadas já em Janeiro de 2010)


3 comentários:

  1. Realmente, a musica como fenómeno físico e intelectual é para mim um mistério. Leio e compreendo o que é explicado pela Ciência- como aqui no teu post - mas não consigo traduzir os sentimentos e sensações que as notas combinadas entre si despertam em nós. Desde pequenina que oiço música, o meu avô sentava-nos ao colo e juntos ouvíamos os concertos da Emissora Nacional, que ele registava religiosamente num jornal; fui ao meu primeiro concerto de música clássica no dia em que fiz 10 anos, embora já se tocasse muita música em minha casa, desde a minha Avó até aos meus primos de Goa, que tinham um feeling especial e tocavam espontaneamente, os meus irmãos, uns com mais jeito , outros com menos. O meu Pai, que não tocava nada mas adorava música clássica e tb ligeira da época e comprava discos daqueles que se partiam quando caíam ao chão. Também tivémos uma grafonola, com uma agulha enferrujada que riscava os discos todos, mas nos dava muito gozo.
    Daí até aos IPODs é uma viagem de 180º. Tenho em casa centenas de CDs dos meus filhos e meus, mas agora já quase que nem os oiço, pois está tudo no meu I'Pod Touch, elemento indispensável na minha carteira....:)
    Oxalá haja mais ocasiões para ouvirmos música desta....é sempre um bálsamo para curar as feridas que a polítiquice caseira abre em nós.

    Bjo

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  2. A múdsica também desperta em mim muitas emoções, talvez mais fortes que as que resultam da observação de qualquer outra obra de arte.
    Eu costumo dizer que só considero arte qualquer obra que me emocione.Mas esta opinião é minha, sem bases culturais para fazer crítica artística.
    Quanto à música, na verdade, sinto-a mais intensamente.
    Este seu post é muito completo quer do ponto de vista científico,quer do ponto de vista da arte que é a música.
    Gostei muito.

    Um beijo.

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  3. Obrigada às duas e votos de Feliz Páscoa
    Bjs
    Regina

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