Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


terça-feira, 25 de julho de 2017

De Roma a Pompeia...


De Roma partimos de madrugada em direção a Pompeia. 
Começo por colocar dois  vídeos que encontrei na NET, (https://www.youtube.com/watch?v=b8SwdPusMxA) após o que colocarei algumas fotos e algumas informações 



Fundada no século 7 A.C pelos Óscos, povo da Itália central, Pompeia era convergência de várias rotas comerciais e porto utilizado por gregos e fenícios. Foi tomada pelos gregos, depois pelos etruscos da Toscana e, finalmente, pelos romanos. No ano 80 A.C foi oficialmente denominada Colonia Cornelia Veneria Pompeianorum. Localizada na Baía de Nápoles, integrava uma área de lazer e comércio, formada por Capri (residência do imperador Tibério durante 25 anos), pelo balneário praiano de Herculano e pela Costa Amalfitana.
Uma região de veraneio de romanos ricos, pontilhada por villas inacreditáveis que, hoje, poderiam ser naturalmente consideradas resorts.

A economia de Pompéia girava em torno da agricultura (azeite e vinho), comércio e produção locais (pesca, artefatos, padarias, lavanderias, empréstimos) e turismo. A sociedade de Pompéia era formada pelos muito ricos – os romanos nobres, os políticos, os latifundiários, pelos ricos – os comerciantes e industriais bem sucedidos, pelos pobres – trabalhadores agrícolas, pescadores e pelos escravos.

O dia das elites era dividido em três partes. Pela manhã, recebiam, em suas residências, seus “clientes”, aqueles que lhes davam prestígio e apoio político em troca de favores de todo tipo  À tarde, reuniam-se com seus pares em uma das quatro termas de banho da cidade,Ali fechavam negócios, conversavam.,,, 
As termas equivalentes aos atuais SPA com salas de espera, cacifos para colocação da roupa, piscinas de água quente, tépida e fria, ginásios, etc

Cacifos para depositarem a roupa

Piscinas de água quente (caldário, tepidário e frigidário))
                                                                             



A noite chegava com a principal refeição do dia e com a principal atividade social da comunidade: nas confortáveis grandes e finamente decoradas residências, como a do grande senhor Casca Longus


Depósito para recolha da água das chuvas



Nessas casas aconteciam  jantares intermináveis, muitas vezes terminados nas antológicas orgias romanas.
                                                                               



                                                   (base de mesa em ,mármore )

Nas ruas comerciais fervilhavam estabelecimentos de todo tipo nomeadamente lojas precursoras do MacDonald’s de hoje



Em funcionamento durante  24 horas de todos os sete dias da semana, os lupanares.
Em casas de dois andares, divididas em cubículos com leitos de alvenaria e ilustrações eróticas



 As ruas de Pompéia seguiam o modelo típico de uma cidade romana. Pavimentadas com pedras irregulares, exibem, em sulcos, as cicatrizes do tráfego secular de milhares de carroças. As calçadas eram decoradas, as cidadãs não precisavam se preocupar em molhar as barras de suas túnicas em caso de enchente em tempestades: pedras altas ajudavam na travessia de um lado para outro da rua, enquanto as águas escorriam, levadas por ralos para galerias subterrâneas  de esgotos.








“Mens sana in corpore sano” estavam presentes na sociedade pompeiana. No primeiro caso, na religião e nas artes. Nos templos ou nos oratórios particulares das villas se prestavam sacrifícios e orações, principalmente a Apollo e a Ìsis e, no anfiteatro de acústica perfeita, peças e recitais de poesia e canto divertiam a população.


Mas a morte de Pompéia foi rápida. Em dezoito horas, estava soterrada e desaparecida. 

Em 1599, enquanto escavava um fosso para irrigação, um agricultor topou com uma pedra. Escavando mais,descobriu que era uma cabeça. Ajudado por colegas, fez surgir uma estátua que, por sua vez, estava em cima de um telhado. Depois de 15 séculos, Pompeia voltava à luz. As primeiras escavações foram eventuais, mas predatórias. Mas  em 1748, Charles de Bourbon, Rei de Nápoles, contratou arqueólogos para escavações científicas e históricas. Durante os primeiros trabalhos foram descobertos restos humanos em áreas ocas nas camadas de cinzas. Em 1860, o arqueólogo Giuseppe Fiorelli percebeu que esses buracos eram espaços deixados pelos cadáveres decompostos das vítimas do vulcão. Dessa descoberta ele desenvolveu a técnica de preencher os espaços com massa de gesso e cimento, alcançando um resultado inacreditável ao reviver indivíduos da Antigüidade nas posições, vestes e expressões faciais de seus últimos segundos de vida. 




(…) A música rompe um rio de lava por si mesma criada (...) Casimiro de Brito

Pompeia, cortesã no apogeu,
Vulcano, de ciúme, ensandeceu.
A terra tremeu, o céu escureceu.
Rios de lava cruéis, inclementes,
e Pompeia morreu.
Das bocas abertas nas múmias jazentes,
ecoam ainda os gritos pungentes

in  Gouveia R. (2013) Entre margens




Enterrada sob sete metros de doze camadas de entulho vulcânico, Pompeia foi encontrada quase intacta. A causa de sua destruição foi a mesma de sua preservação. 

A arquitetura romana explode em Pompeia em todo o seu vigor, pelo estado de preservação das edificações. Residências podem ser visitadas, muitas delas com seu jardim interno com fontes, com pias impecáveis de alabastro (a pedra de luz de Volterra, mais durável que o mármore), afrescos mostrando os hábitos ou retratos dos proprietários e um caleidoscópio de mosaicos de piso ou parede, destacando-se dentre tantos o mundialmente conhecido e copiado“CAVE CANEM” (Cuidado com o cão).                         
Objetos e adornos domésticos e até alimentos foram encontrados aos borbotões. Máscaras teatrais e armamento de gladiadores também. Mas uma das principais características da arte pompeiana são os trabalhos eróticos. Afrescos, lâmpadas de óleo, mosaicos, estátuas, aos milhares, passam a falsa impressão que a cidade era um gigantesco bacanal. Não, não era. A arte erótica de Pompéia tem origem religiosa e venera a virtude da fecundidade. Tanta pornografia, falsa para a época, era uma representação singela de votos de sorte e proteção. Em sua quase totalidade, esses objetos estão hoje expostos no Museu Arqueológico de Nápoles, para onde foram levados também muitos dos corpos petrificados dos cidadãos.

Uma das grandes e exclusivas descobertas de Pompeia foram os democráticos graffiti. Em primeiro lugar, seu latim diferenciava-se daquele dos textos conhecidos que chegaram até nós. Era um latim popular, semelhante ao nosso idioma na formação de frases, no posicionamento de sujeito, predicado e adjetivos e com palavras idênticas às nossas. Foram encontrados cerca de 10.000 dessas manifestações populares. Algumas de caráter pornográfico, outras de provocação a desafetos, muitas como propaganda política e tantas e tantas declarações de amor.Texto adaptado 


Terminada a visita a Pompeia dirigimo-nos para Nápoles e em seguida para Capri, onde num passeio de barco à volta da ilha, tivemos oportunidade de ver grutas muito interessantes, uma delas com corais.

Apenas um senão. O Vesúvio mal se via encoberto pelo fumo de um enorme incêndios que ali  lavrava




Em Nápoles pouco vimos e apercebi-me  disso ao ver o vídeo que aqui deixo. De qualquer modo incluo também algumas foto



s



Rumámos a Capri de que deixo também um vídeo e algumas fotos


















A terminar, duas canções, uma, Capri c´est fini,  que ouvia nos anos 60, creio eu

https://www.youtube.com/watch?v=4TP3u0rNkys

Outra "Funiculì, Funiculà" que aminha mãe cantava com a sua belíssima voz de sopano. Foi composta para celebrar a abertura do primeiro u funicular  do Monte Vesúvio, em 1879.
lembrei-me dela quando andei no funicular de Capri].  Aqui fica na voz de Andrea Bocelli



domingo, 23 de julho de 2017

Roma , cidade eterna...


Em 1999, o meu filho Nuno, recém licenciado em arquitetura, que ao tempo tinha uma namorada italiana, de Treviso, conseguiu emprego num atelier de arquitetura, na referida cidade, muito perto de Veneza.Ali viveu e trabalhou durante um ano,findo o qual ambos vieram para Portugal.
Durante a estadia fomos visitá-lo. Ficámos alojados em Treviso. Durante o dia o Nuno trabalhava pelo que, logo de manhã saíamos de comboio até à estação de Santa Luccia, onde apanhávamos o vaporetto para S. Marcos. Passávamos o dia na cidade. Numa das vezes fomos visitar a belíssima ilha de Murano e num outro o Lido, onde pudemos ver o hotel onde foi filmado “Morte em Veneza” O Nuno ia ter connosco após o trabalho e ao fim do dia regressávamos a Treviso. Também aproveitámos para ir de comboio a Pádua. Com os pais da namorada fizemos um passeio de barco pela laguna ( o pai tinha um pequeno iate) e visitámos outros lugares interessantes na região, nomeadamente as ruínas https://pt.dreamstime.com/foto-de-stock-ru%C3%ADnas-do-f%C3%B3rum-na-cidade-antiga-de-aquileia-image77812957 de Aquileia https://en.wikipedia.org/wiki/Aquileia   e a cidade de Grado 

Como na altura não tinha um blogue, não fazia o registo das viagens e já não consigo identificar vários dos lugares que visitei.
Voltei a Itália em 2010 com uma amiga que viaja muita vezes connosco. Nesse ano fomos apenas as duas e visitámos o sul de França, o Mónaco, as cidade de Verona e Milão, e o lago Como em Itália e as cidades de Saint Moritz na Suiça e Innsbruck  na Áustria, Um pequeno relato da viagem pode ser lido aqui.

Desde há muito sonhava visitar as cidades de Florença e Pisa, bem como as ruínas de Pompeia e a cidade de Roma.
Como a amiga que costuma viajar connosco tinha o sonho de ir a Veneza, optámos por um programa que incluísse a cidade. Partimos dia 10, rumo a Roma.

No aeroporto, um piano onde as pessoas podiam tocar... Ideia simpática

Foi o meu marido que tratou da viagem. Geralmente eu pesquiso na NET a localização dos hotéis antes de me decidir pelo programa. Mas com os dias tão preenchidos, não tive a menor hipótese de o fazer.Quando me apercebi, já era tarde. Os hotéis ficavam muito longe do centro das cidades, muito em particular o de Roma . Ora nós gostamos de explorar as cidades sem a pressão das viagens de grupo…Mesmo assim ainda conseguimos descobrir uma ligação, parcialmente por metro e o resto por autocarro que ligava o hotel ao centro da cidade em 40 min.
Roma é muito mal servida de metro. Tem praticamente duas linhas e curtas. Por outro lado o serviço de autocarros é muito inferior ao nosso. Dentro do autocarro não temos qualquer informação sobre o local onde estamos. O condutor está isolado dos passageiros por um vidro pelo que não é possível pedir-lhe qualquer informação. Resta a boa vontade dos passageiros que gentilmente vão informando “ è la prossima fermata”, mancano due fermate”….

A visita ao Vaticano estava incluída no programa geral pelo que fomos em grupo. Não imaginava que os seus Museus tivessem uma tal dimensão. Aqui ficam alguma imagens da visita.



















Após a visita ao Vaticano, havia a visita à cidade mas nós fomos “por nossa conta”. Junto ao Coliseu havia um grande aparato militar. À noite soubemos pela TV que estavam alerta e em perseguição de um fundamentalista que foi preso dois dias depois em Peruggia.

Por todo o lado vestígios da sumptuosidade da Roma antiga







Aqui a Fontana de Trevi, umas das muitas fontes famosas de  Roma


Na NET seleccionei dois vídeos que ajudam a ter uma ideia das cidades de Roma e do Vaticano


https://www.youtube.com/watch?v=j7h6QxPKBVw


https://www.youtube.com/watch?v=Uz6dtJUm5G0


A propósito de Roma não resisto a referir o filme MAMMA ROMA dirigida por Pier Paolo Pasolini, com  Anna Magnani que podem ver aqui na íntegra
https://www.youtube.com/watch?v=yNbE5X2jmJ8. Já o vi inúmeras vezes.




sábado, 22 de julho de 2017

Biodiversidade....


A minha última mensagem data de 9 de julho. No dia 10 de manhã parti para Itália e regressei a casa, no dia 17 por volta da meia noite. Espero colocar no blogue uma breve reportagem da viagem. Como já referi várias vezes, o blogue funciona para mim como uma espécie de “diário”, que de outra forma não escreveria. Sei que é maçador para alguns leitores mas, por outro lado, tenho vários amigos que, sempre que viajo, me pedem para posteriormente fazer o relato pois, caso não conheçam ficam com alguma ideia, caso conheçam podem confrontar as minhas “sensações” com as que viveram. Pessoalmente, antes de viajar gosto de consultar blogues sobre viagens aos locais a que me irei deslocar e essas consultas já me têm sido muito úteis, nomeadamente desta vez, na minha breve visita a Frankfurt. Mas a seu tempo relatarei pormenores.

Regressada dia 17 à noite tinha os meus dois filhos à espera no aeroporto, obviamente sem a família pois os meninos dormiam há muito…
No dia 15 tinha decorrido no Coliseu, um espetáculo de ballet , O lago dos Cisnes, com alunos da Academia de Dança da Boavista onde as minhas netas têm aulas. Não pude estar presente mas deixo um pequeno excerto do Pas de Quatre em que a minha neta Rita participou https://www.facebook.com/search/top/?q=teresa%20feij%C3%B3

No dia 18, logo às 9 da manhã retomaria as minhas funções de babby sitter de que já tinha saudades… No dia seguinte, na sequência de um desafio da minha nora Teresa, fui com ela e os três mais pequenos (a Rita tem estado num campo de férias de onde regressa hoje)ver a exposição sobre biodiversidade, na Casa Andresen

A experiência mora na Casa Andresen do Jardim Botânico do Porto, um palacete do século XIX, onde Sophia de Mello Breyner brincou. E onde hoje, arriscamos, se divertiria muito também. O museu foi aberto há 101 anos e inaugurado pelo então Presidente da República, Bernardino Machado. O livro original da cerimónia assinado estará lá hoje, ao lado de outro que Marcelo Rebelo de Sousa deverá assinar. Mas, agora, existe ali algo completamente diferente.

Da visita, que recomendo vivamente, deixo alguma imagens. 
O resto do dia foi repartido por diversas atividades: ensaio do teatro que vamos levar a cabo na aldeia, leitura, piscina, futebol, etc...






 

 

domingo, 9 de julho de 2017

De música e de poesia

Parto amanhã para Itália num visita breve, de 8 dias. Após uma semana muito preenchida, aproveito uns minutinhos de descanso para colocar esta mensagem.
Ontem e anteontem tiveram lugar num dos auditórios da  Casa das Artes, os concertos Teclarte, conforme anunciei na penúltima mensagem. Por isso, esta semana foi pródiga em ensaios...
O José participou nos dois dias, com o baixo. No dia 7 participou ainda com ukulele . Nesse dia a Marta participou em piano e eu em ukulele. Não tive oportunidade de tirar fotos e o meu filho ainda não mas mandou. No dia 8 fotografei e fiz um pequeno vídeo da atuação do José, mas não consigo pôr o vídeo na mensagem
 
No dia 8 teve lugar, no jardim da Casa das Artes, o "pic nic" Teclarte. Além dos meus dois netos que frequentam a escola, levei também o meu neto Bernardo.
Às 15 h houve  mais um momento musical- um recital de piano no outro auditório .A minha nora teve que sair com a Marta que ia para as suas atividades de escuteira, eu fui assistir ao recital e os miúdos ficaram a brincar no jardim supervisionados por adultos, entre eles o meu filho Nuno.


Nos concertos Teclarte entram genericamente todos os alunos pelo que muitas atuações são muito simples. Há no entanto belíssimas atuações como a última do recital de piano em que o pianista foi um aluno(creio que engenheiro de profissão) que acabou de obter o diploma de 8º grau pela  escola ABRSM      a que a Teclarte está "ligada"
Houve também algumas boas atuações de professores, quer em piano quer em flauta transversal.

Comecei por referir que a última semana foi muito preenchida. O meu neto José  frequentou atividades da Universidade Júnior, que teve  que conciliar com os ensaios. A Rita andou sobrecarregada com ensaios para o espetáculo de ballet, O Lago dos cisnes,  que terá lugar no próximo fim de semana e em que a Marta também vai participar ( não vou poder assistir, com muita pena...).
Durante a semana ficaram comigo a Marta e o Bernardo. Ao longo de cada  dia, apenas 0,5h  podia ser dedicada ao tablet e /ou à TV pelo que tive de imaginar várias atividades, entre elas a preparação do nosso teatro de verão.
Envolveram-se de tal modo que além de dicas para o texto e posterior estudo das falas de cada um ( agora já os dois sabem ler), quiseram fazer cartazes,, pensar nos "cenários" etc.


Sem desvendar o tema, refiro apenas que há uma relação com morcegos. Este é um dos cartazes que eles imaginaram e fizeram ( os morcegos negros são obra da Marta e os coloridos são do Bernardo)


Na quinta feira de manhã fui ao voluntariado e o meu marido ficou com eles. Foi a vez do  tablet e a TV.
Quando ia para o Hospital, cerca das 7,45, ao passar na Rua do Monte Cativo vi uma ruínas com umas flores selvagens (muito abundantes em vários lados) e não resisti a fazer uma fotos.




Um boa  inspiração para um poema, tivesse eu tempo.....

Entretanto deixo-vos com um dos primeiros poemas que publiquei e com um excerto de O Lago dos Cisnes, precisamente o Pas de Quatre que a minha neta Rita vai dançar

Exploração
Qual exploradora, parti um dia.
Embrenhei-me na selva da vida
onde sabia andar escondida
a poesia
Encontrei-a
na luz ténue do sol ao fim do dia,
na molécula, no átomo, no quantum de energia,
nas leis de Newton, no conceito de entropia.
Encontrei-a
na reflexão da luz, na impulsão no ar,
no cheiro a maresia e nas algas do mar,
no orvalho, na geada, na chuva, no luar.
Encontrei-a
no ínfimo e no imenso que a vista não alcança,
nas rugas dum idoso, no rir de uma criança,
numa tela, num concerto, numa dança.
Encontrei-a
no voo da gaivota, na pétala da flor,
na chama que tremula e se multiplica em cor
e que irradia energia na forma de calor
Encontrei-a
nas estrelas, nas galáxias mais distantes,
no olhar apaixonado daqueles dois amantes,
nos extintos dinossauros de dimensões gigantes.
Encontrei-a
em medusas, corais, nos fundos oceanos,
no vento a agitar nas árvores os ramos,
em pinturas rupestres com vários milhares de anos
Encontrei-a
na violeta escondida no canto do jardim
e no frasco que continha essência de jasmim.
Tentei então guardá-la só para mim.
Foi assim que ela se evolou
e de novo eu aqui estou
a procurá-la.

In Reflexões e Interferências, 2002


https://www.youtube.com/watch?v=lQ1sE0iNnSY