Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Aniversários...

Regressei da aldeia no dia 4, como referi em mensagem anterior. Dia 5 tinha uma consulta no H. Sto. António, que aguardava há mais de um ano. Durante 6 meses e duas vezes por semana vou ter que fazer uma "ginástica" de recuperação da musculatura pélvica. Já fiz 7 sessões, uma coisa muito simples e breve (30 min cada sessão).
Os netos continuavam em férias pelo que continuei nas minhas funções de "babby sitter". Dia 8 dois deles iniciaram as aulas no Colégio Universal, no mesmo dia em que os outros dois retomaram, ao fim da tarde, as aulas de música. Mas para estes a escola só teria início no dia 15. Entretanto decorreu o aniversário de ambos: a Marta fez 6 anos no dia 13 e o irmão fez 11 no dia 14. Dia 15, quinta- feira, começou vida nova para a Marta. Entrou no 1º ano. Foi colocada na Escola do Bom Pastor (Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis) e vai ter como professora a mesma que o José teve no Carolina, onde à data funcionava o 1º ciclo. Eu gostaria muito que tivesse ficado na escola da Constituição ( do mesmo agrupamento) que fica a 200 m de minha casa, mas não havia vaga. Ao chegar à escola tivemos uma boa surpresa. A Francisca, neta da minha amiga Ana Maria (que conheci na escola de pintura), ficou na mesma turma.  As duas já se conheciam das aulas de ballet o que  facilitou desde logo a integração. Como estou e /ou comunico frequentemente com a Ana Maria já sabia que a neta tinha ficado na mesma escola mas só no dia é que ficámos a saber que estavam na mesma turma.
No dia seguinte, sexta feira,  começaram as aulas e vinham todas bem dispostas. Dizia a minha neta: É muito fácil, fazemos desenhos, brincamos...  Esperemos que continuem  entusiasmadas quando o trabalho começar a sério.
No sábado teve luar a festa de aniversário do José e no domingo  a da Marta(dada a diferença de idades as atividades têm que ser diferentes)

Há já algum tempo o meu filho mais novo, pai das duas crianças,  adquiriu um terreno perto da Lapa com vista a construir uma casa quando tiver possibilidade para  tal.  No interior do terreno existe uma pequena construção bastante degradada e, à volta,  um espaço relativamente grande que, ao que parece,  serviu durante algum tempo de parque de estacionamento. Como tem água e luz e uma casa de banho, embora rudimentar, fizemos  ali as duas  festas (aliás já acontceu o mesmo em 2015)
 Em ambas havia cerca de 20 crianças

Aqui ficam os programas que em termos genéricos eram iguais, mas com conteúdos diferentes

1-      Caça ao tesouro

2-      Lançamento de foguetões

3-      Lanche

4-      Teatro de fantoches

Havia ainda atividades variadas como andar de bicicleta/triciclo, brincar com bonecas, jogar a bola, etc. 
Ambas as festas tiveram como mascote uma aranha gigante, construída pelo meu filho e a ideia surgiu porque na casa, desabitada,  as aranhas são visitas frequentes... A par dessa aranha gigante, uma outra que era manipulada  em ambos os teatros, cujos textos  aqui deixo




Na festa do José em 2015, a figura "chave" do teatro foi a padeira de Aljubarrota, agora foi Miguel de Vasconcelos.
 A história vai sendo narrada pela aranha(A) 

 A
Sabem quem sou eu? Sou uma aranha de nobre condição. A tetravó da tetravó da tetravó da tetravó...... da minha trisavó, viveu no palácio com D. Sebastião. Sabem quem foi D. Sebastião?  
Era neto de D. João III que teve muitos filhos mas todos morreram novos sem herdeiro.
 Apenas um deixou sucessão. Assim nasceu Sebastião. 
Antes dele nascer o pai morreu e quando tinha 3 anos e meio o avô faleceu. 
Foi aclamado rei com que idade ?  Três anos e meio... parece mentira mas é verdade

D.S bebé entra e sai 
UE, UÉ  Eu num qué fagê ó-ó Eu qué fagê cócó 
UE, UÉ, Eu xou o ei, Eu qué fagê xixi aqui .

A
Acham que podia governar? Nem vale a pena perguntar . 
Primeiro ficou regente a avó D. Catarina, e por final o tio avô, que era Cardeal (C)

O cardeal entra e sai 
Eu sou o Cardeal D.Henrique

A
Com quantos anos D. Sebastião começou a governar ?
.
D.S entra e sai 
Fixe, meu….
Sou o maior, tenho catorze anos e sou Rei e Senhor.. 
 Em muitas batalhas quero entrar, todo o Norte de África quero conquistar. Um forte exército vou já organizar

A- 
Terá conseguido ou era um pouco convencido? 
Afoito, parte para a África em Junho de 1578; 
A 3 de agosto chega perto de Alcácer Quibir e logo a seguir, 
o exército cansado e esfomeado foi completamente destroçado. 
O rei morreu. Quem lhe sucedeu?

O cardeal entra e sai 
Cá estou eu de novo, a ter que aturar o povo

A
Em 1580 o Cardeal faleceu? Quem lhe sucedeu? 
Como o rei não deixara sucessão o trono passou para um neto do bisavô de D. Sebastião. Que grande confusão... 
Só que esse neto já era rei de Espanha. Que sorte tamanha ...Com dois reinos fortes ficou senhor do Mundo. Em Portugal era Filipe I e em Espanha era Filipe II.

Filipe I entra e sai 
Eu sou D. Filipe I  de  Portugal. Aqui passo eu a passo a mandar. Ai de quem as minhas ordens não respeitar

A
Quando Filipe I morreu, sabem quem lhe sucedeu?

Filipe II entra e sai
Eu sou DFII, um Senhor do mundo. Tudo em Portugal é meu e quem manda aqui sou eu...

A
Quando Filipe II morreu, sabem quem lhe sucedeu?

Filipe III entra e sai 
Eu sou DFIII, e aqui eu vou reinar Ai de quem as minhas ordens não acatar

A
Os portugueses, coitados, revoltados, durante 60 anos por espanhóis foram governados 
Haveria alguém contente?  Andava triste quase toda a gente. 
 Os portugueses não eram bem tratados, não ocupavam bons postos, eram sobrecarregados com impostos… 
Mas havia alguns traidores a quem os espanhóis tratavam como grandes senhores.
Sabem o nome de algum?

MV entra e sai 
Eu sou Miguel de Vasconcelos, 1º Ministro do Rei. Ele confia em mim, eu sei. 
Ai de quem não me obedecer… Nas masmorras irá apodrecer

Bobo entra e sai
O povo na rua grita “Traidores, raça maldita, fora, fora vão-se embora”

MV entra e sai
Quanto protesta essa gente! Masmorras com eles, imediatamente

Vozes- Ai, ai, ai...

A
Fartos de tanta opressão um grupo de conspiradores tomou uma decisão

Entram os conspiradores e voltam a sair
Não há outra solução, está visto. Temos que entrar no Palácio para matar o Ministro. 
Cautela temos que ter, senão somos nós a morrer…

Vozes- Fora, fora

O bobo entra e sai
O povo na rua grita . Traidores, raça maldita, fora, fora vão-se embora

Entra MV 
 Vou-me esconder nesta armário. Ai, valha-me S. Januário.
Estou aqui tão apertado, que ainda morro abafado

Entram os conspiradores
Procurámos nos aposentos, no gabinete, no salão, e nem sombras do vilão 
Onde se terá metido o bandido?

Ouve-se um barulho vindo do armário

Conspiradores.
Donde veio este ruído? Estará o traidor no armário escondido?

Abrem o armário e matam MV que atiram pela janela.

Bobo 
Ai que festa mais bonita . O povo na rua grita mas agora é de alegria
Viva Portugal Viva a Restauração. Viva o rei D. João.  Viva a nova dinastia

Aparece o Rei D. João 
Eu sou D. João IV, era duque de Bragança. De opressão estava farto, era tempo de mudança, 

Aranha
Terei prazer em vos servir Majestade. Em boa verdade, eu sou uma aranha de mui nobre condição. 
 A tetravó da tetravó da tetravó da tetravó..... da minha trisavó,viveu no palácio com D. Sebastião
FIM



Na festa da Marta estavam quase todas as amiguinhas do infantário mas da escola apenas esteve a neta da minha amiga Ana Maria pois só tinha havido ainda um dia de aulas com as novas colegas
Quis um teatro com bruxas.


(No decor há um espelho e um tacho com uma colher de pau dentro).
A apresentação foi feita pela aranha pequena(AP)
AP
Vejam que aranha gigante está ali adiante. 
É a aranha Cartucha. Vive nesta mansão que é por bruxas habitada;
faz parte da decoração tal como outra bicharada.

Entra a bruxa (Feiosa)
BF- Eu sou a bruxa feiosa. Espelho meu. Espelho meu. Há alguma bruxa mais feia que eu

Espelho(voz)- Não

BF-Adoro-te espelho meu (beijinhos)

Entra a B malvada
BM- Eu sou a bruxa malvada. Espelho meu. Espelho meu. Há alguma bruxa mais malvada que eu

Espelho- Não

BM-
Adoro-te espelho meu (beijinhos)

Entra o Crocão e sai no fim das falas
Eu sou o crocão. Espelho meu. Espelho meu. Há algum crocodilo mais mauzão que eu

Espelho- Não

Crocão 
Adoro-te espelho meu (beijinhos)

saem BF e BM


Entra a bruxa mandona BMAND
Eu sou a bruxa mandona. Do reino das bruxas sou dona. 
Quem manda aqui sou eu, não é verdade espelho meu?

Espelho- Sim

BMAND
Adoro-te espelho meu (beijinhos)

BMAND- Para uma jantarada estamos aqui reunidas Comecemos pelos aperitivos. 
Já estão todas no salão à espera da refeição


BMAND-
Oh bruxa invisível da cova escura(BICE). Manda-me uma dentadura, bem dura, um escorpião, uma osga, um aranhão, uma centopeia, uma barata e um cocó de leão. Deita tudo no caldeirão. Mexe, mexe com vigor. Quero sentir o fedor

BICE entra e vai repetindo ao mesmo tempo que coloca no caldeirão e mexe
. dentadura bem dura, escorpião, osga, aranhão, centopeia, barata e cocó de leão.

Ouve-se uma voz vinda de baixo
Que bom cheiro a podridão. Já chega aqui ao salão.

Saem BICE e o caldeirão

BMAND-
Continuemos com a refeição Com xixi de morcego, com teias de aranha , com muita entranha e pelos de cão mandei fazer uma sopa

É reposto o caldeirão e entra a BICE que vai mexendo, repetindo

BICE - 
xixi de morcego, teias de aranha , muita entranha, pelos de cão, que rica sopa

Ouve-se uma voz vinda de baixo
Já me cresce água na boca.

Regressam BM e BF 
Que fantástica refeição. A sopa, então, estava deliciosa


BM 
É uma receita famosa…


Entra o Crocão
Com que então não fui convidado para a refeição?Vou dar-vos uma lição….

Bruxas em coro 
Por favor, não, pedimos o teu perdão…..

Crocão 
Ponho uma condição para poder  perdoar. Com a aranha Cartucha quero casar.

Voz da aranha Cartucha- 
Quero-me casar,  quero. Há tanto tempo que espero. .

Saem as duas bruxas e entra a BMAN

BMAND 
Não e não. Nem pensar em tal ideia. Preciso da tua teia para decorar a mansão...

Crocão 
Então nada feito, como-vos todas a eito.

BMAND
Calma,calma, que eu já tenho  solução. Casam, ficam a viver na mansão e ambos servem de decoração.

Crocão e aranha Cartucha
Assim é que é falar . Do casamento vamos já tratar

BMAND 
Vamos preparar a boda, com o que houver de mais nojento, muito mijo e excremento, muito cuspo e suor , muito pelo de camelo, tudo com muito fedor,

Todos em coro

Queremos uma festa tremenda, mal cheirosa e bem horrenda.


Deixo fotos de alguns fantoches. Estão muito más porque já havia pouca luz quando me lembrei de os fotografar


D. Sebastião (com catorze anos e com três e meio)



Dois dos Filipes.....




























Um dos conspiradores ( que depois foi uma bruxa...)
Duas bruxas (na festa do José, com outras vestimentas , foram Miguel de Vasconcelos e outro Filipe)



Curiosamente, o José  uns dias antes da festa disse. 
Não quero teatro de fantoches nem caça ao tesouro. Já não sou nenhum bebé. 
Embora com intenção de respeitar a sua vontade, à cautela levei tudo preparado para o teatro  e para  a caça ao tesouro, mas nada foi anunciado. Os amigos chegaram, houve  lançamento de foguetões, jogaram à bola, andaram de bicicleta e a dada altura começaram a vir ter comigo:
Este ano  não há fantoches nem caça ao tesouro?
Falem com o José, respondi.
A dada altura apareceu o meu neto a pedir o teatro e a caça ao tesouro...


Divertimo-nos todos, adultos e crianças.

Depois foi a vez do lanche.....
No sábado (festa do José) eram já quase 20 h quando saíram os últimos colegas. Na festa da Marta eram quase 13h pois a festa foi domingo de manhã.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste-parte 6

Retomo a minha "reportagem" de férias

No dia 31 foi feira de Alfândega. Como o meu marido tinha que ir à vila, fui, dei uma volta pela feira mas não comprei nada. Aproveitei para visitar a Laura, uma senhora que cuidou da última tia do meu marido, de quem gostávamos muito. A senhora foi sempre muito carinhosa com ela pelo que sempre que posso vou visitá-la. A conversa girou à volta da feira e das feiras por ali. E eu aproveitei para esclarecer uma dúvida que me tinha ficado ao ler o livro “Ernestina”,de que tenho vindo a falar ao longo das últimas mensagens. Em Mogadouro há uma feira anual famosa, a Feira do Gorazes. O meu pai costumava lá ir e a minha mãe ficava sempre numa angústia. A estrada era perigosa, com muitas curvas e ribanceiras profundas e o meu pai era um pouco louco a conduzir. Teve dois acidentes mas nenhum no percurso para Mogadouro...Rentes de Carvalho também refere a dita feira mas “situa-a” a 15 de Novembro. Ora eu tinha quase a certeza que seria a 15 de outubro, dia a seguir ao do meu aniversário. Na conversa com a Laura pude constatar que é a 15 de outubro.

No regresso de Alfândega não fizemos o percurso habitual mas um totalmente diferente para podermos passar na aldeia de Felgueiras, de que falei na mensagem anterior.
Existe ali uma casa de turismo rural de linhas modernas, mas cheia de “floreados” que, para mim, são de gosto muito duvidoso. 








Mas a aldeia tem muitas potencialidades turísticas embora várias casas estejam em ruínas





No dia 3 teria lugar a festa do Santo Antão, a que já aludi em mensagem anterior.
A festa é uma das romarias mais conhecidas nas redondezas e o local era, antes da construção da barragem, lugar de encontro de pescadores amadores ( e não só) que ali faziam grandes pescarias e lautas comezainas, as peixadas.

Rentes de Carvalho, em Ernestina,  relata o caso de um homem que foi ao Santo Antão comer uma peixada com os amigos e no regresso caiu ao rio onde morreu afogado.

..em vez disso foi direito ao Santo Antão comer uma peixada com os amigos(…) pag 306

Quando eu era criança, um casal da aldeia morreu também ao atravessar o rio a cavalo. Mas houve vários outros casos

Regresso à festa. Não gosto de romarias mas gosto do passeio a pé da minha aldeia até ao Santuário. Antes da transladação (por causa da barragem) eram cerca de 10 km, agora são cerca de 7.
 Há duas “jovens” da geração dos meus filhos, uma delas geógrafa, ainda minha prima, que gostam de fazer esta caminhada pelo que vamos sempre juntas. Por vezes há quem pare e nos ofereça boleia. Quando dizemos que queremos ir a pé, geralmente surge a pergunta: É promessa?
Noutros tempos era promessa habitual de muita gente, tal como dar n voltas à capela, de joelhos, por vezes levando animais pela rédea.
Este ano as duas jovens apareceram acompanhadas de uma outra, a Inês Barbedo filha de uns amigos, que foi colega dos meus filhos na escola e, tal como o meu filho Miguel, frequentou campos de férias do MOCANFE  no Talasnal. Já não a via há muitos anos mas foi uma surpresa muito agradável

Saímos da Parada por volta das 18h por causa do calor. Quando chegámos já o sol se punha.




As cerimónias religiosas tinham terminado. Fomos à capela, ver os óleos que cobrem as paredes e que foram descobertos e restaurados quando da muda do santuário. Fotografei também a centenária caixa de esmolas. 





António dos Santos Lopes (casado com uma tia minha) escreveu, na década de 90, uma monografia sobre o Santuário onde entre muitas fotos, se encontra a desta caixa.



Após a visita à capela fomos encontrar-nos com o meu marido que tinha ido de jipe, onde levara a “merenda” que comemos, sentados no chão, já longe da “confusão”. Depois ainda fomos ao rio tentar apanhar lagostins, mas naquela zona havia muito poucos. Regressámos a casa, de jipe, por volta das 22 h. No local começaria a berraria ensurdecedora dos conjuntos que ecoa hoje em todas as romarias.



Durante esta estadia na Parada fui duas vezes picada por vespas e na mesma perna que, de cada vez inchou e ficou arroxeada durante vários dias. Uma das vezes aconteceu em mais um passeio até ao Castro da Marruça, ou melhor, ao que resta do Castro da Marruça.
Trata-se de um povoado fortificado castrejo, usado até à ocupação muçulmana, situado numa escarpa junto ao rio Sabor.
A sua função era eminentemente defensiva, com um recinto amuralhado ainda razoavelmente conservado, encontrando-se a sul, fora das muralhas, restos de habitações de um povoado ali existente. 

A vista dali sobre o rio ( agora largo por causa da barragem) é muito bonita.



A sua fortificação é feita em grande parte pelo rochedo em que assenta, no cabeço que desce abruptamente para o rio. O resto era obra humana, uma muralha bem conservada até há cerca de 12 anos, em que um homem resolveu deitar parte abaixo para poder aceder facilmente à lenha de carrascos que ali crescem.
Quando nos apercebemos fomos de imediato comunicar à Câmara. Continuamos a aguardar que o IPPAR faça algo, enquanto as pedras da muralha se vão esboroando…

Este castro já me inspirou alguns poemas e um dos contos que figuram  em Terras de Cieiro,   livro que foi agora lançado em Alfândega da Fé 


Outrora

Outrora, seriam por certo diferentes
o achatamento polar, o campo magnético, a atracção lunar
e, como tal, o peso das coisas, as marés.
Diferença subtil, irrelevante,
pois se esse tempo, à escala humana é já distante,
à escala do Universo ainda é presente.
Outrora, seriam por certo diferentes as gentes que no castro habitavam
mas como hoje, sofriam, amavam e guerreavam em sangrentas batalhas,
deixando virgens, talvez para sempre, tímidas donzelas.
Testemunhas desse tempo, as muralhas,
naturais do lado do abismo, do outro lado humana construção,
como também humana a destruição que de onde em onde grassa.
Ignorou-se que enquanto o tempo passa,
as pedras guardam na memória os feitos da história,
o sangue derramado, a glória, o revés.
Em terras que com sangue foram adubadas,
florescem hoje papoilas encarnadas
por entre alvas estevas, roxas arçãs e giestas amarelas.
Na Primavera, todas elas salpicam a ladeira do castro até ao rio.
Deste, quem sabe, o rumor será ainda eco dum clamor,

outrora lançado no vazio.
in Magnetismo terrestre

Nunca tinha sido picada por uma vespa mas, teria uns 12 anos, fui picada por uma abelha e curiosamente na mesma perna...Estava em casa duma menina minha colega e a mãe, na sua boa fé, foi buscar uma moeda e pressionou. Sentia dores na perna e uma manhã acordei febril. Quando tentei levantar-me apercebi-me que a perna parecia um cepo, de inchada. Tive dificuldade em levantar-me. Quando a minha mãe me viu naquele estado decidiu que iria de imediato ao hospital. Não faço ideia de quem me levou pois o meu pai, à época estava no Brasil. Provavelmente terá sido algum dos meus tios, de férias na aldeia, mas essa parte varreu-se da minha memória. A razão da febre e do inchaço estava na moeda… Não tinha sido mordida por uma vespa e sim por uma abelha que deixara o ferrão. Ao pressionar no sítio da picada, o ferrão ficou “enterrado” e acabou por infeccionar. Retirado o ferrão (ainda hoje tenho a cicatriz da incisão feita para o retirar) e com a ajuda de um antibiótico, tudo se resolveu rapidamente.
Nessa altura casou uma rapariga da terra. Como eu tocava acordeão, no dia da boda o pai bateu muito timidamente ao portão. Vinha pedir se “a menina” poderia tocar umas modinhas na festa do casamento.
A minha mãe disse que eu ainda estava a reabilitar-me dos danos causados pela abelha mas iria falar comigo. Fui, com a perna ainda inchada e com o acordeão que ainda tenho mas não toco, e lá toquei já não sei o quê. Com certeza mal tocado pois, tal como acontecia com o piano, era fraca executante.. Mas a gratidão do pai da noiva manteve-se até à sua morte.

E já que falo em vespas, abelhas e músicas, deixo um pequeno excerto de O voo do moscardo de Rimsky Korsakov, obra de que gosto muito.




A partir de 28/08, e com a minha casa “deserta”, tive tempo para escrever este relato de férias, que também para mim estavam a findar pois dia 5 tinha que estar no Porto para uma consulta no Hospital de Sto António, consulta essa que aguardava há um ano. 

Termino com mais um pôr do Sol, visto do meu terraço




domingo, 11 de setembro de 2016

Até sempre, Mestre

Mestre  José Rodrigues partiu mas permanecerá presente além e aquém fronteiras e de uma forma muito especial no Porto, em Vila Nova de Cerveira e Alfândega da Fé.
 Como hoje não poderia ir ao funeral, passei ontem  pelo Tanatório onde estive com duas das filhas. Como eram quase 22h, já estava pouca gente

Tive o privilégio de o conhecer pessoalmente pois tem origens em Alfândega da Fé. Sempre que nos via ( a mim e/ou ao meu marido) falava-nos com entusiasmo de Alfândega. Era uma pessoa extremamente afável

Vi várias exposições suas, tenho alguns catálogos, distribuídos pela minha casa do Porto e a da aldeia,  mas só tenho uma obra, uma serigrafia, "S. Sebastião", que está na minha casa da Parada.








Gosto muito de várias obras suas nomeadamente  das duas que seguem


Rapto da Europa- série Mitos, 1997. Pastel sobre cartão


Salomé, 2008   Bronze patinado e polido

Obrigada MESTRE e até sempre.

sábado, 10 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste-parte 5

Dia 22 à noite chegaram à Parada, regressados do Algarve, o meu filho mais velho, mulher e filhos. Estava prevista a companhia  de uma amiga da Rita mas adoeceu . Os adultos regressariam ao Porto no dia 23 de manhã muito cedo pois já não estavam de férias.
Dia 23, as atividades privilegiadas pelos mais novos foram distribuídas entre a piscina e a preparação de uma partida aos pais. Estes sabiam que lhes iria ser pregada a partida e alinharam desde logo, sem saber no entanto em que constaria.
Dia 24 fomos a Macedo buscar a Marta que até ali foi de camioneta, vinda de Bragança, onde reside. É filha duns afilhados meus e neta de uma senhora que vive aqui na aldeia. É da idade da Rita e desde pequeninas costumavam encontrar-se aqui, na primeira quinzena de Agosto. De tal maneira conviviam que a Marta e o irmão entravam sempre nos nossos teatros de verão. Desde que herdámos a casa na Adeganha e por razões que expliquei na primeira mensagem desta série, começamos ali as férias. Assim as meninas deixaram de poder conviver como anteriormente. No verão passado fomos a Bragança e estiveram juntas mas apenas umas horas. Este ano decidi convidá-la para vir passar uns dias  em minha casa, na Parada. Ficou ali mas todos os dias ia visitar a avó e umas primitas francesas que estavam de férias em casa da avó. O Bernardo ia também para brincar com as meninas. A Rita nem sempre os acompanhava, pois estava empenhada na preparação da partida a fazer aos pais, quando chegassem.
No dia 25 fomos à Adeganha, que a Marta queria conhecer. Aproveitámos para convidar o primo Manuel António Gouveia( de quem falei na mensagem anterior) e a mulher que só tinham estado na Adeganha quando tudo era ainda um caos. Partiram após o almoço e as meninas continuaram na preparação da partida
Com alguma ajuda da Marta e minha, a brincadeira ficou pronta a tempo.
A mãe iria ficar sentada num dos 5 quartos, presa a uma cadeira com umas correntes e um cadeado. O pai, fechado também na zona dos quartos, teria que, mediante várias pistas e códigos, descobrir uma chave para abrir o cadeado e libertar a mãe. De seguida, os dois teriam que, novamente através de enigmas, pistas, etc, encontrar a chave para poderem sair. Com um sistema de câmaras vídeo, cá fora podiam ser seguidos todos os seus passos no interior.
A casa presta-se bem para esta brincadeira pois a parte dos quartos pode ser facilmente isolada do resto da casa. Enquanto as meninas preparavam a partida, o Bernardo divertia-se em sucessivos banhos na piscina, findos os quais ia secar-se ao sol, no terraço. Mas andava entusiasmadíssimo com os preparativos.
No dia 26 ao princípio da tarde tive que ir a Alfândega para se reorganizar o programa do Encontro de Escritores (de que falei anteriormente),  dado que a minha apresentação não estava prevista inicialmente. Ficou acordado que interviria ao fim da manhã, a seguir ao meu amigo António Afonso.
Regressámos à aldeia.
Filho e nora chegaram ao fim do dia acompanhados da Inês, amiguinha da Rita que não pudera vir na semana anterior. Deixaram as tralhas numa salinha à entrada e, já sem tralhas, foram para a zona dos quartos. A Inês quis tomar parte, acompanhando os pais da Rita no interior. Demoraram meia hora a conseguir sair mas acharam imensa piada.
Acabada a brincadeira fomos jantar no terraço como acontece geralmente no verão. Após o jantar ficámos ali a conversar até à 1h da manhã, todos exceto o Bernardo que às 11h, muito contrariado foi para a cama.
Estava a jantar quando recebi um telefonema do António Afonso. Estava com uma enxaqueca tremenda pelo que me pedia para o anteceder na apresentação, caso se atrasasse um pouco.
O evento começaria às 10h, mas não sabendo ao certo a hora a que ira intervir, não faria sentido irmos todos logo de manhã. Iria apenas eu e avisá-los-ia quando se aproximasse a hora da minha intervenção. Só que alguém teria que ir comigo por causa do número de lugares disponíveis nos carros.
Lembrei- me entretanto que a Gorete, uma professora que vive na aldeia e perto de minha casa, costuma gostar de ir a estes eventos. Eram já 23h,  Fui a casa dela e como visse a luz acesa bati. Disse-me que gostaria muito de ir mas sozinha não iria. Quando lhe propus ir com ela ficou muito satisfeita.


No dia 7 lá fomos logo de manhã, no carro da Gorete. Como referi, do programa não consta a minha apresentação que foi decidida "em cima do acontecimento"





 Mal chegámos vieram pedir-me para fazer a primeira intervenção da manhã, que iria ser única pois o António Afonso não tinha melhorado e não podia comparecer. Avisei de imediato a família e como antes das intervenções houve uma atuação do grupo de cantares de Alfândega da Fé, conseguiram chegar a tempo.

https://www.youtube.com/watch?v=UUFNI5TEI3U

Fiquei surpreendida com a atuação do coro que  não me lembro de alguma vez ter ouvido. Pelos vistos tem sido premiado quer em Portugal que no estrangeiro. Em 2015 ficaram em 1º lugar num concurso nacional promovido pelo INATEL

De seguida e após as intervenções da Presidente da Câmara e da responsável pela Poética Editora, apresentei Terras de Cieiro.




Poderão  encontrar aqui, http://videos.sapo.pt/QYSakUKO5orWuncKYDlm,  um breve vídeo do Encontro referido também em http://5l-henrique.blogspot.pt/2016/08/alfandega-da-fe-recebeu-o-vi-encontro.html



As minhas apresentações são geralmente breves pois, quando estou “do outro lado”, apercebo-me que é difícil acompanhar intervenções longas. Dizem que correu muito bem. Seguiram-se várias intervenções por parte do público, pelo que o tempo destinado a apresentações foi totalmente preenchido.
Numa delas falou-se sobre perspetivas de futuro para Alfândega. A Presidente da Câmara aproveitou para falar em iniciativas que  têm sido levadas a cabo  na aldeia de Felgueiras. Decidi que iria visitar a aldeia logo que possível
Uma outra intervenção foi feita por uma autora que escreve em língua mirandesa. Quando terminou, falei num poema em língua mirandesa que acho belíssimo. e que vi publicado na Antologia Por longos dias, Longos Anos, Fui silêncio. em que também participo.



De tal modo gostei do poema que o divulguei aqui numa mensagem em 25/10/2015. Quando referi o poema, a referida autora, cujo nome é Adelaide Monteiro, disse: Sou eu a autora desse poema.

Eis um excerto do mesmo

YOU FUI MULLHIER,

You fui siléncio!...
Por lhargos dies, lhargos anhos,
you fui siléncio (...)
(...)Apuis,
fiç-me la mulhier coraige
dw la somlombra de ls mius dies,
páixaro smenuçado na punta de la xibata
qu´andefeso se tomba na friaige
i,
als mius uolhos
deciu la nuite inda de die
i
you fui nuite...
na paç de la nuite!..

Acabámos por ficar juntas no almoço. Foi muito agradável a conversa que foi alargada a outras pessoas, autores e não só, que também ficaram próximas de nós.
Após o almoço
 estava prevista uma visita ao Santo Antão da Barca, mas por razões que referi em mensagem anterior, a visita teve que ser substituída. Fomos de autocarro até Sambade (aldeia do concelho) visitar o Centro de Interpretação do Território, uma visita muito interessante. 



Finda a visita regressámos à vila onde visitámos a polémica Torre do Relógio 

https://www.youtube.com/watch?v=8uTgQQV0IGw

Terminadas as visitas recomeçaram as apresentações
Foram apresentados os livros "Aves de incêndio" de Raquel Serejo Martins  e" Hominídeo Humanizado" de António Sá Gué
A primeira apresentação foi muito longa e ouviu-se muito mal.
Deixo no entanto um poema do livro, publicado aqui

Deixei o meu coração no forno,
é só aqueceres e tens jantar.
O que sobrar dá ao gato.
Eu sempre gostei do gato.

Raquel Serejo Martins
In:Aves de incêndio. 

Confesso que não me diz muito.  mas quem sou eu para avaliar?...

Quanto ao último autor, já não pude assistir pois o programa foi tendo atrasos sucessivos e era já bastante tarde quando se iniciou a apresentação

Entretanto marido, filho, nora netos e as duas amigas da Rita foram até à praia fluvial da Foz do Sabor, onde almoçaram ( um pic nic que a minha nora preparou), nadaram, andaram de canoa...

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Quando regressei a casa estavam apenas as “mulheres”, as três amiguinhas e a minha nora que preparava o jantar.
Os “homens”, marido filho e neto, tinham ido pescar.
Chegaram por volta das 20 h com três peixinhos e vários lagostins que nos serviram de entrada para o jantar. Decidiram regressar à noite em busca destes crustáceos. Saíram sem que o Bernardo desse conta pois caso contrário também queria ir e não se sabia a que horas regressariam….
Chegaram por volta da meia noite com um balde cheio de lagostins que àquela hora pululavam junto à albufeira...


Os lagostins serviriam de novo como entrada no almoço do dia seguinte, após o qual regressariam ao Porto.
Mas antes de almoço fomos colher amoras de silva. Para a Inês tudo era novidade pois nunca tinha estado numa aldeia

A Marta partiria no dia seguinte de camioneta para Bragança pelo que quis aproveitar o resto do tempo com as primitas que regressariam a França no dia seguinte.