Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 1 de novembro de 2016

É fantástico como nos podemos surpreender a nós próprios.

No passado dia 20, escrevi um texto a propósito das provas de doutoramento do artista plástico, Domingos Loureiro. Terminei assim:

Tive o enorme privilégio de ser aluna de Domingos Loureiro na Escola Utopia, mas referir-me-ei a isso na próxima mensagem.

Não foi na "próxima mas "numa próxima", esta
Creio que já referi aqui mais que uma vez, o “acaso”que me levou à pintura. Novembro de 2006, acabara de me aposentar e tinha que me" reocupar". O meu filho mais novo, talvez porque ligado às artes, já por várias vezes me sugerira que frequentasse uma escola de joalharia, dado que desde há alguns anos, nos poucos tempos livres, faço adereços reciclando materiais. Pensei que era a altura de o fazer. Fui a uma aula para experimentar e, embora achasse muito interessante, não gostei da forma agressiva como a monitora me falava sempre que eu cometia qualquer erro. Mesmo assim resolvi inscrever-me. Na vez seguinte, logo no início da aula quis pagar, mas o dono pediu-me para o fazer no fim. A meio da aula, a dita monitora “mandou-me” um berro tal que me assustei. Peguei nas "trouxas" e não voltei à escola (nem paguei, obviamente). Vinha muito incomodada quando passei pela porta da escola UTOPIA(à época em Antero de Quental e agora na Rua da Alegria, 1910) e vi anunciadas aulas de pintura. Decidi inscrever-me por um mês, no pressuposto que seria apenas uma experiência que largaria ao fim desse tempo. Mas fiquei. Porque o meu tempo disponível é muito escasso, há dois anos tive que abandonar a escola. Fi-lo com muita pena por várias razões: a simpatia dos donos, o bom ambiente entre os colegas e de uma forma muito especial as qualidades artísticas, didáticas, intelectuais e humanas do professor Domingos Loureiro a quem muito devo.

Em 2/1/2011, escrevi neste blogue:

É fantástico como nos podemos surpreender a nós próprios. Se há quatro anos me tivessem dito que um dia iria pintar, limitar-me-ia a emitir um sorriso de total incredibilidade; se para além disso me dissessem que um dia iria expor obras minhas, daria uma gargalhada muito sonora. E se me dissessem que a minha obra ia ser exposta além fronteiras, então achava que o humor tinha ido longe demais…

Poderia agora acrescentar:  Se para além disso me dissessem que

  • numa exposição na Galiza, um quadro meu iria ser escolhido para o cartaz e os folhetos de divulgação
  • seria convidada para participar , em Bragança, numa exposição com artistas de vários países

  • um quadro meu iria merecer uma menção honrosa numa exposição 

talvez respondesse, já um pouco agastada: acabou a brincadeira

Mas há momentos em que passamos à hora certa no lugar certo, neste caso a Escola Utopia com o Professor Domingos Loureiro. Para além dos vários ensinamentos teóricos e técnicos, lançava-nos vários desafios, o que para mim foi muito estimulante.

Vou falar de dois deles
  • A escola organizou uma visita à exposição Vieira da Silva, O espaço e outros enigmas, na fundação EDP (Porto). Após a visita, guiada por Domingos Loureiro, este lançou-nos o desafio de pintar um quadro inspirado nas obra da artista. Alguns colegas fizeram cópias, outros, como eu, recriámos.Eis o que eu pintei

  • O professor sugeriu que fôssemos a uma loja de artigos de construção civil e adquiríssemos algo, (custo máximo 5 euros) que à partida nada tivesse a ver com arte, mas que teríamos que transformar em “arte”. Não comprei nada. Escolhi pedaços de persiana que andavam por uma anexo de minha casa. Foi esse trabalho, que acima incluí, o distinguido com uma menção honrosa numa exposição levada a cabo pelo ISEP.

Um dos aspetos que mais me impressionou no professor, foi a sua capacidade de “identificar” os aspetos mais relevantes de cada aluno e adaptar as propostas de trabalho respetivas.
Quando um dia lhe perguntei como conseguia fazer isso, respondeu-me

Lembra-se que ao iniciar a aprendizagem da pintura, após a fase inicial do desenho, pedi aos alunos que escolhessem um pintor para tentar reproduzir uma obra sua. As escolhas dos alunos são pistas para o trabalho futuro.
Eu escolhi Paul Klee. Gosto muito das suas obras.
Aí está o meu primeiro trabalho de pintura.

A partir daí foi-me sempre incentivando a criar as minhas próprias obras ao mesmo tempo que ia diversificando materiais(acrílico, aguarela, óleo, pastel seco, pastel de óleo, pigmentos vários, nomeadamente café, telas, papel, contraplacado, madeira, tecido ...)

Nos meus primeiros trabalhos sobre tecido usei antigos “saco da azeitona”.

E foram estes os últimos trabalhos que fiz na escola, dois dos quais estiveram na exposição "Encuentros 4" anteriormente referida

Após deixar a escola tenho pintado muito pouco e os principais trabalhos têm sido sobre tecido
Em 27 de Abril, fiz referência aqui à minha estreia na pintura em roupa. Após vários ensaios pintei duas túnicas, uma para cada nora e uma túnica e uma “écharpe” que levei a um casamento.
Ultimamente, tenho aproveitado algum do pouco tempo livre para pintar “écharpes”. Pintei duas: uma para mim e outra para oferecer no Natal


Nada disto era previsível em 2006, nem por mim nem pelos que me conhecem. Mas se o meu desempenho, ocasionalmente pode ter algum mérito, devo-o a Domingos Loureiro.
Bem haja Professor.

( fotos  tiradas com o celular)

6 comentários:

  1. TV guardo boas recordações do professor Loureiro, mas não tanto sobre a escola, onde achei o ambiente um pouco caótico e a aprendizagem desorganizadas. Em dois anos que lá estive, contam-se os quadros que tiveram intervenção do professor ou da escola, nunca me dei bem com a monitorização constante,preciso de espaço e continuidade. Na Paleta podia ir todos os dias e pintar um bocadinho, o quadro era feito todo numa semana e o prof estava sempre lá à tarde. Pagávamos metade, a utopia 'e cara. Pinto em casa quando me apetece e não ando com a casa às costas...

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  2. Eu também não me dou com a monitorização mas, pelo menos no que me tocou, não a senti. Quanto ao ambiente um pouco caótico e desorganizado fazia-me lembrar até certo ponto o ambiente da ESBAP, que eu acompanhei de perto pois o meu marido, que iniciou o curso de engenharia química e passados três anos mudou para a arquitetura, só concluiu o curso quando já tínhamos os dois filhos.
    Ab
    regina

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  3. Regina, há uns bons tempos que não passava por aqui mas, não te zangues, acho fantástico como continuas a fazeres o teu auto-elogio e nem sequer te dás ao trabalho de escreveres novo post, fazes copy/past dos anteriores e já está!
    Valha-te a Virgínia para alimentar o teu ego! Modéstia fica bem a qq um/uma...

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    1. Porquê tanta agressividade em relação a mim? O Fernando diz que a entende ...

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  4. Muito boa a pintura que fazes. Para tudo é preciso o primeiro passo. Ainda bem que estás a gostar.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  5. Obrigada Graça.
    Como disse, o meu mérito é pequeno. O grande mérito é do professor.
    Gostei do tratamento por tu. Retribuo o elogio à pintura com aquele que já por várias vezes expressei, relativamente à tua poesia.
    Ab
    Regina

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