Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A situação a que chegámos

Com os netos de férias, não sobra muito tempo para "blogar". Mas não resisto a colocar um texto que me foi enviado. Infelizmente, para além dos nomes referidos haveria muitos mais a citar ...

Desejo a todos Boas Férias. Até qualquer dia...
 

(...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas  e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."

António Costa no programa Quadratura do Círculo

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A reforma do estado e a educação



Num artido de opinião, no Público, Paulo Guinote   aborda o tema A reforma do estado e a educação tema dominante na retórica política e governamental nos dois últimos anos mas recorrente há muito mais tempo(sic)
Transcrevo o texto,toamndo a liberdade de destacar alguma partes:
 
Parece mesmo ter sido um dos pontos de fricção no actual governo, levando em parte à demissão do ministro Gaspar e a reclamações de poder por parte do ministro demissionário Portas, enquanto diversos secretários de Estado, com destaque para Hélder Rosalino, têm feito intervenções públicas sobre o mesmo assunto.
Trata-se da reforma do Estado, problemática que muita gente na opinião publicada considera nuclear para aumentar a competitividade do país e para libertar a economia das amarras que alegadamente prendem um eufórico desenvolvimento que aconteceria se a dita cuja reforma fosse feita. O tema esteve na primeiríssima ordem do dia em função das propostas relativas à mobilidade especial e à semana de 40 horas para os funcionários públicos, as quais passam por ser essenciais para a dita “reforma do Estado”.
Nada de mais ilusório e errado. A reforma do Estado, aquela que liberta a sociedade, a economia e outras áreas da vida quotidiana de entraves que limitam a eficácia, não passa por esses aspectos que se limitam a proceder a cortes orçamentais, ou seja, a questões quantitativas. A verdadeira reforma do Estado passa por alterações qualitativas e prende-se com a radical alteração dos procedimentos que existem e que fomentam a morosidade e ineficácia das decisões e, indirectamente, a pequena (ou grande) corrupção como elemento essencial para agilizar procedimentos.
A reforma do Estado, a verdadeira, deveria focar-se nos procedimentos, nos mecanismos de transparência e eficácia da administração e não na aritmética simplista do número de funcionários e das horas de trabalho. Porque 35 horas produtivas valem muito mais do que 40 mal aplicadas.
Exemplificarei isto com situações concretas na área da Educação, onde todo o discurso sobre a reforma do Estado se limitou ao exercício preguiçoso e intelectualmente indigente de detectar onde se pode cortar no número de professores e funcionários, mesmo que à custa da qualidade dos erviço prestado aos alunos, e de encontrar argumentos para fazer outsourcing de funções básicas do Estado, deslocando verbas para concessionários privados em nome do menor custo mas sem qualquer demonstração empírica de ganhos de eficácia educacional.
Veja-se o caso da burocracia que este governo não conseguiu ou não quis eliminar, limitando-se a uma cosmética legislativa que cobriu com nova nomenclatura o que já existia, não eliminando toda a ganga de procedimentos que só é necessária se tiver como fundamento a falta de confiança no trabalho dos professores.
O exemplo mais evidente foi o do estatuto do aluno, acrescentado da questão da ética escolar, que em vez de aligeirar processos os sobrecarregou com obrigações e diligências que culminaram na sua não aplicação prática naquilo que afirmava trazer de novo… as multas para as famílias dos alunos não cumpridores. Letra legislada em gabinete, letra morta na prática corrente. Mesmo se implicou a manutenção de um número desnecessário de procedimentos para os directores de turma.
Avancemos para a questão dos planos de recuperação que o actual MEC afirmou ter eliminado. Nada de mais mistificador, pois o herdeiro do PR, o PAPI – Plano de Acompanhamento Pedagógico Individual – se tornou exactamente o mesmo, pois os professores continuam a ser pressionados para produzir sucesso e justificar o insucesso, pelo que os PAPI podem até ter ficado com menos páginas (nada como estreitar margens entre linhas e reduzir o tipo de letra) mas são o mesmo de sempre: papéis destinados a justificar a avaliação dada pelos docentes, que existem, em muitos casos, apenas porque um certo aluno está menos bem numa disciplina e é proposto para aulas de apoio, sendo necessário que isso fique registado no seu processo individual. Não é raro, pois, que existam 10 ou mais PAPI em turmas que, no final do período, apresentam taxas de insucesso muito baixas, não por causa do dito plano, mas apenas porque ele é uma excrescência burocrática.
Mas podemos avançar para a questão dos exames, tão cara a este MEC e cuja importância eu reconheço, que é outra fonte de uma inenarrável burocracia papelenta, herdeira directa das práticas de outrora com mais requintes de “rigor” e perda de tempo, em virtude de tantas épocas, fases e temporadas previstas para que se realizem, possam ser repetidos, classificados e validados.
Basta um aluno requerer a realização de provas de equivalência à frequência por ter faltado quase todo o 6º ano e ter anulado a matrícula e é colocada em movimento uma máquina trituradora de tempo e recursos: pelo menos 2 professores por disciplina para produzir cada prova a nível de escola e, no dia da realização, 3 a 5 pessoas do secretariado, 2 vigilantes e 1 coadjuvante, mais uma dose industrial de registos a assinar para comprovar que todos estiveram lá à entrada e à saída, não esquecendo ainda 1 ou 2 professores para a classificação da prova escrita e parafernália equivalente se existir prova oral.
E nem sequer comecei ainda a falar do processo indescritível das provas extraordinárias dos cursos profissionais do ensino secundário, avaliados por módulos, que chegam a ter três temporadas, épocas ou fases para serem realizadas, mesmo depois de sucessivas provas de recuperação durante o ano lectivo.
A reforma do estado na Educação deveria passar pelo aligeiramento – quantas vezes prometido – de todos estes procedimentos nascidos da falta de confiança da tutela nos professores e que deslocam imenso tempo e esforço - que poderiam ser usados de forma muito mais útil e eficaz - para tarefas administrativas que se limitam a produzir certificados de actos. Mas isso implica um nível de concepção da reforma que exige conhecimento concreto do quotidiano e capacidade de apresentação de alternativas, não dependentes de um pensamento em que continua a predominar a preocupação com representação e o registo do acto. E isso não mudou.
Nada mudou de essencial na Educação em matéria de reforma do Estado. Fizeram-se cortes, ordenaram-se cortes. Nada se fez em prol da qualidade e eficácia do sistema. Reduziram-se encargos, mas não se apostou minimamente na produtividade, muito pelo contrário. Não adianta andarem menos a trabalhar mais, se andam a fazer tarefas desnecessárias

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Um sábado diferente

Sábado foi um dia diferente. À tarde fui ao estádio da Maia ver o meu neto José que, tal como o pai, pratica atletismo na Escola do Movimento , participar numa prova de salto em comprimento.
À noite fui ao Rivoli ver a minha neta Rita que participou como cisne negro, no bailado Lago dos Cisnes, espectáculo organizado pela Academia de Dança da Boavista
Não se pôde fotografar nem filmar pelo que, à falta de imagens, deixo uma actuação passada pela RAI
E por falar em bailado deixo um poema meu do meu último livro (Entre Margens) e uma obra de Degas

  Bailado



São belas as bailarinas de Degas.  

Eternamente presas à tela,

não mais irão rodopiar,

cruzar os braços para girar rapidamente

ou afastá-los para assim girar mais lentamente.

Para as bailarinas de Degas,

o momento angular e a sua conservação

só fazem sentido pela  fixação perene à tela.

Terão existido realmente

ou foram fruto da imaginação?

Em quantos palcos terão rodopiado?

Quanto público terão extasiado

com a magia  que sempre envolve  a dança?

Que bailados terão interpretado?

Liberto o pensamento da simultaneidade no tempo

e afloram-me ao ouvido 

a Bela Adormecida, Romeu e Julieta,

Giselle e o Quebra Nozes

que sempre em mim desperta 

longínquas fantasias de criança.
 
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Surpresas...


Hoje tive uma agradável surpresa que gostaria de partilhar convosco...

Vejam aqui
 
Aliás, os últimos dias têm sido férteis em surpresas. No dia 27 fui a Coimbra por causa da apresentação do meu livro Entre margens, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho. A apresentação foi feita pelo Professor Carlos Fiolhais que já em 2011 e, no mesmo lugar, tinha apresentado a Breve História da Química. Enquanto que em 2011 a sala estava cheia, agora estava praticamente vazia, talvez por causa da greve. Mas foi uma sessão muito informal e muito agradável.

Intencionalmente cheguei a Coimbra com 2 h de antecedência pois quis ir rever a Universidade, agora património mundial. Por 5, 5 euros (uma das vantagens de ser “idosa”) visitei todos os pontos considerados de interesse. Já conhecia quase tudo mas gostei de rever. E disse quase tudo porque, quando há muito  tempo visitei a Biblioteca Joanina, não estavam visitáveis um piso intermédio nem a prisão académica

 





Ao chegar a casa esperava-me uma nova surpresa. Um convite para uma “aventura” no dia seguinte- a viagem inaugural de uma lancha,  viagem do Porto a Porto Antigo no concelho de Cinfães. Um casal nosso amigo tem uma unidade de turismo rural A casa do moleiro que recomendo pela localização, pela gentileza dos proprietários, pelos espaços, alguns projetados pelo meu filho Nuno, etc, etc, etc A partir de agora irá ter um encanto adicional com a possibilidade de percursos pelo Douro. Usufruí da viagem inaugural. O nosso amigo, tendo por “co-piloto” o filho mais velho, proporcionou-nos uma viagem muito agradável. 

Chegados a Porto Antigo esperava-nos a minha amiga. Fomos almoçar ao seu espaço rural onde paz e beleza se conjugam deixando uma marca indelével em quem tem o privilégio de ali poder passar algum tempo, mesmo que breve.

No sábado segui para o meu Nordeste. Tinha que ir a Mirandela levantar a exposição que tinha sido inaugurada no dia 11. Dali fomos para uma casa no concelho de Moncorvo, casa que o meu marido herdou há cerca de um ano, por morte do seu único irmão. Trata-se de uma casa senhorial bonita mas bastante degradada. Ultimamente  temos ido lá com alguma regularidade tentando organizá-la de modo a torná-la minimamente agradável. Foi a primeira vez que lá dormimos.

Hoje regressámos mas fomos a Alfãndega da  Fé e passámos pela minha casa na aldeia de Parada. Em Alfândega fui ver a exposição que está na Casa da Cultura. É uma exposição de um artista da terra. Tem duas vertentes: pintura e bonsai. Termino com alguns dados sobre a mesma.