Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Poesia/ Idade

Não pude deixar de me emocionar  um pouco com o generoso  comentário que o Professor Fiolhais colocou ontem no seu blogue, a propósito da minha poesia.

POESIA CIENTÍFICA PARA OS MAIS NOVOS

(…) Mas Regina Gouveia teve e tem uma second life, que poderia parecer desligada da sua first life, mas, vendo bem, não está. Ela é poeta. Encontram-se nas livrarias e nas bibliotecas vários livros da sua autoria, como Reflexões e Interferências (Palavra e Mutação, 2002) e Magnetismo Terrestre (Calendário, 2005). Os títulos dão conta da ligação entre as suas duas “vidas”: Os temas da sua predilecção são científicos. Poderemos, embora o nome possa enganar, falar de poesia científica. A autora tem-se, em particular, interessado pela poesia para os mais pequenos, como nas obras Era uma vez... Ciência e poesia no reino da fantasia (Campo das Letras, 2006) e Ciência para meninos em poemas pequeninos (Gatafunho, 2009), as duas com títulos elucidativos a respeito da temática dos poemas. Saiu no final do ano passado o seu terceiro livro de poesia científica infantil, Pelo sistema solar vamos todos viajar, com ilustrações do seu filho, o arquitecto Nuno Gouveia. Falemos dele, agora em que a literatura infantil está valorizada pela atribuição do Prémio Camões a Manuel António Pina.


O livro mais recente de Regina Gouveia está na linha das outras obras infantis, merecendo tal como a anterior figurar nas listas do Plano Nacional de Leitura. A editora, que o incluiu na colecção Ciência e poesia de mãos dadas, foi a mesma que publicou Um Rapaz Invulgar, uma biografia ilustrada de Einstein para infantes, no Ano Mundial da Física. Pelo sistema solar vamos todos viajar, pequeno como convém para gente pequena (só tem 36 páginas), tem papel de boa qualidade, o que valoriza tanto o texto como os desenhos a cores. O conteúdo reparte-se por dois poemas: Era uma vez o Sol e Era uma vez a Lua. O primeiro é uma visita guiada ao sistema solar em que o guia é o próprio Sol, ao passo que o segundo trata das observações da Lua por uma menina, a Gabriela, dona da gata Fofinha (a propósito: a editora, que tem como logotipo uma gata, usa também o imprint de Gafafunho). Mas nada como transcrever um excerto de cada um dos poemas para o leitor se dar conta do estilo da autora (…)
Como se vê, a imaginação poética, aqui especialmente dirigida aos muito pequenos, surge aliada ao rigor científico (repare-se no pormenor da poesia já dar conta da “despromoção” de Plutão de planeta para planeta-anão) numa linguagem muito simples. Onde é que já vimos isso? Pois o nome de António Gedeão, pseudónimo poético de Rómulo de Carvalho, também ele professor de Física do secundário, vem-nos à memória. Como afirma Ferreira da Silva, professor de Física da Universidade do Porto, na badana, “...a formação científica da autora transparece, como em António Gedeão, na obra poética”. Já muito se tem feito para motivar para a ciência os nossos petizes. Como bem mostra Regina Gouveia, a poesia é um meio  com o qual se pode fazer ainda mais...



Coloco ainda um comentário ao referido texto, também ele “postado” no mesmo blogue

Seja qual for em verdade


a forma que ela revista


dentro da autenticidade,


a Poesia não tem


por qualquer ângulo vista


idade para ninguém!


Este comentário fez-me lembrar José Saramago:
E se a poesia para crianças fosse de leitura obrigatória para os adultos?

(in A Maior Flor do Mundo)

Diz o nosso povo que as conversas são como as cerejas… Assim, a propósito da maior flor do mundo deixo um texto  e o filme a que o texto se refere


Ainda a propósito da poesia sem idade, hoje, mais uma vez a convite da Bibliotecária Manuela Lima, estive em mais uma escola de Esmoriz, com meninos do pré-primário e do 1ºciclo.

Quando terminou a sessão com os mais pequeninos, um deles, o Martim, que durante toda a sessão fez inúmeras intervenções, fez questão que eu fosse à sala dele e aí mostrou-me as estantes e outros espaços que tinha arrumado dizendo. Arrumei-as para ti…Disse-me posteriormente a educadora que ele tinha chegado mais cedo e muito ansioso porque ia conhecer uma escritora…

Com os mais crescidos, quando as professoras lhes perguntaram se tinham gostado, em coro responderam: Não gostámos, adorámos..

Mas não só os alunos. A mesma expressão foi usada pelas professoras o que vem de encontro ao título desta mensagem .

5 comentários:

  1. Regina
    Parabéns por tudo. Pelo comentário do prof. Carlos Fiolhais, pelos seus livros, pelos seus "post", pela sua extraordinária personalidade.
    Um beijo muito grande.

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  2. Graciete
    Obrigada mais uma vez, pela sua generosidade
    mas, plagiando um slogan publicitário da outros tempos(estes publicitários são uns exagerados), eu diria:
    A minha amiga Graciete é uma exagerada.
    Um grande abraço
    Regina

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  3. Não fico surpreendida, acho que todos os elogios ficam aquém do teu valor, como professora, cientista, pintora, poeta e pessoa. Ter-te como Amiga é a cereja no topo do bolo, orgulho-me disso e desejo que nunca pares para bem de crianças e adultos, todos os que beneficiam da tua criatividade, vigor e generosidade.
    Um grande abraço de parabéns!

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  4. Só mais uma nota. Trabalhei com o ilustrador João Caetano - que ilustrou o conto de Saramago - na Porto Editora. Ele ilustrou um dos meus manuais para o 7º Ano chamado Pole Position. Infelizmente, o manual não colheu grande aceitação por parte dos professores, que se queixaram, em parte, das ilustrações, demasiado rebuscadas para a camada etária a que se destinavam. Eram aguarelas lindíssimas, ainda hoje olho para esse livro com admiraçao....

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  5. Virgínia
    O comentário com que respondi à Graciete também se ajusta a ti . Há muitas distorções na imagem que de mim fazem, provocadas pela vossa amizade que muito me honra
    Um grande abraço
    Regina

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