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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ontem aconteceu no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra

Só hoje me apercebi da notícia que segue, publicada em Ciência Hoje

Incluir e aceitar a diferença através da Ciência      2010-10-08
Mover-se numa cadeira de rodas, numa sala cheia de objectos ou abotoar um casaco com luvas de boxe calçadas parecem desafios inalcançáveis. Contudo, na próxima edição do “Ciência em família”, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) pretende mostrar que com a ajuda da tecnologia tudo isto é possível.
Subordinado ao tema “Descobre a Ciência ao Serviço dos Sentidos”, a sessão do próximo domingo, dia 10 de Outubro, vai contar com actividades para crianças e adultos e com a apresentação de diversas inovações nesta área, focando a aplicação da Ciência e da Tecnologia na produção de equipamentos e instrumentos que promovam a melhoria da qualidade de vida, em particular para as pessoas com deficiência.
A sensibilização para a aceitação da diferença e para a inclusão das pessoas com deficiência é um objectivo reconhecido por parte dos organizadores da iniciativa. “Aceitar implica conhecer e nada melhor do que experimentar e partilhar a vida ou o quotidiano com aqueles que, por razão da deficiência ou de doença incapacitante, têm modos diferenciados de desenvolver as práticas quotidianas que todos temos em comum”, sublinha Ana Cristina Abreu.

No meu livro Reflexões e Interferências tenho um poema que nos leva a pensar nas diferenças através de exemplos da Ciência
Normal

Normal.

Pode ou não ser vertical, a algo é perpendicular.

Pode significar regular como alguns poliedros,

cubos e tetraedros, como alguns verbos também

que, outros, defeitos têm, o que não impede ninguém

de sempre os utilizar de uma forma natural.

Normal.

Basta apor-lhe só um A e não normal aí está,

o que nem todos respeitam por vezes até rejeitam.

É isto a intolerância, fruto da ignorância,

pois a água, substância à vida fundamental,

não é lá muito normal.

Durante o aquecimento, em vez de o volume sofrer

um continuado aumento, começa por decrescer

até um dado momento, de máxima densidade,

depois começa a crescer, quase com normalidade.

Tudo isto é anormal, e é essa anormalidade

que vai permitir explicar que se a água congelar

o gelo fique a boiar, como acontece no mar

duma região polar.

Tal qual como um cobertor, o gelo, isolador,

cobre o mar com muito amor, não deixa a água gelar.

A vida dentro do mar pode assim continuar.

Para a vida é fundamental e tudo isto, afinal,

porque a água é anormal
Regina Gouveia


Quando se fala em aceitação/ não aceitação de diferenças vêm-me à mente,  de imediato,  a discriminação, a xenofobia, os fundamentalismos e os crimes que por causa de tais aberrações se têm cometido ao longo da história

Incluo assim mais dois poemas

Genoma

Nos núcleos das várias células existem os cromossomas

e dentro destes os genes que definem os genomas.

O homem investigou, por fim identificou o tal do genoma humano

com os seus milhares de genes, o dobro do das líbélulas.

Tal identificação mostrou não haver razão para as raças distinguir.

Diferentes, mas iguais, somos assim os mortais, em Berlim ou Agadir.

A tal da ariana raça, a tal raça superior,

não passava de uma farsa que espalhou muito terror

Agora caiu o pano! Basta tão só reflectir no tal do genoma humano
Regina Gouveia

Diversidade

Era uma escola muito colorida

tão cheia de vida como nunca vi.

Aqui e ali meninos negrinhos

que vieram de Angola jogavam à bola

com outros meninos também africanos,

outros indianos, outros europeus

da Europa de Leste, do Norte e do Sul,

olhos de cor verde, castanha e azul.

Os cabelos eram dos mais variados:

encaracolados, claros e escuros, lisos,

esticados como aquele indiozinho

tupi - guarani e um coreano de seu nome Li,

que tinha uns olhinhos bem enviesados.

Havia um menino que era timorense,

outro guineense e imaginem só,

até existia um menino esquimó.

Um grupo bailava

e um outro cantava a uma voz só

um vira, um tebe, um semba, uma morna,

uma marrabenta e até um forró.

Era aquela escola, como um arco-íris,

de múltiplas de cores.

Lembrava um canteiro repleto de flores.
Regina Gouveia in Ciência para Meninos em Poemas Pequeninos
E não posso deixar de referir uma sentença fabulosa de André Gide a propósito das diferentes cores da raça humana
Já a conhecia há muito mas não me recordo de onde a retirei. Procurando na NEt encontrei um texto que vale a pena ler de que incluo um excerto

Viagens e poemas
Encontrava-me a ler um texto de um historiador inglês sobre a descolonização europeia da primeira parte do século passado quando deparei com uma oportuna citação do livro de André Gide, Voyage au Congo(...).
Em 1897 André Gide fez a sua primeira e longa viagem ao Norte de África. Depois disso, escreveu várias obras contando as suas impressões. Em 1909, juntamente com outros intelectuais, criou a Nouvelle Revue Française. E, em Julho de 1926, partiu para uma viagem de dez meses através das possessões francesas na África equatorial. O livro citado foi escrito no rescaldo dessa viagem. Em 1947 recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Oxford e o Prémio Nobel da Literatura. O livro causou uma enorme sensação em França, e não só. O autor descreveu as condições de vida dos negros ao longo do rio Congo, levantando questões até aí adormecidas. O livro transformou-se rapidamente num verdadeiro manifesto contra a administração colonial francesa, assumindo um incontornável sentido político, graças aos inúmeros detalhes sociológicos e etnológicos (...)
André Gide reparou que o poder, nas colónias francesas de África, era precário e pouco inteligente. O poder colonial era imposto aos indígenas através do terror. Faltava, denunciou ele, uma autoridade natural capaz de retirar deles tudo quanto se encontravam dispostos a dar. Ele denunciou toda essa precariedade de uma forma brilhante: “Quanto menos o branco é inteligente, mais o negro lhe parece estúpido.”

Finalizo com a obra Operários de Tarsilla do Amaral uma das figuras centrais da pintura brasileira e da primeira fase do movimento modernista brasileiro. A obra é como  um hino à diversidade


Mais obras da artista podem ser vistas em http://planetin.blogspot.com/2008/01/verdadeiras-obrasdearte-tarsilaamaral.html

2 comentários:

  1. Olá Regina mais uma vez tenho que lhe dizer que gostei imenso e concordo totalmente com tudo o que escreveu neste post.
    Quero oferecer os seus dois livros que fazemn parte d PNL a dois meninos que entraram agora para o ensino básico 1. Poderei encontrá-los no espaço Vivacidade?
    Vou tentar.
    Um beijo.

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  2. Olá Graciete,

    Nós temos cá o Ciência para Meninos em Poemas Pequeninos.

    Um beijo,

    Vivacidade Espaço Criativo

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