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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 27 de julho de 2010

Descoberto «ambiente totalmente novo» na Lua

Descoberto «ambiente totalmente novo» na Lua é o título de uma notícia publicada em Ciência Hoje,  por isso resolvi dedicar este post à companheira da Terra


No tempo de Newton, já se sabia que os satélites giravam em torno dos planetas como estes em torno do Sol. Também se sabia que a terra atrai os corpos. Então Newton admitiu que a força que atraía os corpos para a terra seria a mesma força que “prendia” a lua à sua órbita. Assim sendo, e tendo em conta que essa força varia com o inverso do quadrado da distância (F = G m M / d2 - lei da gravitação)seria de prever a relação entre a aceleração de um corpo na terra e a aceleração centrípeta da lua (acorpo/alua = ( 384000/6400) 2= 3600)  o que está em concordância com os dados obtidos a partir do movimento da lua e da queda dos graves
Ressalta da equação que traduz a lei da gravitação que, se a Terra atrai a Lua também a Lua atrai a Terra. Sob o efeito da atracção lunar a terra é deformada periodicamente sendo visível a deformação na massa de água dos oceanos (marés).No entanto, a parte sólida, ao mesmo ritmo também sofre alguma deformação. Parte da energia associada às deformações é dissipada como calor o que tem como consequência uma diminuição progressiva do período de rotação da Terra. Assim, a duração do dia aumenta 0,002 s em cada milénio A diminuição da velocidade de rotação é acompanhado dum aumento da distância da Terra à lua ( 4 cm por ano)
Estas variações têm sido comprovadas directa ou indirectamente

A distância da Terra à Lua, que se exprime frequentemente em segundos-luz,  é 1,2s-luz, o que significa que a luz que a Lua difunde leva 1,2 s a chegar à terra. Sendo a velocidade da luz no vazio (e aproximadamente no ar) 300.000km/s a distãncia média da Lua à terra é cerca de 360.000 km

Apollo 11, a quinta missão tripulada do Programa Apollo foi a primeira a  pousar na Lua, em 20 de Julho de 1969, tripulada pelos astronautas Edwin Aldrin e Michael Collins e Neil Armstrong, comandante da missão, que foi o primeiro ser humano a pisar na superfície lunar.

António Gedeão refere-se a este grande passo para a Humanidade, em  poemas como Pedra Filosofal e

Poema do Homem Novo

Neil Armstrong pôs os pés na Lua


e a Humanidade inteira saudou nele


o Homem Novo.


No calendário da História sublinhou-se


com espesso traço o memorável feito.


Tudo nele era novo.


Vestia quinze fatos sobrepostos.


Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,


um colante poroso de rede tricotada


para ventilação e temperatura próprias.


Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,


catorze, no total,


de película de nylon


e borracha sintética.


Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,


na cabeça e nos braços,


confusíssima trama de canais


para circulação dos fluidos necessários,


da água e do oxigénio.


A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,


um envólucro soprado de tela de alumínio.


Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,


auscultadores e microfones,


e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,


luvas com luz nos dedos.


Numa cama de rede, pendurada


da parede do módulo,


na majestade augusta do silêncio,


dormia o Homem Novo a caminho da Lua.


Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,


bocas de espanto e olhos de humidade,


todos se interpelavam e falavam


do Homem Novo,


do Homem Novo,


do Homem Novo.


Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.


Caminhava hesitante e cauteloso,


pé aqui,


pé ali,


as pernas afastadas,


os braços insuflados como balões pneumáticos,


o tronco debruçado sobre o solo.


Lá vai ele.


Lá vai o Homem Novo


medindo e calculando cada passo,


puxando pelo corpo como bloco emperrado.


Mais um passo.


Mais outro.


Num sobre humano esforço


levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.


Com redobrado alento avança mais um passo,


e a Humanidade inteira,


com o coração pequeno e ressequido,


viu, com os olhos que a terra há-de comer,


o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,


exactamente como faria o Homem Velho.

Este poema do homem novo transportou-me para sinfonia Novo Mundo de Dvorak de que aqui fica um trecho

Quase a finalizar cito Saramago "E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?” para vos deixar com Era uma vez a lua…um dos textos do meu livro Pelo sistema solar vamos todos viajar que deve sair ainda este ano

A Gabriela adora estar à janela


Distrai-se a olhar a rua calma ou movimentada


com toda a gente que passa ora lenta ora apressada.


Distrai-se a olhar o céu com nuvens a flutuar,


com gaivotas a voar, com aviões a passar deixando um rasto no ar.


Mas o que mais a fascina é estar à noite, à janela


com a gata à beira dela, ambas a olhar a lua


que é muito bem educada, nunca de costas voltada.


A Gabriela gosta de a ver redondinha brilhando no Céu estrelado,


o luar parece prata.


Também gosta quando a vê, brilhar em forma de C


é o quarto minguante, e a seguir já não se vê. É a tal de lua nova.


Fica triste a Gabriela sempre que chega à janela e não pode ver a lua.


E fica triste a gata dela que tem por nome Fofinha.


Cresce a lua, novamente, fica com a forma de um D, diz-se que é quarto crescente.


Crescer escrito com D ou diminuir com C


é coisa que não se vê em qualquer escrita decente.


Ou a lua é ignorante ou é muito irreverente,


ou então é bem matreira e gosta de brincadeira …


A Gabriela gosta das fases da lua, excepto da lua nova, em que a lua não se vê


mas prefere a lua cheia, sem saber mesmo porquê.


E sabe que, de mês a mês, todo o ciclo se renova,


é lua cheia outra vez e a noite é quase dia, com a lua a alumiar.


Mas a luz que a lua envia é ao Sol que a vai buscar, luz que o sol também envia


para cada lugar da terra que, de dia, a consegue captar.


À noite já não consegue, resta-lhe a luz do luar, que é maior na lua cheia.


Também a gata Fofinha gosta da lua cheiinha.


Deve até imaginar que é um novelo de lã


e mexe a sua patinha como se o fosse apanhar.


Num aquário redondo, um peixinho, é o Titã,


nada, nada com afã e gosta de olhar a lua.


Pensará que é um aquário com peixinhos a nadar?


Ambos estão enganados já que a lua, como a Terra,


não é lá muito fofinha e peixinhos, nem pensar,


pois a lua não tem rios, não tem lagos, não tem mar.


Talvez por essa razão, com a água quer brincar e brinca com o mar da Terra fazendo as marés subir, fazendo as marés baixar.


Nem tem água nem tem ar, para se poder respirar.


Pobre lua, não tem vida mas habitantes da terra já a foram visitar.


Viajaram numa nave que tinha por nome Apollo.


Quando chegaram à Lua e pisaram o seu solo não sabiam caminhar.


Habituados à Terra, os ousados visitantes pareciam extravagantes.


Andavam devagarinho, cada passo era um saltinho,


pois na Lua, a gravidade tem menor intensidade.


Quando por fim regressaram vinham cheios de alegria


já que o astro mais bonito que lá da lua se via era a Terra, este planeta.


Às vezes a lua desperta bem perto do horizonte,


e a Gabriela, que lá da sua janela vê ao longe um grande monte,


crê que se ao cimo trepasse talvez a lua agarrasse.


Mas já lhe disseram que não. Parecendo estar pertinho, mesmo usando um foguetão levava ainda um tempinho para a poder alcançar.


Muito mais que ir viajar de avião para o Brasil, do outro lado do mar.


Pobre lua, tão sozinha não tem ninguém para brincar,


lamenta-se a Gabriela enquanto a vê da janela.


Mas a lua às vezes brinca com a Terra e com o Sol.


Põe-se no meio dos dois, faz sombra ali num cantinho


parece que já é noite e ainda é manhã cedinho.


Ficam todos baralhados, o cão, o gato, o burrinho e até o caracol.


A Gabriela já sabe, não se lembra quem lhe disse, que assim ocorre um eclipse.


É um eclipse do sol, mas também os há da lua,


que às vezes, por brincadeira, vai jogar ao esconde-esconde.


Procura a sombra da Terra esconde-se de tal maneira


que toda a gente pergunta: Onde está a Lua? Onde?


Depois começa a espreitar, vê-se primeiro um arquinho


que cresce devagarinho até se ver toda inteira.


Diverte-se assim a Lua com a sua companheira.


Terra e Lua não se podem separar


O que seria da Terra sem o encanto do luar?


E da lua o que seria, se não fosse a alegria


de saber que faz sonhar a Fofinha e a Gabriela,


quando à noite a vão espreitar da vidraça da janela?


E há muitos outros meninos e gente grande também


que adora estar à janela, como gosta a Gabriela,


a ver a lua brilhar.


Beethoven, compositor, fez músicas muito belas,


e uma delas tem o nome de serenata ao luar.


Entre a terra e a nossa lua existe tal amizade


que, se fossem afastadas, seria tal a saudade


que nem uma, nem a outra poderiam suportar.

E já que falo na serenata ao luar termino com a mesma

7 comentários:

  1. É engraçado que não gosto muito de saber dados científicos sobre a Lua, embora me fascinasse a ida dos americanos ao nosso satélite. Gosto de pensar na Lua dum modo romântico, como a vejo lá em baixo na Luz por detrás da palmeira. As explicações científicas são como estudar composição dum Claire de Lune de Debussy, nota após nota ou dissecar a Sinfonia do Novo Mundo (que estive a ouvir esta tarde enquanto cozinhava...será telepatia?)...

    Não quero saber...quero contemplar, apenas.

    Quanto aos poemas, não é dos que mais gosto do Gedeão, parece-me ressabiado e demasiado extenso.

    O teu é diferente, as crianças vão adorar...

    Bjo

    vais ao atelier amanha?

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  2. Nunca pensaste em gravar os teus poemas em DVD para as crianças ouvirem? Tu mesma poderias fazê-lo. Era lindo e tinha muito impacto, penso eu.

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  3. Regina vou repetir-me. Adorei o seu post e acho magnífico o poema de Gedeão. O Homem Novo foi à Lua mas, tal como o Homem Velho, apoderou-se da propriedade.....e depois?
    Deixo a pergunta em suspenso porque daria muito que discutir.
    Quanto aos seus livros e poemas já conhece a minha opinião, que mantenho depois de ler o seu poema que apresenta neste post. E (quem sou eu) mas tal como Saramago também acho que os adultos deviam ler os livros para crianças.

    Um beijo, Regina.

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  4. Virgínia
    Eu gosto do poema até pela ironia subtil...
    Quanto aos meus poemas, era precsio que alguma editora pegasse nisso e não estou a ver que seja possível. Até para os publicar é a dificuldade que se sabe....
    Graciete
    Faço do poema um pouco a sua leitura e gosto bastente dele.
    Quanto aos adultos lerem livros para crianças, eu adoro alguns
    Bjs para as duas
    Regina

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  5. Penso que a descrição pormenorizada do fato espacial é irónica e achar-lhe-ia graça , se não fosse demasiado pormenorizada - até à exaustão.
    Quanto à bandeira, estando o mundo dividido em dois blocos por causa de Guerra Fria, era natural que os Americanos lá pusessem a sua marca, como os Russos o fariam no seu lugar. Não me parece que seja uma atitude de velho ou novo, apenas a de alguém que
    quer mostrar ao mundo o que acabou de descobrir com riscos enormes para a sua vida. Os Portugueses erigiam moumentos nas terras descobertas, o homem sempre gostou de sentir que algo lhe pertence.
    Não gostas de ter uma casa aqui e de família em Trás-os-Montes? São o teu património.

    Aquele pedacinho de Lua -que ninguém quer - é deles. Vão lá outros e ponham a bandeira deles!!É assim que eu vejo a História.

    Bjo

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  6. Concordo mas gostaria de um Homem diferente sem fundamentalismos políticos, religiosos, etc e sem o obsessão da supremacia de uns sobre os outros.
    A isso eu chamaria Homem Novo....
    Ab
    Regina

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  7. A Utopia foi sempre uma quimera. Não acredito em sociedades comunitárias de propriedade comum. São contra-natura...

    Bjo

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