Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 14 de junho de 2015

Roda viva

Se habitualmente já tenho o tempo bastante preenchido, nos últimos dias tenho andado numa "roda viva". Mas citando o brasileiro  Hermes Fernandes, prefiro o estresse ao tédio, o ativismo ao ócio, a frustração de não ter conseguido à de não ter sequer tentado.

Mas vamos à "roda viva"
No dia 4 de junho fui à Escola Carolina Michaëlis,  a convite da professora do 4ºano. Entre os 22 alunos encontra-se o meu neto José, que para ali foi transferido no último período do  3º ano. Recordo o que em tempos escrevi a propósito dessa transferência

Sei de um  aluno do 1º ciclo, numa escola pública, cuja professora , ainda nova, sempre o caracterizou  como uma criança irrequieta (não no sentido de travessa, mas significando precisamente o ter dificuldade em estar quieta), desconcentrada, um pouco infantil, mas meiga e educada ( o que corresponde à realidade).
A forma que esta professora encontrou para atenuar a irrequietude foi retirar-lhe, por vezes durante semanas seguidas,  todos os intervalos (inclusive o de almoço) e obrigá-lo, sempre que podia gozar do intervalo, a falar e brincar apenas com meninas, ficando impedido de conversar com os colegas do sexo masculino
Não teve sucesso com nenhuma das práticas mas insistiu sempre até que o encarregado de educação, que várias vezes a abordou no sentido de repensar tais atuações,  optou por mudar a criança de escola. Para além disso , a segunda prática gerou um comportamento de delação por parte das meninas, sempre que o aluno falava com rapazes.
Face à infantilidade, uma das medidas que adotou foi colocar-lhe uma chupeta na boca, dentro da sala de aula, humilhando-o perante todos os colegas.
A professora tem tido muito sucesso com a  aprendizagem de conteúdos por parte dos alunos, incluindo o aluno em causa. Isso não faz dela uma boa professora. Esta professora precisava urgentemente de uma formação para evitar que continue a adotar práticas aberrantes  com os seus alunos. E provavelmente quem a “formou”precisaria também de formação..

Trata-se de uma escola pública mas conheço relatos de situações diferentes, mas tão graves quanto estas, que têm lugar em escolas privadas.

Mas regresso à minha visita à escola. 
Tratando-se do fim de um ciclo, ofereci a cada menino um pequeno "livro" com o poema Era uma vez...o mar (do meu livro Era uma vez.... ciência e poesia no reino da fantasia). 


Seleccionei alguns excertos do texto que os alunos iam lendo(todos os alunos leram). De vez  em quando  e, como acontece  em todas as visitas a escolas, fazia uma paragem para realizar uma experiência alusiva ao texto.
Correu muito bem e os alunos não mostravam o mínimo interesse em sair da sala. Queriam sempre mais...

O José teve alguma dificuldade de integração com os colegas pois,  na escola anterior, esteve quase três anos impedido de brincar com os amigos, nos recreios, 
Aproveitando a minha ida à escola, decidi convidar todos os colegas para um convívio em minha casa no dia 10 de Junho

Mas ao convívio, volto mais tarde.

Logo no dia seguinte ao da visita à escola, fui ao ISEP pois recebi uma menção honrosa no concurso "Reciclar é uma arte" a que aqui fiz referência em janeiro. Deixo imagens do catálogo da exposição e do trabalho, bem como o texto que o acompanhou




Sobre o trabalho
O homem é um produtor de  resíduos, mas a produção dos mesmos é tanto maior quanto maior o consumismo, que tem vindo a aumentar de forma exponencial na maior parte dos países ditos “desenvolvidos”. As consequências para o ambiente são altamente preocupantes, daí a necessidade de um desenvolvimento sustentável que assegure bem-estar, não só à atual geração mas também às gerações futuras.
A  reciclagem, transformando materiais usados em novos produtos para o consumo, é uma das práticas que têm vindo a ser desenvolvidas com vista a permitir que o crescimento seja  acompanhado de qualidade de vida, sob os pontos de vista económico, ambiental, social e cultural.
Fazer arte utilizando resíduos “inúteis” é também uma forma de contribuir para que o desenvolvimento almejado se transforme em realidade. No trabalho foram usados desperdícios de persiana e pedaços de rolos de cartão. Os primeiros viveram, devassados por olhares indiferentes, numa qualquer fachada, de uma qualquer casa, contribuindo para o conforto das pessoas que ali moravam. Envelheceram com o tempo e o seu destino foi uma lixeira.
Os rolos de cartão viveram numa loja de tecidos, ocultos sob metros de panos dos mais variados em cor, em textura, em desenho. Logo que esgotado o tecido, exposta a sua nudez, tornaram-se inúteis. O seu destino poderia ter sido uma lixeira ou a reciclagem, dependendo da consciência ecológica de quem  tomasse a decisão. 
Li algures uma frase de um artista “Arte é tudo o que me toca e que me motiva a fazer coisas que possam atingir estética e emocionalmente outras pessoas”
Não sei porquê os desperdícios de persiana tocaram-me...Sobre eles fui derramando tintas. Não mais seriam as velhas persianas duma qualquer fachada, ignoradas por olhares indiferentes. Seriam a fachada, que a minha mão, manejando o pincel, cobriria de acrílico.
Também os rolos de cartão, nus, encostados num canto da loja, me tocaram. Eram belos na sua nudez. Que melhor moldura para o meu trabalho?   

No dia seguinte, sábado, dia 6, teve lugar, no Coliseu  o sarau de encerramento do Porto de Atividades, uma festa onde participaram os 16 agrupamentos de escolas, através de atuações muito interessantes. O espetáculo, cujo o tema foram as profissões,  destacou-se pela criatividade e expressão artistica, tendo sido os alunos de jardim de infância e 1º ciclo do ensino básico que frequentam as atividades de enriquecimento curricular, os artistas principais.



Os alunos do Carolina, vestidos de cozinheiros, apresentaram uma coreografia de que gostei bastante. Mas todas elas tiveram bastante qualidade. Podem ver aqui imagens de atuações doutros agrupamentos de escolas

O evento terminou por volta das 13h.
À tarde ultimei os preparativos para a "animação" da festa do 6º aniversário do meu neto Bernardo que nasceu a 1 de junho. Como calhou à segunda feira,  só pôde comemorar com os amigos, no dia 7. 
Já tive oportunidade de referir que este meu neto tem um autêntico fascínio por tudo o que se relacione com animais. Desta vez o tema da festa foi o mar.
Os pais(muito em especial a mãe) e a irmã decoraram a casa com crepon simulando algas, com imagens de peixes,  luz azul, etc. Um dos bolos ( e digo um porque a minha nora fez e decorou 3 bolos: uma para uma breve comemoração na escola, outro para a festa em família e o terceiro para a festa da crianças onde estiveram presentes 16  das 18 que constituem a turma). Aqui ficam imagens do terceiro  bolo e das bolachinhas com que foram presenteadas as crianças (podem ver mais imagens  aqui)


Para a animação da festa o tema teria que ser também o mar. Numa Arca de Noé faltavam casais de animais marinhos. Toca a encontrá-los e a colocá-los na arca tendo  cuidado com os "intrusos"....

Na NET encontrei várias imagens de animais (24 espécies diferentes) que imprimi e colei em cartão (aqui ficam algumas) As imagens foram espalhadas pelo jardim, nos sítios mais variados. De um saco, os alunos tiravam, ao acaso, um papel com o nome da espécie a procurar. Alguém lhe lia o nome e mostrava a espécie num cartaz.  Logo que encontrassem um casal  teriam que o colocar na arca e simultaneamente escrever o  nome  num quadro magnético (copiando  o nome escrito no papel  retirado (isto porque a maior parte  ainda não sabe ler). 
Depois tiravam do saco o nome de um outro ser, etc, etc.





Adoraram o jogo que teve que ser interrompido por ter chegado a hora do lanche. Havia mais um jogo previsto mas não foi necessário.
Além deste jogos houve futebol para os meninos, pois as meninas preferiram as bonecas...
Entre as meninas estava uma com trissomia 21 que não costuma ir às festas por serem habitualmente em espaços mais propícios a contaminação por vírus, bactérias, etc. Chamava-me tia...Uma doçura de criança.

No dia 9, toca a preparar o convívio para os colegas do meu neto José, o tal convívio a que me referi anteriormente  

Aqui vai o programa

1-      Sessão de Magias

2-      Constituição de grupos por sorteio. (Após constituído, cada grupo escolherá um nome)

3-      Atividades rotativas pelos grupos

A-     Lançamento de foguetões

B-      Alfabeto cifrado

C-      Atividades variadas

Intervalo para Lanche


4.      Atividade final-  Caça ao tesouro

      Das 22 crianças da turma, apareceram 12 ( algumas tinham atividades desportivas nesse dia) ou seja, estiveram 14 crianças contando com os meus netos mais novos (a mais velha tinha que estudar para um teste 5ª feira).
A minha nora e o meu filho apareceram logo de manhã para ajudar 
Como  receámos que a chuva nos pregasse uma partida, começámos pela caça ao tesouro que tinha que ser ao ar livre.
Cada grupo, tendo em conta a planta do espaço exterior e sabendo para que lado está o mar, tinha que seguir as dicas referenciadas pelos rosa dos ventos,  até encontrar o tesouro (um copinho com gomas para cada um)

De seguida o meu filho fez com as crianças uma atividade muito interessante, também de ar livre-o lançamento de foguetões.
Enquanto metade das crianças estava nesta tarefa, a outra metade ia, acompanhada por mim e pela minha nora, visitar a cascata nos Bombeiros, junto a minha casa.
Seguiu-se um  lanche e após o mesmo, só houve tempo para eu fazer algumas "magias" que depois lhes explicava.

Após o almoço, tocaram a campaínha. Eram duas coleguinhas do José, que moram perto de minha casa e que vieram convidá-lo para ir brincar para casa delas. Cerca de 2 h depois aparecerem os três mais um amigo das meninas. Estas pediram-me para repetir as magias para o amigo ver. 
Não pude convidá-las para ficar mais tempo pois a minha neta Rita ia ter teste de Física e queria certificar-se de que estava bem preparada.

Como o meu filho mais novo e a minha nora tinham uma reunião na 5ª feira de manhã, fora do Porto, os meninos dormiram em minha casa.
Foi uma corrida.Levar os meninos cada um a sua escola e seguir para o Hospital de Santo António pois à 5ª feira de manhã faço voluntariado.
Dado que cheguei mais tarde, decidi que sairia  mais tarde para compensar. Estava já para sair quando surgiu um jovem de Hong Kong para ir ao serviço de urgência. Como em terras de cegos quem tem um olho é rei, lá tive eu que ajudar o rapaz, com o meu mau inglês.
Na urgência e porque o jovem não tinha cartão europeu, aconselharam-me a levá-lo a um hospital privado pois ali seria muito dispendioso. Terminei o serviço no HSA mas continuei o voluntariado levando o jovem ao Hospital Lusíadas. Quando cheguei a casa eram quase duas horas da tarde...

Nada melhor para terminar que duas versões de Roda Viva de Chico Buarque






2 comentários:

  1. Vai levar uma semana até ler isto tudo....é muita informação:)

    Parabéns pelo teu neto. O meu André tb teve festejos no Colégio de Mountain View, a Ana mandou-me fotos ontem. Hoje em dia quando chegam à faculdade já estão todos de cartola !!
    Amanhã vou para a Luz....que bom!
    Bjinhos

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  2. No Brasil já é assim há muito. tenho fotos dos meus irmãos (10 e 14 anos mais velhos que eu) na "formatura" do pré escolar, doprimário, do secundário, etc....
    Boa viagem até à Luz e bom descanso.
    Quando regressas?
    Bjs
    Regina

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