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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Para mudar o mundo é preciso paixão

Para mudar o mundo é preciso paixão


É essencialmente esta a mensagem que Isabel Allende nos deixa na comunicação anexa que uma amiga me enviou por e-mail. Nela emerge a feminista, mas essencialmente a mulher empenhada em mudar as relações de poder no mundo
A propósito de um dos seus livros mais conhecidos, A casa dos espíritos, Alexandra Gomes refere:

Em 1981, quando Isabel Allende soube que o seu avô se encontrava moribundo, começou a escrever uma carta de despedida para ele. A partir do momento em que as palavras começaram a ser derramadas, nada mais as conteve. Quando finalmente tomou fôlego, Allende deparou-se com 500 páginas manuscritas que se tornaram o seu primeiro romance, A Casa dos Espíritos.
História épica de três gerações da família Trueba e do seu envolvimento na revolução socialista chilena, onde o passado e o presente se entrelaçam para formar uma intriga brilhante de morte, ódio, ira e traição.
(…)
A extensa visão que Isabel Allende revela ter da história chilena do século XX, do caos do governo de Allende, do golpe militar que o destitui e da repressão subsequente, é inteligentemente representada através das provações e atribulações da família Trueba.
Apesar da personagem principal ser Esteban Trueba e todos os eventos girarem em torno dele, são as mulheres da família que efectivamente dominam. Três mulheres marcam toda uma narrativa, profundamente feminina, que combina de forma extraordinária narrações de primeira e terceira pessoas, mantendo-a viva e cativante. Clara, Blanca e Alba – nomes cujo significado intrínseco apontam a Luz como dominante – são mulheres fortes que lutam pelo que acreditam. Criticadas por uma sociedade conservadora pelas suas ideias revolucionárias, encontram sempre meio de ajudar os outros, defendendo secretamente os direitos das mulheres. Estas personagens representam algo mais que feminismo, representam a luta da Mulher e da Sociedade, tipicamente masculina, que permitiu e continua a permitir os direitos das mulheres. (…)
É o feminismo lírico que torna este romance excepcional, prestando tributo à Mulher chilena, em particular e, a todas as mulheres do mundo, em geral.

E a propósito da exploração das mulheres no mundo ….

Tchador

Déboras, Irinas, Svetlanas

ucranianas, sul- americanas, não importa.

Partiram em busca de uma porta

que lhes desse acesso a melhores vidas.

e acabaram ludibriadas, iludidas,

nas mãos de proxenetas.

São traficadas,  são exploradas, vezes sem conta são violadas

e quando, apesar de jovens, acabadas,

são abandonadas, jogadas nas sarjetas.

Sandras, Bintas, não importa o nome,

a vida deu-lhes até hoje violência e fome.

Aquela com onze anos, tão menina,

de uma outra menina já é mãe.

Por certo é a primeira boneca que ela tem.

E nos olhos, em vez de ódio e de revolta,

uma lágrima solta, enquanto embala a filha com amor.

Aquela outra ali é argelina,

talvez a "pietá" que correu mundo.

Nos olhos um desgosto tão profundo,

maior que o próprio mundo.

E aquelas outras das quais não vejo o rosto

que, se doentes, não podem ser tratadas,

que são impuras, se desvirginadas, que se forem violadas

poderão por castigo ser queimadas?

O que dirão os seus olhos por baixo do tchador?

Humilhação? Desgosto? Resignação? Rancor? Talvez revolta?

Se eu um dia usar tchador por meu querer

acreditem que não é para me esconder

é só para tentar não ver  tanta injustiça, tanto horror,

tanto fanatismo, tanta dor, neste mundo cruel à nossa volta.


Gouveia, R in Reflexões e Interferências


Na comunicação Isabel Allende faz referência a Fernando Botero


As obras de Botero (1932) são sempre misteriosas. Cada uma parece ser uma cena da mesma peça, do mesmo mundo de cores completamente saturadas.

Para este artista a cor é fundamental nos seus quadros porque ilumina a pintura. Nos seus quadros somente existe a forma, e a cor interior também procura sempre uma certa monumentalidade.

Para Fernando Botero, a forma é a visão que, excluindo a cor, se tem da natureza. É uma exaltação da realidade, do volume, é sensualidade. É uma visão que deve ser sempre diferente. A função do artista é exaltar a vida através da sensualidade e comunicá-la através da ideia do volume.



E porque se falou de paixão , termino com Chico e Betânia em Bem querer

2 comentários:

  1. Regina o seu blog é mesmo uma fonte de beleza e conhecimentos.
    Um beijo.

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  2. A beleza importo-a dos outros... Os conhecimentos não são tantos quanto os que eu gostrai de possuir
    Bjs

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