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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Magnetismo terrestre

Continuando a falar da magia do magnetismo, vamos falar um pouco do magnetismo terrestre

“Observei um milagre (…) quando em criança, com 4 ou 5 anos de idade, o meu pai me ofereceu uma bússola.” (in Pais Abraham, Subtil é o Senhor. Vida e pensamento de Albert Einstein, 1993, Gradiva, pag 57).

Em 2005 comemorou-se o Ano Internacional da Física (AIF).  Foi escolhido esse ano por corresponder ao centésimo aniversário do "ano milagroso" (annus mirabilis) da produção científica de Albert Einstein, ano em que publicou quatro artigos lendários que criaram ou forneceram a base para o desenvolvimento de outros tantos campos fundamentais da Física, a saber: a Teoria Quântica, a Física Estatística, a Teoria da Relatividade e a Física Atómica e Nuclear

Nesse contexto escrevi um poema dedicado a Einstein e que foi divulgado num site dedicado ao AIF


Einstein


Fascinou-o uma bússola que lhe deram em menino


Talvez apontasse, bem cedo, o seu destino cujos indícios não eram evidentes.


Como imaginar que um funcionário do registo de patentes,


com o estigma da época -era judeu -


pudesse vir a ombrear um dia com Newton e Galileu?


Espírito inquieto, infatigável, havia de empreender uma aventura notável


pelos trilhos da ciência.


Para a luz, sublime, etérea, com audaz clarividência,  previu a curvatura face à gravitação.


Os dados colhidos num eclipse solar deram-lhe razão.


Nobel da Física, ganhou o galardão pelos estudos da interacção luz e matéria.


Tolerante, livre, com a maior dignidade caminhou sempre em busca da verdade


o que originou na ciência, uma revolução -


a relatividade, com novas relações espaço –tempo,


que ainda não cabem no vulgar entendimento.


Talvez qualquer mortal ouse afirmar que a velocidade provoca no tempo uma dilatação


enquanto que no espaço provoca contracção.


(provavelmente não sabe é o porquê),


e com idêntica ousadia falará na relação massa-energia,  E = mc2 que, por ironia,

iria contribuir para a chacina em Nagasaqui e também em Hiroshima.


Entristeceu-o tão bárbara imprudência, tanta estupidez no uso da ciência.


“Com armas podem vencer-se guerras, mas a paz não se conquista”


era o seu lema de empenhado pacifista


Um dia deixou de bater o coração mas a inteligência deixou-a, como legado, para a ciência.


O seu espírito, liberto agora das pressões do mundo,  talvez vagueie num espaço-tempo mais profundo


a uma velocidade, quiçá maior que c.

Regina Gouveia in Poeira Cósmica

Na altura tinha dois livros a aguardar publicação. Um era Poeira Cósmica. O outro foi publicado em 2006 com o título Magnetismo Terrestre. Foi prefaciado pelo Professor Doutor Ferreira da Silva ( a quem mais uma vez agradeço). Transcrevo um excerto desse prefácio

O título desta colectânea de poemas repassados de saudades de um tempo e de um lugar (que afinal é um universo) é a transposição alegórica de uma temática científica da área da Física, o que não surpreende porque a autora, docente de Física e Química pode, com a maior naturalidade, emoldurar o seu estro em referentes científicos ainda que metafóricos, como é o caso presente e foi também o caso das obras anteriores Reflexões e Interferências e Poeira Cósmica.

Poeira cósmica, que em princípio, deveria ter sido publicado antes de Magnetismo Terrestre, continua a aguardar publicação

De Magnetismo Terrestre (livro), onde cada poema é acompanhado de uma foto da autoria de Fernando Gouveia,  incluo dois poemas onde emerge o magnetismo terrestre(fenómeno físico) e duas fotos

Outrora


Outrora, seriam por certo diferentes

o achatamento polar, o campo magnético, a atracção lunar

e, como tal, o peso das coisas, as marés.

Diferença subtil, irrelevante,

pois se esse tempo, à escala humana é já distante,

à escala do Universo ainda é presente.

Outrora, seriam por certo diferentes as gentes que no castro habitavam

mas como hoje, sofriam, amavam e guerreavam em sangrentas batalhas,

deixando virgens, talvez para sempre, tímidas donzelas.

Testemunhas desse tempo, as muralhas,

naturais do lado do abismo, do outro lado humana construção,

como também humana a destruição que de onde em onde grassa.

Ignorou-se que enquanto o tempo passa,

as pedras guardam na memória os feitos da história,

o sangue derramado, a glória, o revés.

Em terras que com sangue foram adubadas,

florescem hoje papoilas encarnadas

por entre alvas estevas, roxas arçãs e giestas amarelas.

Na Primavera, todas elas salpicam a ladeira do castro até ao rio.

Deste, quem sabe, o rumor será ainda eco dum clamor,

outrora lançado no vazio.





Andorinhas

Sentada no terraço,

vejo as andorinhas entrar e sair dos ninhos na casa do vizinho.

O vizinho morreu e a casa está abandonada,

mas as andorinhas, de luto, como é sempre o seu vestir,

talvez pelo vizinho, os que o antecederam e os que ainda hão-de vir,

continuam a voltear em torno dos ninhos na casa agora abandonada

do vizinho que morreu.

Sempre me lembro das andorinhas no beiral da casa do vizinho.

Sei que as de agora não são as mesmas que as de outrora

mas talvez de geração em geração, tal como passa o sentido de orientação,

tenha passado a informação

da minha existência no terraço em frente à casa do vizinho

desde quando o meu pai me dizia poesia que falava da sua migração.

Orientadas pelo campo magnético terrestre, pelo sol, pelas estrelas

ou simplesmente navegando à vista, aí vão elas seguindo uma pista

que as trará de volta novamente, quando se iniciar o tempo quente

Só que um dia já não haverá casa do vizinho,

nem eu estarei no terraço a recebê-las.





E a propósito do magnetismo terrestre fenómeno físico …


A Terra, um imenso íman???




Em 16OO William Gilbert, médico da rainha Isabel I de Inglaterra, foi o primeiro a explicar o funcionamento da bússola magnética.

Afirmou que toda a Terra é um imenso íman cujo campo magnético actua no pequeno íman que é a agulha da bússola, alinhando-a na direcção norte-sul. No início do século XX, Einstein considerava que a origem do campo magnético terrestre era um dos problemas fundamentais da física ainda não resolvidos. Apesar dos avanços científicos entretanto conseguidos, no início do século XXI a origem do campo magnético terrestre continua envolta em mistério.

0 campo magnético terrestre comporta-se como se o centro da Terra fosse ocupado por uma poderosa barra magnetizada. 0 alongamento desta barra hipotética fazia um ângulo de cerca de 11º em relação ao eixo de rotação do nosso planeta. 0 campo magnético pode ser visualizado como uma série de linhas de força que, em cada local do espaço nos indicam a orientação da força magnética.

Apesar do modelo da barra magnetizada explicar perfeitamente a geometria do campo magnético terrestre, ele não pode ser aplicado ao nosso planeta. Com efeito, experiências laboratoriais mostram que os materiais só conseguem reter um campo magnético permanente se estiverem a temperaturas inferiores ao denominado ponto de Curie que, para a maioria dos minerais susceptíveis de serem magnetizados, anda perto dos 500º C. Ora o manto e o núcleo terrestre estão demasiado quentes para reterem um campo magnético permanente.

Outra forma de criar um campo magnético é através de correntes eléctricas. Adaptando os conceitos do electromagnetismo ao estudo da Terra, os cientistas avançaram com a denominada teoria do dínamo. À semelhança do manto, o núcleo externo líquido estará agitado por correntes de convecção. Esta movimentação é considerada como capaz de produzir tanto as correntes eléctricas como o campo magnético necessário para manter um dínamo no núcleo, tanto mais que este é formado essencialmente por ferro no estado líquido (que é um bom condutor). É a partir deste dínamo fluido existente no núcleo externo que é gerado o campo magnético terrestre. Embora ainda existam muitos aspectos por esclarecer, esta ideia parece ser a melhor explicação para o magnetismo terrestre.

Algumas rochas, como os basaltos, são bastante ricas em ferro e tornam-se ligeiramente magnetizadas pelo campo magnético terrestre à medida que arrefecem abaixo do ponto de Curie. Os grãos dos minerais passam então a comportar-se como minúsculos ímanes “fósseis”, orientados de acordo com o campo magnético terrestre existente na altura de formação da rocha. Através do estudo dessas rochas é possível determinar o campo magnético antigo, denominado paleomagnetismo ou magnetismo fóssil. O paleomagnetismo tornou-se uma ferramenta indispensável para o estudo do passado do nosso planeta. Com efeito, a determinação da orientação do campo magnético numa amostra e a sua comparação com o campo magnético actual, permite-nos saber se a rocha estudada terá sofrido alguma rotação desde o seu arrefecimento inicial. Por outro lado, a inclinação das linhas de força do campo magnético terrestre varia com a latitude; se determinarmos a inclinação magnética em amostras de rochas antigas, poderemos também ficar a saber a paleolatitude dos locais de formação das rochas. Estes dados são fundamentais para estudar as movimentações sofridas pelos blocos que constituem a superfície da Terra.

4 comentários:

  1. Regina, só um beijo com toda a minha consideração.

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  2. a.mar
    Sei que é seguidora deste blogue mas não sei se tenho o prazer de a conhecer pessoalmente. Seja bem-vinda

    Graciete
    Um bj para a minha mais fiel seguidora

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  3. Sobre o magnetismo terrestre ver:

    http://www.clubedeautores.com.br/book/27427--A_Geometria_do_Campo_Paleomagnetico

    Um abração,
    Mangrooveman

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