Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Amor é… proteger o Planeta

Não tinha qualquer intenção de falar sobre o dia de S. Valentim até porque,  dos meus tempos de namorada,  não me recordo de se festejar tal dia.

Aliás, segundo a Wikipédia, até há alguns anos seria festejado em 12 de Junho tal como ainda o é no Brasil

O que me levou a falar sobre o dia de S. Valentim foi o artigo Amor é… proteger o Planeta que deu o título a esta postagem e que foi publicado em Ciência Hoje
E porque estamos a falar de namorados, não posso deixar de fazer referência aos lindíssimos lenços de namorados. Fui encontrar esta e outras imagens no endereço anexo  de onde também extraí também o texto


É provável que a origem dos "lenços dos namorados" ou "lenços de pedidos" esteja nos lenços senhoris do sec. XVII - XVIII, adaptados depois pelas mulheres do povo, dando-lhe consequentemente um aspecto característico.
Antes de tudo, eles faziam parte integrante do traje feminino e tinham uma função fundamentalmente decorativa. Eram lenços geralmente quadrados, de linho ou algodão, bordados segundo o gosto da bordadeira.
Mas não é enquanto parte integrante do traje feminino que nos interessa o seu estudo, mas a sua outra função, não menos importante, e da qual vem o nome: a conquista do namorado.
A moça quando estava próxima da idade de casar confeccionava o seu lenço bordado a partir dum pano de linho fino que porventura possuía ou dum lenço de algodão que adquiria na feira, dos chamados lenços da tropa.
Para realizar esta obra, a rapariga utilizava os conhecimentos que possuía sobre o ponto de cruz, adquiridos na infância, aquando da confecção do seu marcador ou mapa.
Depois de bordado o lenço ia ter às mãos do "namorado" ou "conversado" e era em conformidade com a atitude deste de usar publicamente ou não, que se decidia o início duma ligação amorosa.
Os lenços carregam consigo, por isso, os sentimentos amorosos duma rapariga em idade de casar, revelados através de variados símbolos amorosos como a fidelidade, a dedicação, a amizade, etc.
Estes lenços eram originariamente em ponto de cruz, e por ser um ponto trabalhoso obrigava a bordadeira a passar, durante muitas semanas e mesmo durante meses os serões na sua confecção.
Como a escassez de tempo passou a ser um facto na vida moderna, a mulher deixou de ter tanto tempo para a confecção destes lenços, o ritmo de vida tornou-se mais intenso e a mulher teve que solucionar este problema adoptando no bordado outros pontos mais fáceis de bordar.
Com esta alteração outras se impuseram no trabalho decorativo dos lenços dos namorados: o vermelho e o preto inicial vai dar origem a uma grande quantidade de outras cores, e com elas novos motivos decorativos se impuseram. Os lenços não deixaram porém de ser ainda mais expressivos, acompanhados muitas vezes de quadras de gosto popular dedicados àquele a quem era dirigida tão grande fantasia: O Amado.


Finalmente, porque o tema é o Amor , incluo alguns poemas de amor, começando pelo “Soneto da fidelidade” de Vinícius de Moraes dito pelo autor


Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões


Enquanto não superarmos

a ânsia do amor sem limites,

não podemos crescer

emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos

a dor de nossa própria solidão,

continuaremos

a nos buscar em outras metades.

Para viver a dois, antes, é

necessário ser um.

Fernando Pessoa



Poema do Amor

Este é o poema do amor.

O poema que o poeta propositadamente escreveu

só para falar de amor, de amor, de amor, de amor,

para repetir muitas vezes amor, amor, amor, amor.

Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico

contar as palavras que o poeta escreveu,

tantos que, tantos se, tantos lhe, tantos tu, tantos ela, tantos eu,

conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu

foi amor, amor, amor.

Este é o poema do amor.

António Gedeão


E depois destes poemas “maiores” , de entre muitos outros que poderia ter escolhido, quatro poemas “bem menores”


Pesadelo

Não sabia quão grande era o amor

mas ao imaginar tê-lo perdido

foi de tal modo intensa a dor,

como um buraco negro

foi tão densa que tudo à minha volta era vazio.

Sem luz, sem qualquer crença,

tudo se tornou lúgubre, frio.

A vida ficara sem sentido.

(publicado em Os dias do Amor)


Pasárgada

Agrilhoada a vontade

resta sempre livre o pensamento.

Com ele parto para Pasargada

em busca dum amor que não existe

ou se existe é noutro espaço e noutro tempo,

um amor despojado de ciúme em que a paixão, sublime,

porque terna ainda que não perdure é sempre eterna


É tarde…

Chegaste e na minha mão depuseste uma rosa vermelha.

Tomei-a por centelha de um amor

que em tempos pressentia vagamente

mas que supunha há muito tempo ausente.

Emudeci.

As lágrimas teimavam em aflorar-me os olhos

cobrindo-os de uma névoa através da qual te via,

enquanto tristemente te sorria.

Ah, se tu soubesses das cartas que te escrevi e que rasguei,

das telas que mentalmente eu pintei,

todas elas mar azul e sol poente,

envoltas num amor ardente, o amor que então te dediquei.

Ah, se tu soubesses do mar de ilusões em que vaguei

na esperança de te ver, por entre a maresia,

chegar um dia, talvez com uma rosa vermelha na mão,

e pleno de paixão, envolver-me num sufocante abraço.

Mas não e então esmoreci.

Agora será tarde para começar.

Nas lágrimas que me turvam o olhar

não sei se ainda há amor ou só cansaço.


Não sei…

Não sei se era amor o que sentia

Só sei que em sonhos eu te via

e pressentia que por ti

tinha esperado desde sempre

Não sei se era amor o que sentia

sei que eras a luz que mal surgia

encandeava tudo num repente

Não sei se era amor o que sentia

mas sei que ao amar-te assim

tão loucamente

só poderias ser uma utopia

e que existias somente em minha mente.

Regina Gouveia

2 comentários:

  1. Querida amiga Regina, lindo como sempre tudo o que escreveu! Mas quem diz que são menores os últimos poemas que escolheu?São lindíssimos e sabe que me revi em alguns deles? Um beijo, Regina, com toda a admiração que me merece.

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  2. O amor é uma utopia, querida Regina...
    A paixão é muito mais palpável.

    Bjo
    Obrigada por mais esta torrente de poemas para ler e reler nos dias dos namorados ou nos dias de solidão!

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