Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Crise e corrupção…


Os vídeos que anexo “falam”, implícita ou explicitamente, de crise e /ou  de corrupção.

A verdade acerca da economia

Intervenção de Godfrey Bloom

Porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento? (um texto maravilhoso de Mia Couto)

Um Dia Isto Tinha Que Acontecer,  Mia Couto

Duas intervenções de Cidinha Campos


Termino esta mensagem com  pintura,  Portinari (Retirantes) e música:  José Afonso  (Os Vampiros)  e Zélia Barbosa (Pau de arara) 



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Breves


 Breve e  “triste”

Já por várias vezes me referi aos enormes danos que a Ministra Lurdes Rodrigues, ainda hoje “endeusada” por alguns, causou à educação. Em minha modesta opinião foi a pior Ministra da educação que eu conheci desde 1967, ano em que comecei a leccionar.

E a propósito das políticas de MLR, leiam “Uma festa de arromba” um texto do Professor  Carlos Fiolhais

Festa é excesso. Eu já suspeitava que o dinheiro nos cofres públicos tinha acabado não só devido à crise internacional mas também devido à incapacidade governativa de gestão racional dos recursos existentes. Suspeitava que havia gastos excessivos. Foi por isso que acreditei na confirmação que veio da ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, quando afirmou na Comissão Parlamentar de Educação: “O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”.

A derrapagem bateu todos os recordes: em 2007, José Sócrates, acolitado pela ministra, anunciou que 332 escolas iam ser requalificadas, com um custo médio de 2,8 milhões de euros por escola. Passados três anos, no Relatório de Contas da empresa Parque Escolar, o custo médio por escola tinha aumentado para 15,5 milhões, isto é, mais de 440 por cento (acresce que muito menos escolas foram intervencionadas). A extraordinária derrapagem da Casa da Música no Porto e de outras obras públicas mais antigas não consegue competir com a sua rechonchuda “irmã” mais nova. Desmentindo o óbvio, sem dar suficiente atenção a números, a ex-ministra lá foi fazendo o elogio do fausto (“o que é barato, às vezes, sai caro") e criticando essa formalidade, para ela aparentemente inútil, de ter de haver concursos públicos e vistos do Tribunal de Contas antes de qualquer empreitada paga com o nosso dinheiro (“nem sempre a transparência é convergente com o interesse público”). Ela própria tinha achado o preço certo e tinha dado o visto. Sócrates estava dentro dos planos da festa, tendo-os abençoado, mas a nós, cidadãos contribuintes, pedia-se e pede-se apenas que aplaudamos o grande arraial e o lauto fogo de artifício.

Se eu tenho alguma coisa contra festas? Em princípio nada, até gosto de som e luz. E gosto, claro, de escolas bonitas e confortáveis. Acontece simplesmente que, neste caso, sinto que fui eu quem pagou a festa, que outros encomendaram, escolhendo a seu bel-prazer os pirotécnicos, o foguetório e os lugares da rebentação. Fomos todos nós, hoje espoliados dos subsídios de férias e de Natal e confusos quanto à possibilidade de reforma atempada, que pagámos.

No rescaldo da festa, Nuno Crato, o actual ministro da Educação e Ciência, tem uma herança de dívida. Como encontrou os cofres ministeriais arrombados, tem de ver com muito rigor as contas para rendibilizar o escasso orçamento. Se alguma experiência lhe pode valer é a de vir de uma missão de reparação de cofres arrombados à frente do Tagus Park, em Oeiras. Na altura, quem podia festejava. Convenhamos que, com ou sem experiência, não é fácil gerir um ministério que foi financeiramente implodido pela Parque Escolar e pelo Plano Tecnológico (outra festa!).

O ministro vai decerto poupar nos candeeiros de design e nos Magalhães. Mas há coisas em que decididamente não pode poupar. Não pode poupar no alento a transmitir às escolas, em especial na confiança nos professores e no encorajamento aos alunos. Não pode poupar na mensagem a todos os cidadãos de que é possível subir os níveis da nossa tão depauperada educação. Afinal, a educação é muito mais do que edifícios dispendiosos e computadores de último grito e, nas escolas, há coisas que não custam um cêntimo, mas sim vontade e esforço. Eu sei que os tempos não estão para muitos ânimos. Os nossos bolsos estão vazios como os cofres do Estado e não antevemos quando uns e outros vão começar a encher. Mas o pior de tudo seria se os tempos fossem de completo desânimo. Há razões para ter alguma esperança na recuperação do défice educativo. A recente reforma curricular oferece a professores e alunos a possibilidade de se concentrarem no essencial, que é ensinar e aprender, e serem avaliados e por isso. O recente anúncio de que as escolas terão liberdade não só de escolher os horários e algumas disciplinas, mas também de constituir as turmas da maneira que acharem mais adequada, cria fundadas expectativas de que muita coisa poderá ser alterada nas salas de aula com resultados que interessa apurar. Espera-se que o desmesurado monolitismo do Ministério dê lugar a autonomia e responsabilização das escolas. A mudança pode não ser fácil, mas o nosso sistema de ensino, centralizado e uniforme, tem, de facto, agravado as desigualdades, condenando os mais desfavorecidos à sua sorte. É hora de mudar.

O ministro não pode poupar na democracia. Num país democrático, as questões do ensino e da aprendizagem não podem ser propriedade exclusiva de um ministério, onde alguém decide fazer uma grande festa sem prestar contas a ninguém, são também e sobretudo dos professores e dos alunos e dependem do seu trabalho no dia-a-dia. E são das famílias. São afinal de todos nós.

 

Breve e  “animadora ”

Glaciares de cordilheira asiática estão a ganhar massa

 

Quando em 2010 estive na Noruega vistei o Briksdal  


  
Poderão ver mais imagens aqui


Mas segundo pessoas mais viajadas, o Perito Moreno na Argentina é muito superior




Poderão ver mais imagens aqui

terça-feira, 17 de abril de 2012

Imaginem...


Imaginem… o que nos pode esperar  para além do acordo ortográfico…
 A jornalista Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de catedrática no
assunto, que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não
existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é
Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como
Presidenta da Assembleia da República.


A propósito deste texto  recebi um outro que reencaminho:

Uma belíssima aula de português.

Foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida
se temos presidente ou presidenta.

A presidenta foi estudanta?


Existe a palavra: PRESIDENTA?

Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por
exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte,
o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é
mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo
do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação
que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante,
ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta",
independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela
"ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não
"adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".

Um bom exemplo do erro grosseiro seria:

"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta
que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta
dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não
tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação...
Tudo isto vem a propósito de Pilar do Rio se assumir como  Presidenta da Fundação José Saramago.  É  mulher, logo é Presidenta

E agora imaginem que...  

todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados........


Termino com 

O jardim das delícias de Bosch, pintor do século XVI , para alguns um dos pintores mais imaginativos  de todos os tempos que  terá sido uma fonte de inspiração para os surrealistas 

e com a canção  Imagine 


E também há os que não têm casa...


Em mensagem anterior falei de casas subterrâneas. Comecei com um belíssimo poema de Eugénio de Andrade

Na sequência do mesmo, escrevi:

Há arquiteturas escavadas,
casas no solo enterradas
onde apetece morar...


A minha amiga Graciete comentou:

(...) E também há os que não têm casa.

Acrescento

E há quem viva em palácios
com tal  luxo e ostentação
que geram grande  revolta
e muita  indignação
pois  há quem não tenha casa
e nem sequer tenha pão
e existem bairros de lata,
favelas e bidonville,
seja cidade bidão…
E há muitos sem abrigo
que têm o céu por telhado
e para sobrado, o chão.
Alguns vão sobrevivendo
com muita imaginação
É assim neste planeta,
generoso até mais não,
onde grassam a ganância
e muita corrupção...


Os vídeos que seguem  mostram  o uso de plástico reciclado, na construção



 Termino com belíssimo poema  Operário Em Construção (Vinícius de Morais)  aqui na voz de  Mário Viegas 

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:

Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

 E Jesus, respondendo, disse-lhe:

- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.




domingo, 15 de abril de 2012

Ecletismo cultural - casas subterâneas


Há casas
cuja beleza começa no projecto;
outras, e são talvez as mais belas,
existem só na cabeça do arquitecto.
.

Há casas feitas à medida do homem,
outras há para andar de bicicleta;
há casas sobre cascatas
onde ao sortilégio da água
se junta a música de Bach.
.

Há casas tão ajustadas
como fato por medida
ou um verso de Cesário,
outras de tão confusas
não viram régua nem esquadro.
.

Há casas de papel, casas de madeira,
casas de palha e de barro;
casas que trepam pelo céu,
casas que cheiram a jasmim do Cabo;
há casas só para dormir
parecidas com um sudário.
.

Há casas onde
habitar é o começar da morte;
há casas de pátios caiados
com varandas para o mar;
casas onde apetece estar sentado
com um gato nos joelhos
e o coração apaziguado.
.

Há casas com recantos para amar,
há outras onde o amor
se faz em cinco minutos
e às vezes já é demais;
há casas como um dedal
e geometria de abelhas,
casas de perfil atento
ao rumor das nascentes e das estrelas.
.

Há casas como um cristal,
casas de luz circular,
casas onde não é possível
ouvir correr o silêncio; há casas
que de casas só têm o nome;
há casas que nem para cães.
.

Há casas tão inteligentes
que não consentem qualquer margem
para luxos e arrebiques,
casas onde a alegria se instala
sem tempo nenhum para a mágoa.
.

Há casas onde o pão é triste
e a roupa mal lavada;
há casas que são um rio, há casas
que são um barco;
outras têm pomares
onde os diospiros ardem;
há casas com terras de vinha e trigo
e muros a toda roda.
.

Há casas que são um poema
para dar a um amigo.
.
Eugénio de Andrade

Este poema que foca Relações de casas boas e más para juízo dos arquitectos Carlos Loureiro e Pádua Ramos, pode ser encontrado no catálogo da exposição   40 Anos de Arquitectura 1950/1990: Um Gabinete do Porto: J. Carlos Loureiro, L. Pádua Ramos, J. Manuel Loureiro. Porto, Cooperativa Árvore, 1992.

Na sequência do belíssimo poema de Eugénio de Andrade apetece-me acrescentar:

Há arquiteturas escavadas,
casas no solo enterradas
onde apetece morar...


São assim as  Vivendas de Matmâta um dos locais onde terão sido feitas filmagens para “Guerra das estrelas”.

A arquitetura subterrânea é uma  arquitetura solar  que aproveita os recursos naturais para a construção: A inércia térmica do solo permite obter um grande conforto térmico (o contributo da física sempre presente…). Este tipo de construção no passado era essencialmente auto-construção Para além da Tunísia, existem outros países com arquitectura subterrânea, como por exemplo Espanha, especialmente na Andaluzia e nas Canárias, França e China

Esta arquitectura inspirou uma arquitetura subterrânea contemporânea   de que a imagem anexa é um exemplo


E conforme a sugestão do poema terminemos com música de Bach

sábado, 14 de abril de 2012

Ecletismo Cultural


Durante seis anos frequentei aulas de yoga na Academia Vydia, que recomendo. 
Como necessitava de praticar natação, este ano, pelo mesmo custo inscrevi-me no Holmes Place, numa modalidade criada recentemente, que permite o acesso a várias das ofertas do Clube, nomeadamente Tai Chi, prática oriental  muitas vezes ao ar livre , muito interessante pois os exercícios mais parecem uma dança

A propósito da cultura oriental deixo um vídeo que me foi enviado, acompanhado do texto anexo.
 "Quando um velho monge eremita tem seu dia interrompido por um hóspede não convidado, ele é levado involuntariamente em uma jornada para descobrir o verdadeiro significado de companheirismo."


 Para o ocidente a cultura oriental, nomeadamente a chinesa, é muitas vezes traduzida por aforismos, nomeadamente “só a paciência de um chinês”
O quadro chinês anexo, pintado entre 1085 e 1145, considerado como um dos maiores tesouros da China, é revelador dessa paciência.
Mede 5,28 metros de comprimento e tem 24,8 cm de altura.


Se a arte chinesa antiga  nos é  de certo modo familiar, creio que  o mesmo não acontece com a arte chinesa contemporânea Deixo aqui algumas obras de Wu Guanzhong
Wu Guanzhong nasceu em 1919, em Yixing, na província de Jiangsu, na China. É um dos principais pintores que mais contribuiu para o desenvolvimento da pintura chinesa no século XX e que grangeou enorme prestígio dentro e fora do seu país. As suas pinturas caracterizam-se pela mistura das técnicas chinesas e ocidentais, estabelecendo uma síntese que resulta em obras de uma beleza notável. Em 1992 os seus quadros foram exibidos no Museu Britânico, a primeira vez que um artista chinês vivo recebeu essa honra.

Waterway (1991)


Spring in the City (2000)


 Termino com música: música  chinesa e  Un bel di vedremo de  Madame Butterfly na voz de Maria Callas, uma das árias de ópera de que mais gosto  e que a minha mãe cantava divinamente.  Não se tratando de música oriental, conta uma história baseada  na vida real da japonesa Cio-Cio-San (Butterfly)


Estar vivo...




Diz Pablo Neruda que  estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.

> Morre lentamente quem não viaja,
> Quem não lê,
> Quem não ouve música,
> Quem destrói o seu amor-próprio,
> Quem não se deixa ajudar.
>
> Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
> Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
> Quem não muda as marcas no supermercado,
> não arrisca vestir uma cor nova,
> não conversa com quem não conhece.
>
> Morre lentamente quem evita uma paixão,
> Quem prefere O "preto no branco"
> E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
> Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
> Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
>
> Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
> Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
> Quem não se permite,
> Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
>
> Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva
> incessante,
> Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
> não perguntando sobre um assunto que desconhece
> E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
>
> Evitemos a morte em doses suaves,
> Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
> Simples acto de respirar.
> Estejamos vivos, então!»

>
> Pablo Neruda
       
Ouçamos o poema em castelhano,  língua do autor


E a propósito deste poema reflitamos sobre a “filosofia” de George Carlin aos 102 anos



Por fim, a obra Senecio de paul Klee, um dos pintores de que mais gosto

"Senecio" (Homem velho) – 1922 é uma das obras mais famosas do pintor suíço Paul Klee. Nela, o rosto humano surge esquematizado, dividido em retângulos pelo uso da cor. Por outro lado, vários quadrados estão contidos num círculo representando a face com máscara e mostrando a face multicolorida de um arlequim.
O retrato do artista Senecio pode ser considerado um símbolo da mudança da relação entre a arte, ilusão e o mundo do drama. "Levar uma linha a passear" era como Klee descrevia seu estilo único, inspirado por uma paixão pela música e um interesse pelos sonhos e as incongruências do subconsciente, combinando inocência com sofisticação.
A obra integra o acervo do Museu de Arte de Basiléia.