Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

NOVO BLOGUE

Retomei o blogue que já não usava há anos.

https://reflexoeseinterferncias.blogspot.com/

Dedico-o essencialmente aos mais novos mas todos serão bem vindos, muito em particular pais, avós, encarregados de educação, educadores ...


domingo, 15 de janeiro de 2012

Os pássaros


Possivelmente muitos viram já o filme “Os pássaros” de Alfred Hitchcock que aqui recordo num excerto e em que várias aves enlouquecidas cortam a energia eléctrica, arrasam casas e atacam pessoas, chegando a matá-las selvaticamente

Um artigo publicado no passado dia 14, em Ciência Hoje adianta uma explicação para situações reais idênticas à ficcionada no filme

Neurotoxina é responsável por enlouquecer "pássaros de Hitchcock"


(...) Embora não tenha realmente acontecido e não haja registos de um ataque aviário tão sangrento, o argumento do cineasta baseou-se em factos reais. Dois anos antes da obra de Hitchcock, em 1961, os jornais californianos davam conta de uma história, na cidade litoral North Monterey Bay, onde pássaros marinhos tinham atacado.
As aves não agrediram directamente pessoas, mas empreenderam-se contra peixes, batiam em muros e paredes, desorientadas. Os acontecimentos pareciam saídos do livro «The Birds», publicado em 1952. E tal, como no cinema, não houve explicação para o que ocorreu.

Trinta anos depois, em 1991, a natureza resolveu recontar a história. Na mesma área, pelicanos apareceram desorientados e morreram aos milhares. Neste caso, uma equipa de biólogos marinhos conseguiu explicar o sucedido.
Encontraram vestígios de ácido domóico (DA), uma neurotoxina produzida por um tipo de fitoplâncton, que provoca envenenamento amnésico por mariscos (Amnesic Shellfish Poisoning - ASP), é um aminoácido excitatório que contém a estrutura do ácido glutâmico e semelhante ao ácido caínico. A substância foi encontrada em grandes quantidades no estômago de peixes da região, o principal alimento dos pássaros marinhos. A toxina pode chegar a concentrações fatais para os predadores que as ingeriram.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

La piovra

La piovra

Muitos se lembrarão da série italiana, O polvo.
Deixo um excerto para quem viu poder recordar e para quem não viu, ficar com uma ideia da série.

Lembrei-me dessa série porque infelizmente, com a globalização, as máfias que associávamos de imediato a Itália, são hoje uma realidade em toda a Europa e, em meu entender, é aí que residem essencialmente as raízes da crise.
E a propósito da crise vejam o vídeo  anexo e actualizem os vossos conhecimentos com um novo teorema, o teorema neoliberal, que hoje me chegou via e-mail e que podem ver aqui.
TEOREMA NEOLIBERAL

Explicação do Teorema Neoliberal

(dedicado a todos aqueles que ainda se sentem algo confusos perante esta verdade científica)

O Teorema Neoliberal estabelece que engenheiros e outros técnicos especialistas NUNCA JAMAIS conseguirão ganhar tanto como gestores políticos, dirigentes das SAD do futebol, consultores estrangeiros, astrólogos ou cartomantes. O Teorema Neoliberal pode ser facilmente demonstrado reduzindo-o a uma simples equação matemática.

Vejamos:
A equação tem por base os seguintes Postulados indiscutíveis:


Postulado N°1 : Saber é Potência
Postulado N°2 : Tempo é Dinheiro

Ora de acordo com as imutáveis Leis da Física,

Potência = Trabalho / Tempo

então como vimos,  Potência = Saber    Tempo = Dinheiro

Por substituição temos que:

Saber = Trabalho / Dinheiro

O mesmo será dizer que,

Dinheiro = Trabalho / Saber

Ou seja, quando o saber tende para ZERO, o dinheiro tende para INFINITO, independentemente do valor atribuído ao Trabalho.

Pelo contrário, quando o saber tende para INFINITO, o dinheiro tende para ZERO.

Neste caso você corre sérios riscos de ser despedido na próxima reestruturação da Empresa, mesmo que o seu Trabalho seja enorme.

CONCLUSÃO EVIDENTE:

Na economia neoliberal, quanto menos você souber, mais dinheiro conseguirá realizar.

Se sentiu alguma dificuldade em seguir esta demonstração matemática do Teorema Neoliberal, você deve estar a ganhar uma pipa de ma$$a!

domingo, 8 de janeiro de 2012

De poesia e de arte

O dia de Reis acordou, para mim, recheado de coisas boas.
Às 10h, quando me preparava para ir ter com as minhas amigas Daisi e Isabel , com quem não tinha podido estar antes do Natal, ao abrir a caixa do correio, deparei com o livro  Rio virando mar que me foi enviado, devidamente autografado por Deka Purim.
Conheci Deka Purim na minha última visita a Angra do Heroísmo, que teve lugar em Novembro de 2010, a convite do Dr. Marcolino Candeias,  Director da  Biblioteca Publica e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo(BPARAH). Da visita, das crianças com quem contactei, do carinho com que  fui acolhida, bem como da forma como tomei conhecimento do Dr.  Marcolino Candeias e da sua poesia, dei conta neste blogue. Num dos dias, o Dr. Marcolino convidou-me para jantar em sua casa. Foi assim que conheci Deka Purim, com um percurso de vida muito interessante Neste seu primeiro livro a  poesia emerge viva, no título, na dedicatória, em cada poema.


POETA

Ser poeta é
quase
quase
deixar de Ser.
É se diluir
pra pertencer.
É o gozo do
aperto do leito
das palavras
das grafias
e do divino ritmo.
Ser poeta é
Ser Rio
Virando Mar.

Mas continuando o meu dia...Estive com as duas amigas, que estimo muito, conversámos  e trocámos pequenas lembranças de natal
.À tarde fui visitar a exposição "Jogos de luz" de Virgínia Barros, a que fiz referência na mensagem anterior. Trata-de um conjunto muito interessante de fotografias a preto e branco, duas das quais mereceram a minha
preferência. Deixo aqui, embora sem boa qualidade, duas fotos  mas podem ver mais aqui 

No entanto o melhor é visitar a exposição  (espaço Vivacidade )





Ao fim da tarde, ao chegar a casa, fui consultar um blog que consta da minha lista, Alfândega da Fé... Noticias de cá e de lá e aí encontrei referências à exposição de Nadir Afonso, na casa da Cultura de Alfândega da Fé. Já sabia da exposição mas ainda não pude ir visitá-la. Deixo um vídeo sobre a mesma e uma imagem de um  quadro do autor.




Finalmente, à noite fui assistir ao concerto de Ano Novo  na Casa da Música, concerto a que já me havia referido na mensagem anterior



Deixo alguns dados sobre o concerto

1ª parte

Carl Maria von Weber/Hector Berlioz- Convite à valsa

Hector Berlioz- “Ballet des Sylphes e Minuet” de La damnation de Faust

Maurice Ravel- Don Quichotte à Dulcinée

Claude Debussy -“Minuet” de Petite Suite

Claude Debussy - Tarantelle Styrienne
2ª parte
Léo Delibes-“Valse de la Poupée” de Coppélia

Emil Waldteufel- Les patineurs (podem encontrar aqui numa versão bailada)



Charles Gounod- Valsa e ária “Avant de quitter ces lieux” de Faust

Jacques Offenbach (arr. Manuel Rosenthal)- “Allegro Molto e Valse” de Gaité parisienne

Jacques Offenbach-“Je suis Brésilien, j’ai de l’or” de La vie parisienne

Ambroise Thomas- Abertura da ópera Mignon

José Luis Gomez direcção musical, Andrew Ashwin barítono

Natural da Venezuela, o jovem maestro espanhol José Luís Gomez atraiu as atenções internacionais ao conquistar o Primeiro Prémio no V Concurso Internacional de Direcção Sir Georg Solti, em Frankfurt, em Setembro de 2010, naquela que foi uma rara decisão por unanimidade do júri.

Andrew Ashwin barítono

O barítono de ópera britânico Andrew Ashwin tem obtido sucesso em vários países, incluindo Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda e Espanha, bem como no Reino Unido.
De entre os vários trechos cantados deixo aqui na voz de Dário Moreno  a ária “Sou brasileiro, tenho ouro” que retrata o quotidiano cosmopolita da capital francesa na época em que o próprio compositor viveu e onde pairavam milionários, nobres falidos e novos ricos de todo o mundo. é um retrato vívido dessa realidade e conta a história de um desses turistas que vai às compras para estar na moda.

Sou brasileiro, tenho ouro,

Acabo de chegar do Rio de Janeiro

Mais rico do que nunca,

Oh, Paris, de novo a ti regresso!

Já duas vezes cá vim,

A mala de ouro cheia

E diamantes no peitilho,

E quanto durou isto assim?

O tempo de fazer centos d’amigos

E a quatro ou cinco amantes querer,

Seis meses de galantes enlevos,

E depois acabou! Ó Paris! Paris!

Em seis meses me limpaste,

E depois, para a minha jovem América,

Pobre e melancólico,

Com bons modos me mandaste!

Mas por voltar ansiava,

Lá longe, sob o meu céu selvagem,

Raivosamente insistia:

Ganhar outra fortuna ou finar!

Pois que não finei,

Loucas maquias como pude amontoei.

E eis-me aqui pra que me roubes

Tudo o que por lá roubei!

Sou Brasileiro, tenho ouro…

Paris, o que de ti quero,

Tuas mulheres é o que quero,

Burguesas não, nem grandes damas,

As outras sim... está bom de ver!

As que exibindo se podem ver

Nos veludos da ribalta

Com jeito de rainhas

Grandes ramos de lilases brancos,

As de que o olhar frio e sedutor

Num ápice aquilata a sala

E de cadeira em cadeira procura

Sucessor para o janota que,

Todo chique mas pobrete,

No fundo do camarim se anicha,

E diz mordendo o bigode:

Onde raio desencantar dinheiro?

Dinheiro! Tenho-o eu! Vinde!

Vamos comê-lo, minhas pombinhas!

E depois, vou empenhar-me,

Estendei ambas mãos e levai!

Sou brasileiro, tenho ouro…

Hurra! Acabo de chegar,

Às vossas cabeleiras, cocotes!

Entre vossos dentes ponho

Inteira fortuna a tragar!

O pato chegou, depenai, depenai;

Levem meus dólares, minhas notas,

Meu relógio, meu chapéu e minhas botas,

Mas digam que me amam!

A mim os gozos e os risos

E as danças de parelha

A mim as noites de Paris!

Levem-me ao baile de Asnières!

Vinde a mim e tereis Jóias e atavios;

Vinde e despojar-me-eis,

Atrevidas e coquetes!

Mas fiquem a saber,

Pois que me estás no sangue,

Cada cêntimo cobrarei,

Juro-o; Cada cêntimo cobrarei,

Vinde!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A crise é culpa é dos funcionários públicos...

A culpa é, obviamente,  dos funcionários públicos como podem confirmar.

Alguns sofrem há muito com a crise Só podem comprar vinho velho, carros sem tejadilho, etc



Por isso, o melhor é dificultar  a vida à maioria dos funcionários públicos, de modo a que  acabem  por se extinguir.
E se essa maioria de funcionários públicos acabar?  Lá se vai a explicação dos políticos para a crise :
Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na Universidade de Estrasburgo, a ler com olhos de ler.

Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociaisImporta em primeiro lugar averiguar as causas (da crise) . Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.

Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.
Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre (...).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Da magia à nostalgia do Natal ...

Gosto muito da magia do Natal, a família reunida à mesa, a alegria das crianças, os sabores próprios desta quadra festiva.... Mas com a magia surge também a nostalgia que decorre dos lugares vazios à mesa (cada vez mais numerosos), particularmente o da minha mãe.

Lembro-me, da sua belísima voz de soprano, cantando a Ave Maria de Bach/Gounod e particularmente a de Schubert que aqui deixo na voz de Nana Mouskouri
E na mesma voz deixo ainda mais algumas canções que a minha mãe, antes da doença (Alzheimer aos 58 anos), cantava frequentemente:
Serenata de Schubert
Una furtiva lágrima de O elixir de amor, de Donizetti
Amapola de José María Lacalle García (Joseph LaCalle)


E porque estamos em 2012, noticio a exposição de fotografia "Jogos de luz" de Virgínia Barros que inaugura no próximo dia 5, às 17 h, no espaço criativo Vivacidade

sábado, 31 de dezembro de 2011

As últimas "breves" de 2011...

Não deixem de ler as declarações prestadas por Carlos Fiolhais à jornalista Christiana Alves Martins (CAM) do Expresso 


Quanto a música, deixo uma sugestão.
CONCERTO DE ANO NOVO: VIVE LA FRANCE, 6 de Janeiro 21:00,Sala Suggia
Um momento de puro encantamento, com melodias embriagantes, ritmos cómicos, valsas insinuantes, tudo temperado com o tom característico da música francesa num programa que assinala a estreia do barítono Andrew Ashwin no Porto.


No que respeita às artes pláticas sugiro "A METAMORFOSE DA MATÉRIA"  em exibição no Museu da Fundação Escultor José Rodrigues, de 8 de Novembro de 2011 a 29 de Fevereiro de 2012
 
Mais eventos culturais para 2012 poderão ser consultados aqui  

Despeço-me com o meu último trabalho de 2011 (pastel de óleo sobre papel)




Desejo a todos um Feliz 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012 com ou sem bosão de Higgs

Os físicos acreditam que o tímido bosão de Higgs se revelará em 2012

O "ultra-tímido" bosão de Higgs pode, finalmente, ter-se mostrado no LHC. Ambos os detectores principais, ATLAS e CMS, descobriram indícios de um Higgs leve. A ser verdade, o Modelo Padrão de Partículas estaria completo.


Ainda mais emocionante, um Higgs com uma massa perto de 125 giga eléctrão-Volt/c2, seria também o início de um caminho num terreno inexplorado. Ser tão leve implicaria pelo menos um novo tipo de partícula para estabilizá-lo. "É muito emocionante", afirmou o porta-voz do CMS, Guido Tonelli. "Este poderá ser o primeiro anel de uma cadeia de descobertas."


Sendo a principal teoria de como partículas e forças interagem, o Modelo Padrão tem sido um sucesso espectacular desde que foi proposto na década de 1960. Mas ele só funciona no pressuposto de que o bosão de Higgs existe realmente. A partícula é o cartão de visitas de uma entidade invisível chamado o campo de Higgs, que conferirá a massa às partículas. O problema é o Modelo Padrão não poder prever a massa do Higgs. Os físicos começaram, há vários anos, a sua caça em aceleradores de partículas na versão menos massiva. Experiências têm vindo a descartá-la num intervalo de massas, com excepção de uma janela estreita entre os 115 e 141 GeV/c2.


Agora(…) os físicos do Large Hadron Collider, do CERN, perto de Genève, Suiça, Tonelli e Fabiola Gianotti, chefe do detector ATLAS, apresentaram, separadamente, os resultados de mais de 300 mil milhões de colisões de partículas de alta velocidade efectuadas no ano passado. "Esta é a primeira vez que nós estamos realmente a explorar a sua massa em toda a região com a sensibilidade certa, o que permitirá que se há algo lá então começaremos a ver alguma coisa", diz Tonelli




Ainda a propósito do bosão de Higgs Carlos Fiolhais disse respondendo ao filósofo Fernando Belo

FB:"Uma tribo de milhares de físicos, suspensa dum acontecimento anunciado numa máquina de 27 km de percurso. Se se provar que o famoso bosão de Higgs existe (embora sem 'aparecer'), a pergunta ingénua que faz o leigo é: e depois, a Física fica completa, acaba?"


CF:Respondo neste espaço. Não, não está de maneira nenhuma à vista o fim da Física, quer apareça, quer não apareça a partícula de Higgs. Não sendo especialista na área, tenho defendido o fantástico empreendimento que a numerosa "tribo" de físicos tem realizado no CERN, entre a Suíça e a França. Trata-se de um exercício colectivo de física fundamental, da união internacional de esforços para verificar se uma dada peça prevista pelos físicos teóricos para compreender a existência de massa de partículas existe ou não no nosso Universo. Ninguém melhor que o Nobel da Física Steven Weinberg afirmou a propósito da nossa necessidade da Física fundamental: "O esforço para compreender o Universo é uma das poucas coisas que eleva a vida humana acima da comédia e lhe confere um pouco da dignidade da tragédia.” Não penso que tenha sido bom para a ciência a não-notícia que foi, há dias, o anúncio em Genebra da não-descoberta (até agora) do Higgs. Esta partícula só merecerá uma conferência de imprensa quando, de facto, for notícia. Pode ser que o venha a ser. Ou pode ser - surpresa, surpresa! - que não. A Física avançará tanto num caso como noutro(...).


A existência do bosão de Higgs foi postulada na década de 1960 pelo físico britânico Peter Higgs. Antes dele, Isaac Newton descobrira que a gravidade é a força de atracção que existe entre todas as partículas com massa e Albert Einstein demonstrara a equivalência entre massa e energia, mas nada disto serviu para responder a duas questões: o que é, afinal, a massa, e de onde é que ela provém?
Enquanto esta partícula subatómica não for detectada, os cientistas não conseguem explicar a existência da própria matéria, à luz do actual modelo de compreensão da matéria e das forças que a unem - o chamado Modelo Standard. Por outras palavras, sem o bosão de Higgs fica mais difícil explicar porque é que existem coisas no Universo.

Termino com um poema meu dedicado ao bosão de Higgs, o desejo de que 2012 revelando-o ou não, seja para cada um, o melhor possível , o poema de Ano Novo de Carlos Drummond de Andrade e um concerto de Ano Novo 2011 em  Viena

Existirá desde o primeiro momento


ainda sem espaço, ainda sem tempo,


sem quando, nem onde,


em que o tudo era simplesmente o nada?


Afinal, a massa de onde é que provém?


É este, em essência, o segredo que, cioso, esconde,


mau grado o empenho de toda a ciência.


Cioso, acanhado, quiçá temeroso de um qualquer depois,


ainda mais terrível do que eme cê dois


na bomba de Hiroshima


O bosão de Higgs existirá ou não?


Eis a questão

Regina Gouveia 2011


Para você ganhar belíssimo Ano Novo



cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,


Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido


(mal vivido ou talvez sem sentido)


para você ganhar um ano


não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,


mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,


novo até no coração das coisas menos percebidas


(a começar pelo seu interior)


novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,


mas com ele se come, se passeia,


se ama, se compreende, se trabalha,


você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,


não precisa expedir nem receber mensagens


(planta recebe mensagens?


passa telegramas?).


Não precisa fazer lista de boas intenções


para arquivá-las na gaveta.


Não precisa chorar de arrependido


pelas besteiras consumadas


nem parvamente acreditar


que por decreto da esperança


a partir de janeiro as coisas mudem


e seja tudo claridade, recompensa,


justiça entre os homens e as nações,


liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,


direitos respeitados, começando


pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um ano-novo


que mereça este nome,


você, meu caro, tem de merecê-lo,


tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,


mas tente, experimente, consciente.


É dentro de você que o Ano Novo


cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade