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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 6 de julho de 2017

No mundo das palavras...


Na última mensagem deixei um poema do meu novo livro “Quando o mistério se dilui na penumbra”
 
Hoje deixo dois poemas publicados na revista Philos  cujo acervo pode ser consultado aqui

É a segunda vez que envio poemas para a revista. Em  ambos os casos foram seleccionados

Da primeira vez enviei o poema  Numa esquina do tempo que pode ser visto aqui 

Luxuriosas,
as estrelas crepitam no céu negro.
Voluptuosos,
os ramos das árvores afagam a escuridão.
Quais garças,
miríades de sonhos esvoaçam ledos.
Titubeante,
o amor deambula por entre apaixonados.
Helena ama Demétrio,
que ama Hérnia, que ama Lisandro.
Errante, a paixão…
Titânia ama um ser com cabeça de animal.
Duendes e fadas
volteiam por entre a bruma esquiva.
Gorjeia a poesia.
No ar, o róseo perfume da madressilva.
A noite estremece.
De flautas e oboés, refulgem os trinados.
Amores reencontrados…
Flutuam acordes da marcha nupcial.
Cúmplice, a magia…
Florescem os sonhos na noite de verão.
Numa esquina do tempo,
Shakespeare, Mendelson e Chagall.
Subtil, a aurora desliza noite adentro.
Vénus regressa.
Ao amanhecer, esvai-se a fantasia.
Balbuciante, o dia…
rumoreja o bosque, despertando lento
Desta vez enviei os dois poemas que seguem e que na revista estão acompanhados da imagem anexa
Se…
É belo este batente.
Dos pulmões do mineiro,
que delida a vida desventrando a terra,
ao suor do ferreiro,
que, moldando o ferro, o corpo cresta,
quanta história contaria se falasse?
Quantos bateres lhe acudiriam à memória?
O bater saltitante da criança,
o bater sem cor e sem esperança
do homem revoltado com a vida,
o bater daquele apaixonado que, enlevado,
ali depôs uma alegre margarida?
Se esse batente falasse….


Semelhanças

Centenária, aquela porta repleta de memórias.
Qual retorta, dela se evolaram por frinchas mal vedadas,
enredos, paixões, amores, traições, alegrias, rancores, segredos,
fragmentos de vidas, em histórias condensadas.





Deixo também um poemas do livro Fui quase todas as mulheres de Modigliani, de Graça Pires, a quem já várias vezes fiz referência
Menina de azul

Em todos os relógios
da cidade, os ponteiros
marcam a hora
inesperada da inocência.
Tudo parece perfeito,
excepto o meu rosto 
de menina, asfixiado 
na moldura do tempo              




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