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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril


Hoje, 25 de Abril, tomei de empréstimo um poema publicado aqui

Continuar Abril
Os barcos têm sede: falta mar.
Os lenços não respiram: falta vento.
Que outro (a) mar das marés do teu olhar
me tragam ao país a que pertenço.

Os vidros têm fome: faltam cravos

assomados à janela do futuro.
Da teia dos meus dedos farei barcos.

Serão velas as palavras que procuro.


Hugo Santos
In: Armas de (a) mar. Lisboa: Ulmeiro, 1988


Quando recordo o 25 de Abril de 74, vem-me de imediato à mente a marcha militar do 25 de Abril



Recordo-me, como se fosse hoje. Fui normalmente para o Liceu Alexandre Herculano, onde lecionava. A meio da manhã a escola fechou, mas não se sabiam ainda pormenores do que tinha acontecido. Golpe de “progressistas “ou dos “ultras”?

Quando se confirmou a primeira hipótese foi uma alegria espontânea  e contagiante. Peguei nos meus filhos,um com meses, o outro com dois anos, e saí para a rua. A marcha ecoava por todo o lado…

O ambiente era de festa. A este propósito recordo “Tanto mar” de Chico Buarque(versão de 1975)



Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim 


Mas teria sido 25 de Abril para todos?

Em Vinte e zinco, Mia Couto “diz”, pela voz da adivinhadora Jessumina

Vinte e cinco é para vocês que vivem nos bairros de cimento. Para nós, negros pobres que vivemos na madeira e zinco, o nosso dia ainda está por vir”.


É certo que os cravos murcharam um pouco para todos….

Termino com “Tanto mar” de Chico Buarque, numa outra versão da canção acima referida (versão de 1978)




Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim 






2 comentários:

  1. Foi bonita a festa. Vamos continuá-la com esperança.
    O poema do Hugo Santos fica bem aqui.
    Um bom dia.
    Beijos, minha Amiga.

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  2. A Esperança não murcha, ela não cansa,
    Também como ela não sucumbe a Crença,
    Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
    Voltam sonhos nas asas da Esperança. (Augusto dos Anjos)
    Bjs
    Regina

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