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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 5 de março de 2017

I have a dream...

Creio já ter referido neste blogue, o quanto eu gostaria de saber tocar bem um instrumento. Os meus pais, muito em particular a minha mãe, que no Brasil foi solista num coro, gostavam muito de música. Cresci ouvindo a minha mãe cantar canções napolitanas, árias de ópera ( Va pensiero, La donna é mobile...), as Ave Maria de Gounod e de Shubert, Barco Negro, Fascinação, Aguarela do Brasil, Ave Maria do Morro, Funiculi, Funicula e muitas,  muitas outras canções……
Até aos 8 anos vivi numa aldeia onde não tinha possibilidade de aprender música . Quando fomos viver para Bragança, a minha mãe tentou arranjar-me um(a) professor(a) de música mas não havia. Uns dois ou três anos mais tarde, começou a haver aulas de acordeão numa casa de freiras e fui aprender o dito instrumento que ainda hoje tenho. Nos livros fui encontrar várias das canções que a minha mãe cantava. Nas aulas ia tocando mas em casa, preferia brincar a  treinar, pelo nunca toquei devidamente



Quando passei para o 6º ano chegou ao Liceu de Bragança um novo Reitor. Tinha o curso de violino e era casado com uma senhora que tinha o curso de piano. Deu-me aulas aulas de piano no 6º e no 7º ano. Como eu não tinha piano, não treinava em casa (presumo que se tivesse também não treinaria) pelo que também aprendi pouco.

Durante esses dois anos, tive oportunidade de melhorar a minha cultura musical. O referido reitor organizava sessões de música clássica,umas no Liceu, outras na Pousada de S. Bartolomeu. A maior parte dos alunos não gostava pelo que éramos poucos os que assistíamos. Aprendi bastante nessas sessões.
Mas regressando aos instrumentos musicais…
Após o 7ºano ingressei na Faculdade e acabaram-se aulas de música….De vez em quando tocava (mal) acordeão. Em 1978, o meu marido herdou um piano que tinha sido da avó materna. Está na minha sala mas só o meu filho Nuno faz uso dele. Eu, de vez em quando, “finjo que toco”…
Desde cedo incentivei os filhos para a aprendizagem da música. O Miguel, com péssimo ouvido, aprendeu viola e cavaquinho mas, tal como eu, toca pouco e mal.Foi, no entanto, um dos fundadores da Tuna de Economia..
O Nuno tem bom ouvido, boa voz (durante alguns anos integrou o CPO) e toca razoavelmente viola, cavaquinho, ukulele e piano. Integra a banda Proud Credence  e já participou em vários concertos no país.
Tentei incentivar os netos a aprender música. A Rita teve lições de piano mas desistiu. Em compensação é uma excelente aluna de ballet, que aprende desde os 3 anos. Nos vários interesses do irmão não entra a música…. Com os filhos do Nuno tive mais sucesso. A Marta, que tal como a prima tem aulas de ballet,  tem também aulas de piano na Teclarte, onde o José aprende ukulele, ao mesmo tempo que vai tocando baixo, tendo como professor o pai. Por sugestão da Teclarte, frequento  também as aulas de ukulele do José, sem ter que pagar mais. E já vou tocando mais ou menos….
Uma das últimas músicas que treinámos foi “I have a dream” dos ABBA uma das música que iremos tocar num próximo concerto da escola.
Foi esta música  que inspirou esta mensagem.
Resolvi investigar se o título tinha algo a ver com o famoso discurso de Martin Luther King. Encontrei referência a várias músicas que foram inspiradas no discurso, mas entre elas não consta a dos ABBA. Provavelmente foi apenas o “plágio” do título

E porque Luther King ficará para sempre na história, aproveito para lhe prestar uma modestíssima homenagem
Em 1963 Martin Luther King Jr. proferiu em frente a uma plateia de mais de duzentas mil pessoas um dos discursos mais célebres de sempre,considerado um dos maiores na história, eleito em 1999 como o melhor discurso estadunidense do século XX. 


https://www.youtube.com/watch?v=gevdV4LvipQ

O movimento pela cidadania, a força da cultura negra, a luta por espaço e respeito foram capazes de levar milhares de pessoas às ruas naqueles dias, num movimento que inspirou inúmeras canções ao longo dos anos. Algumas incorporaram o sonho do discurso de Martin Luther King Jr. de forma directa. Outras reflectiram o contexto daqueles tempos revolucionários. Algumas fazem parte da história. Aqui estão algumas:
Mathalia Jackson – We shall overcome 
(Uma das canções mais conhecidas da época do movimento dos direitos civis. Foi interpretada por Mathalia Jackson e muitos outros cantores da época)
Aretha Franklin – Someday we’ll all be free
(A liberdade era o grande tema da luta pela cidadania dos negros americanos. Esta é a versão de uma dessas canções que aborda o tema, interpretada por Aretha Franklin, e incluída no final do filme Malcolm X de 1992, realizado por Spike Lee)
Marvin Gaye – Inner City Blues
(Uma das canções que reflecte as precárias condições de vida na América urbana, principalmente depois dos conflitos raciais que se seguiram à morte de Martin Luther King Jr.)
Nina Simone – Mississipi goddam
(Muitas das canções dos anos 1960 de Nina Simone captavam o espírito do movimento pelos direitos civis. Esta é uma dessas canções que parecem incorporar os dramas humanos num tempo de convulsão)
Billie Holiday – Strange Fruit
(A versão mais conhecida desta canção é a de Billie Holiday, com o seu expressionismo vocal a condenar o racismo do Sul da América)
Michael Jackson History
(Ao longo dos anos quase todas as celebridades negras da pop aludiram na sua obra à figura de Martin Luther King Jr. Michael Jackson também o fez na década de 1990)
Common – I have a dream
(Canção de 2006 do rapper Common que incorpora excertos do discurso de Martin Luther King Jr. no Lincoln Memorial, propondo um rejuvenescimento espiritual)
U2 – Pride (In the name of love
(Nas décadas que se seguiram ao assassinato de Martin Luther King Jr. muitos artistas criaram canções de tributo à sua vida. Esta é uma das mais conhecidas)
Fingers Inc. - Can You Feel It?
(Editado em 1988, esta produção de Larry Heard, é um dos temas fundamentais da música house nos seus primórdios, vindo a influenciar inúmeros DJ e produtores da música electrónicas nas décadas que se seguiram) 
Wray Gunn – Soul city
(Em Portugal, os Wray Gunn, na faixa de abertura do álbum Eclesiastes 1.11 de 2010, também utilizam um excerto do célebre discurso de Martin Luther King Jr.)

Em outros sites encontrei  referências a mais canções inspiradas no discurso de LK, uma na voz de  Solomon Burke ,  outra do compositor Herbie Hancock e uma outra interpretada pelo coro Luther King

Regresso à canção dos ABBA, numa interpretação do grupo  e  na voz de Nana Mouskouri. Deixo também a letra.

I have a dream  a song to sing 
To help me cope  with anything 
If you see the wonder of a fairy tale 
You can take the future even if you fail 

I believe in angels something good in 
Everything I see 
I believe in angels when I know the time 
Is right for me 
I'll cross the stream I have a dream 

I have a dream a fantasy 
To help me through reality 
And my destination makes it worth the while 
Pushing through the darkness 
Still another mile 

I believe in angels .....

Falar em sonho, transportou-me  para Pedra Filosofal de António Gedeão e para Le rêve de Picasso. E assim termino  esta mensagem

LeRêve (o Sonho), de Pablo Picasso, foi pintado em 1932 no estúdio do artista em Boisgeloup, perto de Paris. A obra representa a amante de Picasso, Marie-Thérèse Walter, então com 22 anos. Os dois conheceram-se quando Marie-Thérèse tinha apenas 17 anos e morava  num apartamento defronte da casa de Picasso, então casado com Olga Koklova.
Marie-Thérèse contaria mais tarde os pormenores sedutores  do encontro: “Tinha ido fazer compras nas Galerias Lafayette e Picasso viu-me a sair do metropolitano. Agarrou-me repentinamente pelo braço e disse-me: ‘Chamo-me Picasso. Nós os dois vamos fazer grandes coisas juntos'”
Le Revê foi comprado em 2013 pelo financeiro norte-americano Steven A. Cohen por 120 milhões de euros....)
 



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