Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Não há mal que sempre dure....


Se habitualmente a falta de tempo é a principal razão por que passo muito tempo sem escrever no blogue, nas últimas semanas,  à razão referida juntou-se uma outra. Mais uma crise das minhas “ites” -rinite, faringite, laringite, sinusite. Praticamente sem voz durante 15 dias, começo agora a recuperar mas a tosse não me larga pelo que tenho dormido muito mal e, consequentemente, sinto-me cansada. Mas não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, diz o ditado.
Assim, também tenho boas notícias.

Já estão on-line os textos que resultaram do desafio lançado pelos CTT e de que falei aqui na mensagem de 2016-12-30.
Lá poderão encontrar o texto da minha neta Marta- O passarinho -e um meu (Umm,...Umm...). Mas há textos de vários países, muito em particular do Brasil.
Muitos dos textos são ilustrados com fotografias, alguns com desenhos e pinturas comoeste: 

Hecho casual
Hace algunos años un hecho casual me
acercó a la pintura, y la fotografia ellas
estan vinculada con el alma, y sin buscarlo,
se transformó y se plasma en colores y vivencias
recuperadas…
Por Ida De Vincenzo, que vive na Argentina.

Ao consultar a página, deparei com a revista digital dos CTT, que não conhecia 
Ali encontrei vários textos muito interessantes, de que deixo  exemplos: 
Às árvores do bosque
O poeta que ia ser monge (Daniel Faria)

Um dos textos  chamou-me particularmente a atenção – uma entrevista com Domingos Loureiro, de quem já aqui falei várias vezes pois tive o privilégio de ser “aluna”na escola de pintura UTOPIA

A par dessa entrevista incluo uma outra, mais antiga publicada aqui

E já que referi o poeta Daniel Faria, termino com  dois  belíssimos poemas seus

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões

E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,

As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados

Ao peso dos pássaros que se abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram

Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas

Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens

Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram

Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem

Cheias de rebentos

As mulheres aspiram para dentro

E geram continuamente. Transformam-se em pomares.

Elas arrumam a casa

Elas põem a mesa

Ao redor do coração.


in  Homens Que São Como Lugares Mal Situados(1998)


Caminho sem pés e sem sonhos

só com a respiração e a cadência

da muda passagem dos sopros

caminho como um remo que se afunda.

os redemoinhos sorvem as nuvens e os peixes

para que a elevação e a profundidade se conjuguem.

avanço sem jugo e ando longe

de caminhar sobre as águas do céu.

in Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)


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