Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 30 de outubro de 2016

Carta a um amigo-novo

Foi com surpresa e muita tristeza que soube da morte de João Lobo Antunes. Como tenho referido, ultimamente os meus dias têm sido tão preenchidos que não me apercebi do seu problema de saúde.
Assisti a algumas palestras suas, nomeadamente a uma na Fundação Eng. António de Almeida em que se referiu à postura negativa de muitos reformados, enfatizando que reformar é mudar de forma, incentivando os reformados a encontrar novas formas de “viver”. Foi extraordinariamente interessante como todas as que assisti diretamente ou através de órgãos de comunicação, do youtube, etc
Tenho apenas um livro seu Memórias de Nova Iorque e outros ensaios de que várias vezes usei excertos, em comunicações.
Mas o texto de sua autoria de que mais gosto e que releio de vez em quando, é Carta a um amigo-novo, prefácio ao livro De Profundis, Valsa lenta, de J. Cardoso Pires.
Confesso que embora goste de alguma obras JCP, neste caso gostei bem mais do prefácio do que do livro. Deixo dois excertos.



Nesse prefácio faz referência ao Quarteto das Dissonância de Mozart de que deixo um excerto

Tentei encontrar o texto integral na NET mas não consegui. Nessa busca fui ter a um site 
que se refere à sua morte de um modo comovedor.
...fatalidades que surgem, a que vulgarmente se chama cancros, que estreitam logo a margem da esperança de vida, logo a ele que passou a vida inteira a resolver esta tipologia de doenças fatais, a roubar dias à morte dos outros.

Deixo também três intervenções suas, um vídeo Reflexões sobre Medicina, Literatura e Culturahttps://www.youtube.com/watch?v=jxfc9Jg7Btg


e duas entrevista, uma em 2015 ao JL e outra e outra em 2001, publicada no Diário de Notícias 
Nesta última faz referência a algumas obras de arte, nomeadamente ao Grito de Munch com que 
termino esta mensagem.




quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sublime e Constrangimento


No passado dia 17, à tarde, decorreram na FAUP  as provas de doutoramento de Domingos Loureiro. Não pude comparecer pois, como já referi, estou a fazer uns tratamentos no Hospital de Santo António (nada de grave, felizmente) que têm lugar precisamente às segundas e quartas de tarde.
Quando lhe telefonei a felicitá-lo e simultaneamente a explicar a minha ausência, disse-me que na Faculdade poderia ver os trabalhos apresentados, pois estariam expostos até ao dia 19.
No dia 18 de manhã, aproveitando um tempo livre fui lá e, por sorte, encontrei-me com ele.

Deixo alguns documentos relacionados com a dissertação bem como fotos de dois trabalhos (acrílico sobre plexiglass, montado em estrutura de cobre),  tiradas com o meu celular





Os trabalhos constaram  da exposição “Em Direção ao Azul”, que (sic)
revelou parte da investigação(...)  no âmbito do Doutoramento(...). Trata-se de pintura sobre vidro acrílico, em que a pintura de cariz gestual é realizada de modo inverso à pintura tradicional, registando um acontecimento na qual a eminência de erro é paralelamente um risco e um estímulo. É mais uma manifestação da dependência que o artista tem e da qual não procura a cura. Quanto ao azul, diz, que mais do que uma cor, é um estado emocional.



Como dei conta numa mensagem neste blogue,  em 2011 pude estar presente nas provas de Mestrado que concluiu com 19 valoresCito  alguns excertos dessa mensagem:

O júri referiu-se ao talento do artista, à sua generosidade e modéstia.
Contrariamente a alguns intelectuais jovens e não só, cuja petulância esconde muitas vezes uma mediocridade tangível, Domingos Loureiro oculta, por detrás da sua modéstia , um enorme talento e uma enorme generosidade.

A paisagem está muito presente em toda a sua obra, mas numa perspetiva de contemporaneidade. Entre as suas obras contam-se trabalhos notáveis em madeira, onde as árvores se tornam o objeto predileto de representação"

São de Domingos Loureiro as palavras que seguem e que podem ser lidas nesta entrevista

"O meu trabalho artístico e a investigação que realizo têm a paisagem como elemento primordial, especialmente na relação entre a experiência física da Natureza e a experiência física do acto de pintar uma memória dessa mesma Natureza. Assim ao nível da geografia, retenho um sem número de memórias das paisagens (quase) naturais do concelho, especialmente a Serra de Santa Justa e o vale do rio Ferreira, mas não posso dizer que sejam essenciais no meu trabalho.
Existe uma relação de nostalgia entre aquilo que vejo e aquilo que recordo, não conseguindo esclarecer se aquilo que estou a ver actualmente é exactamente aquilo que lá está".
Tive o enorme privilégio de ser aluna de Domingos Loureiro na Escola Utopia mas referir-me-ei a isso na próxima mensagem.










quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Há dias ...


Há dias que são assim, duma lassidão sem fim,
em que a vida é só cansaço,
tudo é frouxo, tudo é lasso.
Arrasto-me a cada passo e não vou a parte alguma.
Perco-me dentro da bruma da vida que é embaraço,
sem qualquer rumo nem traço.
Sem nada ser não nem sim não existe nó nem laço
que prenda o meu eu a mim.

Lassidão in Gouveia, R. Entre margens


Felizmente, a maioria dos meus dias não são assim e há alguns, como os de ontem e anteontem, que são mesmo a antítese da visão do poema

A anteontem já me referi na mensagem anterior. Mas, para não ser acusada de auto-elogio
não referi algo que ocorreu ao entrar na Bertrand, onde fui assistir ao lançamento a que então me referi. Ia com pressa pois já passavam 15 min da hora prevista para o início da apresentação, quando ouvi: Professora!
De momento não reconheci o aluno.
Sou o Marco, fui seu aluno e agora sou médico.
E de imediato me lembrei.
Apresentou-me a namorada que estava com ele e perguntou: Sabes quem é?
Aquela professora de Física fantástica de quem tanto te falo.
Ainda fiquei una segundos à conversa, o tempo para trocarmos contactos.
Quando subia as escadas interiores da Bertrand, senti que tinha os olhos rasos de lágrimas pelo que os enxuguei antes de entrar no espaço onde decorreu a apresentação

Sobre a apresentação falei na mensagem anterior, pelo que não vou repetir-me.
Vou apenas referir que, a dada altura, o Dr. Laborinho Lúcio, comentando a belíssima apresentação de VHM, disse.
Eu gosto muito que digam bem de mim”
E foi esta confissão de um homem de uma grande humanidade e simplicidade, que me encorajou a contar o episódio com que iniciei esta mensagem.

Ontem, feriado, passei a manhã a ajudar o meu marido na retirada das últimas coisas que havia na casa dos meus sogros e que vendemos agora. Eram 13 h 30 min, estávamos a preparar-nos para terminar a tarefa e ir para casa, telefona a minha amiga Adelaide do “Vivacidade” para me “oferecer” um passeio de barco pelas 6 pontes.  O espaço “Vivacidade” tem agora outras funções. Se bem percebi, trabalha com alguns municípios na realização, divulgação, acompanhamento de eventos.
Pelos vistos, o dia 1 de Outubro é o Dia Internacional das Pessoas Idosas, e a Câmara do Porto decidiu assinalar o evento, não só no dia como em outros ao longo desta semana, com atividades destinadas à população sénior.


A Adelaide contactou algumas pessoas entre as quais, muito simpaticamente, me incluiu. Teria que ainda ir a casa, tomar banho, almoçar qualquer coisa pelo que receava não conseguir estar no Cais da Ribeira às 14,30 min. Mas o meu marido levou-me de carro até lá e fui. O barco encheu com pessoas de todas as condições sociais e quase à hora da partida apareceram o Dr. Rui Moreira e o Dr Manuel Pizarro que participaram no passeio e foram comunicando com os presentes.

Já tinha feito o passeio mas é sempre muito agradável. Deixo duas imagens



No regresso a casa passei pela Ruas das Flores,cheia de turistas e com uma animação contagiante.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fugas…


Mais uma escapadinha até ao meu Nordeste.
Entre as pouquíssimas propriedades rurais que ainda mantenho, conta-se uma vinha com uvas ótimas.
Quem cuida de tudo é um casal cuja família vem cuidando desde há muito (creio que dos finais do século XIX) das propriedades da minha família paterna.
Essa família cuida, fica com todo o rendimento (que é pouco) e com todos os subsídios a que teríamos direito que, presumo, não serão muitos. Em troca dão-nos algum azeite e vinho (este muito pouco porque só o meu marido bebe e esporadicamente), alguma fruta e uvas na altura da vindima.
Quando fazem esta, reservam alguma uvas de mesa para nós e colocam-nas num dos pátios cobertos de minha casa.
No sábado fomos buscar as uvas. Primeiro passámos pela aldeia do meu marido, onde almoçámos (foi só aquecer o almoço no micro ondas) e o meu marido aproveitou para, com a roçadeira que juntamente com a casa, herdámos do meu cunhado, cortar alguma erva que cresce muito rapidamente no quintal.
A meio da tarde fomos para a Parada. Lá estavam as uvas. E como ainda era dia, resolvemos passar pela vinha e fazer o “rebusco”. Adoro fazer isso. Procurar as uvas escondidas que, por qualquer motivo, ficaram escondidas nas cepas, é para mim um prazer. Ainda enchemos duas cestas …

No regresso ainda fotografei o pôr do Sol. Estava fabuloso mas com a máquina do telemóvel não consigo grandes fotos...



Como já aqui referi em tempo, quando os meus filhos eram crianças a viagem para o Nordeste era um pesadelo, Demorava-se praticamente um dia pois como enjoavam, tinham que se fazer várias paragens. Não havia IP, mem A4, nem IC5...A estrada era péssima, cheia de curvas.
Agora, com todas essas vias e o túnel do Marão, chegamos em menos de duas horas. Como levo sempre ligada a Antena 2, são duas horas de prazer...
Na ida, além da música, ouvi parte do programa "Príncipes da Medicina parte III" com Mário Cordeiro  e que pode ser visto aqui.
Centrou-se essencialmente no dealbar da psiquiatria pelo que a figura central foi Miguel Bombarda
No regresso, domingo, foi essencialmente música. De Bach, uma série de suites para violoncelo

Aqui um excerto da suite nº1
Aqui as seis suites

Ontem, segunda feira, o dia decorreu sem grandes novidades. Hoje, às 18 tínhamos a celebração de um contrato promessa de compra e venda, relativo à moradia que o os meus sogros tinham no Porto e só agora foi vendida.Decorreu na Rua Sá da Bandeira. Quando nos dirigíamos para lá vi que a capela de Fradelos estava aberta. Nunca ali havia entrado e valeu a pena.

A surpresa está no interior desta capela onde podemos apreciar imensos painéis de azulejos que retratam cenas da vida de Santa Teresinha, obras do pintor Jorge Colaço, o mesmo que produziu os belíssimos azulejos da Estação de São Bento.

E falando de azulejos, às 18 h teve lugar na Bertrand  (CC Cidade do Porto) a apresentação do livro
O Homem que escrevia azulejos de Álvaro Laborinho Lúcio, cuja sinopse podem ler aqui

A apresentação foi feita por Valter Hugo Mãe.
O autor tinha-me enviado um convite. Conhecemo-nos em 2008, na cidade da Horta, nos XV Encontros Filosóficos,: Educação para o século XXI. Ambos fomos convidados para fazer umas comunicações e  estávamos no mesmo hotel. Pessoa extremamente humana,  culta e gentil. 

A apresentação deveria começar às 18h, precisamente à hora em que eu tinha que estar em Sá da Bandeira. Felizmente ali foram uns minutos, Saí e perto do Silo Auto, apanhei o autocarro 200 que passava na altura. Fui até à Galiza e daí até à Bertrand.  Quando cheguei ainda não tinha começado a apresentação.A apresentação por parte de VHM foi muito interessante. Durante a mesma fez mais que uma vez referência a um  Adagio (do Concerto nº 1 em G maior para violino, op 26) de Max Bruch cuja "presença" no livro é muito forte.
Não conhecia  nem o autor nem a obra mas gostei imenso e por isso deixo aqui um excerto 


https://www.youtube.com/watch?v=bfZMmgIvc8g


Após a apresentação teve lugar uma intervenção do autor. Muito interessante, como o são as intervenções do Dr.  Laborinho Lúcio teve alguns momentos muito "soltos" com  humor . 
Dado o adiantado da hora não pude ficar para a sessão de autógrafos (ainda estive na fila mas desisti...


Enquanto estive no Nordeste, Graça Pires comentou a minha última mensagem. Geralmente os seus comentários coincidem com a divulgação de um novo poema no seu blogue (Ortografia do Olhar), que consta nos meus favoritos. Mais uma vez isso sucedeu.
O poema divulgado, Paz, é" belo e forte" tal como a foto que o acompanha

Sobrepor a voz à dor sem pátria.
Estar lá onde o olhar de todas as mães
procura o olhar de todos os filhos.
Ter um nome de combate para dizer paz.